Posts Tagged ‘solidariedade’

::Aprenda a argumentar contra o populismo de direita::

02/09/2020

Comprei este livro hoje depois de ler uma reportagem na revista Der Spiegel que uma pessoa física comprou o livro, o leu e resolveu dá-lo de presente para todos os 709 deputados do parlamento alemão. Detalhe: o dinheiro e o trabalho de empacotar e distribuir ficou por conta dessa pessoa!

Nem li muito ainda do livro, mas como o assunto é URGENTE e temos, como sociedade, que fazer algo ativamente contra o populismo de direita, aqui vai a minha dica do dia: compre, presenteie, empreste, pegue emprestado, entre na associação através da qual ele foi criado, discuta, aprenda, argumente – sempre com educação – contra um mal que parece estar nos matando de fininho nos dias atuais… Boa leitura!

::Lugares Apaixonantes pelo Brasil::

01/08/2020

Mais um projeto 100% voluntário e solidário do qual participei, junto de 70 produtores de conteúdo espalhados pelo Brasil e pelo mundo! Vem pra mostrar como é LINDO o nosso Brasil e apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade. Já atingimos 35% da meta! Contribua você também e conheça 135 destinos no Brasil! 🇧🇷❤️

Onde acessar: por meio do link https://combatecovid.org/guiasolidario 

Como contribuir: o e-book será distribuído como recompensa para quem fizer uma doação a partir de R$ 10 para a iniciativa, valor mínimo para cobrir os custos da plataforma. Qualquer valor acima disso será muito bem-vindo! 🙏🥰🇧🇷🦋🌈

Produtores de conteúdo participantes do projeto.

Leia aqui o release completo e mais detalhes do projeto. Contribua! Vc vai amar, garanto! ❤️

::Compartilhando empatia::

30/05/2020

Em tempos de coronavírus, ao olharmos para a nossa situação, facilmente chegamos à conclusão de que temos muito a agradecer, não é mesmo?

Que tal se apoderar desse sentimento positivo e fazer o bem, não importa a quem, e participar da Campanha Compartilhando Empatia da Evoé?

Você pode ajudar uma família de 4 pessoas com a doação de uma cesta básica. Com a sua contribuição, essas pessoas terão, além dos itens básicos da cesta, produtos de higiene, álcool gel e biscoito para as crianças. 

Para contribuir, também de forma anônima se você quiser, é só clicar aqui.

::Vamos espalhar amor por aí?::

29/04/2020

::O que eu posso fazer para ajudar no combate ao coronavírus?::

22/04/2020

A resposta para a pergunta acima vem como uma mantra: “Ficar em casa, lavar as mãos e manter a distância de 1,5 metros do meu semelhante.” Mas será que é só isso mesmo o que posso fazer para ajudar no combate ao coronavírus?

Ok, usar uma máscara, essa é uma boa ideia. A minha prima querida Alice me passou um molde e um vídeo explicativo, e desde então algumas amigas, além da minha irmã, já confeccionaram máscaras para suas respectivas famílias. Até nós aqui de casa ganhamos máscaras lindas de presente da nossa amiga Chris! Segundo informações da Angela Merkel, que as chama de „máscaras comunitárias”, elas devem ser trocadas e lavadas com frequência, passadas a ferro ou colocadas no forno do fogão / forno de micro-ondas, para serem produtivas no combate contra a doença. A Chris completa que ao lavá-las com água e sabão e secá-las no sol, como a vovó fazia, elas estarão livres do vírus através dos raios UVA e UVB que são bactericidas, fungicidas e viricidas. Obrigada, Alice, obrigada, Chris!

Outra amiga minha, escritora e psicoterapeuta, a Isa Magalhães, abriu um grupo de Meditação e Paz no WhatsApp para enviar meditações para orarmos pela paz e saúde pessoal e mental. Excelente iniciativa também, pois sem saúde mental, não iremos sair bem dessa…

Uma outra conhecida virtual, a Patricia Vieira Bispo, criou um grupo no WhatsApp já há algum tempo, para espalhar mensagens de positivismo por aí, e lançou seu primeiro livro há algumas semanas atrás.

Na empresa onde trabalho, há duas semanas atrás apresentaram o que já vinham fazendo no combate à doença (uso de tratores para desinfetar grandes áreas, confecção de camas, importação de máscaras para os funcionários e para hospitais locais, não só seguir como ampliar onde possível as orientações seguidas de proteção ao funcionário, etc.). Isso me deixou pessoalmente feliz com a demonstração de responsabilidade social das pessoas com as quais eu trabalho! Depois nos pediram mais ideias do que pode ser feito além disso.

Seguindo o pedido deles, eu mesma fiz um passeio pela internet e achei algumas ideias. Em um post do Facebook de uma enfermeira conhecida minha em Beagá, a Jacque, achei por exemplo a ideia criada por Quinn Callander, um menino escoteiro de 12 anos (!), que inventou um suporte para máscaras para ser usado atrás da cabeça e para assim evitar o incômodo atrás da orelha. A mãe dele publicou o molde aqui e desde então ele tem sido copiado e espalhado pelo mundo todo.

Passei também esta última ideia do suporte para minha empresa e qual não foi a minha surpresa agradável ao ouvir, na semana seguinte, que ele já estava sendo produzido em impressoras 3D tanto para os funcionários quanto para hospitais! Eles incentivam os funcionários a enviar mais ideias do que pode ser feito. Se alguém tiver mais alguma ideia legal, sou toda ouvidos!

Voltei a pensar na Jacque, que tinha postado sobre o suporte para máscaras no Facebook, e perguntei se nesse meio tempo ela já tinha conseguido um suporte para usar. Ela comentou que adoraria poder usá-lo, mas que ainda não estava disponível. A situação era ainda pior para ela pois ela usa óculos e as orelhas ficam doendo muito… Depois da notícia da minha empresa, queria poder retribuir e que ela pudesse ter um suporte desses. Comecei então a procurar alguém que tivesse uma impressora 3D em Beagá.

Passaram-se alguns dias e não consegui achar ninguém lá, mas uma conhecida aqui na Europa, a Denise da Cruz, comentou que tinha uma impressora 3D. Mas como ela mora aqui em Liechtenstein, enviar esse suporte para o Brasil iria demorar muito, então continuei buscando outra solução junto à minha família. Minha prima Lílian se ofereceu para pedir orçamento em empresas com impressora 3D diretamente lá em Beagá.

Nesse meio tempo, a Denise voltou a entrar em contato comigo com uma ideia simplesmente brilhante: fazer o suporte com embalagens vazias de plásticos resistentes, mas flexíveis (como p.ex. embalagens de sabão em pó, desinfetante, etc.), usando um canivete (faca alfa) para o corte. Ainda segundo ela: “Quem tiver máquina de corte pode usá-la também.  Vai ser muito mais rápido do que uma impressora 3D.” Ela preparou um molde que posso enviar pra quem quiser fazer o suporte em casa. Além da questão social, esta ideia ainda acaba contribuindo para a preservação do meio-ambiente. A Denise também teve a ideia de fazer máscaras com embalagens de bebidas PET, como ela mostra neste vídeo no YouTube. Na minha opinião, são ideias simples, práticas e baratas que merecem aplausos! Klap, klap, klap, klap, klap! Minha prima querida Lílian também quer fazer protótipos do suporte junto do Beto, seu namorado. Obrigada Quinn, obrigada Denise, obrigadão Lílian e Beto!

Precisamos de ideias criativas e de muita solidariedade para solucionar problemas complexos como o coronavírus. Precisamos que várias áreas de conhecimento se unam na busca de respostas. Em Liechtenstein, onde a Denise mora, foi criada uma pulseira que pretende detectar a infecção por COVID-19. Aqui na Alemanha, o RKI (Instituto Robert Koch) criou um app para ser conectado com relógios que registram dados ligados à saúde de pessoas saudáveis, no mesmo intuito de tentar entender melhor a doença e talvez poder até mesmo predizê-la. O registro dos dados está sendo feito de forma anônima, mas tem-se conhecimento do código postal de cada participante. 100% anônimo não é, mas é perfeitamente compreensível que os especialistas queiram entender onde estão as pessoas que estão repassando seus dados, já que todos sabemos que a doença também é influenciada pelo fator geográfico. E quem diria: eu, que sempre fui contra registrar e nunca pensaria em passar meus dados para análise, comprei na semana passada um relógio desses baratinhos e me conectei com o app do RKI. Supõe-se que o infectado tem alterações que podem ser medidas, como p.ex. o batimento cardíaco ou o ritmo de sono e de atividade pessoal, e como tudo isso é medido nesses relógios, podem avaliar p.ex. a diferença entre doentes e sãos.

O primeiro a adotar esse app aqui de casa tinha sido o Matthias, meu marido, e este ato de solidariedade foi seguido por muitos outros alemães no intuito de tentar compreender melhor a doença e diminuir o número de casos que ainda são desconhecidos. Os especialistas do RKI declararam que estão muito satisfeitos com a participação da população e que este conjunto de dados é extremamente importante para os epidemiologistas.

O objetivo comum, independente de como cada um está agindo, é um só: salvar vidas. Cada um faz o que pode. Como dizia o bom ditado: “De grão em grão a galinha enche o saco!”

::A vida é bela – Das Leben ist schön – Sarah Connor::

14/05/2018

Pra falar a verdade eu particularmente não gostava muito dessa cantora alemã, a Sarah Connor, por um lado porque até 2015 ela cantava só em inglês, por outro porque achava que suas músicas eram só um pop leve, sem muita profundidade. Mas em 2015 ela começou a cantar em alemão e a coisa mudou de figura pra mim. Constatei que ela, além de ser uma cantora pop, mãe de 4 filhos, tem uma voz maravilhosa, profunda e parece ser uma pessoa de muito bom coração.

Eu li, surpresa, que ela acolheu uma família síria em 2015 durante seis meses, uma mãe com cinco filhos. Um grande ato de solidariedade! Naquela época, ela disse:

“Entendo que não é todo mundo que pode ou quer acolher um refugiado em sua casa. Porém, há algo que todo mundo pode dar, sem ter medo de que possa lhes ser tomado: um pouco de calor, proximidade, consolo e amor.”

“Ich kann verstehen, dass nicht jeder Flüchtlinge bei sich aufnehmen kann oder will”, schreibt sie. Es gebe allerdings etwas, was jeder Mensch geben könne, ohne fürchten zu müssen, dass ihm etwas weggenommen werde: “Ein bisschen Wärme, Nähe, Trost und Liebe”.

Com vocês, Sarah Connor em um exemplo de como pode cantar lindamente em alemão:

Fonte: artigo do jornal Süddeutsche Zeitung de 15/10/15.

::#WelcomeChallenge – Onda de Solidariedade para com Refugiados na Alemanha::

07/09/2015


Ainda estou processando os fatos dos últimos dias. Já chorei algumas vezes, ao ver os vídeos dos alemães dando boas-vindas aos refugiados que têm chegado aos montes na Alemanha.

Sim, o preconceito racial continua existindo na Alemanha. Sim, o mundo continua sendo da opinião de que existem pessoas melhores e piores, dependendo de seu passaporte e da língua que falam. Sim, os nazistam continuam por aí. Mas há esperanças, há grandes esperanças. Enquanto nos noticiários surgem reportagens de casas (de refugiados ou de pessoas que apóiam os refugiados) que foram incendiadas propositalmente, nos últimos dias os noticiários e as manchetes que predominam na Alemanha são os da solidariedade do povo alemão direcionados aos refugiados, recebendo-os nas estações de trem, dando-lhes comida, bebida, bichinhos de pelúcia para as crianças, aplaudindo sua chegada… É muito emocionante! Ainda mais para mim, que cheguei aqui em 1993, exatamente na época em praticamente não se via (mas certamente existia) solidariedade direcionada aos que chegavam e na realidade era bem mais comum ouvir notícias de incêndio das moradias de asilados… O incêndio de Solingen, por exemplo, marcou a história do país, e tornou-se símbolo daquela época, quando um pequeno grupo de alemães, bêbados, depois de terem sido expulsos de uma festa, foram para a frente da casa de uma família turca, colocaram fogo nela e mataram, ao todo, cinco pessoas, deixando 17 pessoas feridas. Lembro-me que os membros da AIESEC, com quem eu convivia, usava naquela época, como sinal de protesto, camisetas com o nome de todas as cidades onde incêndios daquele tipo tinham acontecido naqueles anos fatídicos… Meu marido disse que naquela época a Alemanha era tão preconceituosa que até ele, que tinha morado no exterior e voltou a morar em seu país natal, sentia o preconceito com relação a ele mesmo, por não ter crescido aqui, não ter nascido na região onde morava. Alguns amigos me contaram que os jovens dos bairros da região onde moro tinham muita rixa uns com os outros naquela época, muitos não se misturavam e não se aceitavam. E vejam bem, isso tudo aconteceu há pouco mais de 20 anos atrás!…

Desde então a Alemanha mudou de cara – e de alma. O país se internacionalizou. O inglês virou o segundo idioma mais falado. Em 1993 já andei quilômetros e quilômetros em Frankfurt procurando UMA pessoa que falasse inglês!… Os jovens crescem agora em grupos multiculturais e acham que o multiculturalismo é algo natural. O termo “pessoas de origem migratória”, mesmo que possa ser usado de forma pejorativa, surgiu para tentar entender e quantificar o processo migratório que se instalava, cada vez mais, no país. Hoje uma em cada cinco pessoas que moram na Alemanha, ou seja, 20% da população, é estrangeira ou filha de estrangeiros.

Está claro que a situação atual não está clara para ninguém. Nenhum país ou líder tem todas as repostas para a onda migratória que está afetando o mundo todo, e alterando o quotidiano da Europa, mudando sua cara mesmo. Os empresários alemães vêm a chegada de jovens como uma mão de obra potencialmente propícia para ocupar os postos de trabalho que estão em aberto na Alemanha e para garantir o crescimento econômico do país. O governo vai ter que alterar as leis relativas a refugiados para que eles tenham o direito de trabalhar mais rapidamente, facilitando sua integração. Escolas e universidades preparam-se para receber também os refugiados e aumentar os cursos para o aprendizado do idioma. Voluntários de todas as cores e sabores atuam de várias formas ajudando os refugiados e aqueles que já foram declarados oficialmente como asilados. Pessoas comuns participam de doações, dentre e fora da internet, e no Facebook vários grupos, como por exemplo o #WelcomeChallenge (no mesmo estilo do #IceBucketChallenge do ano passado), faz ações e doações para ajudar os que estão chegando no país e depois nomeiam colegas e amigos para que a boa ação seja seguida por outros. Muitas pessoas que exercem influência e têm um papel de destaque no país, como o ator e diretor de cinema Til Schweiger, estão se engajando em prol dos refugiados e influenciando positivamente a sociedade.

Óbvio que enquanto a população ajuda, ela também tem medo. Metade da população preocupa-se com a integração e a manutenção de tantos asilados no país. Enquanto os membros da Comunidade Europeia discutem como dividir os refugiados entre si, a Hungria constrói um muro de 175 km na fronteira com a Sérvia… Enquanto turistam se deitam para merecidamente curtir suas férias nas praias, como por exemplo na ilha de Kos, refugiados chegam nessa ilha da Grécia e em muitas outras com necessidades básicas a serem atendidas… O governo alemão vai ter que contratar mais de 1000 pessoas e disponibilizar mais dinheiro para poder receber e processar os pedidos de asilo, de forma a ajudar a quem realmente precisa. Discute-se a diferença entre o refugiado, que está fugindo de uma situação insustentável de guerra e condições inexistentes de vida digna em seu país natal, e o imigrante, que busca melhor qualidade de vida, mas não está necessariamente passando por dificuldades tremendas para manter sua dignidade. Pretende-se concentrar os esforços e ajudar a quem realmente está precisando de ajuda.

A ideia de que moramos em um só planeta e de que somos todos um, somos todos seres humanos com as mesmas necessidades e desejos, urge ainda mais na situação atual. A foto do menininho morto na praia da Turquia rodou o mundo e colocou muita gente pra pensar. O Papa Francisco pediu para que cada igreja, cada mosteiro, a começar por ele no Vaticano, cuide de pelo menos uma família refugiada. Muitos aqui lembram que os alemães tiveram que fugir durante as Guerras até dentro de seu próprio país e que tiveram a sorte de serem recebidos e terem podido reerguer suas vidas em outras partes da Alemanha, outros por sua vez em muitas outras partes do mundo, também como emigrantes. Ontem foram eles, hoje são outros. Ontem foram alvo de solidariedade, hoje são solidários. Não há resposta para todas as perguntas atuais. Não há resposta para quase nenhuma pergunta atual. Mas há muita solidariedade de pessoas comuns como eu e você. Esta já é uma grande resposta.

Quer ajudar e não sabe ainda como? Veja aqui um Portal de Informações sobre Projetos de Ajuda a Refugiados na Alemanha.

°°°

Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos.”
Mia Couto

::Especial STUM: Sim, é possível porque está acontecendo!”

20/10/2011

Depois de ter comentado no post abaixo sobre História, abro minha caixa postal e leio o texto seguinte – imperdível – sobre os ciclos de mudanças da História recente e atual. Coincidência? 😉 Não posso deixar de republicá-lo aqui! Trata-se de um newsletter da página STUM – Somos Todos Um:

“Amiga e Amigo leitor, estamos todos vivendo, talvez sem percebê-los em todo seu alcance, momentos cruciais e extraordinários para nosso planeta. Por alguma razão, talvez por causa do exemplo e mérito do meu saudoso pai, sempre tive um interesse profundo nos assuntos internacionais, mundiais, que considero essenciais, ainda mais no mundo atual que a tecnologia da informação hoje reduziu àquele imediato espaço-tempo virtual, que corresponde a um clic do mouse.

Desejo aqui compartilhar brevemente os principais eventos mundiais, na minha humilde opinião, que mudaram para sempre a história da Humanidade e que me acompanharam nesta vida, desde minha chegada ao planeta até este momento.

1945 – Enquanto ainda me encontrava nadando no ventre de minha mãe, em Maio, terminou a segunda grande guerra, com mais de 40 milhões de mortos, em sua maioria civis inocentes, e permitiu a todos constatar o que pode acontecer quando entra em ação a mistura fatal de expansionismo, nacionalismo e ódio racial. O Japão capitulou quatro meses depois, em Setembro, após o brutal ataque a Hiroshima e Nagasaki, quando as bombas nucleares exterminaram centenas de milhares de crianças, mulheres e velhos inocentes; algo inominável que considero impossível justificar. Havia de fato lá muitos outros objetivos militares, como a frota imperial ancorada na baía de Tóquio. O mundo, que tanto precisava de paz, ainda não havia aprendido a lição. As ogivas nucleares começavam a mostrar a que tinham vindo. Começava a Guerra Fria.
E nada ficou como antes…

1968 – No Brasil da ditadura militar, com sua severa censura, pouco foi divulgado sobre estes episódios, mas a Europa foi sacudida de forma irreversível em seus centros de poder…
– Paris, Maio: guerrilha nas ruas e praças. A política tradicional, o capitalismo ocidental, a igreja e a sociedade sofrerão o primeiro grande golpe desta segunda metade do século. Não se trata -em momento algum-, de um movimento eclodido por motivos econômicos; as pessoas, principalmente os estudantes, ocupam praças, constroem barricadas, dominam um bairro inteiro, o Quartier Latin, marcham nas avenidas principais, questionam, desafiam o sistema, o status quo, a sociedade de consumo, apavoram o poder estabelecido. Percebem, sabem que mais esta revolução pode ser vencida. Coesos e com objetivos claros de reformas sistêmicas, os estudantes exigem democracia no nível da rua e disponível a todos, articulam-se de forma a conseguir o apoio de praticamente toda a população…
A Sorbonne -a mais conceituada Universidade francesa-, foi invadida e ocupada; a contestação atingiu níveis paradoxais. Tudo, tudo começou a ser discutido, todos os aspectos da vida social vigentes foram transcendidos, desde os métodos de ensino aos exames de fim de curso, do sistema político ao da saúde pública. A panela de pressão havia estourado e um novo horizonte se tornou realidade. As relações de poder entre o cidadão e as autoridades mudaram da água pro vinho…
E nada ficou como antes…

1989 – A queda do muro e da URSS
Em 9 de Novembro daquele ano, encontrava-me em Dusseldorf, na Alemanha e creio que poucas vezes me emocionei tanto. Nos locais públicos, lojas, restaurantes, farmácias, bancos, havia um ou mais aparelho de TV ligado. Todos continuavam trabalhando ordeiramente e em silêncio, mas com contagiantes lágrimas nos olhos. As imagens mostravam incrédulos alemães orientais, com e sem documentos, passando pelos escancarados postos de fronteira de Berlim -ainda em mãos dos guardas do regime-, que ficaram submersos, e sem reagir, pela multidão avançando rumo ao lado ocidental. Lembro que alguns dirigiam os obsoletos, fumacentos e descartáveis carros Trabant, que em pouco tempo foram jogados em profundas valas abertas nos fundos dos postos de gasolina mais afastados das cidades. Membros de famílias, separadas durante dezenas de anos, ansiosamente espreitavam os que passavam pela fronteira e quando alguém era localizado a comoção tomava conta e a turma -chorando sem parar-, festejava como se tivesse assistindo a um gol de seu time de futebol.
(Agradeço ao Universo por ter me permitido saborear este momento de celebração).
Com a subsequente queda do muro, ato contínuo, começou o inexorável desmoronamento da União Soviética, da cortina de ferro, do sistema comunista.
A Guerra Fria havia acabado para sempre. A Alemanha estava finalmente reunida.
E nada ficou como antes…

2001 – Um novo inimigo: o terrorismo
Os ataques em solo americano -pela primeira vez na história-, mudaram nossas vidas, a dos iraquianos, dos afegãos, dos islâmicos em geral e dos americanos, que perderam desde então seus direitos constitucionais, ficando submetidos à lei chamada de “ato patriótico”:
“Entre as medidas impostas pela lei, estão a invasão de lares, espionagem de cidadãos, interrogações e torturas de possíveis suspeitos de espionagem ou terrorismo, sem direito a defesa ou julgamento. As liberdades civis com esse ato são removidas do cidadão. Muitos historiadores relacionam essa lei como um passo legal para a instituição de lei marcial na eventualidade de qualquer evento de terrorismo, falso ou verdadeiro” (Wikipédia)
Sim, os EUA em crise profunda encontraram o terrorismo, palavra-chave que hoje apavora meio mundo e que justifica qualquer ação de retorsão comercial, diplomática ou militar, para manter o medo como companhia constante dos habitantes dos EUA e do planeta.
Não vamos aqui entrar no mérito sobre a autoria do ataque, aspecto que já foi tratado em outro especial.
E nada ficou como antes…

2011 – Sim, é possível, pois está acontecendo!
Pessoalmente, acredito que este ano, que está quase terminando, tenha sido o mais importante, o mais crucial de todos os que relatei. Será o marco deste século.

Os bravos e determinados filhos da “Primavera Árabe”, saturados pelo jugo de regimes feudais, os “indignados”, em sua maioria desempregados, sem esperança e sem projeto de vida, que ocuparam a principal praça de Madri e as de todas as partes da Espanha, abriram uma nova era para a Humanidade. Em poucos meses, algo que parecia puro devaneio com os dias contados, mostrou toda sua força, derrubando ditadores vitalícios, e espalhando aos quatro ventos uma semente poderosa, que aos poucos está ganhando as ruas do mundo inteiro, exigindo mudanças estruturais profundas, carregando pelas ruas e praças as bandeiras da ética, da justiça, da luta sem fim às desigualdades, ao preconceito, à separação.

Estamos apenas no começo. Com ou sem o apoio da mídia, muitas vezes impossibilitada de operar com liberdade, a Internet e suas redes sociais, bem empregadas, estão conectando, informando, motivando milhões e milhões de pessoas que começaram a sentir e apreciar seu real poder, outrora negado e manipulado e que emana de uma infinita maioria de trabalhadores, estudantes, homens e mulheres, seres humanos cansados de projetar num futuro que nunca chega suas realizações pessoais, profissionais, seus sonhos.
Quase 100 países se encontram hoje em agitação permanente. Metade dos países da Europa está em profunda crise econômica e social.

Os políticos, em sua maioria limitados, desmoralizados e ambiciosos, para dizer o mínimo, não conseguem sequer entender o que acontece de fato com a sociedade, abandonada inexoravelmente às cruéis leis de mercado. O socorro disponível ignora o aspecto básico do ser humano, focando, privilegiando como sempre as instituições financeiras para -dizem-, evitar uma “crise sistêmica”.

Percebo que o Universo está atuando num movimento pontual, sereno, implacável, que somente perturba quem não o percebe, por estar cego e surdo aos chamados de sua própria alma, esquecendo-se de que uma das sete leis espirituais é a do carma, como pode ser bem compreendido no livro “Morrer não se improvisa” de Bel Cesar.

Não será preciso desenvolver novos sistemas de governo, visto que uma democracia -finalmente iluminada-, amorosamente atuante, priorizando as enormes e urgentíssimas necessidades da Humanidade, terá todas as condições morais de estar à frente de povos despertos e conscientes.
Somente trazendo a Espiritualidade de volta às nossas vidas, poderemos transformar o mundo inteiro. Não haverá necessidade de destruir nada do que está aí. Basta afastar de vez -ou reabilitar-, os irmãos que ainda se encontram na sombra.

Vamos nos tornar também ativistas da Luz, mensageiros da Verdade que liberta?

O chamado é forte, é global, precisamos agir também, de acordo com nosso potencial. Creio seja o momento de consagrar nossa energia, amor-próprio e disponibilidade em prol desta enorme onda de transformação de consciências, alegres e felizes por poder servir ao Universo neste momento fundamental, fazendo nossa parte com inteligência, coragem, determinação e muito amor, em cada ato de nossa existência.
E nada ficará como antes…

Sim, somos um só!
Agradeço aqui os queridos e pacientes Guias e mais a turma toda que permite que o site exista: Rodolfo, Sandra, Teresa, Marcos, Anderson, Ian, Lidiane… e Você!

Namastê (O Deus que É em mim saúda o Deus que É em Você)”.
Sérgio STUM (autor do texto) – Obrigada!!!

::Quem deixa a desejar::

10/10/2009

Há umas semanas atrás um empresário foi morto no metrô de Munique porque quis separar uma tentativa de extorsão entre jovens e os agressores resolveram atacá-lo. Várias pessoas assistiram o ocorrido mas ninguém quis entrar na briga ou separar os envolvidos. O empresário ganhou até um prêmio nacional (Bundesverdienstkreuz) por sua coragem, mas esta não foi mais do que uma homenagem póstuma. O governo alemão pediu à sociedade que não fechasse os olhos para atos de violência.

Durante esta semana fui a um encontro de pais. A sala da minha filha está com um problema desde o ano passado com o professor de matemática, que explica mal a matéria, agride verbalmente os alunos e os chama de incapazes, os demotivando para aprender. Na cabeça do professor há grupos dentro da sala: os que sabem e devem participar, os que não sabem e são incapazes e se alguém do grupo dos “incapazes” resolveu este ano estudar mais a matéria e tenta participar mais, o professor não atende nem de longe a expectativa do aluno. Na cabeça dele ele já sabe desde o ano passado quem tem inteligência para participar de sua aula. Por sorte uma grande maioria de pais resolveu reclamar na reunião. Eu disse que pagamos impostos que se tornam o salário deste professor, e não podemos permitir que um professor que não quer ensinar e trata nossos filhos de maneira deplorável continue a atuar da mesma forma sem que seja tomada uma atitude. Os alunos têm medo de uma represália – e nós também – mas mesmo assim resolvemos agir em conjunto contra a atual situação.

Hoje encontro nos jornais duas notícias que me fazem pensar muito. Mais uma vez outro homem foi atacado no metrô de Frankfurt, ao se intrometer numa briga entre três jovens (moças). Este não morreu, mas muitos assistiram à agressão sem mover uma palha. Assim que as autoridades chegaram, essas pessoas se retiraram do local. Ninguém queria se envolver.

Outro artigo que li foi um, no mínimo, revoltante (vejam a foto no link!). Um rapaz foi agredido por 5 outros jovens no caminho pra casa. Bateram nele, chutaram seu rosto, por sorte ele não teve seu olho atingido. Neste caso duas pessoas se envolveram, conseguiram dar um fim à agressão e serviram mais tarde como testemunhas, já que os agressores puderam ser presos. Mas… a justiça liberou os acusados, argumentando que não pode ser possível descobrir durante o processo quem tinha dado o chute no rosto do agredido, e como não foi possível identificar exatamente o agressor maior, ninguém foi punido. O agredido entrará com uma nova ação contra esta decisão da justiça. Ele afirmou que a notícia doeu mais do que as dores físicas da agressão, e eu imagino que isso seja verdade mesmo.

Na minha opinião, existem três grupos na sociedade (em uma empresa ou em qualquer outro grupo, voltado ou não ao trabalho): aqueles que pegam e fazem, aqueles que nunca fazem e aqueles que sempre criticam o que foi feito. Um dos grandes problemas das sociedades capitalistas de hoje em dia é que o número daqueles que se tornaram indiferentes a tudo e procuram o método mais simples, o que dá menos trabalho, o que é mais confortável pra eles, é gritantemente enorme.

Há várias maneiras de se integrar dentro de uma sociedade de forma positiva. Assistir a um ato bárbaro e não deixar que ele prossiga é uma delas, apesar de que eu sei que nem todos teriam força física para tanto, dependendo da intensidade do caso. Olhar pros olhos de outras pessoas ao cumprimentá-las é outro. Sorrir é outro. Se importar com o semelhante é outro. Há um montão de maneiras pra “aquecer” a sociedade, e muitas delas não custam um centavo sequer, só atitude.

Ontem estávamos, eu e duas amigas brasileiras, discutindo sobre tudo o que é jogado fora aqui na Alemanha e poderia servir para outras pessoas em outros países, como no Brasil por exemplo. Gostaríamos de criar meios para ampliar doações deste tipo, assim como incentivar várias outras produções culturais ligadas ao Brasil na região do Bodensee (Lago de Constança). Uma sementinha foi plantada! Que várias outras sementes sejam plantadas em várias outras mentes espalhadas pelo mundo, para que nossa sociedade se torne um pouquinho mais humana, um pouquinho mais amiga e mais solidária.

Fontes: Revista Focus de 04.10.09, Yahoo News de 09.10.09, Jornal Südkurier de 10.10.09

::Cumprindo promessas::

15/11/2008

Ontem passei 6 horas fazendo a 1a. parte de um curso de primeiros socorros, como tinha prometido aqui. Meus olhos se encheram d’água várias vezes durante o curso, muitas vezes por estar relembrando acontecimentos ruins, mas acima de tudo por uma imensa gratidão a Deus: apesar de todas as intempéries, a família continua aí, firme e forte que nem gelatina. A nossa memória tem uma técnica perfeita para fortalecer o continuamento da força para viver, mas num curso desses os casos vão se passando e eu fui me lembrando: isso aconteceu comigo, também isso aconteceu com a Taísa, aquilo aconteceu com o Daniel, aquilo outro aconteceu com o Matthias…Ufa! Mas eu aprendi muitíssimo e tenho muito que recomendar um curso desses para todo mundo, pois estamos nesta Terra para ajudar e ser solidários com nossos semelhantes. E foi porque uma pessoa fez um curso desses e soube reagir no momento exato (dentre os poucos minutos que restavam depois da parada respiratória), que o Daniel continua a viver!

Muitas vezes fico pensando por que existem países, por que há várias línguas, costumes e tradições tão diferentes no mundo e outros tão iguais, de onde vem tudo isso? A minha resposta é que Deus nos fez diferentes como prova, para buscarmos no outro a semelhança, o complemento, o “outro lado” da mesma medalha. Somos UM. Somos, geneticamente falando, mais de 99% iguais no mundo todo, mas ainda nos concentramos demais nas diferenças, que são menos de 1%.

Com esta consciência percebo muito que a questão do “ajudar” é outra para cada ser humano. O ser humano está ficando cada vez mais egoísta e tende a anonimizar esta questão: “eu estou ocupado com minha vida, que outro ajude quem está precisando!”. Aqui na Alemanha, por exemplo, as pessoas são muito solícitas, mas gostam de ajudar sem saber a quem estão ajudando exatamente, de forma anônima, como pagar um certa quantia para uma campanha ou fazer doação para uma insituição de caridade, etc. Ao mesmo tempo, o alemão, em geral, só gosta de aceitar ajuda se esta for vinda do governo, se for algum programa ou instituição oficial. Ele não gosta de deixar outras pessoas ficarem sabendo que precisa de ajuda, não gosta de pedir ajuda.

A minha visão do “ajudar” é bem mais ampla. Eu acho que se ajudo “A”, serei ajudada por “Y”, e assim vai. Acredito nas energias. Aqui se acredita que se a pessoa “A” faz alguma coisa boa para mim, eu sou obrigado a retribuir o mais rápido possível, na mesma medida, para esta mesma pessoa. Esta diferença de percepção é, muitas vezes, uma barreira entre as pessoas. Todo mundo pode passar por uma situação como a que passei, e com esta consciência, e com a certeza de que a vida é uma troca, podemos aproximar seres humanos e nossas culturas. Boas energias e calor humano são as fontes que todos querem tocar.


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