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Posts Tagged ‘negro’

::Onde está Amarildo?::

03/05/2014

Há uma loucura instalada no cotidiano brasileiro que se refere ao fato da Polícia achar que pode matar. O policial é representante do povo e é pago para protegê-lo, e não amendrontá-lo, muito menos matá-lo. Depois de mais uma morte sem sentido, quando Oscaldo Zarantini, um gerente de uma loja foi morto em São Paulo por supostamente ter “algo em punho” (um celular), li esta excelente reportagem na Yahoo afirmando que um negro tem três vezes mais chance de ser morto pela polícia no Brasil que um branco.

Estou profundamente triste e indignada com esta situação. #mudaBrasil #nãoaoracismo

Fonte: Yahoo Notícias de 24.04.14.

::GNTM – sobre o racismo na TV e internet na Alemanha::

26/04/2014

GNTM é a sigla do concurso “Germany’s Next Top Model” promovido pelo canal de TV alemã Pro7 e liderado pela modelo Heidi Klum. Apesar de eu ter meus poréns com relação ao programa, assisto-o com frequência há anos junto com a minha filha adolescente.

Atualmente há uma candidata que participa do programa e está sendo atacada na internet por ser negra: Aminata Sagona. Enquanto vários telespectadores confirmam sua beleza, outros a chamam de gorila. Segundo o artigo da revista Spiegel, enquanto os comentários racistas são apagados na página do Facebook da emissora Pro7, a própria aspirante a modelo decidiu não apagar os comentários em sua própria página, pra mostrar pras pessoas que tipo de racismo ainda existe nos dias atuais.

Fui dar uma conferida por mim mesma na página da Pro7 e achei o seguinte comentário, com 49 Likes, feito por um tal de Franz S. no dia 22.04.14 às 13:41 horas:

“Desculpem-me, mas essa mulher não é bonita. Eu não digo que eu seja bonito, mas a maioria dos telespectadores da Alemanha e da Áustria acham que ela não é bonita. O fato de que uma pessoa negra seja considerada feia e seja comparada com bichos é talvez um ato maldoso, mas não racista. Há muitos brancos que são comparados com bichos e ninguém acha que este seja um ato racista. Racismo é a discriminação de uma etnia ou o endeusamento de um povo. E o que está acontecendo aqui e está sendo promovido por brancos, é um ato de racismo, porque eles acham que essa mulher não pode ser comparada com um bicho só porque ela é negra. Isso quer dizer que ninguém pode rir a cara dela só pelo fato de sua cor estar sendo exposta. Se o Gareth Bale é comparado a um macaco, todos vão achar graça disso. Se uma modela for comparada a um macaco, isso vai ser racista. Parece que os esquerdistas sociais/políticos fazem uma diferença entre brancos e pretos, o que pode também ser considerado como um ato racista.”

Tut mir leid, aber diese Frau ist einfach nicht schön. Ich behaupte nicht, dass ich gut aussehe oder irgendwas in der Art, aber ein großer Prozentanteil der deutschen und österreichischen Zuschauer von GNTM finden sie nicht gut aussehend. Eine Person mit dunkler Hautfarbe hässlich zu finden und sie mit Tieren zu vergleichen ist vielleicht gemein, rassistisch aber nicht. Auch Weiße werden oft mit Tieren verglichen und niemand findet das rassistisch. Rassismus ist die Diskriminierung einer Ethnie oder die Vergöttlichung eines Volkes. Und das was hier geschieht und von vielen Weißen betrieben wird, ist Rassismus, weil sie finden, dass diese Frau nicht mit einem Tier verglichen werden darf, nur, weil sie schwarz ist. Sprich, man darf sich aufgrund ihrer Hautfarbe nicht über sie lustig machen, was einer Hervorhebung Maximalpigmentierter gleichkommt. Wenn Leute den weißen Fußballer Gareth Bale wegen seines Aussehens mit Affen vergleichen, lachen alle. Wenn man ein schwarzes Model mit einem Affen vergleicht, ist es rassistisch. Anscheinend differenzieren also genau gesellschafts-politisch Linke sehr wohl zwischen Weißen und Schwarzen, was streng genommen rassistisch ist.

Outro internauta, Benjamin S., fez o seguinte comentário, ganhando 20 Likes:

“Talvez os brancos achariam menos graça em brincadeiras de mau gosto se a grande maioria da população tivesse sido escravizada e oprimida.
Infelizmente brancos e negros não são “iguais”, e portanto algumas declarações são menos grosseiras para brancos do que para negros. Isso é o que pode ser chamado de racismo, querido Franz.”

Vielleicht würden Weiße es auch weniger lustig finden, wenn sie von einem Großteil der Weltbevölkerung über Jahre versklavt und gedemütigt worden wären.
Leider waren und sind für viele Menschen Weiße und Schwarze eben nicht “gleich”, und deshalb sind auch manche Äußerungen für Weiße weniger beleidigend als für Schwarze. Das nennt man dann Rassismus, lieber Franz.

Ao que eu comentei, logo em seguida:

Muito bem escrito, Benjamin S., hoje em dia uma demonstração de coragem cívica infelizmente não é uma atitude óbvia. Rir da cara de outras pessoas, não importa se forem brancas ou pretas, amarelas ou verdes, NÃO é uma atitude correta!

Bravo Benjamin Seegers, Zivilcourage heutzutage zu zeigen ist leider nicht selbstverständlich! Andere Menschen zu beleidigen, egal ob weiß oder schwarz, gelb oder grün, ist einfach NICHT in Ordnung!

E para fechar com chave de ouro, um comentário em outro artigo, publicado no jornal Die Zeit:

“E parece ser difícil de aceitar para determinados telespectadores que possa existir em um concurso de televisão uma pessoa que queira ter alguma ligação à palavra Germany e não venha nem na oitava geração da região de Unterfranken (Baviera).”

Und mancher Zuschauer scheint mit zunehmenden Verlauf dieses Fernsehwettbewerbs immer weniger zu ertragen, dass jemand, der etwas mit Germany im Namen sein will, nicht in achter Generation aus Unterfranken kommt.

O artigo acima tem também seus poréns com relação ao programa, mas afirma que ele seja importante por ressaltar a diversidade dentro da Alemanha atual e eliminar ressentimentos do passado. De qualquer maneira é duro constatar, mas infelizmente há ainda muito preconceito no mundo! Importante ressaltar porém: a Alemanha definitivamente (e infelizmente) não está sozinha neste barco!…

Site da candidata Aminata Sagona no Facebook.

Fontes: artigo da revisa alemã Der Spiegel de 24.04.14, artigo do jornal Die Zeit die 25.04.14.

::Preto ou colorido?::

07/11/2008

As eleições presidenciais nos EUA também foram razão para uma boa discussão dentro da sociedade alemã. A grande questão é que várias pessoas acham ser politicamente incorreto que a mídia noticie que o Obama é o primeiro presidente preto dos Estados Unidos. Acham que preto (“schwarz”) é pouco simpático, certo seria dizer que ele é o primeiro presidente “colorido” (“farbig”). Hoje trouxeram um noticiário no rádio explicando que para os jornalistas e para os negros o certo é dizer, pelo menos aqui na Alemanha, que eles são pretos. A palavra “farbig” substituiu a palavra “Neger” (negro), que aqui na Alemanha é uma palavra muito, muito pejorativa em relação aos negros. Os próprios negros pensam que se forem chamados de “coloridos”, isto estaria subtendendo que a cor branca é a certa, superior, enquanto que a preta é a errada, inferior. Se houver necessidade de mencionar a cor de uma pessoa, como no caso do Obama, por ser agora o primeiro presidente preto dos EUA, os negros querem que se mencione diretamente a cor da raça deles: “schwarz” (preta).

O interessante é que a busca pelo termo “politicamente correto” já demonstra como o fato consumado incomoda as pessoas, a ponto de elas se manifestarem tanto com relação às manchetes da mídia alemã.

::Ataque racista em Potsdam::

29/04/2006

Semana passada durante a Páscoa dois homens agrediram um engenheiro alemão de origem africana de 37 anos, pai de dois filhos, casado com uma alemã. Até hoje ele se encontra no CTI daquela cidade, em estado de coma. Por sorte, ele conseguiu que parte das agressões por ele sofridas fossem gravadas na secretária eletrônica de sua esposa, pois ao perceber que a situação estava ficando séria para o lado dele, ainda teve controle para apertar no botão do seu celular, que refez sua última ligação. Ao descobrir este trecho da conversa, cheio de agressões do tipo “negro” e da pergunta “você não tem pátria?”, a polícia montou uma comissão de 25 investigadores que passaram a oferecer 5.000 euros para pessoas que pudessem identificar os agressores. Alguns dias depois foram presos dois alemães, ambos apresentaram alibis de que estavam em outro lugar no momento do ataque. Mas pelo menos um deles está provavelmente envolvido no crime, pois foram encontradas provas do seu DNA em uma garrafa de cerveja quebrada encontrada no local onde este ocorreu.

Depois que o inadimissível aconteceu, já se passaram vários outros episódios relacionados à notícia. Primeiro o governo alemão decidiu que o caso não seria tratado pela polícia de Potsdam mas sim a nível nacional, pois um caso como este põe em risco a segurança do país. Várias mil pessoas em Potsdam foram às ruas e realizaram passeatas contra os neonazistas e contra o racismo. Políticos comentaram e tentaram justificar o fato, tentando evitar que se tirem “conclusões precipitadas” sobre o mesmo, um deles dizendo que “há também pessoas loiras de olhos azuis que se tornam vítimas de atos de violência, em parte, cometidos por pessoas que possivelmente não têm a cidadania alemã. Isso também não é melhor” (triste afirmação, do começo ao fim). Por fim, neste final de semana o jornal sensacionalista BILD levantou várias informações desnecessárias e lançou dúvidas sobre o motivo racista dos agressores. Este jornal afirmou que tanto o engenheiro atacado quanto seus agressores se encontravam alcoolizados, e do contrário do que se supunha no início, o agredido não teve fraturas nas costelas mas caiu ao ser atingido por seus agressores por um “único” soco em seu olho, e por estar alcoolizado “não foi capaz” de se sustentar em pé! Disseram que a gravação encontrada como prova do crime dava mostra somente de pessoas alcoolizadas com dificuldade de fala (o que é praticamente uma mentira, pois eu ouvi a gravação várias vezes e ela está quase perfeita). Por fim, hoje li que o prefeito da cidade de Potsdam considera, de forma sensata, que não se deve ficar especulando sobre o caso enquanto o agredido continua no hospital à beira da morte, em estado de coma. E ainda afirmou que “em Potsdam há racismo, e nós temos que lidar com ele”.

Eu, da minha parte, fiquei irada com tudo isso. Por que uma pessoa negra é agredida neste país e ao invés de especularem tanto sobre as razões dos agressores não se tenta aprender com o ocorrido, não se enfrenta o problema de frente? O racismo existe sim, os problemas de integração de estrangeiros são muitos, há resistência tanto por parte de alemães pouco esclarecidos quanto do lado de certos grupos estrangeiros que já estão aqui há muito tempo e se negam a aceitar vários princípios democráticos e/ou dos Direitos Humanos. Por que não se aproveita o ocorrido, à beira do início da Copa do Mundo em solo alemão, quando tantas pessoas das mais variadas nacionalidades estarão visitando este país, e não se inicia uma campanha pró-multicultural, levantando e dando exemplos dos tantos fatores positivos da mistura de culturas, não se discute que tipo de qualificação será incentivada pelo governo e bem-vinda para que se possa preencher os vários cargos que continuam vagos por não haver mão-de-obra qualificada dentro do país, não se inicia uma campanha esclarecedora de que não existe uma resposta simples para os complicados problemas atuais do pais (p. ex. o alto nível de desemprego) e que esta resposta simples não pode ser só a presença de estrangeiros e que estes, trabalhando e vivendo aqui, contribuem para que o sistema social e a economia do país continuem em funcionamento?

No começo de minhas leituras sobre o caso uma coisa que muito me chamou a atenção foi o fato da própria imprensa ter tido dificuldade de noticiar o fato, dando várias conotações a este homem, chamando-o de negro etíope com passaporte alemão, alemão negro de origem etíope, alemão-africano, alemão de origem africana, e ainda sobre sua profissão, qualificando-o como engenheiro do meio-ambiente perto da Promoção, colocando que ele estava desenvolvendo pesquisas que pretendia colocar em prática em trabalhos posteriores junto ao 3° Mundo. Uma coisa positiva que citaram logo de cara, se não fosse a tristeza do ocorrido, foi que se os políticos andavam procurando por exemplos de integração bem sucedidos no país, este homem era um exemplo impecável de alguém que veio aqui para estudar, mora aqui há 19 anos, adquiriu a nacionalidade alemã, casou-se com uma alemã, teve dois filhos, trabalha aqui e fazia sua Promoção. Mas isso tudo não justifica nem deixa de justificar o maltrato dado a esta pessoa. Independentemente de sua posição social, era uma pessoa como outra qualquer que queria se locomover dentro de uma cidade e foi agredido, roubado e maltratado (quase) à morte.

Pois é. Olhar para uma pessoa e tomar conclusões precipitadas de quem ela é é fácil. Estou dizendo isso pra mim também. É preciso evitar o preconceito latente e ver em cada ser humano uma pessoa com direitos e deveres, onde quer que ela se encontre nesta face da Terra, como cidadã do mundo. E se ela for imigrante, provavelmente estará em busca de melhores condições de vida, para si e para sua família. Hoje eu sou imigrante num país estranho. Ontem foram meus antepassados, que emigraram da Europa para o Brasil, também em busca de muito daquilo do que vim buscar aqui.

É possível dar respostas plausíveis e reais sobre questões complicadas tais como a integração e procurar soluções praticáveis para os problemas econômicos enfrentados pela Alemanha nos dias de hoje. Se isso foi possível nesta reportagem da “Deutsche Welle”, por que não é possível realizar-se uma campanha nacional neste sentido, dando “nome aos bois” e procurando alertar, informar, esclarecer o cidadão e frear o avanço de movimentos da extrema direita tais como o do partido NPD?

Pós-escrito: há excelentes jornais na Alemanha que não fogem da realidade do país e fazem jornalismo de primeira categoria. Um exemplo é o Süddeutsche Zeitung (jornal do sul da Alemanha). Esse artigo é absolutamente imperdível (em alemão)!!!


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