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Posts Tagged ‘pátria’

::Enquanto isso, em Berlim::

07/01/2015

Num dia tão triste para a liberdade de expressão como o de hoje em que 12 pessoas foram mortas na França por terroristas islamistas, estes que não querem saber de pluralidade e só aceitam a sua verdade, acho na internet um sinal de paz numa placa em Berlim, com os seguintes dizeres:

“Por que as pessoas que vivem, trabalham, amam, brincam, aprendem, riem e moram aqui são chamadas de estrangeiras?” #jesuischarlie

Veja o projeto por trás desta frase aqui, baseado no julgamento do grupo terrorista neo-nazista alemão NSU, sobre o qual escrevi aqui. E abaixo, um filme com a artista que coletou e idealizou as placas, espalhadas por Belim e Munique, a alemã Beate Maria Wörtz. Veja outro trabalho dela, sobre o que significa a pátria para pessoas de vários cantos do mundo:

::O Brasil visto de fora – a luta do absurdo contra a normalidade::

10/03/2013

Tendo ido à amada terrinha entre o Natal e o Ano Novo deste ano, voltei de novo de lá cheia de vitamina D, histórias pra contar e impressões de mais uma viagem à minha pátria, o lugar onde nasci e a que devo muito do que sou hoje e do que passo para meus filhos.

Aquela impressão que mais salta aos olhos é que o povo brasileiro precisa urgentemente de sair do modus operandi do fantástico, de achar que o absurdo pode e deve fazer parte da realidade, e do contrário deve se unir para lutar contra a corrupção, a violência (e não só a ausência ou limitação dela na mídia), em prol de uma vida digna, de direitos de cidadãos, dentre eles o de educação e acesso ao saber, limpeza, transporte público de qualidade, o simples direito de ir e vir (a qualquer hora do dia e da noite) que todos devem e podem exigir.

O povo nunca esteve tão acomodado, tão conformado, tão condizente com aquilo que não anda bem, aproveitando, por certo, daquilo que anda bem: o Brasil tem o menor índice de pobreza dos últimos 20 anos, nunca se viu tanto brasileiro viajando dentro e fora do país, o povo brasileiro continua hospitaleiro, alegre, solidário. As pessoas reclamam da vida, mas no final tudo termina num churrasquinho com cerveja gelada, e lá se vai mais um dia.

O povo de boa índole precisa ir às ruas. Precisa começar a perguntar por que não é possível ter ruas limpas. Por que ainda se joga tanto lixo no chão ou pelas janelas dos automóveis. Por que se queimam as matas, não se respeita o patrimônio público, por que não há planejamento para melhorar substancialmente o trânsito nas grandes cidades e eliminar problemas que voltam todos os anos nas mesmas épocas. E assim por diante.

O povo precisa começar a exigir seus direitos amplos de consumidor. Se a TAM, por exemplo, oferece voos, em parte, deploráveis, também deve ser porque o consumidor os compra sem reclamar, ou sem reclamar de uma forma que a empresa sofra com suas consequências. No exterior, a TAM nem sequer se digna a responder a uma reclamação feita por escrito, e com isto perdeu uma consumidora.

O povo precisa continuar a mostrar tudo o que dá certo neste país, como base de estímulo pra muitas outras iniciativas que ainda vão dar certo. É preciso mostrar e exaltar os bons professores, as boas associações de bairro, as pessoas de boa fé que fazem um trabalho bonito pela sociedade e pelo ser humano ao ser redor, os bons empresários, os (poucos) bons políticos. Mas o povo precisa também denunciar, botar a boca no trombone mesmo, em alto e bom som. Denunciar como povo, como grupo, sem medo de ser atingido por ser geral demais, por ser grande demais.

A Copa está chegando. Que tipo de país queremos apresentar ao mundo? Nossos filhos estão crescendo. Em que tipo de país queremos que eles vivam, quais são os valores que queremos passar para eles? Para os brasileiros que moram fora: que tipo de associações você espera que sejam feitas com nosso país? Não podemos cruzar os braços e afirmar que “sempre foi assim e assim será”, porque a perda de jovens numa boate, os assassinatos de tantos civis por policiais e uma sociedade que se julga no direito de “eliminar” pessoas que não funcionam segundo suas expectativas está doente. Por outro lado, a doença é sinal de que o processo pode ser alterado, o rumo pode ser mudado, nem tudo está perdido, um impeachment já mudou a cara do nosso Brasil, os colarinhos brancos do Mensalão foram condenados, o que mostra que a própria sociedade é podre, mas também é bela. Dentro da sociedade brasileira há tudo o que ela precisa para se renovar. Comecemos agora!

::Die Heimat eines Ausländers – A pátria de um estrangeiro::

01/06/2012

(Tradução em português em seguida)

Die Heimat eines Ausländers
ist nicht hier
ist nicht dort

Sie ist die Mischung aus Düften,
Tönen, Farben,
Geschmacksrichtungen (…)
Eine interne Auswahl
Vorprogrammierte Software
des Geistes

Wo ist er zu Hause?
Wo er wohnt, nennen wir
seine Wahlheimat
Wo er her kommt
ist heute nicht mehr der Platz,
den er einst verlassen hat

Vermischung von Werten
Lebensweisen
Was richtig oder falsch ist
Einsichtssache

Die Heimat eines Ausländers ist,
und kann nur sein,
in seinem Kopf
oder wenn er Menschen trifft,
die zu seinem Leben gehören,
die ihn verstehen,
die ihn lieben gelernt haben
ob virtuell im Internet
oder im wahren Leben

Die Heimat eines Ausländers
ist nirgendwo
und überall zugleich

Basel, 01.06.12

::::::::

A pátria de um estrangeiro
não é aqui
nem lá

É uma mistura de cheiros,
sons, cores,
gostos (…)
Uma escolha interna
Software já programado
da consciência

Onde ele se sente em casa?
Onde mora, digamos que seja
sua pátria por opção
De onde veio
não é hoje em dia mais o lugar
que um dia ele deixou pra trás

Mistura de valores
Modos de viver
Do que é certo ou errado
Questão de percepção

A pátria de um estrangeiro é,
e só pode ser,
dentro de sua cabeça
ou então quando ele encontra pessoas
que fazem parte de sua vida
que o entendem
que gostam dele como é
quer seja virtualmente na internet
ou na vida real

A pátria de um estrangeiro
não é em lugar nenhum
e em todos os lugares ao mesmo tempo

Basiléia, 01/06/12

::Spruch des Jahres – Pensamento do ano::

27/12/2009

“Heimat ist, was man nicht ertragen kann, wenn man dort ist, und nicht loslassen kann, wenn man weg ist”.

“Pátria é aquela que não podemos suportar quando a visitamos e não conseguimos nos separar dela quando está longe”.

Herta Müller, Literaturnobelpreisträgerin (ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura) em 11/11/2009
Quelle (Fonte): Welt am Sonntag de 27.12.2009


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