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::Dicas de Netflix, do novo capitalismo a uma comédia de natal::

07/12/2020

Comecei a noite vendo uma comédia brasileira no Netflix, dica que achei em um grupo no Facebook, que está atualmente no 3. lugar dos filmes mais vistos no Netflix da Alemanha: “Tudo bem no Natal que vem“, ou em alemão “Schon wieder Weihnachten“. O bom do Netflix é que dá pra assistir tudo em português!

Ri bastante no começo e ao longo do filme meus olhos ficaram molhados de saudade de tudo: das loucuras às delícias das festas de família no Brasil. Indico! Não conhecia a grande maioria dos atores, como o ator principal, Leandro Hassum. Viva a criatividade brasileira, que parece ser mesmo inesgotável! E eis que no meio da comédia, brilham algumas das maiores razões para estarmos neste planeta! Se tem gente chorando por causa do filme no Brasil, imaginem a situação de uma expatriada feito eu!…

Depois caí “por acaso” em um assunto mais sério, mas não menos importante, “só” uma outra face da mesma moeda, dos porquês e dos valores que nos carregam pela vida. Trata-se de um documentário sobre “Um Novo Capitalismo“, mostrando projetos que unem os ganhos econômicos ao apoio social, com exemplos no Brasil, Índia, México, como p.ex. o Geekie e o Banco Pérola, que empresta dinheiro para microempreendedores, 70% deles sendo mulheres. Salve, Alessandra França!

Gente, este mundo tem jeito! Tem que ter jeito, porque os modelos existem já cansaram de mostrar que estão falidos e esgotados. O socialismo não é o caminho, nem o capitalismo. Estão para surgir novas formas de organização da sociedade! Enquanto colocarmos valores monetários à frente de valores humanos, continuaremos perdidos. Simples assim. Já vivemos em um mundo com recursos que podem proporcionar uma boa vida à toda a população, basta querermos dividir o que está aí. E, se não quisermos, nos auto-destruiremos. Pelo menos é o que uma parte do mundo tem sabido fazer tão bem, mas há a outra corrente também. Agarremo-nos a ela!

::O que eu posso fazer para ajudar no combate ao coronavírus?::

22/04/2020

A resposta para a pergunta acima vem como uma mantra: “Ficar em casa, lavar as mãos e manter a distância de 1,5 metros do meu semelhante.” Mas será que é só isso mesmo o que posso fazer para ajudar no combate ao coronavírus?

Ok, usar uma máscara, essa é uma boa ideia. A minha prima querida Alice me passou um molde e um vídeo explicativo, e desde então algumas amigas, além da minha irmã, já confeccionaram máscaras para suas respectivas famílias. Até nós aqui de casa ganhamos máscaras lindas de presente da nossa amiga Chris! Segundo informações da Angela Merkel, que as chama de „máscaras comunitárias”, elas devem ser trocadas e lavadas com frequência, passadas a ferro ou colocadas no forno do fogão / forno de micro-ondas, para serem produtivas no combate contra a doença. A Chris completa que ao lavá-las com água e sabão e secá-las no sol, como a vovó fazia, elas estarão livres do vírus através dos raios UVA e UVB que são bactericidas, fungicidas e viricidas. Obrigada, Alice, obrigada, Chris!

Outra amiga minha, escritora e psicoterapeuta, a Isa Magalhães, abriu um grupo de Meditação e Paz no WhatsApp para enviar meditações para orarmos pela paz e saúde pessoal e mental. Excelente iniciativa também, pois sem saúde mental, não iremos sair bem dessa…

Uma outra conhecida virtual, a Patricia Vieira Bispo, criou um grupo no WhatsApp já há algum tempo, para espalhar mensagens de positivismo por aí, e lançou seu primeiro livro há algumas semanas atrás.

Na empresa onde trabalho, há duas semanas atrás apresentaram o que já vinham fazendo no combate à doença (uso de tratores para desinfetar grandes áreas, confecção de camas, importação de máscaras para os funcionários e para hospitais locais, não só seguir como ampliar onde possível as orientações seguidas de proteção ao funcionário, etc.). Isso me deixou pessoalmente feliz com a demonstração de responsabilidade social das pessoas com as quais eu trabalho! Depois nos pediram mais ideias do que pode ser feito além disso.

Seguindo o pedido deles, eu mesma fiz um passeio pela internet e achei algumas ideias. Em um post do Facebook de uma enfermeira conhecida minha em Beagá, a Jacque, achei por exemplo a ideia criada por Quinn Callander, um menino escoteiro de 12 anos (!), que inventou um suporte para máscaras para ser usado atrás da cabeça e para assim evitar o incômodo atrás da orelha. A mãe dele publicou o molde aqui e desde então ele tem sido copiado e espalhado pelo mundo todo.

Passei também esta última ideia do suporte para minha empresa e qual não foi a minha surpresa agradável ao ouvir, na semana seguinte, que ele já estava sendo produzido em impressoras 3D tanto para os funcionários quanto para hospitais! Eles incentivam os funcionários a enviar mais ideias do que pode ser feito. Se alguém tiver mais alguma ideia legal, sou toda ouvidos!

Voltei a pensar na Jacque, que tinha postado sobre o suporte para máscaras no Facebook, e perguntei se nesse meio tempo ela já tinha conseguido um suporte para usar. Ela comentou que adoraria poder usá-lo, mas que ainda não estava disponível. A situação era ainda pior para ela pois ela usa óculos e as orelhas ficam doendo muito… Depois da notícia da minha empresa, queria poder retribuir e que ela pudesse ter um suporte desses. Comecei então a procurar alguém que tivesse uma impressora 3D em Beagá.

Passaram-se alguns dias e não consegui achar ninguém lá, mas uma conhecida aqui na Europa, a Denise da Cruz, comentou que tinha uma impressora 3D. Mas como ela mora aqui em Liechtenstein, enviar esse suporte para o Brasil iria demorar muito, então continuei buscando outra solução junto à minha família. Minha prima Lílian se ofereceu para pedir orçamento em empresas com impressora 3D diretamente lá em Beagá.

Nesse meio tempo, a Denise voltou a entrar em contato comigo com uma ideia simplesmente brilhante: fazer o suporte com embalagens vazias de plásticos resistentes, mas flexíveis (como p.ex. embalagens de sabão em pó, desinfetante, etc.), usando um canivete (faca alfa) para o corte. Ainda segundo ela: “Quem tiver máquina de corte pode usá-la também.  Vai ser muito mais rápido do que uma impressora 3D.” Ela preparou um molde que posso enviar pra quem quiser fazer o suporte em casa. Além da questão social, esta ideia ainda acaba contribuindo para a preservação do meio-ambiente. A Denise também teve a ideia de fazer máscaras com embalagens de bebidas PET, como ela mostra neste vídeo no YouTube. Na minha opinião, são ideias simples, práticas e baratas que merecem aplausos! Klap, klap, klap, klap, klap! Minha prima querida Lílian também quer fazer protótipos do suporte junto do Beto, seu namorado. Obrigada Quinn, obrigada Denise, obrigadão Lílian e Beto!

Precisamos de ideias criativas e de muita solidariedade para solucionar problemas complexos como o coronavírus. Precisamos que várias áreas de conhecimento se unam na busca de respostas. Em Liechtenstein, onde a Denise mora, foi criada uma pulseira que pretende detectar a infecção por COVID-19. Aqui na Alemanha, o RKI (Instituto Robert Koch) criou um app para ser conectado com relógios que registram dados ligados à saúde de pessoas saudáveis, no mesmo intuito de tentar entender melhor a doença e talvez poder até mesmo predizê-la. O registro dos dados está sendo feito de forma anônima, mas tem-se conhecimento do código postal de cada participante. 100% anônimo não é, mas é perfeitamente compreensível que os especialistas queiram entender onde estão as pessoas que estão repassando seus dados, já que todos sabemos que a doença também é influenciada pelo fator geográfico. E quem diria: eu, que sempre fui contra registrar e nunca pensaria em passar meus dados para análise, comprei na semana passada um relógio desses baratinhos e me conectei com o app do RKI. Supõe-se que o infectado tem alterações que podem ser medidas, como p.ex. o batimento cardíaco ou o ritmo de sono e de atividade pessoal, e como tudo isso é medido nesses relógios, podem avaliar p.ex. a diferença entre doentes e sãos.

O primeiro a adotar esse app aqui de casa tinha sido o Matthias, meu marido, e este ato de solidariedade foi seguido por muitos outros alemães no intuito de tentar compreender melhor a doença e diminuir o número de casos que ainda são desconhecidos. Os especialistas do RKI declararam que estão muito satisfeitos com a participação da população e que este conjunto de dados é extremamente importante para os epidemiologistas.

O objetivo comum, independente de como cada um está agindo, é um só: salvar vidas. Cada um faz o que pode. Como dizia o bom ditado: “De grão em grão a galinha enche o saco!”

::Onde você estava durante as últimas epidemias?::

02/03/2020

Eu mesma já andava pensando sobre o assunto: não me lembro de ter gastado tanta massa mental com uma epidemia como com a atual. Semana passada meu marido me disse mais ou menos a mesma coisa… e isso me colocou pra pensar ainda mais sobre isso. Portanto, aqui vai a pergunta – onde você estava, que lembranças tem e como se ocupou com as crises a seguir:

– 1999: vírus de Nipah (Malásia)

– 2002: SARS (China)

– 2003: gripe aviária H5N1 (China)

– 2009: gripe suína H1N1 (EUA/México)

– 2012: MERS (Arábia Saudita)

– 2013: gripe aviária H7N9 (China)

– 2014: Ebola (Congo)

Não me considero avessa às notícias do mundo, mas não tenho nenhuma recordação pessoal ligada a essas epidemias… Do contrário, no caso do coronavírus (COVID-19), sinto como se estivesse à beira de um tsunami, percebo como ele tomou os noticiários, nossas mentes e fomenta a cada dia que passa mais ainda o medo, além do preconceito, entre as pessoas.

Creio que a epidemia atual tem várias facetas a serem analisadas, a saber:

– Saúde Pública: é algo desconhecido e não estudado, que se alastra rapidamente e causa mortes que não se atém a pessoas com doenças prévias nem a uma certa idade. Parece que incide mais em homens acima de 60 anos e que não ataca as crianças, mas ainda não se sabe por quê. Não se tem certeza do período exato de incubação. Se uma pessoa ficar 6 semanas doente, ela pode propagar o vírus durante todo esse tempo. Uma pessoa que não percebe que tem o vírus, se sente saudável, pode propagar o vírus. Não existe vacina nem remédio para a doença. O interesse de retardar a propagação do vírus está ligado à necessidade de cuidar de pessoas realmente debilitadas por causa dele e dar mais tempo para a busca de remédios e/ou uma vacina.

– Econômica: uma razão pela qual as últimas epidemias não nos interessaram é que não houve consequência econômica para o mundo. No caso atual, já são notórias as consequências econômicas da epidemia. As bolsas de valores estão caindo, produtos deixam de ser produzidos e transportados, e com isso o consumo diminui, o PIB de cada país irá cair e a recessão deve se instalar. O supply chain de muitos produtos globalizados vai ser exposto à dependência da China, já que muitas empresas desconhecem sua real dependência de fornecedores ou subfornecedores vindos da China. Quanto ao que ando lendo por aí, o argumento de que se as pessoas não vão as ruas, elas não irão consumir, acho que hoje em dia não é tão fácil afirmar algo assim. Hoje em dia, dentro das nossas quatro paredes, com um computador na mão, podemos comprar o mundo… O turismo, esse sim, irá sofrer, já que praticamente 20% da renda desse setor vem da China, na atualidade. Hoje já li que a primeira empresa de cruzeiros no Japão já declarou falência, outras a seguir… Resumindo, a pandemia incomoda tanto porque ataca países em várias fases de desenvolvimento econômico e pode levar a economia mundial a uma recessão sem precedentes.

– Social: com o aumento do medo e da recomendação de manter 1m de distância das pessoas, e não encostar nelas nem para um aperto de mão, a tendência será que os contatos sociais diminuam drasticamente. Em alguns lugares já foi ou irá ser imposta a quarentena, que acarretará uma convivência com as quatro paredes e a convivência mínima em termos de trocas sociais. Mesmo que vivamos em um mundo globalizado, conectado e de certa forma aberto, os seres humanos têm medos intrínsecos que nem sempre podem ser solucionados pela racionalidade. Li que estudantes universitários alemães estavam tendo preconceito quanto a estudantes chineses ou asiáticos, mesmo sabendo que parte deles nasceu aqui na Alemanha ou vive aqui há anos sem ter viajado há pouco tempo atrás para a Ásia…. E agora, com a chegada do coronavírus à Alemanha, a situação do preconceito deve estar ainda muito pior. Em casos extremos, deve se reduzir ao extremo do „eu contra o mundo“… Uma jovem que foi à Itália e repassou o vírus aqui na Alemanha foi tratada mal e atacada em seu meio social, como se fosse uma pecadora, uma vilã. Pessoas que vêm de determinados países passam a ter dificuldade de conseguir vistos para viajar, o direito de ir e vir fica limitado. Uma curiosidade: quem saberia a tradução da palavra Aussätzige em português? Li que poderia ser leproso, mas a tradução não está correta no caso atual, claro.

– Midiática: no mundo globalizado em que vivemos, e com tantas formas de comunicação existentes, uma epidemia como a atual chega a ser, por si só, altamente estressante. As notícias se alteram a cada segundo e não há constância no que é retratado, ainda há muitas suposições e dúvidas. Um prato cheio para as fake News! Os memes no Brasil continuam firmes e fortes, pelo menos até a doença se instalar de vez por lá!…

Mesmo tendo entendido racionalmente que a doença é menos forte do que o vírus da Influenza e que mata menos do que ela, pessoalmente fico tentando imaginar o futuro próximo, a semana que vem. Se ontem tínhamos aqui na Alemanha 100 pessoas contaminadas e hoje anunciaram que já são 150, demostrando o crescimento exponencial, pode ser que teremos mais de dois ou quatro mil doentes no final da semana, haverão mortos?!? No mundo, neste momento que escrevo estas linhas, já são mais de 80 mil casos da doença e mais de 3 mil mortos. Em 2019 foi avaliada mundialmente a capacidade de cada país de lidar com uma epidemia através da criação do index GHI (Global Health Index), onde 195 países foram analisados. A Alemanha ficou em 14. lugar. Menos mal, mas se o pessoal médico não tiver acesso a máscaras e roupa de proteção, que atualmente já falta em vários países da Europa e do mundo, quem tomará conta dos enfermos?

Conte abaixo os seus temores e pensamentos, vamos trocando figurinhas daqui pra frente…

P.S.-Por curiosidade, você tem lido ou assistido programas de ficção ligados ao tema? Um amigo me colocou nas mãos o consagrado livro do José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira. Recomendo! Estou lendo o livro e depois vou assistir o filme (Blindness), que foi dirigido por Fernando Meirelles.

::Propósito::

10/06/2015

825
Falando com um amigo agora há pouco ao telefone, me veio uma pergunta, que coloco aqui para todos: se descubro meu propósito e posso fazer bem ao mundo, quanto poderei fazer de bem se achar o melhor lugar para atuar com esse propósito?

Procurando uma foto para este post, achei o seguinte aqui, que combina perfeitamente com o pensamento acima:

6 Dimensões do Bem-Estar

1. Bem-estar social: como vc age e se relaciona com outras pessoas e com a comunidade. Atividades que o farão desenvolver esta qualidade seriam novos relacionamentos e trabalho voluntário.
2. Bem-estar espiritual: envolve desenvolver o senso da força maior e dos seus valores morais. Para encontrar o significado na vida neste quesito, pode visitar uma igreja, participar de aulas de filosofia ou aprender ioga.
3. Bem-estar intelectual: envolve a expansão do seu conhecimento e sagacidade mental. Qualquer experiência que lhe fizer aprender coisas novas ou aumentar sua perspectiva com relação a algo, como trabalhar na direção de um objetivo ou visitar uma escola fará com que você desenvolva este quesito.
4. Bem-estar ambiental: tem a ver com a maneira como você se relaciona com o meio em que está inserido. Para aumentar seu propósito de vida neste quesito, participe de atividades tais como reciclagem, montanhismo ou jardinagem.
5. Bem-estar físico: está relacionado à sua saúde e atividades físicas. Desenvolva este quesito através de exercícios físicos e comendo comida saudável.
6. Bem-estar emocional: está relacionado com sua autoestima e como você lida com os fatores estressantes da vida. Para desenvolver seu bem-estar emocional, conecte-se com seu eu interior meditando ou aconselhando/sendo aconselhado.

Gostaram dessas ideias tanto quanto eu? O que lhes vem à mente depois de ter lido essas poucas linhas? Lembrem-se: “um objetivo é um sonho com pernas”.


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