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Posts Tagged ‘Roma’

::Visita ao museu de arqueologia de Constança::

24/03/2014

Taí. Precisei de 16 anos para ir ao museu de arqueologia de Constança e tenho que dizer que adorei a visita! Depois dos primeiros dias lindos de primavera deste ano, este final de semana foi chuvoso e bem frio. Parece que a primavera resolveu dar uma folga e a chuva decidiu cuidar das flores, que já enfeitam toda a região em todas as suas esplêndidas cores e formas. Dada a mudança de temperatura, busquei algo pra fazer com crianças que não dependesse de tempo bom.

Fomos eu, Daniel e dois amiguinhos dele. As crianças foram atraídas por uma exposição toda feita de Playmobil, já que o museu tem sempre uma preocupação de construir cenas históricas e fazê-las visíveis aos olhos dos pequenos. As cenas que vimos hoje foi sobre o Concílio que aconteceu em Constança há 600 anos atrás (1414-18), do qual participaram 70.000 pessoas. Durante o Concílio de Constança, foi escolhido no ano de 1417 o novo Papa Martin V, portanto um acontecimento de repercussão mundial. Do lado da exposição a criançada tinha muito Playmobil e um quebra-cabeça gigante pra brincar. Aqui um link para um vídeo sobre esta exposição.

O museu tem ao todo 4 andares de história. Vimos o que a região onde moramos significou nos séculos passados, quando o Lago de Constança foi importante para as trocas comerciais dos alemães com o resto do mundo, dadas as dificuldades logísticas de antigamente. Nos outros andares vimos também muito da história do povo alemão (Alemannen), que é originário do norte da Alemanha e que povoou o que hoje é conhecido como o estado de Baden-Württemberg aqui na Alemanha. Em Württemberg fica parte do povo alemão conhecido como suebis, aliás na minha opinião os mais parecidos com os mineiros aqui na Alemanha, por serem altamente econômicos como nós. Abaixo um mapa da Europa no século V:

Aprendi que os romanos tinham também tentado ocupar a região do povo alemão (Alemannen ou Alamannen em latim), mas depois de terem tentado entrar no sul da Alemanha e ter até ocupado algumas cidades, eles tiveram que recuar e se limitaram às cidades ao longo do Reno (fronteira da Alemanha com a Suíça e a França). Aprendi também que os arqueólogos conseguiram recuperar grande parte da história do povo alemão através do estudo arqueológico da região, mais intensivo desde os anos 80, e também das descobertas derivadas dos túmulos daquela época, pelo fato distinto de que os cristãos não levavam presentes para o além e do contrário os alemães acreditavam que havia vida após a morte, levando consigo coisas representativas da sua vida terrena (jóias, armas, instrumentos musicais, etc.). Fiquei sabendo que o homens que faziam parte do povo alemão tinha em média 1,72 cm de altura, e as mulheres tinham 1,62 cm de altura, portanto nem tão mais baixos do que a média atual. As casas eram feitas de madeira, barro e tinham que ser refeitas a cada 20 anos em média. Pelo fato do povo alemão ter conseguido expulsar os romanos de suas terras e ter chegado até a tentar conquistar mais território, eles puderam manter seu idioma e sua identidade cultural. Este idioma é a origem dos dialetos alemães de hoje em dia, que vão de um território que abrange o norte da Suíça, norte da Áustria, Lichtenstein, sudoeste da Baviera até grande parte do estado de Baden-Württemberg e mostram que apesar de serem vistos como vários países, trata-se do mesmo povo. A partir do século XIII os romanos passaram a chamar o território teutônico de território alemão, o que deu origem ao nome Alemanha e à denominação do povo alemão no caso das línguas derivadas do latim, como por exemplo no caso do português, espanhol, catalão e francês, mas também para o idioma turco, árabe, curdo e persa.

Tanta coisa para descobrir! Sou super interessada por história, pelos ceutas e pela história de como se formou o povo alemão (reunião dos povos Alemannen, Franken, Friesen, Sachsen, Angeln e Thüringer do mapa acima). Agora fiquei com vontade de aprender mais ainda sobre os temas! E voltar ao museu, quando entender um pouco mais do assunto. Portanto recomendo, pra quem estiver de passagem por Constança, que não cometa o mesmo erro que eu e vá visitar o museu assim que tiver a oportunidade!

Fontes: Museu de Arqueologia de Constança (Archäologisches Landesmuseum) e Wikipedia (Allamanen).

::Quem tem boca, vai a Roma!::

02/06/2013

Tinha ido bem perto de Roma há alguns anos, mas não cheguei a conhecer a cidade. Fiquei frustrada e decidi que um dia ia, sim, conhecer Roma, mas iria querer ter uns dias pra ver de perto a cidade.

Isso se resolveu neste Corpus Christi, quando fomos, nós e a irmã do Matthias, além de um de seus filhos e um amigo, conhecer a cidade. Ficamos num camping ótimo, a 9 km do mar e bem pertinho de ônibus do metrô da cidade.

O camping (Fabulous, parte da rede ECVacanze) foi gostoso por várias razões: apesar de vir de cidade grande, sei como é gostoso ter contato com a natureza, e era bom chegar da metrópole e entrar na floresta de pinhos, onde ficava nossa casinha de camping. A casinha era fofa e completa, tinha de tudo, até uma varandinha coberta, e mesmo nas noites frias seu sistema de calefação não nos deixou na mão. Para construir as casinhas, a floresta foi respeitada. Uma das árvores passava no meio da nossa varanda!

Pro Daniel então o lugar foi perfeito. Ele podia jogar bola com o primo e seu amigo, ir na piscina, brincar com os catos do camping ou andar de carrinho antes e depois dos passeios. Pra nós, foi também muito gostoso ficar lendo na varanda ao som do barulhinho das árvores. Descansamos até!

Algumas observações sobre Roma e os caminhos que nos levaram até lá:

– Roma fica mais longe do sul da Alemanha do que se pensa. Na ida, pegamos várias horas de engarrafamento no túnel suíço de São Gotardo e precisamos ao todo de 15 horas de viagem, incluindo todas as paradas. Foi por isso que pegamos o San Bernardino na volta, economizamos algumas horas e vimos paisagens maravilhosas na Suíça, do extremo verão ao extremo inverno, todas as estações num só dia. Fizemos a volta com 12 horas.

– A cidade é linda, mas enorme, onde se concentra a maior parte das obras de arte espalhadas pela Itália. Por isso, haja pés pra caminhar tanto! Mesmo pegando metrô e ônibus, ainda fica muito pra conhecer de S2-pés, ou per pedes. A parte boa é que chegávamos em casa tão acabados que, mesmo sendo uma família coruja e adorando dormir tarde, íamos dormir relativamente cedo pra nós (perto da meia-noite).

– A melhor maneira de ficar móvel na cidade é munir-se de um mapa e de um tíquete combinado para trem e metrô. Com 24 euros para um passe pra semana toda o primeiro problema da mobilidade estava resolvido.

– Os ônibus de Roma são como os do Brasil: passam no ponto na hora que lhes dá na telha. Você vai pro ponto e fica lá, esperando, até o ônibus dar o ar de sua graça. Mas nós até que tivemos muita sorte! Nunca esperamos mais do que uns 15 minutos, ou chegávamos na estação final e o nosso ônibus estava lá esperando pela gente.
Também fizemos um passeio extra para conhecer Roma à noite, que indico. A iluminação da cidade é toda indireta e tudo fica lindo à noite, bem charmoso!
– Eu tenho um Fiat 500 e esperava encontrar muitos por lá. Que nada! O romano adora o SMART, carro que eu tinha antes e também continuo amando. Lá é uma das cidades da Europa onde mais vê-se SMARTs, que são fofos mesmo e combinam com a cidade, suas ruazelas e carros estacionados de todo jeito pelos cantos delas. Aliás, o italiano adora um carro alemão. Vimos muito VW, Audi, Mercedes, BMWs, etc. pelas ruas e rodovias do país.

– Já que estamos falando de direção, o romano, aliás, o italiano dirige muito como o brasileiro, com o diferencial de que eles não conseguem bem definir a faixa em que estão dirigindo. Ficam no meio das duas faixas e não acham que a da direita é pra carros que estão indo mais devagar, nem dão seta quando resolvem escolher uma faixa. Resultado: você pode ser ultrapassado pela direita e tem que tomar cuidado ao transitar pelas ruas, mas isso a gente já conhece do Brasil, né?

– Aliás a Itália tem muito de Brasil, ou o Brasil tem muito da Itália? Vi uma brasileira pechinchando em português com um camelô romano, que respondia em italiano… Quem fala português entende bem o italiano, mas quem fala um pouco de italiano acaba falando inglês. Pelo menos foi o que aconteceu comigo, por ser mais fácil achar as palavras na cabeça.

– A praia pertinho de Roma, cuja cidade se chama Torvaianica, é super parecida também com as praias do Espírito Santo ou da Bahia. Parece que você está chegando numa praia brasileira! A diferença é que a praia fica separada da rua por uma primeira fileira de casas ou de arbustos com flores.

– As romanas têm pés especiais ou passam por um curso especial pra conseguirem andar o tempo todo de sapatos altíssimos sem demonstrar cansaço… E todos são muito bem vestidos! O Matthias comentou que se se esforçassem tanto na economia quanto se esforçam no visual, a Itália não teria problemas econômicos!…

– Os garçons romanos são… indianos! A cidade está lotada deles, trabalhando como garços, camelôs ou vendedores de rua. A taxa de desemprego da Itália não deve ser das melhores, mas não no caso dos indianos, que até entre si conversam falando em italiano.

– Os sorvetes italianos, hummmmm!…. Por eles eu morreria gorda, mas feliz! Na Itália não se conhecem bolas de sorvete, as porções são definidas pelo preço. Primeiro você informa o preço, depois se quer casquinha ou copinho, e depois os sabores desejados. Todos eles são fantásticos, então fica difícil fazer uma escolha!

– O cappuccino da Itália é naturalmente mais gostoso do que o da Alemanha – e bem mais barato. Aliás, pra quem está acostumado com os preços na Alemanha, a Itália é barata. Mesmo no centro de Roma se encontra um bom restaurante pagável, e se eles não estiverem funcionando (têm uma boa pausa entre o almoço e o jantar), as lanchonetes da cidade são também uma boa pedida.

– Se quiser economizar, peça seu cappuccino sem se sentar nas mesas. Sentado, seu pedido pode ser 3-5 vezes mais caro do que em pé!

– Há um tipo de alface diferente lá, o Agreti. Muito gostoso na salada e no espagueti.

– As pizzas de lá são tão finas como no Brasil, ao contrário das pizzas grossas da Alemanha, que são pura massa nas beiradas.

– Achei as frutas e verduras mais gostosas que aqui na Alemanha.

– Quase não há crianças na Itália! Atualmente, o país está com a taxa mais baixa de natalidade da Europa.

– As indústrias de Roma se resumem a escritórios, turismo e moda!

– Na Fontana de Trevi deixará uma moeda, se quiser voltar à Itália, duas moedas, se quiser se casar e três moedas se quiser se separar! As moedas são muitas e toda semana são retiradas para ajudar em projetos sociais.
Leve sempre uma garrafinha de plástico pequena para encher com a água das montanhas em um dos mais de 2.000 bebedouros espalhados pela cidade.

– Se quiser ver o Papa no Vaticano, ele pode ser visto na praça de São Pedro às quartas e domingo às 10:30 horas da manhã. Não se paga nada para entrar na praça, você só tem que abrir sua bolsa para que ela seja revistada.

– Goethe passou 15 meses em Roma e disse, ao deixar a cidade, que são necessárias várias vidas para se conhecer Roma. E acho que ele tem razão!


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