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Posts Tagged ‘solidão’

::Eterna dor de expatriado::

16/04/2016

Achei esse poema na internet, cujo título na realidade é “Me perdoem por estar tão longe”, mas tomei a liberdade de intitular este post como “Eterna dor de expatriado”, pois foi esse sentimento, nu e cru, que o poema me passou. E que acho que muitos vão sentir o mesmo…

Poema de Ruth Manus

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Me perdoem por estar tão longe

E por tentar estar presente com tão pouco. 

Venho pedir que me desculpem

Por todos os dias em que eu não estou

Por todos aniversário aos quais eu não vou

Pelas tantas vezes em que a ligação falhou

Por ter que ser tão menos do que realmente sou

 

Venho dizer o quanto sinto

Por todos os almoços em que meu lugar sobra

Por ainda não ter visitado a casa nova

Por não ter ajudado com as coisas da obra

Por tantas vezes colocar o amor de vocês à prova

 

Eu juro que queria

Queria ter ajudado a sarar todas as doenças

Queria poder ser verdadeira presença

Queria segurar aquelas sacolas imensas

Queria fazer massagem nas suas costas tão tensas

 

Venho me desculpar

Por todos os copos de água que eu não busquei

Por toda louça suja que eu não lavei

Por todas as piadas que eu não contei

Por todas as dores que eu não abracei

 

Eu juro que queria

Segurar os cabelos de quem vomitava

Segurar o elevador para quem demorava

Segurar a onda de quem tanto chorava

Segurar as mãos sem precisar dizer nada

 

Me perdoem

Por ser uma imagem na tela do celular

Por ser um áudio que eu nunca termino de gravar

Por ser uma história que nunca dá tempo de contar

Por ser uma ausência com a qual vocês aprenderam a lidar

 

Me desculpem

Pelos tropeços dos quais não ri

Pelos pensamentos que eu não li

Me desculpem

Por saber o quanto minha falta dói por aí

E por não saber fingir

Que ela não dói

Igualmente

Sempre

E tanto

Aqui.

 

::Pensamentos de fim de ano::

24/12/2014

Eu tenho uma amigona, a Chris, que prefere bichos ao ser humano. Primeiro, quando a conheci, eu achava isso intrigante, mas com o passar do tempo vou chegando à conclusão que ela tem razão.

Primeiro, porque somos bichos muito complexos. Já nascemos complexos, trazendo uma bagagem não sabe-se de onde, acumulando sabedoria, chatices e manias ao longo da vida… Mais cedo ou mais tarde, descobrimos que somos uma ilha. Percebemos que não conseguimos nos explicar para o mundo lá fora. Decepcionamo-nos ao nos perceber aquilo que somos, imperfeitos. Temos grande dificuldade de achar outros loucos que nos entendam. E padecemos na nossa solidão diária, mesmo que tenhamos muitos contatos ao longo de um dia-a-dia todo atarefado, todo atribulado, todo louco e estressante.

Segundo, porque temos uma mania imensa de achar que o mundo roda em volta do nosso umbigo. Meu filho de 9 anos, que é doido por astronomia, estava outro dia vendo uma reportagem sobre o buraco negro e eu perguntei onde é que o tal do buraco negro ficava. Ele, seguro de si, me disse que ficava no centro. No centro de onde, quis saber eu, no centro fica o sol, afirmei. Ele veio com um dos seus livros sobre astronomia e me mostrou nosso sistema solar como um ínfimo ponto no meio da galáxia onde estamos inseridos, entre tantas outras no universo, e no meio dela, claro, o buraco negro. Preciso de pensar nesta figura toda vez que correr o risco de me ensimesmar demais.

Terceiro, porque nós, seres humanos, somos verdaeiros idiotas, uns egoístas de marca maior, seguros de nós e de nossas verdades. Qualquer passarinho é mais inteligente do que nós. Eles voam para onde bem entendem, para onde está quente, para onde acham comida. Nós, seres altamente inteligentes, decidimos colocar linhas imaginárias nas terras e dividir a raça humana em grupinhos, discutindo qual é melhor, porque grupo A não combina com B, porque o povo do grupo A incomoda o B, e por aí vai. Somos verdadeiros idiotas. Habitamos um planeta onde, HOJE, seria possível viver em paz, com comida para todos, com oportunidades para todos, com a possibilidade de todos sermos felizes numa verdadeira aldeia global. Se não fosse, ah, se não fosse… a raça humana que divide, segrega, julga, tudo sob o ponto de vista de cada um. E quando está tudo analisado, recomeça a análise, num interminável processo de separação. Somos ilhas no universo.

Mas hoje é Natal. Tempo de confraternização, de amor ao próximo, de agradecimento. Lembramos do tsunami de 10 ANOS atrás (estamos mesmo ficando velhos!) e realizamos que, em um segundo, toda a nossa vida, tudo aquilo que temos e somos, pode sumir do mapa. Pedimos um pouco mais de humildade, para nós mesmos, para nossos semelhantes. E queremos lembrar de fazer de todo dia em 2015 um dia de Natal.


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