Posts Tagged ‘Multiculturalismo’

::Sinais, refugiados & poemas::

11/09/2015

Talvez estejam se perguntando o que um tema tem a ver com o outro?!? Pasmem: acreditem ou não, por um grande acaso do universo, reencontrei o anjo sobre o qual comentei no meu livro Mineirinha n’Alemanha, bem no finalzinho, que salvou meu filho depois de uma parada respiratória. Fui até o meu anjo feminino e disse que a conhecia, mas não lembrava bem de onde… Ela disse que tinha sido a pessoa que me ajudou, quando meu fiho parou de respirar… Eu a abraçei imediatamente! Disse que mantenho minha promessa até hoje, pois continuo sendo socorrista. E disse que aquela história, naturalmente, me marcou muito, porque eu só a vi em minha vida no dia que ela me ajudou, um dia depois para poder agradecê-la pela ajuda, e depois nunca mais voltei a vê-la. Acreditem se quiser, isso aconteceu quando o Daniel tinha uns 3 anos, e fiquei sabendo essa semana que ela mora no meu bairro, mas nunca mais tínhamos nos visto novamente. Conversamos um pouco, eu disse que acredito firmemente em sinais e que semana passada recebi um grande sinal, pelo que estava pedindo e orando muito, com a ajuda dos meus amigos e familiares. E sei que ela foi um sinal para mim, um anjo no lugar certo e na hora certa, que salvou meu filho, pelo que sou muitíssimo agradecida! E que lugar teria sido mais propício e mais simbólico para esse reencontro que não em um curso de meditação budista? 🙂 Eu disse pra ela que hoje o Daniel é um menino enorme, quase do meu tamanho, com ótimas notas e muito inteligente. E que eu sei que naquele dia fatídico tínhamos só dois minutos para reagir depois da parada cardíaca, e não posso parar de agradecer a ela e ao universo por essa dádiva. Ela comentou sobre a filha dela, começamos a falar da volta às aulas na semana que vem. Mais uma coincidência: a filha dela é da mesma idade do Daniel e vai estudar na mesma escola, porém em uma classe paralela à dele. Vamos nos rever a partir de agora várias vezes! Que grande presente do universo!…

Vira e mexe vejo vídeos e leio mais artigos sobre a atual crise de imigração. Existem no momento ao todo 50 milhões de pessoas no mundo envolvidas em movimentos migratórios! Este é o maior número desde a 2ª. Guerra Mundial!

Dos refugidados da Síria, até o final de janeiro de 2015, somente 4% tinham vindo para a Europa. Em termos relativos, se comparado ao tamanho da população de cada país, os países que mais recebem refugiados em 2013 foram a Suécia, a Áustria e a Hungria. Está provado que os imigrantes podem ser uma força propulsora para as economias locais. No caso da Alemanha, em 2012 os estrangeiros contribuíram em em média com 3.300 euros de impostos e contribuições sociais, ainda levando em conta o que havia sido gasto com a ajuda ao imigrante. Conclusão: eles geram mais recursos do que custam, a contrário do que todo mundo pensa. Esses dados aqui são muito valiosos, claro que terão que ser atualizados com as mudanças atuais, mas devem ser mostrados a todos aqueles que têm muito preconceito e receio com relação aos refugiados. Tinha lido também que dos asilados, 15% tem ginásio completo e outros 15% tem um curso superior, o que vale ouro para um país feito a Alemanha que precisa urgente de mão de obra qualificada em várias áreas de conhecimento. Segundo uma pesquisa atual 18% da população alemã já ajudou diretamente os refugiados, outros 23% pretendem prestar ajuda concreta dentro em breve.

Outra comparação: o Obama anunciou ontem que vai receber 10.000 refugiados no próximo ano, depois de ter sido fortemente criticado nos últimos dias. A estimativa é de que a Alemanha estará recebendo este ano 800.000 refugiados (o maior número de pedidos de asilo tinha sio até agora em 1992, de aproximadamente 440.000). Comparado a população da Alemanha com a dos EUA, ele teria que receber 3,2 milhões de refugiados, o que daria aproximadamente 10.000 pessoas, mas por dia.

Tenho escrito muitos poemas no momento. São tantos, que estou até pensando em lançar um livrinho só com poesias e pensamentos, sinais que ando recebendo nos últimos meses. Fecho o post de hoje com um poema, aquele que usei como fechamento do meu livro Mineirinha n’Alemanha, que não poderia ser mais atual para os dias de hoje (tradução para o português logo abaixo). Bom final de semana para todos! Agora que o sol está nos deixando, chegamos novamente à fase introspectiva do ano, hora de fazer altas viagens mentais. Bons pensamentos!

Wir sind alle Ausländer – Somos todos estrangeiros


Wir sind alle Ausländer
Heute ich
Weit weg von zu Hause
Nehme eine andere Kultur an
Wohne,
Bewege mich,
Esse,
Trinke:
Alles ist anders.

Morgen DU
Kannst eine andere Kultur annehmen
Aus eigener Entscheidung oder unfreiwillig
Dann wirst DU
Wohnen,
Dich bewegen,
Essen,
Trinken:
Alles wird anders sein.

Wir sind alle Ausländer
Heute ich, gestern ein anderer, morgen du, vielleicht:
Bürger dieser Welt.

°°°

Hoje EU
Muito longe de casa
Abraço outra cultura
Vivo,
Me movimento,
Como,
Bebo:
Tudo é diferente.

Amanhã VOCÊ
Pode abraçar outra cultura
Por decisão própria ou por falta de escolha
Então você irá
Viver,
Se movimentar,
Comer,
Beber:
Tudo vai ser diferente.

Somos todos estrangeiros
Hoje eu, ontem outro, amanhã você, talvez:
Cidadãos deste mundo

Fontes: Handelsblatt Morning Brief de 11.09.15, artigos do jornal Süddeutsche ZeitungFakten gegen Vorurteile” (Fatos contra o Preconceito) de 21.01.15 e “Was hinter der Bereitschaft der Deutschen Steckt” (O que está atrás da solidariedade dos alemães) de 11.09.15.

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::Dago & Rosas Heft::

22/03/2015


O Dago Schelin, leitor da Mineirinha, sobre quem falei aqui e aqui, é um brasilemão. Seus antepassados emigraram da Alemanha para o Brasil nos anos 1920. E ele fez o caminho inverso, morando desde 2013 em Marburg e, com o relembrar da língua alemã, voltam também à lembrança as canções alemãs da infância. São canções que a mãe e a avó delem cantavam. Algumas são conhecidas como Guten Abend, Gute Nacht de Brahms. Boa parte das músicas já nem são mais lembradas pelo povo alemão. Mas foram guardadas, como numa cápsula do tempo, por gerações de imigrantes no Brasil. Ele as misturou com Bossa Nova e está divulgando um projeto verdadeiramente binacional Brasil-Alemanha! Segundo o Dago, a previsão do lançamento do CD é junho. As gravações estão sendo feitas na Alemanha e no Brasil (o samba na Alemanha e o clássico no Brasil) 🙂

Leia mais sobre o projeto do Dago aqui, dê um like aqui na página do Facebook do projeto dele. O resgate cultural, ainda mais praticado por um brasiemão como ele, merece todo o nosso apoio! Em tempo: aqui tem mais um outro projeto do Dago, o Living Room.

Aqui uma pequena amostra do Rosas Heft, comparado com a música tradicionalmente conhecida aqui na Alemanha:

::Ainda de luto::

08/01/2015

#jesuischarlie

::Enquanto isso, em Berlim::

07/01/2015

Num dia tão triste para a liberdade de expressão como o de hoje em que 12 pessoas foram mortas na França por terroristas islamistas, estes que não querem saber de pluralidade e só aceitam a sua verdade, acho na internet um sinal de paz numa placa em Berlim, com os seguintes dizeres:

“Por que as pessoas que vivem, trabalham, amam, brincam, aprendem, riem e moram aqui são chamadas de estrangeiras?” #jesuischarlie

Veja o projeto por trás desta frase aqui, baseado no julgamento do grupo terrorista neo-nazista alemão NSU, sobre o qual escrevi aqui. E abaixo, um filme com a artista que coletou e idealizou as placas, espalhadas por Belim e Munique, a alemã Beate Maria Wörtz. Veja outro trabalho dela, sobre o que significa a pátria para pessoas de vários cantos do mundo:

::Aprenda alemão (e, de quebra, inglês) cantando::

23/09/2014

Em dias como os atuais, onde os povos estão em guerra e falta entendimento dentro da raça humana, que afinal, é uma só, é gostoso ouvir músicas que são cantadas por pessoas multiculturais e que levam uma mensagem também multicultural, que falam de tolerância e respeito. Isso vale para esta música do cantor alemãoAdel Tawil, nascido em Berlim de pais imigrantes do Egito & Tunísia, com participação do cantor de reggae americano Matisyahu, filho de imigrantes judeus, que está fazendo bastante sucesso no momento aqui na Alemanha.

O refrão da música “Zuhause” (Casa) é o seguinte:

Venha, vamos fazer o mundo brilhar!
Não importa de onde quer que você venha
Você pode se sentir em casa onde estão os seus amigos
Neste lugar o amor é de graça

::Amizade sem brigas::

26/07/2014

Você tem um amigo com quem nunca brigou?

Eu tenho uma amiga assim, e ela tem 68 anos. É a única amiga de idade alemã, ex-colega de trabalho, com quem dividi o mesmo escritório de 1998 até o ano de 2000.

Os anos se passaram, e nossa amizade continuou. E eu nunca tinha percebido que nunca tinha brigado com ela. Ursula me chamou atenção para este fato da última vez que a visitei. Como não poderia deixar de ser, eu faço tudo errado, e ela me ama mesmo assim. Ela desculpa o fato de que eu marco um horário e não consigo chegar no horário combinado na casa dela. Chego de mãos vazias, apressada de um lugar pro outro, no meio da correria da vida de segunda a sexta, suando com o sol europeu, com o qual muitos do Brasil acreditariam que não seria suficiente para suar. Chego de mãos abanando e sou recepcionada com um sorriso, com um café, com a melhor porcelana, com biscoitinhos e carinhos. Ela nasceu no mesmo dia do meu marido e de um ex-namorado meu. Coincidência? Eu sempre fui rodeada de leões, o signo, iso é o que quero dizer. E apesar de ser leonina, durona, decidida, orgulhosa, de opinião inabalável e muito senhora de si, ela gosta de mim e eu dela. Amor gratuito. Simples assim.

Foi dela que recebi a oferta do “du”, o tu em português, que tem um significado tão especial de aceitação e respeito, de abertura de portas e escancaramento de janelas psicológicas, logo no primeiro dia de trabalho. O comentário veio acompanhado de um sorriso:

Mädel, du gefählst mir, du darfst mich duzen. (Menina, gostei de você, pode me chamar de Ursula).

Com esta oferta, para a qual nem soube dar tanto valor há tantos anos atrás, eu ganhei uma amiga para sempre. Ela tem me acompanhado nos sobes e deces da vida nesses 16 anos que nos conhecemos e nunca deixou de acreditar em mim. Quando eu faltava ao trabalho, por motivo de doença, minha ou da Taísa, ou por passar férias em algum canto, voltava ao escritório e minha mesa estava limpa, ela tinha feito todo o trabalho. Um grande exemplo de solidariedade que levei para a vida. A única vez que veio me visitar em casa foi quando o Daniel veio ao mundo, em 2005. E eu não sou a melhor amiga do mundo no que diz respeito a ligar sempre, acompanhar a vida do outro, portanto passamos alguns anos sem muito contato, mas a chama da amizade nunca apagou.

Há alguns anos atrás tive um trabalho perto da casa dela. Passei a ir lá com mais frequência, falávamos do passado, do hoje, dos filhos, do meu trabalho, de quando ela trabalhava, do nosso mínimo passado comum. Na mesa dela, a foto do marido morto que eu nunca conheci. Eu poderia ser filha dela. Ela tem uma filha única da mesma idade que eu, que só conheco por foto. Um dia ela me perguntou se poderia cortar um cachinho meu pra mostrar pra filha dela. Lógico que concordei. Se estou lá e ela atende o telefone, altera a fala do alemão padrão para o dialeto, que eu por sorte também entendo, e comenta que está recebendo visita de uma amiga querida que vem do Brasil.

Da última vez saí da casa dela com vários presentinhos: um vidrinho de marmelada, ervas do seu jardim, amor embalado pra levar pra casa. Da próxima vez vou lhe trazer uns potinhos de flores pra enfeitar sua entrada, nem de todo voada eu sou. Mas o carinho gratuito dela me deixa feliz e perplexa, pois amor gratuito e sem interesse é algo difícl de se achar neste mundo de cão.

Fonte de inspiração: texto escrito logo após de assistir o filme “Das Labyrinth der Wörter” (em português “Minhas tardes com Margheritte), que também fala de uma bela amizade entre gerações diferentes, cujo livro também li, indico por ser muito lindo e bem escrito. Ele é de autoria de Marie-Sabine Roger.

::Tradução da música do final da Copa do Mundo “Ein hoch auf uns” – Andreas Bourani::

26/07/2014

Aqui a tradução livre, feita por mim do alemão para o português, da minha música predileta no momento. Foi ela que tocou quando o time da Alemanha ganhou a Copa do Mundo no estadio do Maracanã no Rio de Janeiro no dia 13/07/14. A música é do cantor de origem egípcia Andreas Bourani, que cresceu na Baviera, e se chama “Ein hoch auf uns” (letra da música em alemão aqui).

Vamos festejar – Andreas Bourani

Quem pode congelar este momento
Melhor não é possível
Pense nos dias que deixamos para trás
Há quanto tempo dividimos alegrias e lágrimas
Aqui cada um dá a camisa pelo outro
Não somos deixados sozinhos (na chuva)
E enquanto formos guiados pelos nossos corações
Isso vai continuar assim

(Refrão)
Vamos festejar o que está por vir
Que seja o melhor para nós
Vamos festejar o que nos une
Vamos festejar este momento (e nós)
Vamos festejar esta vida
O momento
Vamos festejar este momento (e nós)
Que fica pra sempre
Vamos festejar este momento (e nós)
Agora e sempre
Ao dia de hoje
Infinito

Nós temos asas, juramos que vamos ser fiéis eternamente
Aproveitamos o dia de hoje juntos
Uma vida inteira sem arrependimentos
Desde os primeiros passos até morrermos
(Refrão)

Fogos de artifício de endorfina
Fogos de artifício que passam pela noite
Tantas luzes restaram
Um momento que nos deixa imortais
Nos deixa imortais
(Refrão)

::Divagações de sábado de manhã de meio-brasileira, meio-alemã::

26/07/2014

Inspirada pela minha revista alemã predileta aqui na Alemanha (Der Spiegel), que comprei há umas semanas atrás e que absolutamente não pode ser substituída pela versão online da mesma, que leio toda noite, volto a pensar sobre o Brasil, a Alemanha e o mundo.

O artigo “A nação que está mais leve” (Die entkrampfte Nation, alguém tem uma sugestão melhor de tradução?) comenta que os alemães estão se descobrindo e se reecontrando, a cada Copa, com o passar dos anos, tendo como marco das mudanças a Copa de 2006, que ocorreu em solo alemão.

O povo alemão está aprendendo a se reinventar e pode afirmar o que está bom no país, e reconhece ao mesmo tempo o que não anda bem. Tudo faz parte da nova identidade, que é mais leve e mais desprovida do peso do passado. Eles sabem quem são internamente, mesmo que tenham dificuldade de saber qual é o seu papel no mundo. Ainda que esteja claro que, com Angela Merkel como líder forte, respeitada e atuante, a Alemanha tenha posição de destaque na política internacional. Portanto, eles demonstram no momento um misto de leveza e importância.

O artigo “Viajar, mas não pra longe” (Bloß nicht so weit weg, tradução livre), também da revista Der Spiegel, afirma que apesar dos jovens alemães terem a oportunidade – e condições – de estudar no exterior, muitos deles preferem ficar no país. Para mim isso pode ser um sinal positivo, já que vejo nas novas gerações a leveza descrita no artigo e o reconhecimento de que o país vai bem, obrigado. Por outro lado, o país está ficando cada vez mais multicultural, ainda que temas como diversidade e integração continuem a ser altamente discutidos. Dos jovens que vão ao exterior, muitos voltam afirmando gostar de conhecer o mundo, mas preferem viver na Alemanha, onde uma vida de qualildade é possível para a maioria da população e as escolas são de graça até a universidade.

Antes da queda do muro, os alemães se definiam como alemães do leste, do oeste, orientais, ocidentais, social-capitalistas, comunitas… “Ossis” e “Wessis” falavam do lado de lá e de cá. O muro caiu sem guerras e o país voltou a ser um só, e pode se dar a liberdade desde a Copa de 2006 de mostrar sua bandeira e de mostrar sua felicidade como nação reunificada. No meio do caminho, depois da queda oficial do muro que dividia o país, um muro virtual continuou por vários anos na cabeça dos alemães, que reclamavam uns dos outros e do fato de que a parte ocidental (cada cidadão) teve que ajudar financeiramente a parte oriental a se reerguer, enquanto na parte oriental falava-se do desemprego, das dificuldades encontradas com a reunificação. Algumas décadas depois, algumas diferenças persistem, mas o país pode se orgulhar de ter passado por este processo sem guerras e sem revolução civil. O alemão virou um povo só, não tem mais que se definir pelo lado de onde vem. E isso ajuda no sentiment de leveza.

O povo alemão também virou um povo colorido e multicultural. Segundo dados do OECD a Alemanha é o segundo destino de imigração no mundo, ficando só atrás dos EUA. Atualmente, 400 mil pessoas têm o desejo de ficar por aqui por tempo indeterminado.

Os alemães também refletem sobre seus erros. O fato de um aeroporto ter sido iniciado e nunca ter sido terminado em Berlim, por motivos de corrupção, falta de planejamento e má administração da verba pública os fazem afirmar: sim, nós também somos isso tudo. Ao mesmo tempo que reconhece seus acertos, critica os erros e olha para o passado de forma consciente para evitar a repetição dos grandes erros de um passado tenebroso.

O que é típico da cultura alemã combina com o estado atual do país: em grande parte, o povo é trabalhador e esforçado, disciplinado, (nota minha: vive de forma humilde, simples e prática) e quer crescer, ou pelo menos manter o que atingiu. Uma economia que vai bem contribui para a leveza de seu povo. Atualmente, mais de 42 milhões de pessoas têm um emprego, a maior marca da história do país. Os salários são bons e o poder de compra cresceu. Os juros estão baixíssimos e as pessoas aproveitam para gastar, comprar imóveis, investir na qualidade de vida. Parece que o país vai crescer 2% neste ano de 2014, o que, para uma economia idosa e instalada feito a Alemanha, é um resultado excelente.

O país vai bem e, se pudesse, iria congelar tudo o que tem no momento. Nada de novo, nenhuma nova chanceler no poder e o mínimo de política. Se o país se envolve de forma militar no mundo, então que seja para que soldados alemães se arrisquem ao mínimo e ajudem, podendo voltar depois para casa. Os alemães estão fartos de guerras.

O país se tornou mais leve, sim, mas ainda não sabe direito qual deve ser seu novo papel no mundo. Antes o país ocupava a liderança na Europa, sendo um dos melhores amigos dos EUA. Agora, com os escândalos dos últimos tempos de NSA e espiões tão próximos do poder alemão, tudo mudou.

Assim como os alemães, acho que nós brasileiros também podemos – e devemos – nos reinventar a cada dia. Não podemos ficar parados em cima do status quo de corrupção, egoísmo e da grande tentativa de manobrar massas da mídia brasileira, que representa os ricos desta nação que sempre souberam defender seus interesses. É necessário avaliar o que anda bem, e o que pode ser mudado. É necessário acreditar e apostar na liberdade de expressão dentro de um país dito democrático. Cada um de nós pode pegar na caneta, encostar os dedos no teclado, mãos à obra, em todos os sentidos! E acreditar que com o andar da carruagem o país vai se fazendo, o mundo vai mudando. Espero, pra melhor.

Mas a mudança começa de baixo para cima. Dos atos do dia-a-dia de cada um, em todo e qualquer canto do mundo. E só enxergamos aquilo que existe em nossa realidade. Aí está a razão pela qual vale a pena viajar e conhecer novas culturas, novas formas de resolver os mesmos desafios. Com a ampliação de nossas mentes, muitas coisas passam a existir, novas janelas vão sendo abertas. A perspectiva é válida para cada um nós. É válida para o mundo. Vão ser as trocas de experiência e de conhecimento que vão fazer deste mundo um lugar melhor para todos. Os animais, por exemplo os passarinhos e as borboletas, mais sabidos que nós, já nos mostram o caminho: eles não conhecem as fronteiras que colocamos no papel.

Fonte de inspiração: revista Der Spiegel número 29 de 14.07.14, artigos „Bloß nicht so weit weg“, página 46, e „Die entkrampfte Nation“, página 57.

::Cadê a Mineirinha? Where the hell is Matt?::

01/08/2010

A Mineirinha anda aproveitando o verão e sua mãezinha, que está passeando do lado de cá. Organizamos dois encontros no lago hoje e no domingo passado, cada um com grupos totalmente diferentes mas ambos super legais: semana passada vieram pra cá os brasileiros das redondezas e suas respectivas famílias, gente de todo canto do Brasil, do extremo norte ao extremo sul, inclusive um russo super fofo, namorado de outra Mineirinha n’Alemanha, um marido e filhos suíços e outra mamãe argentina. Hoje estiveram aqui brasileiros de um pouco mais longe, alemães, um casal amigão meu (o marido da República dos Camarões e a esposa da Irlanda), que eu conheço desde o primeiro dia de Alemanha (desde 1993, portanto há 17 anos!), além de eu ter recebido a visita da Eve e marido, e da Liza, marido, filhote e amigos (todos mineiros, uai!). 😉 Acho que não tem mesmo coisa melhor: amizade, bom papo, amor dividido e compartilhado, sol, brisa e água fresca. Só tenho a agradecer pela visita de tantos amigos queridos! O vídeo abaixo reflete bastante como estou me sentindo, e como achei sua ideia e propósito fantásticos, o deixo aqui pra enfeitar a próxima semana de vocês. Fui! 🙂

Where the hell is Matt? – Cadê o Matt?

What are these humans doing? Dancing. Many humans on Earth exhibit periods of happiness, and one method of displaying happiness is dancing. Happiness and dancing transcend political boundaries and occur in practically every human society. Above, Matt Harding traveled through many nations on Earth, started dancing, and filmed the result. The video is perhaps a dramatic example that humans from all over planet Earth feel a common bond as part of a single species. Happiness is frequently contagious — few people are able to watch the above video without smiling.

°°°

O que estas pessoas estão fazendo? Dançando. Muitos humanos na Terra demonstram períodos de felicidade, e um dos métodos de fazer com que esta felicidade fique evidente é dançar. A felicidade e a dança transcendem barreiras políticas e acontecem praticamente em todas as sociedades. Acima, Matt Harding viajou por muitos países no mundo, começou a dançar, e filmou o resultado. Este vídeo talvez é um exemplo dramático de que pessoas de qualquer origem se sentem interligadas como parte de uma espécie comum. A felicidade é frequentemente contagiante – poucas pessoas conseguem olhar o vídeo acima sem sorrir! Você conseguiu? 😉

::Culcha Candela e Keule – música alemã pra curtir, sorrir e dançar::

18/07/2010

Minha filha Taísa tinha pedido para ir a um show do Culcha Candela e nós, os marmanjos, nos oferecemos pra acompanhá-la, levando conosco duas outras amigas dela. O show da banda Culcha Candela, uma banda alemã absolutamente multicultural cantando em 4 idiomas (alemão, espanhol, inglês e patois – um dialeto francês jamaicano), foi ontem e nós adoramos!

A festa já começou super bem com a banda KEULE abrindo a noite, que também vem de Berlim e é super bem humorada. A banda, composta pelos músicos doidões Claus e Sera, desde a abertura arrancou vários sorrisos do público, que lutava com guardas-chuvas, capas e blusas com capuz contra uma chuvinha chata que teimava em nos molhar e tentava estragar o começo da festa. Bom que depois dos primeiros 15 minutos ela resolveu nos deixar! Pois bem, a primeira banda totalmente desbocada mas altamente legal, que vocês podem curtir abaixo, já deixou o público animado para o que vinha a seguir:

Depois de mais de uma hora de espera, finalmente chegaram os 6 integrantes do Culcha Candela (pelo que li significa Cultura Quente), que vêm de 5 países nos 4 cantos do mundo e já lançaram 5 CDs desde 2002, quando a banda surgiu em Berlim. Logo depois da música Sommer im Kiez (Verão no Bairro) o tempo firmou e deu pra ver até o restinho do sol. Eles cantam músicas misturando hip hip, reggae e ritmos latinos, e são parte de um movimento de renovação e transformação da sociedade mesmo que não fazendo questão de levantar o tempo todo a bandeira do multiculturalismo e contra o racismo, passando acima de tudo alegria, bom humor e um estilo de vida integrativo, onde há espaço para todos e todos se respeitam. Um estilo bem „Copa do Mundo“ mesmo. Através das músicas, eles passam para o público unidade, a ideia de que todos somos interdependentes, espalham bom humor e convidam todo o público pra curtir a vida e festejar. Achei interessantíssimo notar que o público da banda vai mais ou menos de 7 a 60 anos, pois tinha gente de toda idade por lá. Muito pai e mãe acompanhando filhos, como nós, muitos deles bem menores que minha filha, que tem 14 anos. A maioria das pessoas era super animada, dançava o tempo todo e muitos tinham sorrisos estampados no rosto. Acho que é um público que nós, brasileiros, não vemos com frequência aqui na Alemanha, mas é uma promessa de algo de bom que está brotando por aí, na sociedade e na cabeça das pessoas. Com vocês, Culcha Candela, com as músicas Next Generation (Próxima Geração) e Monsta (Moster – Monstro, aqui em um sentido positivo de “muito bonito(a)”):

Next Generation – Culcha Candela

-REEDOO-
culcha candela one more time now

-CHORUS-

it’s all about di next generation
whe people get ready fi crossover stylee
a di next generation
wi mix up dancehall hip hop an reggae now
next generation
worldwide yu see wi unite
fi di next generation
now mi seh knowledge an style move on

-LAFROTINO-
esta nueva generación te trae una nueva sensación
la escucharas en cada ocasión en cada radio estación
ahora quien nos va a parar quien lo quiere intentar
sin cultura no hay candela y tu no lo podras logar

-JOHNNY-
so again here wi come wit di positive vibe
wit a witout mic gotta work fa ya future
gotta see di responsibility a di next generation yu yow
see wi livin in a time a decision
an use our energy to make a change is our mission
I’m a son a di almighty mi seh just like yu
an a anyone of us haf struggle fa pass trough
anyting yu a go do is just to mek yaself gruu
untih yu get a chance to mek a better tomorruu

-CHORUS-

it’s all about di next generation
people get ready fî crossover stylee
a di the next generation
wi come fi mix up dancehall hip hop an reggae now
next generation
worldwide hear di people dem call
fi di next generation
now mi seh knowledge an style move on

-LARSITO-
next generation wi more dan jus fun
our responsibility is to carry on d’music
that our ancestors once gave to us
they might rest in peace but their spirit is alive

-ITCHY-
wir sind die next genration die sachen macht die gab’s noch nie
wir bringen mixed up new style das ist die new school ecstasy
worldwide weltweit schreien wie nach unity
denn wir battlen nie wir bilden uns ’ne massive community
manch einer muss noch begreifen dass schwarze nicht neger heißen
look at us wir haben spaß und lassen jetzt die früchte reifen
es gab die 90s mit der generation X jetzt ist 2000 und 5 und wir sind generation next

-CHORUS-

it’s all about di next generation
whe people get ready fi crossover stylee
a di next generation
wi mix up dancehall hip hop an reggae now
next generation
worldwide yu see wi unite
fi di next generation

-REEDOO-
yu hear mi comin fram da dark movin to see a brighter day
wit sunshine fi everybody
steppin out da dust fram a no to a yeah yeah yeah
spreadin bare positivity
yu haffi clean up your heart your mind an your talk all day
conscious fi iver wi steh
comin fram da dark an wi movin to a brighter day
let the sun shine pon your day

-CHORUS-

fi di next generation
people get ready fi crossover stylees
a di next generation
wi come fi mix up dancehall hip hop an reggae now
next generation
worldwide hear di people dem call
fi di next generation

it’s all about di next generation
whe people get ready fi crossover stylee
a di next generation
wi mix up dancehall hip hop an reggae now
next generation
worldwide yu see wi unite
fi di next generation
now mi say knowledge an style move on


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