Posts Tagged ‘médico’

::Caso de emergência em tempos de corona::

09/04/2020

Ficar doente em tempos de corona não é nada agradável… Menos agradável ainda é nossa tendência de nos deixarmos dominar pelo medo. Explico: se o assunto atual do momento é tomar conta da nossa saúde, é desagradável pensar que enquanto eu estiver visitando médicos ou hospitais, tenho também uma provável grande probabilidade de contrair o coronavírus. E isso acaba sendo contraprodutivo, porque sem saúde, como vamos nos preparara para a chegada do “bichinho”? No meu caso, para já ir me familiarizando com um vírus que provavelmente vai me pegar, mais cedo ou mais tarde, ele já ganhou até apelido e o chamo de bichinho…

Antes de ontem percebi que tinha uma bola se formando na minha bochecha, que começou a incomodar e doer se apertava nela. Era perto da boca, por dentro da gengiva eu podia ver a beiradinha dela. Como não poderia deixar de ser, fiz pesquisa na internet e comecei a achar que poderia ser um cisto ou coisa parecida. Tinha tido sinusite diagnosticada pela minha médica há quatro semanas atrás e poderia ter alguma ligação com isso.

Liguei pra minha médica, já que já conhecia os novos procedimentos adotados desde a chegada do bichinho: ligar, marcar horário, chegar no horário, avisar no interfone, fazer fila do lado de fora e esperar até ser chamado, lavar as mãos ao chegar, manter distância de pelo menos dois metros de outras pessoas dentro do consultório e ir para a sala de atendimento quando for chamada. Já que a sala fica aberta, eu não encosto em nada enquanto estou lá. Pois bem, liguei pra minha médica ontem, expliquei do que se tratava e me deram um horário para hoje, 08:20 h da manhã. De lá, depois de chamar sua colega médica para dar uma olhada naquela estranha coisa na minha bochecha, ela me mandou ir em um otorrinolaringologista. Disse pra eu ir imediatamente e para insistir que fosse atendida imediatamente. Pensei cá comigo: „ela não me conhece, eu vou pra lá e não saio enquanto não for atendida!“… A dor e a urgência falaram por mim, ainda mais porque a partir de amanhã temos o feriado de Páscoa! Só não gostei quando ela comentou que o médico ficava no hospital da cidade…. e o medo do bichinho?!? Ela me acalmou, explicando que o consultoria ficava do lado do hospital, com uma entrada lateral, e que não precisaria entrar dentro do hospital (o que no momento seria até difícil no momento porque visitas desnecessárias estão proibidas a qualquer instituição de saúde). A novidade na minha médica, que da última vez já andava com todo o material de proteção prescrito, é que ela mandou colocar um plexiglas (placa de acrílico) separando a assistente dos pacientes. Boa medida!

Peguei o carro, cheguei lá no otorrinolaringologista com a transferência em mãos, me desculpei por estar chegando sem horário e disse que precisava ser atendida com urgência por causa de um cisto que me doía na bochecha. O médico me atendeu em seguida, fez uma ultrassonografia, disse que o cisto não tinha ligação com o sinus mas estava por cima dele, na pele, e me deu uma transferência para um cirurgião-dentista. A minha dentista fechou até julho, o cirurgião-dentista que conheço está de férias, ir em um outro substituto eu não iria sem saber quem é, e por ficar na cidade do lado da minha fiz a famosa pesquisa na internet para achar outra opção. Achei uma cirurgiã-dentista na minha cidade, peguei o carro e fui direto pra lá.

Chegando lá, repeti o procedimento descrito acima e disseram que eu poderia ficar, que seria atendida em seguida.  Também me pediram para lavar as mãos, eu quis escovar os dentes, me ofereceram uma escova de dentes descartável e um copinho de plástico para poder fazer a escovação sem usar as mãos para pegar a água do bochecho. Fizeram uma tomografia de feixe cônico da minha boca toda e em seguida, depois de esperar um pouquinho, a dentista chegou. Ela anunciou que o cisto tinha se formado por causa de uma infecção dentro da raiz do dente e disse que teria que fazer um tratamento de canal. Perguntei se ela não ia tirar o cisto, e ela disse que geralmente ele poderia desaparecer depois do tratamento de canal. Disse que faríamos isso primeiro e depois eu voltaria para ela olhar o cisto novamente. Ela me deu uma anestesia que milagrosamente funcionou imediatamente, começou o trabalho e terminou em praticamente uns 15 minutos… Depois de abrir o dente, o pus saiu praticamente todo pelo canal, que foi tratado. Ela pôs um antibiótico local, fechou o dente de novo e me pediu para voltar lá no final do mês.

Saí aliviada do terceiro médico em série que tinha visitado hoje de manhã em praticamente duas horas e meia! Essa agilidade também se deve ao momento atual, mas tenho que dizer que estou extremamente satisfeita com o resultado, e muito aliviada! Saindo do consultório, é que fui ter tempo de ler um pouco sobre a experiência da dentista que tinha sido tão eficiente e tão rápida no tratamento daquilo que estava extremamente me incomodando… Por intuição, constatei que tinha feito uma excelente decisão! Antes dela me tratar, tinha fechado os olhos tentando me acalmar, comecei a respirar fundo e vi um labirinto preto com uma linha de neon verde. Pensei cá comigo que se estivesse com meu marido, ele saberia achar o caminho para fora daquele lugar bem mais rápido do que eu. Depois de algumas tentativas, cheguei em uma saída que era como um escorregador imenso, que dava para um clube de lazer feito o que conheço da cidade onde meus pais moram no Brasil, cheio de palmeiras, mas vazio. Fui para a praia e vi que estava em uma baia. Tive tempo de andar primeiro para o lado esquerdo, e depois para o lado direito da praia, ouvindo o mar e alguns pássaros que sobrevoavam o lugar. Senti que estava no lugar certo na hora certa. Sabia que tinha feito uma boa escolha por pura intuição. Abri os olhos novamente e a dentista chegou…

Saindo de lá, fui visitar uma farmácia, uma das poucas lojas abertas na Alemanha no momento, mesmo assim com o famoso plexiglas separando o cliente do funcionário. Minha intenção era comprar um remédio para meus olhos e para meu nariz por causa da minha alergia a feno que vem em diferentes níveis no começo da primavera. Saí de lá com uma bolsa de papel com dois remédios, uma meia de compressão para viagens (muito bonita por sinal!), um creme para as mãos, pastilhas de eucalipto e lencinhos desinfetantes (excelente pedida para desinfetar a parte do carrinho onde pomos as mãos nas compras de supermercado). Ganhei ainda um pacote de lencinhos descartáveis de papel. Disse para a funcionária da farmácia que estava me sentindo como no supermercado e ela riu, comentando que quase não há lugares abertos (com contato humano) onde as pessoas possam fazer compras no momento..

Fiquei pensando sobre isso, em como será a vida pós-corona. O que você acha? Teremos a capacidade de depositar nossa confiança em alguém que nunca vimos hoje, como fui obrigada a fazer hoje, ou teremos a tendência de desconfiar de tudo e de todos?

Logo depois de escrever este texto, me levantei para ir ao banheiro e de lá, diretamente em frente à minha janela, vi duas borboletas amarelas voando juntas, o que é sempre o significado de um bom sinal para mim. E olha que moro no terceiro andar! Tudo acabou bem. Gratidão!

::Odisséia Apollo::

09/08/2019

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Seguir meu instinto nem sempre é fácil quando se trata de viver na Alemanha…

Sou cliente da ótica Apollo tem mais de 20 anos e na realidade nunca tinha saído insatisfeita de lá. Há pouco tempo percebi que não estava mais vendo lá tão bem com meus óculos e decidi dar uma passada lá pra fazer um teste e mandar fazer óculos novos. Mal sabia eu que uma odisséia estava por começar…

Fui três vezes à ótica e voltei de lá com três resultados diferentes, também diferentes do grau dos óculos que uso no momento. A funcionária me perguntou se eu tinha dormido direito, se tomava remédio, se tinha diabetes… Me pediu pra ir ao oftalmologista.

Liguei pro médico e queriam me dar um horário pra daqui a alguns meses… Perguntei quando era o horário do atendimento de emergência: segunda, quarta e sexta de onze aom meio dia. Era uma segunda, umas 10h da manhã. Disse que não podia esperar tanto, tinha dores de cabeça e estava preocupada com tantos resultados diferentes, precisava de novos óculos. Iria naquela segunda mesmo. Ouvi umas tentativas da atendente de se livrar de mim. Repeti que iria estar lá às 11h. Cheguei no horário e fui atendida ao meio dia. De lá fui direto pra ótica, recebendo a confirmação de que agora poderia fazer os novos óculos. Ufa! Só que o computador deles não estava funcionando e deveria voltar outro dia.

Nesse meio tempo fui à minha médica e ela pediu um exame de sangue detalhado. O resultado saiu alguns dias depois: não tenho diabetes. Ainda assim não descobri por que os meus exames de vista estavam tão contraditórios… O oftalmologista tampouco detectou alguma doença nos meus olhos, além do fato de eu precisar de correção ótica.

Voltei outro dia na loja e fiz o pedido de três óculos, um bifocal, um pro trabalho, pra trabalhar no computador, e um de sol bifocal. Envelhecer não é balela!… Mais alguns dias se passaram, os óculos chegaram e fui lá buscá-los. De uma hora pra outra o valor do pedido mudou, e depois de argumentar um pouco, desisti de gastar meu tempo com uma conversa tão desagradável, paguei o valor do pedido e fui pra casa, insatisfeita.

A partir daí voltei lá mais algumas vezes porque os óculos escorregavam, mas o pior foram os óculos pra usar no trabalho, que me davam dor de cabeça e com os quais não conseguia ver além de um metro de distância. Queriam me fazer acreditar que o problema era meu, meu problema de visão tinha piorado e agora teria que ficar trocando de óculos o dia todo quando me levantasse da mesa do escritório… Tentei falar com funcionárias diferentes em horários diferentes, mas elas continuavam irredutíveis. Eu já usava óculos assim antes, que eram bem mais confortáveis, e a resposta que elas me davam não me convencia.

Na enésima vez que voltei na loja, pra mim a décima, decidi que ou fariam óculos novos, ou eu os iria devolver e iria mudar de ótica. Finalmente revi a pessoa que tinha me vendido os óculos. Por sorte, encontrei uma amiga, a Chris, que também me contou que o rapaz era o gerente daquela filial. Era a minha chance! Primeiro disse que era cliente há 20 anos e estava pensando em ir visitar o concorrente porque não estava satisfeita, e que os funcionários queriam me fazer acreditar que o problema era meu, sendo que eu estava ficando com dores de cabeça ao tentar usar os óculos do trabalho. Finalmente ele fez um novo teste de vista, ouviu minhas necessidades e disse que faria novas lentes, com as quais eu iria ver quatro metros ao meu redor. Depois eu reclamei do valor dos óculos, dizendo que acabei pagando um valor superior ao acordado. Ele me devolveu o dinheiro, em espécie. Depois reclamei dos óculos que continuavam escorregando. Ele mudou a borrachinha que apóia os óculos no nariz e desde então sou feliz dona de óculos que praticamente não escorregam mais.

A odisséia Apollo chegou ao fim! Quando quase já estava desistindo de resolver a situação, o reencontro com o gerente fez com que tudo chegasse a um resultado satisfatório. Dessa vez a Apollo não me satisfez 100%, porque não foi fácil receber o que pretendia…. Nem sempre o cliente tem razão, nem mesmo na Alemanha, mas seguir meu instinto foi o mais importante pra chegar ao fim desse impasse.

::Aprenda alemão n’Alemanha! – cursos de alemão na Alemanha::

03/07/2012

Boas novidades! Fechei um acordo de cooperação com duas excelentes escolas de alemão aqui na Alemanha:

CDC (Carl Duisberg Centrum)

O CDC tem 50 anos de experiência no ensino da língua e da cultura da Alemanha e oferece o seguinte:
– cursos de alemão para jovens e adultos (p.ex. preparação para a entrada em uma universidade ou alemã; cursos preparatórios para estar apto a trabalhar na Alemanha)
– treinamentos interculturais
– cursos de alemão combinados com o programa ACCESS, que auxilia a conseguir uma vaga em uma universidade alemã, ou combinado com a busca de uma escola alemã para adolescentes
– cursos de alemão em combinação com estágios na Alemanha
– programas especiais para médicos estrangeiros que queiram atuar profissionalmente na Alemanha
– cursos de alemão combinados com eventos culturais e esporte
– viagens organizadas pelo CDC para o treinamento do idioma alemão (p.ex. viver e aprender na casa do professor, visitas a pontos turísticos, etc.)
– organização de viagens para classes e grupos
– auxílio na obtenção de visto e translado até a cidade do curso
– e muito mais!

Veja todos os detalhes na página da escola em 11 idiomas (português, alemão, inglês, espanhol, etc.) aqui.

O CDC oferece seus serviços em várias cidades alemãs: Berlim, Colônia, Munique, Radolfzell (Lago de Constança – Bodensee). Quem vier aqui pra região onde moro, o Lago de Constança, e tiver sido intermediado por mim, ganha de brinde um encontro comigo a combinar! 🙂

Importante: Quem quiser contratar algum serviço do CDC não deve por favor se esquecer de me citar como intermediadora: Sandra Santos / http://www.mineirinhanalemanha.de

Veja o vídeo abaixo sobre a comemoração de 50 anos do CDC:



Institut Humboldt

Este instituto tem mais de 30 anos de experiência no ensino do idioma alemão e oferece programas similares para jovens e adultos. Ele mantém escolas nas seguintes cidades: Berlim, Freiburgo, Colônia, Munique, Regensburg, Meersburg e Constança no Lago de Constança (Bodensee), Affhollerbach, Bad Dürkheim, Bad Schlussenried, Lindenberg, Reimlingen, Schloss Wittgenstein, Schmallenberg, Schloss Ratzenried e Viena/Áustria. Verifique os cursos oferecidos em cada uma das cidades citadas acima clicando aqui.

A página do Insituto Humboldt pode ser acessada em alemão, inglês, espanhol, francês e polonês aqui.

É importante lembrar: Quem quiser contratar algum serviço do Humboldt Institut não deve por favor se esquecer de me citar como intermediadora: Sandra Santos / http://www.mineirinhanalemanha.de

Abaixo um vídeo em inglês sobre um dos institutos Humboldt na cidade de Lindenberg:

::Consultas médicas / seguro de saúde na Alemanha::

11/01/2011

Na Alemanha todos têm obrigatoriamente um seguro de saúde. Ou ele vai ser o seguro de saúde regular, exigido por lei (gesetzliche Krankenversicherung) ou vai ser privado (private Krankenversicherung). O que determina se a pessoa faz parte de um ou outro tipo de seguro é um montão de leis e, por que não, outras tantas exceções. Falando em geral, o seguro privado é o seguro dos donos de empresa (Selbständige, Freiberufler), funcionários públicos, estudantes e também pode ser o seguro de um assalariado que trabalha na Alemanha e ganha acima de, atualmente em 2011, mais de 49.500€ (salário bruto) por ano, o que é a chamada Jahresarbeitsentgeltgrenze (JAEG): o limite de ganhos anuais para os assalariados que têm seguro de saúde regular do governo. Este valor muda todo ano, então pode ser que um assalariado tenha um seguro privado e depois tenha que voltar a fazer um seguro de saúde regular, de acordo com seu salário anual do ano anterior. Ainda assim, há um terceiro grupo de assegurados: aqueles que poderiam ter um seguro privado, mas ficam no regular por opção própria (freiwillige gesetzliche Krankenversicherung).

O tipo de seguro que a pessoa tem é que vai determinar como serão suas consultas médicas. Já que os médicos tem mais opções pra faturar em cima de assegurados privados, estes têm preferência em toda e qualquer consulta, o que não quer dizer que o nível do seguro regular seja ruim, muito pelo contrário. O nível do atendimento médico na Alemanha é altíssimo, deixa sim muito a desejar no quesito “bom atendimento ao cliente”, mas ainda assim é, em geral, de alto nível. O assegurado privado chega a enfrentar até o problema oposto: como ele é fonte de renda direta para os médicos, há uma tendência maior de “espichar” o atendimento deles, sendo pedidos exames que não são 100% necessários para o diagnóstico de uma doença, só como meio de faturar mesmo em cima da doença alheia.

E como funciona o atendimento? Em geral a pessoa tem que ligar, citar seu seguro de saúde (se for privado) se nunca tiver ido ao dito médico, pedir um horário e o mais difícil: explicar por que precisa do médico e com que urgência. Não é necessário citar que algumas situações podem ser altamente embaraçosas… mas são “ossos do ofício” e quem mora aqui se acostuma com uma certa indiscrição de algumas atendentes. Isso porque as assistentes dos médicos decidem quanto tempo você vai ter que esperar – ou não – até conseguir seu horário. A duração deste tempo de espera pode durar entre algumas horas a alguns meses. Atualmente é necessário esperar-se dentre 2-4 meses para conseguir uma consulta em um médico especialista, e um psicólogo, psiquiatra ou similar tem listas de espera de muito acima de 6 meses.

Geralmente, cada pessoa tem o chamado “Hausarzt“, o médico “da casa”, portanto da família. É ele que cada cidadão aqui visita quando não se sente bem, sendo este o responsável por nos dar uma guia para o atendimento junto a um médico especializado. Isto, claro, caso a pessoa não tenha alta urgência de atendimento médico, quando irá (ou será levada) direto para o hospital (Krankenhaus). As crianças, por sua vez, vão ao “Kinderarzt” (pediatra) e nós mulheres vamos direto ao “Frauenarzt” (ginecologista) sem necessidade de guia anterior.

Para todos os participantes do seguro regular, tem-se que pagar 10 euros por trimestre para o primeiro atendimento no médico “da casa”, e daí lembrar de apresentar este comprovante em outros médicos pra evitar o pagamento dobrado da mesma taxa. Quando recebemos receitas médicas, estas são apresentadas nas farmácias (Apotheken) e pagamos só um valor médio determinado, segundo estou informada, pelo tamanho do remédio. Em geral gasto uma média de mais outros 10 euros com o pagamento de remédios, o que significa que a primeira consulta no trimestre irá custar em média 20 euros, 10 para a consulta e 10 para o remédio (falou a Mineirinha!) 🙂 Claro que há várias exceções, pois como o sistema de saúde é caríssimo e não cobre todos os gastos gerados pelos usuários, a Alemanha tem procurado cortar gastos e vários remédios hoje em dia têm que ser pagos por inteiro, não importanto se você foi ao médico anteriormente ou não. Exemplos deste grupo seriam remédios para doenças comuns tais como dores no corpo, grupe, etc. (p.ex. Aspirina, Paracetamol, Ibuprofen, etc.). Também óculos ou tratamentos dentários são pagos em parte pelo seguro, o restante é pago pelo assegurado. Para terem uma ideia de custos, os óculos do Daniel me custaram aproximadamente 120 euros.

E o que fazer se você tem dificuldades de se expressar em alemão? Em resumo: na dúvida, é melhor ir no “Hausarzt” e pedir pra ele a guia de transferência pro médico especialista, escolher qual será o médico que você vai querer marcar a consulta (por recomendação de amigos e/ou da nossa amiga internet) e dar uma passadinha lá com a guia, marcando a consulta. Há cidades que mantêm listas dos idiomas falados pelos médicos e/ou atendentes da região, e há também em outras cidades o serviço de pessoas que acompanham estrangeiros a atendimento médico para servir como intérpretes. Uma boa opção é pedir para uma amiga ou o marido ser o acompanhante, caso a conversa entre médico e paciente e os termos específicos sejam um impecilho em alemão.

No caso de assegurados privados, o procedimento é diferente: ele recebe as contas das consultas médicas pra pagar, compra seus medicamento pagando os valores completos e tem que coordenar o ressarcimento do valor junto ao seu seguro de saúde. Pra compensar, o seguro de saúde privado tem, em geral, mais regalias, tais como p.ex. atendimento pelo chefe médico no caso de uma operação, quarto individual no hospital, atendimento psicológico, melhor cobertura no caso de tratamentos dentários, etc. Os programas são bastante diversificados, assim como seus custos.

Poderia continar falando deste tema por muitas e muitas linhas… Mas acho melhor parar por aqui e perguntar se ainda ficou alguma dúvida em aberto, se vocês completariam mais alguma coisa muito importante que eu tenha esquecido, e se algum ponto ficou talvez mal explicado. Obrigada à minha leitora assídua, a Roberta, que sugeriu este tema! Agora é sua vez de deixar seu comentário! Obrigada a você também por sua participação!

::Mãe é um bicho estranho::

25/11/2010

Desde há umas semanas atrás o Daniel começou a mover os olhos de um jeito estranho, a olhar pra frente virando a cabeça de lado, dentre outros movimentos. Tudo começou junto de uma infecção em um dos olhos e primeiro achamos que era só por causa disso, depois pensamos que era tique e por fim, depois de muito observar e pesquisar sobre o assunto, em um belo dia onde estávamos só eu e ele em casa, cheguei à conclusão de que o problema dele era eu. Explico: eu o tive aos 35 anos, quando uma gravidez já pode ser considerada “de risco”, ele não queria sair da barriga e nasceu por cesária 14 dias depois da data prevista e quando pequeno teve aquele acidente onde parou de respirar por alguns momentos e quase morreu. Por via das dúvidas, pensei que ele tinha alguma seqüela (sem trema a palavra fica estranha!), que tinha atingido seu cérebro, e como ele já tem uns probleminhas na linguagem, aumentei a coisa e identifiquei a “mea culpa” completa. Acho que quando uma mãe faz isso (o que eu acho ser super comum entre nós, bichos estranhos que ninguém entende), ela monta a coisa tão cheia de lógica que daí nenhum santo ajuda a desmontar. Quando o Matthias e a Taísa chegaram em casa, a armadilha já estava bem montada pra mim. Falaram que eu estava ficando doida, mas eu estava convencida do esquema que tinha desenvolvido depois de tanta leitura e observação. Bom, mas eu sabia que mais dia menos dia teria que ir a um especialista e pedir pra checar os olhos do Daniel. Por precaução, fizemos aqui em casa um filminho quando ele estava movendo bastante os olhos e lá fui eu conseguir uma via de transferência do pediatra pro oftalmologista. Depois de ter dado uma choradinha ao telefone pra atendente do médico (que sempre quer saber detalhes da vida da gente e tem o poder nas mãos, podendo dar um horário em breve ou dentre os próximos 3-4 meses, dependendo da especialidade), tive sorte de conseguir um horário um dia depois. Chegamos no médico bem pontuais e fui recebida por uma “anta” me dizendo de maneira bem mal-educada que teria que pagar 25€ pela consulta se o médico constatasse que o Daniel não t nada nos olhos. Respondi que ele tem sim, que nunca tive que pagar nada para consultas ou remédios para minhas crianças. A resposta dela foi contundente: “Então a senhora deveria se preparar, pois terá que pagar muito ainda para seus filhos de agora pra frente”. A prognose dela não foi mesmo nada boa. De quebra, ainda me pediu pra dar um passeio pela cidade e voltar uma hora depois, pra encurtar a espera que acabou demorando ao todo 2 horas. O médico nos atendeu e eu queria ter começado a falar, mas ele me cortou, dizendo querer falar só com o paciente. Pode? Mas de qualquer maneira ele me avisou em poucos minutos que o Daniel tem hipermetropia, com muito custo consegui mostrar uns 10 segundos do vídeo e ele se foi, pedindo pra marcar horário para outros testes de vista. Ao ir pra loja, ainda passei na prefeitura, onde me trataram mal pela terceira vez em um só dia. Depois disso foi fácil entender por que o Matthias vive ganhando gorjeta na loja!!! 😉 Muito aliviada, fui preparando o Daniel que ele iria provavelmente usar óculos e isso foi confirmado alguns dias mais tarde, quando foi confirmado que ele tem 1,75 graus de hipermetropia. O pequeno problema é que o Daniel é super-ultra-hiper vaidoso (puxou a vó materna!) e já sabia que seria super difícil ajudá-lo a escolher óculos, então chamei o Matthias pra ir conosco à ótica. A luta foi dura, no final ele escolheu a cor (aro preto fininho), nós escolhemos o modelo (retangular, com as pontas arredondadas). E a luta continua, pois daqui a 10 dias os óculos vão chegar e cabe a nós conseguir que ele os use com regularidade, pois do contrário uma das vistas pode enfraquecer ou ele corre o risco até de ficar vesgo. Acho até que ele vai ficar gatinho de óculos, com os cílios longos que ele tem. Eu, mãe-puxa-saco? Claro! Mas se bem que isso é melhor do que ser uma mãe-bicho-estranho. Bom, mas eu sou assim também. E quem não é?

::Os anjos dos expatriados e um acidente de bicicleta::

19/02/2010

Lendo um post lindo e motivante da Eve, me lembrei do meu primeiro dia na Alemanha, quando não teria conseguido mesmo dar os primeiros passos sem o auxílio deles – dos anjos dos expatriados.

Quando a gente menos espera, lá estão eles, quebrando vários galhos e nos impulsionando pra frente. Eu não sabia usar os carrinhos do aeroporto de Frankfurt, que se movem quando você põe uma moedinha nele E empurra o lugar que se põe as mãos (“Griff“, como se chama isso em português?) pra baixo. E lá estava eu, com tudo no carrinho, moedinha no lugar, mas não conseguia mover o carrinho. Alguém chegou e me ajudou. E muitos outros “alguéns” foram aparecendo naquele dia, pra comprar a passagem de trem na máquina, pra descer com as pesadíssimas malas pra plataforma de embarque… Viva os anjinhos dos expatriados! Quando foi a última vez que eles aparecem para você?

Pra mim foi hoje de manhã mesmo. A Taísa me ligou, alguns minutos depois de ter saído de casa, aos prantos, avisando que tinha caído da bicicleta e perguntando se podia voltar pra casa. Um segundo depois eu já estava ligando pro meu trabalho pra avisar que chegaria mais tarde pois iria com ela pro hospital, e também liguei pra escola dela avisando que ela tinha tido um acidente. Ao vê-la e dar uma espiada no joelho, cujo sangue tinha vazado para a calça jeans ralada, vi que o machucado não era grande e prestei-lhe primeiros socorros, como boa Ersthelferin (prestadora de primeiros socorros) que sou. Queria levá-la para o hospital para ter certeza que o osso do joelho estava intacto, mas na hora ela não quis ir. Indo pro trabalho, pensei na diferença entre o “ist vom Fahrrad gestürzt” e o nosso “caiu da bicicleta” (e não “ist vom Fahrrad gefallen“) e agradeci por não ter acontecido nada sério com ela. Ela caiu num lugar que estava cheio de sal, que é usado para proteger o chão da neve e na realidade com o propósito de tornar o caminho mais seguro, mas no caso dela funcionou ao contrário.

À tarde ela me ligou falando que o joelho continuava doendo e que queria ir ao médico. Marquei consulta e pedi pro Matthias ir com ela, pois já tinha outro compromisso no mesmo horário, junto do Daniel. Eles chegaram com boas notícias: o médico disse que o joelho dela está intacto, que ela tem um “joelho-modelo” e que – o que ela não gostou muito – o joelho dela está quase chegando no tamanho adulto. Ele disse que ela pode crescer ainda uns 6 cm, pois há vários locais no corpo que indicam o crescimento de uma pessoa. Disso ela gostou!

Importante: se você sofrer um acidente no caminho para a escola ou para o trabalho (ou de lá no caminho pra casa) na Alemanha, não se esqueça de comentar este fato com o médico que te atender. Ele vai repassar a informação para a Berufsgenossenschaft (corporação profissional responsável pelo seguro de acidentes obrigatório), que vai cobrir toda e qualquer consequência advinda do acidente. Se a pessoa ficar impossibilitada de trabalhar, p.ex., ela pode vir a receber uma indenização deste seguro.


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