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::O que é, afinal, Kurzarbeit e como está o mercado de trabalho alemão atualmente?::

01/05/2020

Kurzarbeit (ao pé da letra “trabalho curto”) é a redução temporária de horas trabalhadas causada por uma crise. A intenção é evitar demissões. O trabalhador passa a receber um salário reduzido, que é pago pela empresa e pelo governo de forma conjunta. Esse tipo de medida existe em alguns países europeus, tais como a Alemanha e a Suíça, por exemplo. A situação atual do coronavírus está levando a novas discussões e estão sendo estudados novos patamares para que as pessoas afetadas possam ter uma maior parte do seu salário pago durante a crise, apesar da redução de horas trabalhadas. Eu também faço parte deste time e estou de Kurzarbeit desde o começo de abril. Em maio passo a trabalhar uma porcentagem maior de horas e a expectativa é de que voltemos a trabalhar no escritório dentro do “novo normal“ com máscaras, sem elas adotando a distância mínima de 2m, etc.

Ao todo, 10,1 milhões de trabalhadores na Alemanha estão de Kurzarbeit. Desde março de 2020, empresas com pelo menos 10 funcionários podem dar entrada no pedido de ajuda governamental. No ano de 2009, quando eu mesma era responsável por organizar o Kurzarbeit dentro de uma empresa industrial, 3,3 milhões de pessoas precisaram reduzir a sua carga de trabalho para passar pela crise.

Atualmente há 308 mil desempregados a mais do que no mês anterior. Ao todo, a Alemanha conta no final de abril de 2020 com uma taxa de 5,8% ou 2,444 milhões de desempregados. Imaginem como estaria a situação se não houvesse a ferramenta do Kurzarbeit! Viva a social democracia! A título de comparação nos EUA, há atualmente mais de 30 milhões de pessoas desempregadas. O objetivo aqui na Alemanha é que a empresa mantenha seu quadro de funcionários atual e desafogue suas finanças através da ajuda governamental.

O número de vagas em aberto naturalmente caiu, ao mesmo tempo em que o número de desempregados está subindo. Em abril de 2020 há um total de 626 mil vagas a serem preenchidas, 169 mil a menos do que no ano anterior. Observo que apesar de ainda ser um número considerável, geralmente o perfil das vagas em aberto não combina com o dos desempregados, o que vem demonstrando a dificuldade do mercado de preencher determinadas vagas.

A pergunta sobre o Kurzarbeit me foi colocada durante o programa “Eu chego lá!”, do qual tive a honra de participar contribuindo para a seção “como fazer um CV na Alemanha”, a convite da Carla Scheidegger da Carlotas e da Chiara Vigoriti-Zeller. Fiquei muito grata pelo convite!

Se tiver curiosidade, veja aqui uma lista mais detalhada das ajudas governamentais direcionadas aos trabalhadores e às famílias dentro da Alemanha.

Se você, leitor do Mineirinha, tiver mais alguma dúvida com relação ao mercado de trabalho na Alemanha, não hesite em deixar a sua dúvida nos comentários!

Fontes: site da Wikipedia sobre Kurzarbeit, Familienportal (Portal da Família) e artigo do Management Magazin de 30.04.20.

::Quanto de nós somos nós mesmos?::

19/08/2010

A palestra na UFMG foi o maior barato, ainda mais porque a platéia era numerosa e estava muito interessada. O prof. Dr. Élcio Cornelsen teve a gentileza de falar um pouco sobre o tema antes de mim e me apresentar, depois eu li algumas passagens curtas do livro, recheadas de comentários meus, e por último houve a longa moderação de perguntas do público, composto por estudantes e professores da UFMG, alemães, leitores do livro que só vieram para que o mesmo fosse autografado ou por curiosidade de me conhecer pessoalmente. Imaginem só: teve até uma leitora que veio de Ouro Preto com sua mãe (quase 2h de viagem) especialmente para a palestra! Agradeço imensamente pela excelente recepção na FALE-UFMG e pelo bate-papo gostoso com todos os participantes, ávidos de querer entender o ser humano do outro lado do oceano, como pensam, por que pensam, como são, por que, quando e como são… Uma das perguntas foi bem contundente: queriam saber se altero de alguma forma minha identidade, dependendo de onde quer que esteja. Eu disse que não, eu sou eu mesma em toda e qualquer parte. Disse que se não puder ser eu, não vou conseguir ficar por muito tempo em um local. Por outro lado, lembrei todos os participantes da subjetividade de minhas observações. Comentei sobre um artigo lido no voo, desta vez felizmente feito direto para Beagá pela TAP, que dizia que informar é como dar forma às palavras, é como colocar água em um cálice, que toma a forma do mesmo. É eliminar um pouco do caos à nossa volta e fazê-lo mais inteligível. Adorei esta ideia, pois nunca tinha pensado nisso. O artigo disse que como vivemos em um mundo repleto de informações, temos que tomar cuidado com quem nos informa e selecionar as informações recebidas. E alertei que represento só uma opinião dos quase 100 mil (?) brasileiros que vivem na Alemanha. Por outro lado, um alemão chamado Matthias, também leitor do meu livro, comentou que leu e gostou muito do “Mineirinha n’Alemanha” e que achou estranho chegar à Alemanha, de volta do Brasil, e não poder dar um abraço apertado em seu pai, que o cumprimentou com um aperto de mãos. Ele lembrou, porém, que a distância física entre as pessoas significa também respeito na Alemanha, e ao mesmo tempo que sabe disso, disse ter tido vontade de dar um baita abraço no pai dele “à moda brasileira”. Isso exprime o potencial que há entre as culturas, algo que tentei passar durante a palestra, de que somos diferentes sim, mas podemos ser sinergicamente ótimos uns para os outros, passando de cada lado aquilo que nossas culturas tem de melhor.

Desculpem por eu ter demorado tanto a fazer um relato, mas se por um lado a inspiração me pregava uma peça, por outro continuo curtindo minhas férias no Brasil. Viajando, viajando, visitando família, vendo amigos, curtindo meus pais. Nada melhor do que isso! Volto com certeza com muita história pra contar e muitas lembranças. Perto dos 40, “desenterrei” alguns cadernos de perguntas de amigos dos tempos de colégio (1983-84), e munida destas relíquias, e principalmente dos nomes completos dos meus amigos de outrora, quero tentar reencontrar velhas amizades perdidas no tempo e no espaço através da internet. Que me aguardem! 😉

Ah, sim… a Taísa fez um vídeo de um pedacinho da palestra, que vou postar com calma mais tarde. Fui.

::Pé na tábua::

30/11/2008

Tem hora que a gente toma uma decisão bem em cima do horário e tudo acaba dando certo. Decidi hoje às 11h15 que sairia às 11h30 para tomar um trem às 11h41 para Freiburgo, que fica a 3 horas daqui de casa, com previsão de volta para 21h16 da noite. Fomos eu e o Daniel, que é doido por toda e qualquer viagem de trem. E conhecemos o Rui Martins, do movimento Estado do Imigrante, a fundadora da Imbradiva, Lúcia Rolim, e uma das coordenadoras da associação brasileira Dona Flor de Friburgo. Valeu super a pena e o conteúdo da palestra foi muito bom também. Amanhã conto mais.


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