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::Da nossa eterna mania de achar que a vida do outro é melhor::

04/01/2011

Pronto. Hoje ouvi no rádio uma entrevista que me fez pensar. Era de um cara que tinha se proposto a não propor nada para o ano de 2011. Você reagiria talvez com a indagação: “Que cara estranho!”, mas eu, cá comigo, achei o cara o máximo. Ele disse que as pessoas têm mania de se olhar em fotos de outros tempos e de se sentir estranhas em si próprias, não sabendo mais quem são, quem eram, quem foram todas aquelas “outras” pessoas, e que há uma tendência generalizada pela insatisfação, daí a idealização e no próximo passo vem o desejo de alcançar isso ou aquilo, mudar “tudo”, querer “xyz” no ano novo (e só mudar o botãozinho para “sou feliz” se isso for alcançado), achar que só é possível ser feliz morando em tal lugar, etc.

A verdade é que toda vida é, por muitas horas, sem graça, muita gente se sente só, inútil, igual aos demais, num “trote” do dia-a-dia, afundado na areia movediça da tecnologia, domado pela rapidez dos tempos modernos, e pouca gente pára pra pensar que quase todo mundo se sente assim. A idealização nos leva a pensar que “lá” seria melhor do que aqui, que com “fulano” seria melhor do que com “ciclano”, que a vida do outro é muito melhor, e o muro das lamentações vai crescendo a cada dia um pouco mais.

As grandes mudanças acontecem devagarzinho, lá no nosso íntimo, cá conosco, são (em sua grande maioria) fruto de trabalho anterior árduo, as alegrias são tão rápidas que às vezes as reconhecemos como tais e já se foram, e (quase) todo mundo tem que dar duro pra ter o que tem/ser o que é, não importa onde quer que esteja neste mundão de Deus. Uma grande parte da vida é bastidor, uns pedaços imperdíveis são partes integrantes da minha vida, da sua, da dele(a). Tem neguinho ralando pra tudo quanto é lado. O sofrimento existe. O amor também. Temos mais é que aproveitar o calor humano pertinho da gente. Não há sentido na vida sem o tal calorzinho. E temos que ter paciência entre um momento e o outro. Que pensemos nisso.

Ainda assim, tomei até agora algumas resoluções firmes pra 2011: trabalhar mais devagar, ao mesmo tempo prestar atenção aos sinais do meu corpo, e continuar sorrindo pra vida.

Texto também inspirado neste daqui do blog “Cartas à Filo-Sofia”.


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