Posts Tagged ‘saúde’

::Chauvinismo x sentimentos nobres::

01/02/2021

Continuo intrigada com a pergunta do meu poema de ontem sobre a reação masculina (de certa parte dos homens) com relação à mulher. Ela naturalmente não está só limitada às mídias sociais, este sentimento de desprezo e superioridade com relação às mulheres acontece muitas vezes dentro e fora da vida real.

Fiquei lembrando daquelas mil piadinhas sem graça que costumava ouvir durante a infância e a adolescência, que invariavelmente falavam mal de grupos considerados mais fracos como o das mulheres, e refletindo que muitas de nós aceita e deixa passar muita coisa porque não temos consciência da violência e do ataque, da verdadeira mensagem que está por trás da piada. E assim, aceitando uma piadinha aqui, outra piadinha ali, nossa consciência vai sendo formada ou até moldada.

Lendo sobre o chauvinismo, aprendi que ele surgiu na segunda metade do século XVIII, deriva de um soldado de Napoleão (Nicolas Chauvin) que demonstrou grande patriotismo, teve o sentido da palavra deturpado ao longo do tempo e pode ter hoje em dia, em resumo, os seguintes significados:

  • Opinião exacerbada, tendenciosa ou agressiva em favor de um país, grupo ou ideia;
  • Rejeição radical a contrários, desprezo às minorias, entusiasmo excessivo pelo que é nacional, e menosprezo sistemático pelo que é estrangeiro;
  • Chauvinismo masculino: denegrir, desprestigiar e paternalizar um determinado gênero por considerá-lo inferior ao outro, e, portanto, merecedor de um tratamento ou benefício inferior à igualdade

E a reação da mulher contra o ataque vindo do sexo oposto, qual deve ser, ou qual é? A comediante e escritora americana Ilana Glazer, que diz ter se tornado feminista nos anos 70 por não concordar com o chauvinismo masculino, pontua acertadamente que a melhoria das condições de vida das mulheres não pode e não deve significar algo negativo para os homens, mesmo que este desequilíbrio entre os gêneros já estivesse passando da hora de ser tratado. A resposta para o chauvinismo masculino não pode ser que estejamos contra os homens, mas deve estar baseada no respeito mútuo e no tratamento justo (equidade). Temos todos que ir juntos na construção de um mundo novo, que talvez desponte na era pós-pandemia, quem sabe… A esperança é a última que morre!

Pode achar estranho a princípio, mas a meu ver um mundo “ideal” poderia ser um onde existisse um alto nível de altruísmo, e onde as pessoas fizessem o máximo para alcançar, ao mesmo tempo, sua felicidade máxima individual.

E querer melhorar o mundo, sendo altruísta, pode ser egoísta ao mesmo tempo? A resposta é sim, pois quanto melhor os outros estiverem, melhor tenderemos a nos sentir. Se queremos buscar respostas para problemas comuns, vivendo em uma sociedade que tem maior capacidade de inovação, teremos mais recursos para tanto. Um exemplo imediato seria a crise atual do coronavírus, no caso da busca de vacinas e medicamentos. A busca por objetivos comuns se torna mais fácil se há mais pesquisadores trabalhando em conjunto, se há maior condição de desenvolvimento e teste de novos atenuantes para a pandemia. Isso explica até porque as vacinas puderam ser desenvolvidas em um prazo recorde de tempo: temos cooperação internacional, altos investimentos, alta demanda e muitos casos nos quais as vacinas estão podendo ser testadas com grande agilidade. Recomendo muito que assistam o vídeo abaixo que sustenta essas ideias:

Em um mundo positivo, quanto melhor as outras pessoas estiverem, melhor você mesmo estará. Há um ganho visível para todos quando mais pessoas tiverem acesso à educação, inovação e prosperidade.

O filósofo Ayn Rand, dentre tantos outros que tocou neste assunto, defendeu a ideia de que a única maneira de garantir a liberdade vivendo em sociedade é através do egoísmo ético, onde cada um procura agir segundo seus interesses individuais.

Cuidar bem de si, o que poderia ser visto como um ato egoísta mas na realidade é um ato de auto-compaixão, ao mesmo tempo em que cuidamos bem do outro também, é o que poderia ser denominado um egoísmo ético universal, pode fazer com que o mundo melhore para todos, pois afinal, estamos todos interligados, respiramos o mesmo ar e até agora ainda habitamos o mesmo planeta.

Independente do que cada um de nós acredita, se pensarmos em todos os tipos de religião, que afinal de contas são várias maneiras de tentar explicar a realidade invisível, vemos que a essência de todas elas busca o mesmo fim, tratar o outro como gostaríamos de ser tratados, amar e ser amado. Achei este artigo com um gráfico muito bom, na minha opinião, apresentando a essência de varias religiões.

E para fechar esta linha de pensamento do bem, como que “por acaso” acaba de cair nas minhas mãos este artigo afirmando que fazer o bem melhora sua genética e sua saúde. E já que chegamos ao fim da “volta ao mundo” no universo do pensamento, que invariavelmente chega aos assuntos relacionamento, tempo ou pandemia no meu grupo de desenvolvimento pessoal, aproveito para fechar com o melhor vídeo que já vi até agora explicando como o coronavírus atua quando entra no corpo de um ser humano. Vale a pena se informar! Nos comentários do YouTube alguém disse que aprendeu mais com este vídeo do que com todos os artigos e reportagens que já tinha lido e visto até o momento.

Boa semana para todos e se tiver mais alguma ideia sobre o assunto proposto, aguardo um comentário!

Como pode imaginar, muito do que toquei acima faz parte do meu novo livro, o HERstory – escreva a sua história! Para ver onde adquirir, visite a seção “Os livros e onde comprar“. Opiniões de leitores sobre o livro? Leia aqui.

::A morte de um empregada doméstica que deixou o Brasil em estado de alerta::

29/03/2020

As classes média e alta do Brasil estão trazendo o coronavírus junto de suas viagens (internacionais) – mas não querem abdicar da ajuda dos trabalhadores domésticos vindos das favelas. Com isso, a doença pode se alastrar rapidamente entre os mais pobres.

Por Marian Blasberg, correspondente alemã no Rio de Janeiro da revista Der Spiegel, vivendo no país desde 2014

28.03.2020, 21:41 horas

Durante 63 anos, a empregada doméstica Cleonice Gonçalves levou uma vida no Rio de Janeiro que não interessava a mais ninguém. Ela trabalhava em um apartamento chique no bairro de praia do Leblon, onde os preços dos terrenos são mais altos do que em qualquer outro lugar do Brasil.

Lá ela limpava os banheiros e as maçanetas das portas, cozinhava e passava roupas. Quatro dias por semana ela dormia num pequeno quarto de empregada no apartamento da sua patroa. Nos fins-de-semana, ia de carro para sua casa no subúrbio em Miguel Pereira, a duas horas de distância do Leblon, onde vivia com a família numa casa não rebocada, numa estrada de cascalho.

Cleonice, que ao longo de sua vida desapareceu numa massa sem rosto de mão-de-obra barata que se deslocava de suas favelas para a cidade em ônibus e trens lotados, só virou manchete de jornal no Brasil quando morreu na terça-feira da semana passada. A sua morte aterrorizou o país.

 A patroa de Cleonice, conforme foi noticiado nos jornais locais, tinha passado os dias de carnaval na Itália. No seu regresso, a senhora idosa tinha se submetido a um teste de coronavírus, mas não considerou necessário informar sua empregada sobre o fato e nem dispensar os seus serviços durante os dias em que esperava pelo resultado do teste.

As coisas continuaram como de costume até que Cleonice foi ao médico no último dia 13 de março, por sentir dores quando urinava. O médico receitou-lhe um antibiótico. Dois dias depois, ela teve dificuldade para respirar. Cleonice, que era diabética e sofria de pressão alta, foi a um hospital, mas também não encontrou lá ninguém que pudesse interpretar adequadamente o seu estado de saúde.

Cleonice Gonçalves, uma empregada doméstica, faleceu no dia 17 de março, dia em que a sua patroa recebeu o resultado positivo do seu teste. O fato de uma mulher como ela, entre todas as pessoas, ter sido provavelmente a primeira vítima do coronavírus no Rio de Janeiro, não foi apenas simbólico. É também um sinal de alarme.

Como em muitos outros países do hemisfério sul, o vírus foi disseminado no Brasil por uma classe alta e média rica, predominantemente branca, por pessoas que têm dinheiro para viajar. Não é coincidência que o Rio de Janeiro tenha relatado seus primeiros casos vindos dos ricos desfiladeiros urbanos do Leblon e de Ipanema.

Mas a grande preocupação é outra: o que acontecerá quando o vírus infectar pela primeira vez os lugares onde vivem todas aquelas pessoas que mantêm a vida na cidade, empregados domésticos como Cleonice, cozinheiros e babás, os porteiros que se sentam nas entradas das casas, os caixas dos supermercados, os garçons dos bares e restaurantes, todos os comerciantes informais e vendedores ambulantes que oferecem suas mercadorias nas calçadas?

O jornal diário “O Globo” resumiu esse medo há alguns dias em uma enorme foto de efeito, que basicamente não precisava de explicações adicionais. Mostrava um trecho da favela da Rocinha, um emaranhado sem limites de casas e cômodos interligados. Um lugar onde dezenas de milhares de pessoas vivem juntas num espaço muito pequeno.

Esta imagem não só pareceu uma mensagem apocalíptica de um futuro próximo, como também poderia ser interpretada como um pedido de ajuda na direção de um presidente que teimosamente descartou o vírus como uma “gripezinha”. O Brasil não pode ser comparado à Itália, disse Jair Bolsonaro no início desta semana. A Itália tem 200 habitantes predominantemente idosos por cada quilômetro quadrado, enquanto que o Brasil conta com 24 pessoas predominantemente jovens vivendo em cada quilômetro quadrado. É um disparate estatístico que deixa um número crescente de brasileiros balançando a cabeça, não concordando com a argumentação do presidente.

Segundo números oficiais, num lugar como a Rocinha, há quase 50 mil pessoas por quilômetro quadrado. No Complexo da Maré existem 31 mil, no Complexo do Alemão 23 mil. 1,7 milhões de pessoas vivem nas quase mil favelas do Rio de Janeiro, e as condições que existem por lá são, muitas vezes, extremamente precárias.

O Estado retirou-se de muitos desses assentamentos, que agora são controlados por milícias ou gangues de drogas. Em muitas esquinas, o lixo não recolhido está se acumulando. O esgoto flui pelos becos sob o céu aberto. Em casas onde seis ou sete pessoas partilham um quarto, o isolamento social é uma ilusão.

Nestes dias em que o Rio de Janeiro está apenas hesitantemente parando, o vírus está se alastrando nestes lugares de maneira quase desapercebida. Quatro favelas já relataram casos confirmados de corona e dezenas de casos suspeitos. Esta é uma das razões pelas quais o ministro da Saúde de Bolsonaro, Luis Henrique Mandetta, assume agora que o sistema de saúde provavelmente entrará em colapso até o final de abril.

“Se nada for feito, um tsunami vai atingir os hospitais públicos!” Isso é o que afirma o jovem Raul Santiago em uma conversa ao telefone, com uma voz bastante excitada. Raul vive com sua esposa e quatro filhos em um barraco no Complexo do Alemão. O problema, ele acredita, é a desigualdade social no Brasil. Como um homem pobre, ele pertence ao grupo de risco.

Raul Santiago questiona: “O que será dos mais necessitados que não têm poupanças e que não estão cobertos por uma rede de segurança social? É só observar o que aconteceu com a água”, diz Raul. Na verdade, este ano parece uma maldição. Em janeiro, uma sopa marrom e malcheirosa saiu da torneira em todas as partes da capital carioca, apenas porque ninguém havia notado que algas haviam contaminado a estação municipal de tratamento de esgoto. Depois, em fevereiro, choveu tanto que em algumas favelas as casas escorregaram das encostas e enterraram seus habitantes. Agora, a água da torneira está razoavelmente limpa novamente, diz Raul, mas vários dias por semana, por alguma razão, não sai água da torneira, por isso eles não podem sequer seguir a regra simples de higiene de lavar as mãos frequentemente.

O álcool gel, que faz parte do cotidiano de muitos brasileiros desde a gripe suína em 2009, agora está sendo tão difícil de encontrar que uma pequena garrafa custa uma fortuna. “Aqui em cima no nosso morro: três euros, às vezes quatro ou cinco (entre 15-25 reais)”, diz Raul.

Raul Santiago fundou um coletivo de ativistas com alguns amigos há alguns anos atrás, chamado Papo Reto, para falar sem rodeios. Ele normalmente fala em eventos sobre temas como violência ou racismo. Hoje ele tem cartazes impressos, que penduram em lugares estratégicos da favela, nas entradas ou nos lugares onde estão estacionados os mototáxis e micro-ônibus, que ainda levam muita gente para trabalhar da favela para a cidade. Entre outras coisas, eles apontam que aqueles que têm água devem recolhê-la em baldes e compartilhá-la com os seus vizinhos.

Várias vezes ao dia, o povo da comunidade de Raul corre pelos becos em um carro com alto-falante, informando as pessoas que os moradores devem evitar grandes reuniões e arejar bem suas casas. Ele diz que eles próprios estão tomando providências porque o governo está fazendo muito pouco.

Ninguém sabe exatamente quantos brasileiros trabalham em condições precárias ou quantos estão sendo demitidos hoje em dia. A questão é: Quem está cuidando dessas pessoas? O que vai acontecer com os mais necessitados, que não têm poupanças e que não estão cobertos por uma rede de segurança social? O que é que eles vão comer?

Para evitar uma emergência humanitária, a associação nacional de favelas “CUFA” publicou há alguns dias um catálogo de 14 solicitações. Dentre outras coisas, sugere-se que os habitantes das favelas recebam sabão gratuito durante toda a crise. Também que a internet seja gratuita para que as pessoas possam se informar. Citam a necessidade de apoio aos proprietários de pequenas lojas, e afirma que aqueles que são mais duramente atingidos deveriam receber regularmente pacotes de alimentos básicos.

Há alguns dias atrás, Paulo Guedes, o ministro neoliberal da economia de Bolsonaro, havia dito que os mais pobres poderiam receber 200 reais por mês, 40 euros, mas depois disso ninguém voltou a ouvir nada mais sobre essa proposta. Na sexta-feira, foi o Congresso que aumentou o montante para o equivalente a 100 euros. Enquanto isso, o próprio Bolsonaro parece se incomodar com outros assuntos. Como o pânico em seus olhos só leva a uma queda desnecessária no crescimento econômico, ele agora exige que os governadores reabram as lojas nos estados brasileiros. O trânsito deve fluir novamente, e as escolas também devem voltar ao funcionamento normal, porque crianças e jovens não pertencem ao grupo de risco, segundo ele.

Um homem como o famoso infectologista Edimilson Migowski tem dificuldade em manter a calma diante de tais afirmações. O vírus, diz ele, está se espalhando mais rápido do que muitos especialistas pensavam. O governo tem que agir agora, ou será tarde demais.

É importante focar na população mais desfavorecida. Por causa das condições de vida, diz ele, um número desproporcional de pessoas sofre de condições de saúde pré-existentes. A falta de higiene e quartos escuros ou mal ventilados significam que a proporção de pessoas que sofrem de tuberculose ou asma é cinco vezes maior nas favelas do que nos bairros mais prósperos. Há muitos diabéticos devido à má nutrição.

“Se você quer proteger essas pessoas”, diz Migowski, “então você tem que tentar isolá-las de alguma forma, mesmo que elas estejam em hotéis vazios”. Para evitar que o vírus se propague, é preciso testá-los o mais cedo possível, não só os casos graves, mas também os leves, pois não são menos contagiosos”. No fim de semana foi anunciado que a cidade está agora alugando hotéis para isolar os idosos das favelas.

O problema é que o Brasil ainda tem muito poucos testes. Os hospitais não têm máscaras e luvas. No Rio, bilhões de cortes no sistema público de saúde fizeram com que os hospitais da cidade perdessem 1.051 leitos de terapia intensiva somente nos últimos dois anos. A força de trabalho de centenas de clínicas que oferecem tratamento inicial gratuito foi reduzida durante a crise econômica desde 2014 ao ponto de atingir agora apenas a metade da população. Em alguns desses hospitais, os trabalhadores sem a qualificação necessária estão mantendo as operações porque inúmeros médicos pediram demissão depois de que seus salários não foram pagos durante vários meses.

Estes são os lugares que pessoas como Cleonice Gonçalves visita quando estão doentes. Eles já estavam trabalhando demais antes mesmo do coronavírus aparecer.

Hoje, as barracas estão sendo erguidas às pressas em frente de muitos destes postos de saúde para separar casos de coronavírus dos outros pacientes. Em vários lugares da cidade, soldados estão montando hospitais de campanha, mas Raul Santiago, o ativista do Complexo do Alemão, ainda está se preparando para o pior. “Na melhor das hipóteses, teremos cenas como aquelas na Itália”, diz ele.

Na noite seguinte à entrevista, um toque de recolher noturno entra em vigor em algumas favelas da cidade. Em alto-falantes e no WhatsApp, as gangues da droga anunciam: “Só queremos o melhor para o nosso povo. Se o governo não puder fornecer segurança, o crime organizado o fará”.

Fonte: artigo da revista alemã Der Spiegel de 28/03/20.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor – www.DeepL.com/Translator, adaptação e correção do texto por Sandra Santos, 29/03/20, 17:00 horas

P.S.- Uma nota de agradecimento à minha irmã Renata pela sugestão do uso do tradutor DeepL! Ainda não é perfeito, mas é muito bom e ajudou bastante na tradução inicial.

::Guia para bolsistas brasileiros na Alemanha::

03/06/2015

O Guia para bolsistas brasileiros na Alemanha, feito pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, está agora na 2a. edição e contém muitas informações válidas para todo estrangeiro na Alemanha, sendo estudante ou não. O conteúdo tem ótima qualidade e foi muito bem feito. Apesar de discordar com alguns pequenos pontos, a grande maioria da informação é atual e válida. Fica a dica. Bom feriado amanhã!

::I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira::

31/05/2015

Entre os dias 24 e 26 de junho de 2015 acontecerá em Brasília a

I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.

O objetivo desta conferência será tratar e discutir os temas de gênero que abrangem as comunidades brasileiras no exterior.

Alguns dos pontos a serem tratados:
– violência doméstica;
– imagem estereotipada da mulher brasileira;
– guarda de menores;
– saúde feminina;
– tráfico de seres humanos…

A Alemanha vai participar desta conferência através do Conselho de Cidadania, por ser uma comunidade significativa em relação a todos estes temas. Espera-se que com a conferência sejam implementadas iniciativas que beneficiem a vida do brasileiro no exterior e fomentem sua integração.

Todos os brasileiros residentes na Alemanha poderão dar a sua opinião através da pesquisa a seguir, bem como sugerir temas a serem tratados na I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.
Para participar da pesquisa, clique no seguinte link.

Agradecemos por sua participação!

::Viver e trabalhar na Alemanha – dicas em português::

14/03/2015

DiaconiaAchei um documento da Diaconia alemã sobre viver e trabalhar na Alemanha, escrito tanto em português como em alemão. Ele lida com temas como o aprendizado do idioma, moradia, trabalho, escola, seguros sociais, cultura e lazer e pode ser baixado como um documento PDF aqui. Em tempo: o mesmo documento existe em 6 outros idiomas, a saber: espanhol, búlgaro, grego, italiano, polonês e romeno.

Segundo informações que constam na página da Diaconia, o documento pode ser solicitado também impresso na Diakonie Rheinland-Westfalen-Lippe, através da Sra. Anke Arend (e-mail: a.arend@diakonie-rwl.de).

::Os culpados eram mesmo os brotos::

11/06/2011

Como já tinha desconfiado no post anterior, os culpados pela epidemia da bactéria E.coli eram mesmo os brotos! Ontem mesmo, sem ter ouvido a notícia oficial, estava comendo salada e pensando como é bom comer comida fresca e saudável e como eu sentiria falta disso se fosse impossibilitada disso!

Viva a salada e bom final de semana!!!

::Bactéria E.coli x uma vida normal::

08/06/2011

Três semanas depois do surgi- mento da bactéria E.coli confesso que está ficando meio difícil achar algo comível na hora do almoço sem ficar com medo. Em casa, parece que somos umas das últimas famílias na Alemanha a comer saladas: continuamos comendo alface (da horta do meu sogro), tomates (analisando a origem, lavando e relavando), mas não compraria pepinos ou brotos. Felizmente estamos a muitos e muitos quilômetros do epicentro da epidemia, que está no norte da Alemanha na cidade de Hamburgo e arredores.

Tenho pena de toda a colheita, mesmo a regional, que tem sido jogado fora nos últimos dias e semanas, e fiquei surpresa com a notícia de hoje de que a CE vai repor grande parte das perdas econômicas aos agricultores afetados pela “crise da bactéria”. O capitalismo daqui protege quem tem perdas causadas por epidemias, que sorte a dos agricultores daqui! Pensando na fome no mundo, é muito louco saber que tanta comida é jogada fora aqui, mesmo que os agricultores tenham analisado sua colheita e dito que ela é livre de bactérias: tem muito consumidor que prefere não arriscar e desde então o alimento que está em alta é o “junk food“. Bem-vindos McDonalds, batatas fritas e carboidratos!

Como cada estado parecem ter autonomia para analisar e cuidar de assuntos de saúde, as notícias diárias têm deixado os consumidores cada vez mais perdidos, sem saber direito o que comer e no que acreditar. O certo é que a E.coli é a mistura de duas outras bactérias, e por isso é super forte e os médicos não tem clareza sobre como conduzir o tratamento dos pacientes acamados. Há dois tipos sérios de doenças ligadas à bactéria do tipo O104:H4: Escherichia coli entero-hemorrágica (ECEH, aqui denominada EHEC) – uma grave diarreia com sangramento, com até agora 1.605 casos – e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) – que ataca os rins, com 605 casos na Europa. Até agora são 22 pessoas mortas, uma delas na Suécia, que tinha voltado de uma viagem ao norte da Alemanha. Uma reportagem comentou que há pessoas que são supostamente imunes à bactéria, mas se elas forem ao banheiro, e logo depois uma pessoa não-imune passar por lá, não lavar bem as mãos e comer algo em seguida, pode ser contaminada. Portanto, a higiene é o mandatório número um! Recomenda-se, principalmente no norte do país, não se comer alface, tomate, pepino e brotos.

Quanto mais o tempo passa, mais difícil vai ficando descobrir como foi que a epidemia começou: do pepino espanhol, à alface e tomates, passando por brotos, muitos alimentos crus já passaram pela lente das autoridades. O que chama a atenção é que a bactéria vem atacando um grande número de mulheres adultas, que preparam e comem comida (crua) com bastante frequência. É muito estranho viver em um país lutando contra uma bactéria que ninguém sabe de onde veio, para onde vai, como surgiu e como se deu a transformação da “super bactéria”, que pelo que andei lendo é fruto do cruzamento de um tipo conhecido na Europa com outro africano. Penso nas pessoas afetadas, que desde então têm vivido isoladas, sem saber o que fazer, sem a possibilidade de viver uma vida normal. Desejo que achem logo a origem, descubram boas formas de tratamento e que a epidemia possa ser controlada de fato. Pelo que noticiaram hoje, parece que os culpados sao mesmo os brotos. Quero poder voltar a comer comida saudável crua sem receios!

Fontes: varías leituras e reportagens de rádio, p.ex. jornal Südkurier, revista “Der Spiegel“, Meio-Norte.com (reportagem de 05.06.11), rádios SWR1 e SWR3.

::Consultas médicas / seguro de saúde na Alemanha::

11/01/2011

Na Alemanha todos têm obrigatoriamente um seguro de saúde. Ou ele vai ser o seguro de saúde regular, exigido por lei (gesetzliche Krankenversicherung) ou vai ser privado (private Krankenversicherung). O que determina se a pessoa faz parte de um ou outro tipo de seguro é um montão de leis e, por que não, outras tantas exceções. Falando em geral, o seguro privado é o seguro dos donos de empresa (Selbständige, Freiberufler), funcionários públicos, estudantes e também pode ser o seguro de um assalariado que trabalha na Alemanha e ganha acima de, atualmente em 2011, mais de 49.500€ (salário bruto) por ano, o que é a chamada Jahresarbeitsentgeltgrenze (JAEG): o limite de ganhos anuais para os assalariados que têm seguro de saúde regular do governo. Este valor muda todo ano, então pode ser que um assalariado tenha um seguro privado e depois tenha que voltar a fazer um seguro de saúde regular, de acordo com seu salário anual do ano anterior. Ainda assim, há um terceiro grupo de assegurados: aqueles que poderiam ter um seguro privado, mas ficam no regular por opção própria (freiwillige gesetzliche Krankenversicherung).

O tipo de seguro que a pessoa tem é que vai determinar como serão suas consultas médicas. Já que os médicos tem mais opções pra faturar em cima de assegurados privados, estes têm preferência em toda e qualquer consulta, o que não quer dizer que o nível do seguro regular seja ruim, muito pelo contrário. O nível do atendimento médico na Alemanha é altíssimo, deixa sim muito a desejar no quesito “bom atendimento ao cliente”, mas ainda assim é, em geral, de alto nível. O assegurado privado chega a enfrentar até o problema oposto: como ele é fonte de renda direta para os médicos, há uma tendência maior de “espichar” o atendimento deles, sendo pedidos exames que não são 100% necessários para o diagnóstico de uma doença, só como meio de faturar mesmo em cima da doença alheia.

E como funciona o atendimento? Em geral a pessoa tem que ligar, citar seu seguro de saúde (se for privado) se nunca tiver ido ao dito médico, pedir um horário e o mais difícil: explicar por que precisa do médico e com que urgência. Não é necessário citar que algumas situações podem ser altamente embaraçosas… mas são “ossos do ofício” e quem mora aqui se acostuma com uma certa indiscrição de algumas atendentes. Isso porque as assistentes dos médicos decidem quanto tempo você vai ter que esperar – ou não – até conseguir seu horário. A duração deste tempo de espera pode durar entre algumas horas a alguns meses. Atualmente é necessário esperar-se dentre 2-4 meses para conseguir uma consulta em um médico especialista, e um psicólogo, psiquiatra ou similar tem listas de espera de muito acima de 6 meses.

Geralmente, cada pessoa tem o chamado “Hausarzt“, o médico “da casa”, portanto da família. É ele que cada cidadão aqui visita quando não se sente bem, sendo este o responsável por nos dar uma guia para o atendimento junto a um médico especializado. Isto, claro, caso a pessoa não tenha alta urgência de atendimento médico, quando irá (ou será levada) direto para o hospital (Krankenhaus). As crianças, por sua vez, vão ao “Kinderarzt” (pediatra) e nós mulheres vamos direto ao “Frauenarzt” (ginecologista) sem necessidade de guia anterior.

Para todos os participantes do seguro regular, tem-se que pagar 10 euros por trimestre para o primeiro atendimento no médico “da casa”, e daí lembrar de apresentar este comprovante em outros médicos pra evitar o pagamento dobrado da mesma taxa. Quando recebemos receitas médicas, estas são apresentadas nas farmácias (Apotheken) e pagamos só um valor médio determinado, segundo estou informada, pelo tamanho do remédio. Em geral gasto uma média de mais outros 10 euros com o pagamento de remédios, o que significa que a primeira consulta no trimestre irá custar em média 20 euros, 10 para a consulta e 10 para o remédio (falou a Mineirinha!) 🙂 Claro que há várias exceções, pois como o sistema de saúde é caríssimo e não cobre todos os gastos gerados pelos usuários, a Alemanha tem procurado cortar gastos e vários remédios hoje em dia têm que ser pagos por inteiro, não importanto se você foi ao médico anteriormente ou não. Exemplos deste grupo seriam remédios para doenças comuns tais como dores no corpo, grupe, etc. (p.ex. Aspirina, Paracetamol, Ibuprofen, etc.). Também óculos ou tratamentos dentários são pagos em parte pelo seguro, o restante é pago pelo assegurado. Para terem uma ideia de custos, os óculos do Daniel me custaram aproximadamente 120 euros.

E o que fazer se você tem dificuldades de se expressar em alemão? Em resumo: na dúvida, é melhor ir no “Hausarzt” e pedir pra ele a guia de transferência pro médico especialista, escolher qual será o médico que você vai querer marcar a consulta (por recomendação de amigos e/ou da nossa amiga internet) e dar uma passadinha lá com a guia, marcando a consulta. Há cidades que mantêm listas dos idiomas falados pelos médicos e/ou atendentes da região, e há também em outras cidades o serviço de pessoas que acompanham estrangeiros a atendimento médico para servir como intérpretes. Uma boa opção é pedir para uma amiga ou o marido ser o acompanhante, caso a conversa entre médico e paciente e os termos específicos sejam um impecilho em alemão.

No caso de assegurados privados, o procedimento é diferente: ele recebe as contas das consultas médicas pra pagar, compra seus medicamento pagando os valores completos e tem que coordenar o ressarcimento do valor junto ao seu seguro de saúde. Pra compensar, o seguro de saúde privado tem, em geral, mais regalias, tais como p.ex. atendimento pelo chefe médico no caso de uma operação, quarto individual no hospital, atendimento psicológico, melhor cobertura no caso de tratamentos dentários, etc. Os programas são bastante diversificados, assim como seus custos.

Poderia continar falando deste tema por muitas e muitas linhas… Mas acho melhor parar por aqui e perguntar se ainda ficou alguma dúvida em aberto, se vocês completariam mais alguma coisa muito importante que eu tenha esquecido, e se algum ponto ficou talvez mal explicado. Obrigada à minha leitora assídua, a Roberta, que sugeriu este tema! Agora é sua vez de deixar seu comentário! Obrigada a você também por sua participação!


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