Posts Tagged ‘roubo’

::Um dia como outro qualquer na Alemanha::

01/11/2011

Nos últimos dias os bancos da cidade aqui na Alemanha estavam fazendo propaganda do “Weltspartag“, o “Dia Mundial da Poupança”. O propósito é legal: as crianças são convidadas a ir ao banco com seus cofrinhos, colocar suas pratinhas na caderneta de poupança e saem de lá com presentinhos do banco: novos cofrinhos, balinhas, jogos, bichinhos de pelúcia, etc.

Como o Daniel ainda não tinha uma conta no banco, fui ontem com ele, munida de documentos e dos cofrinhos, para o banco local. Mostrei a certidão de nascimento do Daniel. A atendente não conseguia entender o sobrenome duplo do meu filho, muito menos o meu, e menos ainda o fato de eu não ter o sobrenome do meu marido, apesar de ela estar vendo tudo preto no branco no documento à frente de seus olhos. Depois de alguns mal entendidos e perguntas desnecessárias, ela me apresentou os documentos para assinatura e notei que ela tinha esquecido de colocar o número do prédio no meu endereço. Ela prontamente jogou os papéis fora e preencheu os formulários novamente. Da 2a. vez, o erro ainda continuava lá, firme e forte. Ela desistiu e completou o número que faltava com uma caneta. Fui buscar a assinatura do Matthias na loja e voltei pro banco, sentei num saguão de espera e fiquei por lá, folheando uma revista qualquer. Passados uns 15 minutos, fui chamada por um outro funcionário, que foi muito simpático, me fez sentar à frente da mesa dele, buscou um brinquedo pro Daniel, e depois me fez a derradeira pergunta:

– Eu não estou entendendo bem o nome do seu filho, acho que a senhora vai poder me ajudar.

Na altura do campeonato eu já demonstrava desinteresse, pois continuei a folhear a revista trazida do saguão. Ele tinha todos os documentos completos, assinados por ambos os pais, além das cópias da certidão de nascimento do Daniel e da minha carteira de identidade e ainda assim continuava com dúvidas! Ele continuou:

– O nome do seu filho é Santos ou é Xxxx?

Eu respondi:

– É Santos Xxxxx, um nome duplo, como o meu, Xxxxx Santos. É um nome brasileiro, o 1° nome é o nome da mãe e o 2° é o nome do pai.

Pensei: eu já tinha explicado tudo isso antes para a atendente… Por fim, depois de ele estranhamente colocar os mesmos dados no computador que a atendente tinha colocado anteriormente, saio de lá com o livrinho da caderneta de poupança do Daniel em mãos. Comentei com o Matthias sobre o ocorrido, ao que ele, ironicamente, comentou:

– O Daniel deve ter sido o 1° cliente meio-alemão e meio-estrangeiro que o banco daqui atendeu em toda a sua vida!…

Tirando este faux-pas dos atendentes do banco, acho a iniciativa de incentivar a prática da poupança já de pequeno muito boa, já que saber economizar também é algo que se pode aprender e cultivar.

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Roubo e presente inesperado na Alemanha

Fui buscar a Taísa na casa do namorado. Ela estava super feliz, pois acabava de ganhar uma bicicleta de alumínio, levinha e com tudo em ordem, apesar de um pouco velha. Perguntei como isso tinha sido possível e ela explicou que estava andando na rua quando se deparou com uma mulher, empurrando uma bicicleta, que dizia estar levando a mesma pra jogar fora, pois iria mudar para Stuttgart. Ela perguntou se a Taísa queria a bicicleta, assim se via livre dela naquele momento. A Taísa, que acabou de perder a 2a. bicicleta por roubo, ficou radiante com a oferta. Pelo jeito, a senhora ofereceu a bicicleta pura e simplesmente pra economizar tempo, pois como ela disse, se a Taísa aceitasse a bicicleta, não precisaria levá-la até o local específico de entrega de coisas usadas. Eu brinquei com a Taísa que era como se ela estivesse andando com uma placa na testa com os dizeres: “Roubaram minha bicileta. Você tem uma pra me dar?” e seu pedido foi atendido!

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Pedido feito, pedido aceito

E por falar em pedidos, temos que ter muito cuidado com os pedidos que fazemos. Quando roubaram minha carteira, eu afirmei que queria só minhas fotos e pertences pessoais de volta. Pedido feito, pedido aceito. Há algumas semanas atrás a polícia local me ligou informando que tinham achado minha carteira! Eu fui buscá-la, muito feliz com a notícia. O policial me entregou um envelope grande e gordo e eu não entendia por quê. Só fui entender quando o abri: lá dentro encontrei minha carteira aberta, com 4 centavos de euro dentro, junto de alguns pertences pessoais, além de vários documentos espalhados dentro do envelope. Disseram que minha carteira foi achada num jardim, e como tinha chovido nos dias anteriores e a carteira tinha ficado aberta, recuperei tudo, mas grande parte não podia mais ser usada, pois a chuva destruiu fotos, papéis, etc. Ainda assim, recuperei algumas fotos que estavam plastificadas, além de outras coisinhas memoráveis e de valor inestimável para mim. Ainda assim repito: temos que ter muito cuidado com os pedidos que fazemos!

::Onde está o mal?::

27/07/2011

O final de semana passado me marcou por vários motivos. O primeiro, o principal, pela mente insana do norueguês que passou quase 10 anos planejando um ato de terror, motivado pela fobia contra muçulmanos e estrangeiros que ocupam a Europa, que ele quer deixar “limpa” de novo sem nós (eu e você que está lendo este texto e mais alguns outros por aí). O que mais me deixou literalmente boba foi o fato dele ter resolvido matar tantos jovens só com o objetivo de se auto-promover. Por ter incluído no seu minucioso planejamento o fato de não ter se matado como todos os outros loucos anteriores e por ter escrito um “manifesto” de mais de 1.500 páginas, ele conseguiu lançar uma campanha de marketing das mais inusitadas e, infelizmente, cujo sucesso repercutiu em todo o planeta. Foi por isso que ele conseguiu afirmar que o ato cometido foi “cruel, mas necessário”. Como o tal do “manifesto” do rapaz foi espalhado por ele 7.000 vezes na net antes dele sair para matar pessoas a torto e direito, não foi difícil achá-lo e ler algumas partes do mesmo, onde ele explica que não há igualdade entre os seres humanos, dá uma aula de maldades e convoca outros loucos a seguir seu exemplo. Lendo aquela loucura toda, entendi que pra ele valeu a pena fazer o que fez, pois se projetou no “mundo do mal” para um dos primeiros lugares do planeta, e para nós, cidadãos do mundo, um dos últimos. Uma busca pelo nome dele no Google aponta: hoje há 10.400.000 páginas sobre ele. Que pena!… A Noruega ficou embasbacada ao perceber que o mal não vinha de fora, mas tinha nascido e tinha sido criado, educado e formado dentro do país. O mal já estava lá o tempo todo e eles não sabiam. Independentemente de sua origem, quem poderia imaginar que um ser humano pudesse ser capaz de uma barbaridade dessas, ainda mais cometida contra jovens inocentes, acertando em cheio o cerne de uma sociedade aberta, multicultural e democrática? A parte curiosa da coisa fica o nome do infeliz: ele se chama “Anders“, o que significa “diferente” em alemão. Põe diferente nisso!

Enquanto pensava nisso tudo, no sábado o mal apareceu pra mim, ainda que bem de leve. Eu também nem pensava mais que ele morava bem ao lado e fui, como em todo sábado, fazer compras no supermercado com o Daniel, que me chamava aqui, me mostrava algo lá, como em todo sábado. No final das compras coloquei, com a ajuda dele, tudo na esteira e senti minhas pernas tremerem ao notar que minha carteira tinha sido roubada de dentro da minha bolsa! Lá se foram dinheiro, cartões de banco e documentos, e no lugar da carteira ficaram alguns telefonemas para bloquear os cartões, uma ida à polícia local e a certeza de que não voltarei a viver tão “leve, livre e solta” como antes. A preocupação com meus pertences tomou conta do meu sábado à tarde, ainda que por outro lado reconheci ter tido sorte no azar, pois tudo poderia naturalmente ter sido mil vezes pior. Desejei que o autor do roubo esteja realmente precisando do dinheiro, e desejei reencontrar meus objetos pessoais, fotos da família e lembranças da juventude que carregava comigo há tantas décadas.

Por fim, a notícia da Amy Winehouse me fez também pensar que o mal mora dentro de nós mesmos, muitas vezes na incapacidade humana de evitar ou parar coisas que não fazem bem ao corpo e ao espírito tais como cigarro, álcool e drogas, que matam e levam do mundo pessoas com um talento tão grande quanto o dela. Que ela esteja num lugar bem legal, cantando para os anjos e vivendo mais sossegada do que foi possível viver aqui, sortuda por ter alcançado tanto sucesso, mas sem sorte por ter sido vítima do mesmo.

O mal está em todas as partes. E quando menos esperamos, ele volta a dar as caras. Por outro lado, o mesmo se dá com o bem. Que pensemos nisto!


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