Posts Tagged ‘seguro’

::Visitas do Brasil na Alemanha::

20/09/2017

O verão está chegando ao fim e com ele as visitas do Brasil já foram embora. Agora no finalzinho desse período, no meio de setembro, nos divertíamos com minha mãe afirmando que “aqui é frio demais, que ela não sabe como alguém pode conseguir viver aqui e que sente muita pena de levantarmos cedo e termos que sair pra trabalhar nessa friagem…” Detalhe: o “muito frio” dela é quase verão para os patamares alemães, próximo ou pouco abaixo dos 20 graus. Mal sabe ela quando o frio aperta mesmo!…

Pra receber bem minhas visitas, já deixei um cartão SIM em cima da cama deles, como outrora deixávamos só toalhas de mão e de banho. Começamos tentando fazer o cartão do meu irmão funcionar. Estava indo tudo tão fácil que ele comentou que pra um terrorista seria simples demais comprar um cartão e colocar dados falsos a torto e direito no sistema… No final de todos os dados, tínhamos que nos comunicar com a operadora e ele mostraria seu rosto e seu passaporte para liberar o uso do número dele. Daí descobrimos que pelo menos o nome para o uso do celular alemão tinha que ser real. Mas mal sabíamos nós que a burocracia estava para começar… pois o Brasil não faz parte dos países onde se pode fazer o reconhecimento online, e isso significava que iríamos ter que fazer o reconhecimento pelos Correios, o que aqui se chama PostIdent. Passamos por uma maratona indo aos Correios e voltando, depois tentando descobrir onde ficava o formulário necessário, depois preenchendo e imprimindo o formulário, e por último indo a uma agência dos Correios com tradução simultânea a postos, munidos de toda a documentação e concordando que tirassem cópia do passaporte, assinando a documentação perante a funcionária dos Correios… para finalmente o meu irmão ser detentor de um número de celular alemão. No final, sua conclusão foi categórica: esse processo todo, que é novo e foi implementado desde o último 1. de agosto de 2017, é muito complicado para estrangeiros e tem grandes chances de manter os terroristas longe daqui, pelo menos os que pretendem usar um número dentro da Alemanha!

Mais uma coisa que organizamos foram os seguros de saúde e contra danos pessoais (Krankenversicherung & Haftpflichtversicherung), o que fizemos, mas graças a Deus não precisamos usar.

Descobrimos que algumas regras de trânsito são diferentes entre o Brasil e a Alemanha, por exemplo aqui vale a máxima do “rechts vor links” (o carro vindo da direita tem preferência quanto ao da esquerda), o que no Brasil nem sempre é válido, pelo que meu irmão estava me explicando. Eu queria oferecer, mas ele preferiu não dirigir nosso carro por aqui, precavido que ele, como um bom mineiro, é!

E descobrimos algo também curioso. Fizemos uma viagem com nossas visitas para fora da Europa e no final não queriam nos deixar embarcar porque o voo de volta não ia direto até o Brasil, somente até a Europa. Acho que estavam até com a suspeita de que eles estavam tentando emigrar para a Europa quase dando a volta ao mundo! Nem o fato de eu ter falado que brasileiros têm permissão para ficar na Europa durante três meses sem a necessidade de um visto não foi suficiente. No final, só mesmo a apresentação do voo de volta para o Brasil, que ocorreria uma semana mais tarde, foi suficiente para que nos deixassem embarcar…

Minhas visitas observaram como é fácil aqui na Alemanha trocar dinheiro estrangeiro, rapidinho, sem burocracia e papelada. Adoraram andar de trem, carro rápido na rodovia, ônibus e usar tíquetes que valem para toda uma região, tanto para trem quanto para ônibus (por exemplo o Hessen-Ticket quando fomos a Marburg, que valia para o trem e para ônibus dentro da cidade também). Observaram que os horários de trens e ônibus geralmente são ajustados para que o usuário não fique muito tempo esperando entre um trajeto e outro, mas também tiveram o “prazer” de experimentar os atrasos da nossa querida Deutsche Bahn (companhia alemã de linhas férreas).

Vi que estavam com muita saudade de arroz com feijão quando tirei um feijão da despensa para cozinhar. Eu que sou eu, que já moro aqui há tanto tempo e quando morava no Brasil não entendia como se pode comer arroz e feijão todo dia, confesso que também sinto falta e sempre me alegro quando posso comer comida da Terrinha com gosto de “comida da minha mãe”!

E quanto a você, quais foram suas experiências com visitas do Brasil na Alemanha nesse verão? Todo comentário é bem-vindo e pode facilitar a vinda de outros familiares também! Obrigada!

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::Guia para bolsistas brasileiros na Alemanha::

03/06/2015

O Guia para bolsistas brasileiros na Alemanha, feito pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, está agora na 2a. edição e contém muitas informações válidas para todo estrangeiro na Alemanha, sendo estudante ou não. O conteúdo tem ótima qualidade e foi muito bem feito. Apesar de discordar com alguns pequenos pontos, a grande maioria da informação é atual e válida. Fica a dica. Bom feriado amanhã!

::Viver e trabalhar na Alemanha – dicas em português::

14/03/2015

DiaconiaAchei um documento da Diaconia alemã sobre viver e trabalhar na Alemanha, escrito tanto em português como em alemão. Ele lida com temas como o aprendizado do idioma, moradia, trabalho, escola, seguros sociais, cultura e lazer e pode ser baixado como um documento PDF aqui. Em tempo: o mesmo documento existe em 6 outros idiomas, a saber: espanhol, búlgaro, grego, italiano, polonês e romeno.

Segundo informações que constam na página da Diaconia, o documento pode ser solicitado também impresso na Diakonie Rheinland-Westfalen-Lippe, através da Sra. Anke Arend (e-mail: a.arend@diakonie-rwl.de).

::Consultas médicas / seguro de saúde na Alemanha::

11/01/2011

Na Alemanha todos têm obrigatoriamente um seguro de saúde. Ou ele vai ser o seguro de saúde regular, exigido por lei (gesetzliche Krankenversicherung) ou vai ser privado (private Krankenversicherung). O que determina se a pessoa faz parte de um ou outro tipo de seguro é um montão de leis e, por que não, outras tantas exceções. Falando em geral, o seguro privado é o seguro dos donos de empresa (Selbständige, Freiberufler), funcionários públicos, estudantes e também pode ser o seguro de um assalariado que trabalha na Alemanha e ganha acima de, atualmente em 2011, mais de 49.500€ (salário bruto) por ano, o que é a chamada Jahresarbeitsentgeltgrenze (JAEG): o limite de ganhos anuais para os assalariados que têm seguro de saúde regular do governo. Este valor muda todo ano, então pode ser que um assalariado tenha um seguro privado e depois tenha que voltar a fazer um seguro de saúde regular, de acordo com seu salário anual do ano anterior. Ainda assim, há um terceiro grupo de assegurados: aqueles que poderiam ter um seguro privado, mas ficam no regular por opção própria (freiwillige gesetzliche Krankenversicherung).

O tipo de seguro que a pessoa tem é que vai determinar como serão suas consultas médicas. Já que os médicos tem mais opções pra faturar em cima de assegurados privados, estes têm preferência em toda e qualquer consulta, o que não quer dizer que o nível do seguro regular seja ruim, muito pelo contrário. O nível do atendimento médico na Alemanha é altíssimo, deixa sim muito a desejar no quesito “bom atendimento ao cliente”, mas ainda assim é, em geral, de alto nível. O assegurado privado chega a enfrentar até o problema oposto: como ele é fonte de renda direta para os médicos, há uma tendência maior de “espichar” o atendimento deles, sendo pedidos exames que não são 100% necessários para o diagnóstico de uma doença, só como meio de faturar mesmo em cima da doença alheia.

E como funciona o atendimento? Em geral a pessoa tem que ligar, citar seu seguro de saúde (se for privado) se nunca tiver ido ao dito médico, pedir um horário e o mais difícil: explicar por que precisa do médico e com que urgência. Não é necessário citar que algumas situações podem ser altamente embaraçosas… mas são “ossos do ofício” e quem mora aqui se acostuma com uma certa indiscrição de algumas atendentes. Isso porque as assistentes dos médicos decidem quanto tempo você vai ter que esperar – ou não – até conseguir seu horário. A duração deste tempo de espera pode durar entre algumas horas a alguns meses. Atualmente é necessário esperar-se dentre 2-4 meses para conseguir uma consulta em um médico especialista, e um psicólogo, psiquiatra ou similar tem listas de espera de muito acima de 6 meses.

Geralmente, cada pessoa tem o chamado “Hausarzt“, o médico “da casa”, portanto da família. É ele que cada cidadão aqui visita quando não se sente bem, sendo este o responsável por nos dar uma guia para o atendimento junto a um médico especializado. Isto, claro, caso a pessoa não tenha alta urgência de atendimento médico, quando irá (ou será levada) direto para o hospital (Krankenhaus). As crianças, por sua vez, vão ao “Kinderarzt” (pediatra) e nós mulheres vamos direto ao “Frauenarzt” (ginecologista) sem necessidade de guia anterior.

Para todos os participantes do seguro regular, tem-se que pagar 10 euros por trimestre para o primeiro atendimento no médico “da casa”, e daí lembrar de apresentar este comprovante em outros médicos pra evitar o pagamento dobrado da mesma taxa. Quando recebemos receitas médicas, estas são apresentadas nas farmácias (Apotheken) e pagamos só um valor médio determinado, segundo estou informada, pelo tamanho do remédio. Em geral gasto uma média de mais outros 10 euros com o pagamento de remédios, o que significa que a primeira consulta no trimestre irá custar em média 20 euros, 10 para a consulta e 10 para o remédio (falou a Mineirinha!) 🙂 Claro que há várias exceções, pois como o sistema de saúde é caríssimo e não cobre todos os gastos gerados pelos usuários, a Alemanha tem procurado cortar gastos e vários remédios hoje em dia têm que ser pagos por inteiro, não importanto se você foi ao médico anteriormente ou não. Exemplos deste grupo seriam remédios para doenças comuns tais como dores no corpo, grupe, etc. (p.ex. Aspirina, Paracetamol, Ibuprofen, etc.). Também óculos ou tratamentos dentários são pagos em parte pelo seguro, o restante é pago pelo assegurado. Para terem uma ideia de custos, os óculos do Daniel me custaram aproximadamente 120 euros.

E o que fazer se você tem dificuldades de se expressar em alemão? Em resumo: na dúvida, é melhor ir no “Hausarzt” e pedir pra ele a guia de transferência pro médico especialista, escolher qual será o médico que você vai querer marcar a consulta (por recomendação de amigos e/ou da nossa amiga internet) e dar uma passadinha lá com a guia, marcando a consulta. Há cidades que mantêm listas dos idiomas falados pelos médicos e/ou atendentes da região, e há também em outras cidades o serviço de pessoas que acompanham estrangeiros a atendimento médico para servir como intérpretes. Uma boa opção é pedir para uma amiga ou o marido ser o acompanhante, caso a conversa entre médico e paciente e os termos específicos sejam um impecilho em alemão.

No caso de assegurados privados, o procedimento é diferente: ele recebe as contas das consultas médicas pra pagar, compra seus medicamento pagando os valores completos e tem que coordenar o ressarcimento do valor junto ao seu seguro de saúde. Pra compensar, o seguro de saúde privado tem, em geral, mais regalias, tais como p.ex. atendimento pelo chefe médico no caso de uma operação, quarto individual no hospital, atendimento psicológico, melhor cobertura no caso de tratamentos dentários, etc. Os programas são bastante diversificados, assim como seus custos.

Poderia continar falando deste tema por muitas e muitas linhas… Mas acho melhor parar por aqui e perguntar se ainda ficou alguma dúvida em aberto, se vocês completariam mais alguma coisa muito importante que eu tenha esquecido, e se algum ponto ficou talvez mal explicado. Obrigada à minha leitora assídua, a Roberta, que sugeriu este tema! Agora é sua vez de deixar seu comentário! Obrigada a você também por sua participação!

::Dias sem dormir::

02/07/2010

Tive minha “querida” vizinha atrás de mim nos últimos dias porque tinha dado um vazamento na casa dela. Aqui em casa tinha um só local com um mini-vazamento, enquanto ela tocou a campainha aqui em casa sem parar e deixou até recado na porta me ameaçando que cuidaria do conserto e mandaria as contas pra eu pagar… Um dia depois mandei trocar a privada daqui de casa e o problema foi identificado como não sendo o vazamento que nós víamos, mas causado pela idade do prédio, e encontrado em um local que nós não poderíamos ter encontrado a olho nu… enquanto a vizinha reclamava que a mancha na parede dela estava quatro vezes maior… A segunda parte chata, além da vizinha mais chata do planeta que eu tenho, foi ficar sabendo que se o problema tivesse sido causado pelo mini-vazamento daqui de casa, eu teria que pagar todos os gastos com os reparos aqui em casa e na casa da vizinha também. Depois da primeira conversa com a empresa que toma conta do nosso prédio, explicaram que sou sim responsável pelo meu reparo, mas que o dano no apartamento da vizinha poderia ser coberto pelo seguro, se bem que não queriam pedir pro seguro porque aqui no prédio já houveram muitos outros problemas com vazamento e no momento estamos ameaçados de sermos “despedidos” do seguro, com possíveis grandes dificuldades de conseguir entrar em um novo. Então estavam querendo deixar o abacaxi na minha mão…

Bom, mas para meu alívio a situação mudou completamente depois da análise dos especialistas que nos visitaram hoje: eu não tenho culpa no cartório, o vazamento começa dentro da minha parede, numa válvula que não estava funcionando mais, e tanto minha parede quanto a da vizinha estão molhadas. Repararam a tal válvula, a água parou de escorrer por dentro da parede, as paredes vão ser secas semana que vem, tudo coberto ou pelo seguro ou pelo condomínio. Ufa! Passei os últimos dias quase sem dormir, que acabaram terminando bem!

::Viagem a Bamberg, uma cerveja diferente e uma enquete::

11/03/2010

No final de semana passado estivemos em Bamberg, patrimônio cultural da humanidade que fica na Baviera (Franken). Íamos de carro, mas depois de 50 Km e de não conseguirmos ver mais absolutamente NADA além de 360° de neve (até a rodovia desapareceu sob a neve!), fomos obrigados a voltar e mudar a alternativa para uma viagem de trem.

Eu duvidava que viajar de trem fosse ser possível no sábado passado, pois a nevasca, o frio e o vento eram tantos, que o nosso limpador de para-brisas estava se congelando, apesar de termos o carro aquecido do lado de dentro a 22,5°C. Meio incrédulos, compramos as passagens e embarcamos, depois das 3 horas da nossa “voltinha” de carro.

A viagem foi incrível! Primeiro porque o Matthias estava inspirado e quase me matou de rir. Aqui em casa ele se chama de “Big Kahuna” (vulgo o “chefe” da casa) e eu sou pra ele a “kleine Kahine” (pequena Kahine – segundo ele, “chefe” e “sub-chefe” em havaiano)… Bom, então eu parei de frente pra estação ferroviária da 1a. cidade que conseguimos alcançar depois que desistimos de fazer a viagem de carro, e pedi pra ele sair pra dar uma olhada nos horários dos trens. Só que o frio era imenso, além da neve, do vento, de tudo afinal. Ele perguntou pra mim:
– Mas por que eu é que tenho que sair lá fora pra fazer isso?
– Porque você é o “big Kahuna”!
– Humpf! Selective “big Kahuna”… (sou o chefe só de forma seletiva…)
Ele foi e voltou com os horários. E se bem que é verdade mesmo: eu sou a chefa, e ele também é, quando o momento é apropriado, hehehe…

Depois eu enchi o saco dele pelo sobrenome dele. Imaginem, ele odeia neve e se chama “Schnee”. Olha a ironia! Comentando sobre isso, em Bamberg me contaram que um conhecido se chamava “Winter” (inverno), se casou e mudou seu nome para “Heiß” (quente). Boa mudança, né?

Eu continuava a tagarelar e o Matthias não parava de tirar sarro da minha cara, porque na correria pra pegar o trem tinha deixado tudo o que tinha trazido pra ler pra trás. Sem ter o que fazer, comecei a limpar minha bolsa. Claro que ele fez altos comentários sobre, segundo ele, minha “Atomikkofferchen” (malinha atômica), hehehehe…

Depois ele perguntou se eu estava me sentindo bem sem ter papel por perto, e se era pra ele ir ao banheiro e pegar um pedaço de papel higiênico pra mim, pra eu me sentir melhor… Minha acusação:
Du bist frech wie Oskar! (tipo: você é sem-vergonha feito o Oskar – pra quem gosta de idiomatismos (Redewendungen), aqui uma boa lista com informações sobre este e várias outras expressões comuns da língua alemã.

Na falta do que ler, eu falava na viagem sem parar. Enquanto que o Matthias estava doido pra dormir. Por fim me convenceu argumentando que no próximo trem não teríamos assentos tão bons como no ICE. E nisto ele tem razão, pois não há mesmo viagem melhor de trem na Alemanha do que em um ICE. Deixei ele dormir e tentei dormir também, ou fechei os olhos por alguns minutos…

Fui acordada por – acreditem se quiser – um céu azulaço e SOL batendo em mim! Tudo parecia um sonho, o tipo de paisagem que eu mais amo: céu azul, sem nuvens, muito sol e a neve brilhando. Não parecia mesmo que tínhamos acabado de sair de uma nevasca… Muito doido. Mas mesmo assim o último final de semana vai entrar pra história como o que eu mais vi neve durante todo o caminho de trem passando por grande parte do sul da Alemanha…

Adorei Bamberg! Já tinha ido lá outra vez e não tinha tido a oportunidade de conhecer a parte histórica, e portanto tinha achado a cidade feia. Mas desta vez reconheci que ela tem seu charme, tem uma parte histórica linda (a mais bem preservada da Alemanha!) e à noite tem bastante movimento por lá! Fizemos um passeio pelas ruas da cidade, aprendendo sobre sua história e seu passado. E depois fomos a uma das cervejarias da cidade (Schenkerla) e tomamos um tipo de cerveja que eu nunca tinha experimentado antes: cerveja com gosto de salsicha defumada (Rauchbier)! Ela tem sua origem por causa da época do jejum, onde não se pode comer nada, mas beber (ainda mais com um gostinho de salsicha, hehehe) é permitido! Imaginem, tenho que dizer que o gosto é bastante sui generis, por ser uma cerveja escura de malte defumado. Pra quem quiser provar a cerveja, aqui mais informações sobre a cervejaria que visitamos, que serve aliás muita comida típica e gostosa da região, e vende a cerveja no mundo todo, inclusive no Brasil através deste site aqui.

Saindo da cervejaria, fomos num bar onde estava tocando jazz. De repente a Taísa ligou. Ela estava desesperada ao telefone, dizendo que tinha acontecido uma coisa horrível. Eu comecei a me preparar, achando que ela estava mal ou tinha acontecido um acidente com ela, com medo de não poder ajudá-la à distância. Felizmente o dano foi só material: o Tigger (nosso gato) derrubou um vaso enorme em cima do nosso fogão e quebrou a parte da frente do painel em mil pedacinhos… Hoje já pedi um novo painel para o nosso fogão, até mais moderno, e vou tentar recuperar o valor através do seguro contra danos domésticos (Haushaltsversicherung), apesar de eu achar que isso não vai funcionar, pois seguros são conhecidos por praticamente nunca valerem quando se precisa deles… Mas… vale a pena tentar, não é mesmo? Cerankochfeldplatte Unfall Mineirinha n'Alemanha

Este passeio foi o 1° que fizemos sozinhos desde o nascimento do Daniel, que passou o final de semana na casa da tia. Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Foi legal pra, passado o susto do começo da viagem, recarregarmos as baterias e descansarmos “só” como casal, apesar das dificuldades com a neve e do susto com o telefonema da Taísa.

Semana passada fui também à Nürnberg e agora tenho três cartões postais comigo, que quero dividir com vocês. Vou começar por um cartão postal, à escolha de quem ganhar o sorteio, e depois sorteio os outros dois. Para tanto, criei pela 1a. vez uma enquete. Prometo que envio o cartão postal pra qualquer lugar do mundo! Participe clicando abaixo e deixe seu comentário registrando sua participação!

::Os anjos dos expatriados e um acidente de bicicleta::

19/02/2010

Lendo um post lindo e motivante da Eve, me lembrei do meu primeiro dia na Alemanha, quando não teria conseguido mesmo dar os primeiros passos sem o auxílio deles – dos anjos dos expatriados.

Quando a gente menos espera, lá estão eles, quebrando vários galhos e nos impulsionando pra frente. Eu não sabia usar os carrinhos do aeroporto de Frankfurt, que se movem quando você põe uma moedinha nele E empurra o lugar que se põe as mãos (“Griff“, como se chama isso em português?) pra baixo. E lá estava eu, com tudo no carrinho, moedinha no lugar, mas não conseguia mover o carrinho. Alguém chegou e me ajudou. E muitos outros “alguéns” foram aparecendo naquele dia, pra comprar a passagem de trem na máquina, pra descer com as pesadíssimas malas pra plataforma de embarque… Viva os anjinhos dos expatriados! Quando foi a última vez que eles aparecem para você?

Pra mim foi hoje de manhã mesmo. A Taísa me ligou, alguns minutos depois de ter saído de casa, aos prantos, avisando que tinha caído da bicicleta e perguntando se podia voltar pra casa. Um segundo depois eu já estava ligando pro meu trabalho pra avisar que chegaria mais tarde pois iria com ela pro hospital, e também liguei pra escola dela avisando que ela tinha tido um acidente. Ao vê-la e dar uma espiada no joelho, cujo sangue tinha vazado para a calça jeans ralada, vi que o machucado não era grande e prestei-lhe primeiros socorros, como boa Ersthelferin (prestadora de primeiros socorros) que sou. Queria levá-la para o hospital para ter certeza que o osso do joelho estava intacto, mas na hora ela não quis ir. Indo pro trabalho, pensei na diferença entre o “ist vom Fahrrad gestürzt” e o nosso “caiu da bicicleta” (e não “ist vom Fahrrad gefallen“) e agradeci por não ter acontecido nada sério com ela. Ela caiu num lugar que estava cheio de sal, que é usado para proteger o chão da neve e na realidade com o propósito de tornar o caminho mais seguro, mas no caso dela funcionou ao contrário.

À tarde ela me ligou falando que o joelho continuava doendo e que queria ir ao médico. Marquei consulta e pedi pro Matthias ir com ela, pois já tinha outro compromisso no mesmo horário, junto do Daniel. Eles chegaram com boas notícias: o médico disse que o joelho dela está intacto, que ela tem um “joelho-modelo” e que – o que ela não gostou muito – o joelho dela está quase chegando no tamanho adulto. Ele disse que ela pode crescer ainda uns 6 cm, pois há vários locais no corpo que indicam o crescimento de uma pessoa. Disso ela gostou!

Importante: se você sofrer um acidente no caminho para a escola ou para o trabalho (ou de lá no caminho pra casa) na Alemanha, não se esqueça de comentar este fato com o médico que te atender. Ele vai repassar a informação para a Berufsgenossenschaft (corporação profissional responsável pelo seguro de acidentes obrigatório), que vai cobrir toda e qualquer consequência advinda do acidente. Se a pessoa ficar impossibilitada de trabalhar, p.ex., ela pode vir a receber uma indenização deste seguro.


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