Posts Tagged ‘Munique’

::Ajuda humanitária para o Rio::

14/01/2011

O desastre na região serrana do Rio nos últimos dias está sendo visto pela Folha como o maior desastre natural no país envolvendo chuvas. Em decorrência de fortes tempestades e deslizamentos de terra, a tragédia já contabiliza 520 613 mortos.

Nota informativa do Consulado-Geral do Brasil em Munique:

Tendo em vista o desastre ambiental que atingiu três Municípios do Estado do Rio de Janeiro, com a ocorrência de 267 mortes registradas até a manhã do dia 13 de janeiro de 2011, e a devastação de grande parte da infraestrutura das cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, informamos os dados das seguintes contas bancárias, abertas por aquelas Prefeituras especialmente para recepção de ajuda humanitária aos atingidos pelas enchentes:

SOS Teresópolis – Donativos
Banco do Brasil
Agência: 0741-2
C/C: 110000-9
CNPJ – 29.138.369/0001-47

SOS Teresópolis – Donativos
Caixa Econômica Federal
Agência: 4146
C/C: 2011-1
CNPJ – 29.138.369/0001-47

Prefeitura de Nova Friburgo
Banco: Banco do Brasil
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3

Defesa Civil – RJ
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0

Viva Rio (organização não-governamental)
Banco: Banco do Brasil
Agência:1769-8
Conta-corrente: 411396-9
CNPJ: 00343941/0001-28

Atenciosamente,

Consulado-Geral do Brasil em Munique
Sonnenstrasse 31
Telefon: (089) 21 03 76-0
Telefax: (089) 29 16 07 68
E-mail: munbrcg@t-online.de
http://www.consulado-geral-do-brasil.de

°°°

Nota minha: A Folha indica outras formas de doação. Confira aqui. Se cada um de nós ajudar um pouquinho, e pedir pros amigos ajudarem também, faremos uma corrente de solidariedade! Veja imagens do desastre p.ex. no YouTube e fique boquiaberta com a intensidade do desastre…. 😦

::Munique e Copa::

20/06/2010

Eu e o Daniel fomos levar a mamãe para Munique e ficamos alguns dias por lá com ela e minha irmã, que está para ganhar neném. Foi praticamente a primeira vez depois de muito tempo que fomos a Munique como turistas, então aproveitamos para fazer um city tour, para visitar pontos turísticos e finalmente consegui unir o nome de algumas das principais estações de metro a um visual na superfície da cidade, deixando de lado a uniformização das estações debaixo da terra. Foi a 4a. vez em série que fui ao consulado brasileiro para resolver pendências e desta vez deixei por lá uma nota com sugestões para melhorar o atendimento, sendo que a sugestão que eu mais gostaria de ver implementada seria um consulado itinerante aqui em Baden-Württemberg, pois até o momento, pra tirar 3 passaportes e mais outros documentos relacionados à minha próxima viagem ao Brasil já investi umas 50 horas e mais de 600 (!) euros… Voce teria outras sugestões? O consulado de Munique está pedindo ativamente por elas! Se comentar aqui, as repasso para o pessoal do Conselho de Cidadaos da Baviera e Baden-Württemberg, com quem tenho contato.

Na sexta, no último dia de Munique, um grande susto: estávamos no andar de cima do ônibus, eu e o Daniel, bem na primeira fileira, fazendo um city tour pela cidade. O city tour aliás vale super a pena pra quem quer conhecer muito da cidade em pouco tempo. De repente o ônibus deu uma freada super brusca e eu nao sei como reagi brecando com meus joelhos e segurando o Daniel pela parte de trás da camiseta. Mesmo assim, ele socou o nariz no retrovisor do ônibus, tendo imediatamente comecado a chorar, muito assustado, enquanto o nariz ficava um pouco roxo de lado e comecava a inchar. So depois notei que tinha caído um arbusto bem na frente do ônibus, e o motorista tinha freado para evitar danos ao veículo. Eu fiquei muito preocupada com medo do Daniel ter quebrado o nariz, dei água pra ele, o coloquei no meu colo, e na falta de uma alternativa melhor coloquei uma peça pequena de metal no lugar afetado. Fiquei muito apreensiva até ele limpar o nariz, pouco tempo depois, de baixo pra cima. Neste momento eu tive certeza de que ele não tinha quebrado seu nariz. Ufa! Ainda assim, limpei seu nariz por dentro e saiu um pouco de sangue… Já na casa da minha irmã, demos pra ele homeopatia (Arnica, que é ótima para evitar inchações) e ele reagiu muito bem. No outro dia, graças a Deus, não tinha mais sinal nenhum do acidente. Ufa, que baita susto!!!

Uma coisa que me chamou a atenção foi que desta vez as pessoas em Munique estavam, apesar da chuva constante, muito mais abertas. Deve ser porque o inverno severo já ficou há muito pra trás. Consegui arrancar muitas vezes sorrisos de pessoas desconhecidas, simplesmente dando sorrisoso pra elas de presente, o que me deixou feliz. Geralmente, no meio do inverno, se eu as encarava, elas desviavam o olhar, com aquele ar neutralizante insuportável. Desta vez havia vida em Munique, até debaixo da terra (no metrô). Minha alergia, por sua vez, desapareceu por lá. Também pudera: a natureza também, os passarinhos e as rosas daqui do lago também.

A volta pra casa ontem, também debaixo de chuva – como diz meu marido neste ano o verão aqui foi numa quinta-feira… 😦 – foi gostosa, pois voltamos pelo caminho passando pela região de Allgäu, Lindau e beirando o tempo todo o lago, e este é um dos caminhos de trem que mais gosto de fazer aqui, além de viajar daqui para a Itália, passando pela Suíça. Parece que o tempo parou nesses caminhos e tudo é muito idílico, é uma delícia mesmo! Da pra curtir muito as paisagens, a arquitetura, os lagos… Ontem, o quadro idílico e tranquilizante era completado pela chuva constante. O Daniel dormiu no meio do caminho e eu não hesitei: coloquei-o dormindo no meu colo, aproveitando daquele momento inesquecível que só uma mãe vai poder entender, de sentir o calor do filho, a paz, o amor, o cheirinho dele. Uma delícia! Tirei uma fotografia daquele momento com minha mente pra guardar pra todo o sempre, que combina demais com esta música linda do Leoni:

Deu saudade em voce também?!? 😉 Eu também estava com saudade de casa. Chegar e ser recebida na estação pela família e pelo sol, além do lago, é uma delícia: nada melhor do que voltar pra casa! Por outro lado, mal cheguei e minha alergia (a pólen) voltou com força total, mas também nao é de se estranhar, pois vivo com muita natureza ao meu redor, e gosto disto.

E o que dizer do jogo de hoje? Eu gostaria de ver o Brasil ganhando por jogar um excelente futebol, ético, correto, e nao por completar gols com a ajuda de mãos de jogadores, etc. Por outro lado, achei deplorável a agressividade do time dos marfinenses e uma pena o Kaká ter perdido a “estribeira” e ter recebido no final até um cartão vermelho. Pelo que eu ouvi e li, segundo a análise de comentaristas alemães e jornalistas brasileiros, ele pode dividir a culpa com os juízes da partida, que deixaram a briga entre os dois times escalar no campo durante o jogo de hoje… Mesmo assim é uma pena, pois eu prefiro mil vezes ver o Brasil jogando corretamente, sem apelações, e o Kaká seria importante no próximo jogo contra os portugueses. Mas como os times da América do Sul estão se saindo bem nesta Copa, não é mesmo? Pena que o mesmo nao vem acontecendo para os times africanos!

Ah sim… Quando cheguei em casa achei a frente da casa decorada, através das janelas do meu vizinho português, com uma bandeira portuguesa, uma alemã e uma brasileira, representando as nacionalidades que moram aqui no meu prédio. Hoje eu brinquei com o Matthias que se nós ganharmos de Portugal, meu vizinho pode vir a bater a campainha daqui de casa depois do jogo e me devolver a minha bandeira, hehehe… Cenas dos próximos capítulos!

::Mais uma semana em Munique::

30/01/2010

Dando continuamento ao meu curso de formação como European Business Coach, estive em Munique durante a semana passada. Desculpem-me pelo atraso em responder os comentários! Há tanta coisa que se pode aprender e vivenciar em uma só semana:
– Como faz frio em Munique! Se minha irmã não tivesse me emprestado uma meia-calça de inverno, eu teria congelado no caminho diário de ida e volta do curso, tendo escorregado várias vezes na neve. Munique parece outro país no que diz respeito à limpeza das ruas enquanto neva. Aqui na região onde moro todo mundo corre lá fora e limpa pelo menos um pequeno caminho na frente das casa para garantir que não aconteça um acidente e que ninguém escorregue na neve (o responsável pelos danos é sempre o dono do imóvel). Em Munique, pelo menos na parte central da cidade, quem cuida dos passeios é a prefeitura e ela não conhece outro método a não ser “amassar” a neve, o que deixa o transitar pela cidade bastante perigoso. Há anos não sentia tanto frio como por lá! Enfrentei quase 10 graus abaixo de zero… Por outro lado, que bom que não estive/moro no norte da Alemanha, pois lá o inverno está bem mais rigoroso que aqui no sul!
– Como é bom ter família por perto! A Rê e o Rô tiveram o maior carinho comigo, apesar da gravidez da minha irmã e do Mimi, meu sobrinho, ter estado doentinho esta semana. Ela fez cada jantar mais delicioso e bonito e cuidou tão bem de mim que me senti praticamente em casa! 🙂
– O telefonema diário com a família fazia com que fosse possível ir acompanhando as novidades. O Daniel mentiu praticamente pela 1a. vez esta semana e teve uma vergonha danada ao ter que contar o que fez (jogou água na cama e disse que tinha feito xixi, mas a calça estava seca). Segundo minha experiência o fato de uma criança ter que se expor para se explicar é o que mais conta na educação, pois isso emociona e marca.
– Eu fiz uma viagem enorme dentro de mim mesma esta semana! Eu ainda não tinha noção de que o trabalho do coach tivesse tanto efeito e que fosse tão poderoso! Eu presenciei e constatei este fato tanto em mim quanto em outros participantes do meu curso. Sinto-me crescendo constantemente como pessoa e no caminho em busca de mim mesma – e gosto do que vejo, aprendo a cada dia um pouco mais.
– Durante a semana minha boa amiga brasileira Lu me ligou pra contar que finalmente passou na prova para se tornar professora de ginásio – segurem-se em suas cadeiras – de alemão e de espanhol. Parabéns, Luluca Gomalina!!! Ela tinha tido um bloqueio na última prova oral e não tinha conseguido terminá-la. Com isso ela percebeu que não bastava dominar o conteúdo, mas que o mais importante era dominar as emoções e acreditar nela mesma para chegar no objetivo de se tornar professora de ginásio na Alemanha, o “filho” mais difícil que ela gerou em toda a sua vida. Para minha alegria, ela finalmente passou na prova, o que me deixou cheia de orgulho, pois ela merece, só posso dizer que ela merece, e muito. Acho que deve ser a única professora brasileira que está apta a dar aula de alemão em ginásio aqui por estas bandas. O que me deixou um tanto boquiaberta foi constatar que as conversas que tivemos, durante as quais a ajudei a controlar o nervosismo e acreditar mais em si, buscando, analisando e eliminando o efeito das causas para o bloqueio que ela tinha tido devido ao medo exacerbado da mesa examinadora, tinha sido na realidade um coach que usei instintivamente, mesmo antes de aprender um método. Um dia depois da boa notícia, aprendi uma técnica para eliminar bloqueios no meu curso de Business Coach e percebi que já a tinha aplicado no caso da minha querida Lu. E o melhor: tive a prova de que ela funciona! Lu: estou muito feliz por você e super orgulhosa pelo seu sucesso! Você sabe que eu sempre acreditei em seu potencial e que tinha certeza que iria alcançar o que tanto queria. Estou mesmo transbordando de felicidade e orgulho por você!!! Parabéns, minha amiga!
– Como é bom voltar pra casa! Ganhei de cara uma recepção maravilhosa. Apesar de ter chegado tarde da noite, o Matthias foi me buscar na estação de trem com um beijo e um sorriso no rosto, a Taísa estava ajudando a acabar de fazer o jantar e o Daniel se jogou no meu colo dizendo “ich liebe meine Mama” (eu amo a minha mãe). Nem precisa dizer que eu adorei estar de novo em casa, não é mesmo? 😉
– Um envelope esperava por mim aqui em casa: minha demissão. Eu já sabia que ela ia chegar, portanto não foi surpresa nenhuma para mim. Acho que devo ser uma das poucas pessoas que recebe sua demissão e fica satisfeita com ela. Isso porque eu sei que chegou a hora de mudar profissionalmente, em busca de mim mesma e mais próxima ainda da vocação que vejo para mim mesma de ser uma ponte entre pessoas e culturas. Estarei recebendo uma grande parte do meu salário até o final deste ano, e poderei fazer mais um curso pago pela empresa, além de ter apoio para a busca de um novo emprego. No momento penso em fazer mais um curso para dsenvolver métodos para dar treinamentos interculturais e passar minha experiência para frente no campo da diversidade. Estou aberta tanto para me tornar business coach e treinadora intercultural tanto quanto para buscar um novo emprego. Não sei hoje o que o futuro próximo me reserva, mas uma coisa é certa: tenho um bom pressentimento, confio em mim e no universo.

::De volta pra casa::

23/11/2009

Nossa! Há muito tempo não me sentia tão bem como no curso que fiz em Munique na semana passada! Dormia bem, não sentia dores no corpo (marcas do cansaço dos últimos tempos…) e levantava da cama todos os dias super bem disposta e animada para mais 12 horas de aprendizado intensivo. Aprendi muito, anotei muitas dicas, e pra minha felicidade também recebi elogios de gente que tem 20-25 anos de experiência no mercado. Pra coroar a semana deliciosa, minha mana (obrigada, Rê!) ainda cozinhou cada jantar mais gostoso e bonito de se ver, eu pude brincar com meu sobrinho “Bärlie”, ouvir as músicas lindas do Rô (meu cunhado), visitar uma feira de livros, conhecer a família binacional lindinha da Paola, rever a Rosanna Gebauer num encontro do Conselho de Cidadãos feito no consulado brasileiro em Munique e, de quebra, ainda conheci uma pessoa lindíssima, a Zahira, que tinha me achado na internet e que me encheu, assim de graça, de presentes e me fez sorrir tantas vezes… Ah… quase esqueci de contar: fui daqui de casa até Munique batendo papo no trem: a cada novo trem que pegava (3 conexões), conhecia novos viajantes cheios de história pra contar. Assim o tempo foi passando e só 15 minutos antes da chegada a Munique é que percebi que a viagem tinha chegado ao fim… Foi um barato mesmo! Eu estava totalmente no meu centro, todos os dias, e aproveitei ao máximo, enquanto o Matthias tomava conta da casa e dos meninos (obrigada, Xuxu!). Tudo estava ótimo, a não ser em um lugar: na U-Bahn (metrô subterrâneo) de Munique…

É debaixo da terra que eles perdem suas almas…

Lá no metrô subterrâneo de Munique parece mesmo que as pessoas perderam suas almas, ou pelo menos elas parecem as terem esquecido em casa. Todos andam pálidos, super apressados, apáticos, parecendo ser comandados por uma “força maior” que os faz andar pra lá ou pra cá. Toda a hora me vinha aquela música na cabeça: “Eh, oh, oh, vida de gado… povo marcado, eh, povo feliz!” (Admirável Gado Novo – Zé Ramalho). É o Brasil na Alemanha:

Você olha pro rosto de uma pessoa e ela desvia, acho que deve ser a “síndrome do elevador”. O sentimento pelo menos é o mesmo. A partir do segundo dia eu passei a ganhar um jornal ótimo de graça, logo na entrada do metrô, o Welt Kompakt. E como o conteúdo do jornal era jóia, ele fez com que as viagens por lá ficassem menos incomodantes, mas mesmo assim passei de segunda a sexta analisando as pessoas “debaixo da terra”.

Pensei naqueles que moram sozinhos em Munique. Como deve ser sair de um trabalho (ainda mais se for chato e as pessoas do tipo pouco ou quase sempre pouco falantes), entrar na U-Bahn e cair num apartamento sem ninguém a não ser você mesmo? Pelo menos aqueles que têm famílias chegam em casa e acham suas almas de novo: seus filhos, suas esposas, sua vida. Tudo bem que Munique tem muito para oferecer, mas a não ser pelo fato de que a U-Bahn leva tanta gente de um canto pro outro de forma rápida e prática, você tem que estar de acordo com “as regras do anonimato” se quiser ir passear por lá… He he he he…

Os sinais da viagem

Eu tive mesmo a oportunidade de conhecer pessoas ótimas durante a viagem. Não só no curso em si, mas também fora dele. Foram vários sinais, se você me entende (se é uma pessoa que acredita neles). 🙂

Apesar de que houve um contratempo: na volta de Munique pra casa desci sem querer, atordoada pela neblina e pela escuridão da noite, uma parada antes daquele que era pra ser meu antepenúltimo trem e acabei perdendo o último trem pra minha cidade. Peguei um taxi, ainda tentei pegar o trem, corri igual a uma desesperada, mas não teve outro jeito: tive que ligar e pedir pro Matthias ir me buscar (coitado: quase não dava pra ver nada na estrada de tanta neblina!…). Por falta do que fazer, enquanto esperava por ele, estava sentada na entrada da estação de trem da cidade lendo um livro de psicologia. Estava um puta frio e eu estava sentada num jornal (pra bunda não congelar), com as mãos fechadas por baixo do livro de uns 5 cm de espessura, com um casaco bem fechado e com os cabelos quase tampando o rosto e o escondendo até o nariz para dentro do cachecol, tentando deixar sair o mínimo de calor pra fora… e de repente, meia noite e meia na entrada desértica da estação uma pessoa pára na minha frente e pergunta, em inglês:
Can you read my mind? (Você pode ler minha mente?)
Eu respondi:
– Não, a única pessoa que pode ler sua mente é você mesmo.
– Você pode fazer com quem eu sorria?
– Eu posso fazer perguntas para que você encontre um sorriso dentro de você. Mas a única pessoa que pode fazer você feliz é você mesmo.
– O que você está lendo?
– Um livro de psicologia.
– Você está estudando para se tornar uma psicóloga ou já é uma psicóloga?
– Nem um, nem outro. Estou estudando para me tornar um coach?
– Coach? Para quem?
– Para estrangeiros. Where do you come from (de onde você vem)? – foi a última pergunta que fiz em inglês. Ele respondeu:
– De Moçambique.
– Ah, então podemos conversar em português!
Ele deu um passo pra trás e pôs a mão no coração. Comentou:
– Nossa, eu nem acredito! O meu nome é Carlos. Me desculpe, minha mão está fria – estendendo sua mão para me cumprimentar, satisfeito. Continuou:
– Eu nem sei por que comecei a conversar com você… Estava indo para pegar meu “comboio” (trem) e vi você, senti vontade de puxar papo… Se você não tivesse dado papo, teria continuado meu caminho até a plataforma…
– E como você sabia que eu falava inglês?
– Não sei responder… Mas você me recebeu com um sorriso aberto, você é uma pessoa de bom coração. Há outras pessoas… ah, deixa pra lá!
– Eu sei, tem pessoas que nos recebem de cara fechada. Mas eu não desisto de receber as pessoas com um sorriso no rosto!
– Nossa, é isso. Outro dia estava mexendo na minha música, e achei no meio dos meus cassetes uma fita do Djavan, você sabe quem ele é?
– Claro, eu gosto muito da música dele. Como você veio para a Alemanha?
– Ah, se eu for contar, vou ficar falando umas 24 horas sem parar…
– Você tem um emprego?
– Tenho. Tenho um emprego, uma cama, uma cozinha, minha música, três amigos com quem posso conversar sobre tudo, tenho a Deus, o ar que respiro…
– Então está ótimo, eu fico feliz por você!
Nos despedimos. Ele levou o endereço da minha página. Quem sabe ele aparece aqui um dia desses? 😉 Depois de tê-lo conhecido, entendi que até o fato de eu ter perdido o trem fez sentido. Uma viagem perfeita, do começo ao fim.

P.S.-Dica para quem for passar uma semana em Munique e precisar usar transporte público como eu usei: compre um “IsarCard” para poder passear uma semana (ou um mês) despreocupado por Munique (o cartão pode ser também usado por outras pessoas).

::Munique é…::

26/08/2009

Minha irmã Rê voltou dos EUA para morar novamente em Munique. Com a mudança, temos agora família bem pertinho de nós, o Daniel tem mais um priminho pra brincar e nós temos um excelente motivo para visitar a cidade, que é muito bonita e vale muito a pena conhecer de perto.

Minhas observações quanto à viagem da semana passada a Munique:
– Muitos homens bonitos e mulheres elegantes na região do bairro de Schwabing e no Biergarten* Seehaus dentro do Englischer Garten, à beira do Kleinhesseloher See. Pra vocês terem uma ideia, eu vi uma mesa onde 8 (!) homens bonitos estavam sentados juntos. Já há muito não via tanto colírio para os meus olhos!…
– Muito poucas crianças e parquinhos mal cuidados.
– Quase todas as crianças que vi em Munique estavam reunidas em torno do Chinesischer Turm (Torre Chinesa), também dentro do Englischer Garten (Jardim Inglês).
– “Cheiro de cidade grande” (freios, concreto, asfalto…) principalmente nos metrôs subterrâneos da cidade, muita impessoalidade e anonimato.
– Como diz minha irmã, de longe se reconhece quem vem de lá e quem não vem, pois os “Einheimische” (moradores da cidade) sempre se posicionam automaticamente à direita das escadas rolantes dos metrôs, para deixar passar à sua esquerda os mais apressadinhos. Quem não sabe de nada fica em qualquer lugar na escada rolante e atrapalha a organização subentendida de todos que são “de casa”.
– Meu sonho dourado fica diretamente de frente para o Marienplatz, a praça principal da cidade: uma livraria enorme com 6 andares chamada Hugendubel, feito um shopping center só de livros, com vários lugares espalhados por todos os andares para se sentar e ler à vontade!
– E por falar em Marienplatz, às 13h ou 17h você pode assistir a movimentação das figuras do relógio principal da cidade.
– Se for a Munique (e se interessar pelos carros e motos da BMW) não deixe de fora uma visitinha ao BMW World, ao lado do Olympia Park!
– Pertinho de Munique há uma cidade que se chama Blumenau! 🙂
– Se você for a Munique e não quiser se perder no meio de tantas possibilidades e do sistema complexo do metrô de lá, ainda mais tendo dificuldade no alemão, não deixe de comprar um mapa chamado Pocket Pilot Munich (München): Maps and Top Sights and Day Trips and Quarters and Facts (em inglês ou alemão) com mapas, dicas de passeios, fatos e sugestões do que fazer na cidade. Importante: há mapas desta série também para outras cidades européias.
– Pertinho de Munique também tem “praia”: fomos a um Baggersee (lago-represa) super legal chamado Regattasee.
– Tem muito brasileiro em Munique e muitas lojas/restaurantes brasileiras/latinos. Só perto de onde minha irmã mora contei 4!
– Se estiver indo do norte da Alemanha para Munique e estiver com crianças (ou quiser aproveitar feito uma delas!), vale uma passadinha no Legoland, que fica pertinho da cidade de Ulm em Günzburg. Os meninos adoraram e lá, dentre tantas outras atrações, vimos por exemplo o Allianz Arena (o estádio de Munique) em tamanho miniatura (de uns 5 metros de diâmetro!), todo formado por pecinhas de Lego, com uma perfeição de detalhes tanto no exterior quanto no interior da maquete, com público e tudo.
– Última dica: na Baviera pode-se também visitar o castelo da Branca de Neve de Walt Disney, o Neuschwanstein, que fica perto da cidade de Füssen (mais exatamente em Hohenschwangau) entre Munique e o Bodensee (Lago de Constança).
– Outras cidades interessantes para conhecer no sul da Alemanha: Ulm, onde aliás há um dos maiores mercados de Natal da Alemanha, e Lindau, já à beira do Lago de Constança, além de várias cidadezinhas na região da Floresta Negra.
– Se for passear na região do Lago de Constança, não deixe de pegar o ferry boat que separa Meersburg de Constança. Fizemos esta viagem ao entardecer e fechamos nossa viagem com chave de ouro!
– Se tiver mais alguma dica sobre Munique ou sobre o sul da Alemanha, não deixe de incluí-la nos comentários. Obrigada!

*O Biergarten merece um comentário à parte: nele você pode levar de casa o que quiser para comer lá (p.ex. Brezels enormes de 30 cm!), enquanto que a cerveja (naquelas canecas enormes de vidro de um litro chamadas Maß ou Mass) é comprada no local.

::Mineirinha no Flickr::

06/05/2009

Acabo de colocar algumas fotos do evento de Munique no Flickr. Aguardo visitas e comentários!

::E como foi o evento em Munique?::

03/05/2009

Foi “tudibom”! 😉
– Conheci pessoas fantásticas e ganhei novos amigos;
– Tive a oportunidade de ouvir uma música linda da cantora e compositora brasileira Valéria Dennin (que quero colocar aqui no blog amanhã);
– Conheci o Marcelo Vasconcelos, o consul brasileiro em Munique, e a Vera Fraeb, a vice-consul;
– Fiquei sabendo de novidades quanto ao próximo encontro no Brasil de Brasileiros no Exterior, cujos detalhes também pretendo noticiar amanhã;
– Comemos os salgadinhos super gostosos da Eva, tomamos guaraná e caipirinha e provei até do bolo super gostoso do aniversário do Ricardo, também comemorado naquela noite;
– Tive a oportunidade de ler alguns textos do livro, vendi e autografei livros e deixei o contato para novas encomendas (o livro tem sido muito presenteado para amigos). A melhor propaganda continua sendo a boca a boca!
– Por fim, revi o filme sobre o I Conferência de Brasileiros no Mundo realizado no ano passado, que realmente é muito interessante e vale a pena ser visto!

Agradeço imensamente à associação brasileira DBKV pelo convite e pela recepção calorosa e também à Casa do Brasil pela presença e auxílio na divulgação do evento, que foi um sucesso! Amanhã tem mais!

::Mineirinha & Casa do Brasil::

27/04/2009

A associação brasileira Casa do Brasil e.V. também está apoiando o lançamento do livro “Mineirinha n’Alemanha” no próximo dia 02/05 em Munique através de divulgação do evento em sua página na internet. Obrigada pelo apoio! 🙂


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