Posts Tagged ‘tradução’

::Irgendwas – Alguma coisa::

03/06/2017

Tem muito tempo que não publico uma letra de música. Por acaso achei essa hoje à noite e sabia que tinha que fazer a tradução e publicá-la aqui no blog! Tem tudo a ver com o mundo atual. Tem duas versões muito bonitas dela. Uma aqui e outra aqui, essa última uma versão acústica. A Yvonne Catterfeld é uma cantora muito conhecida e famosa na Alemanha. O Benjio, o autor da letra e a voz masculina do dueto, ainda é um rapper desconhecido para o grande público alemão, mas promete!

Irgendwas – Yvonne Catterfeld feat. Bengio (Tradução para o português logo abaixo – Sandra Santos)

Irgendwas, das bleibt, irgendwas, das reicht
Irgendwas, das zeigt, dass wir richtig sind
Bis wir etwas finden, was sich gut anfühlt
Was sich lohnt zu teil’n, würden gern sowas spür’n
Suchen überall, finden scheinbar nichts
Was uns halten kann, was uns das verspricht
Was wir wirklich woll’n, wonach wir alle suchen
Kriegen nie genug, denn wir woll’n immer mehr
Können uns erklär’n, wieso die Erde dreht
Schauen im Weltall nach, uns reicht nicht ein Planet
Bauen Denkmäler, wir wär’n gern für immer jung
Sammeln Fotos, aber uns fehlt die Erinnerung
Verkaufen uns für dumm und machen Geld daraus
Erfinden jedes Jahr was Neues, was die Welt nicht braucht
Denn es geht immer noch ein bisschen mehr
Auch wenn keiner mehr den Sinn erklärt

(Refrain – 2x)
Sind auf der Suche nach irgendwas
Sind auf der Suche nach etwas mehr
Sind auf der Suche nach irgendwas
Nur was es ist, kann keiner erklär’n
Hauptsache, ein bisschen mehr

Irgendwer, der bleibt, irgendwer, der zeigt
Dass er scheinbar weiß, wer wir wirklich sind
Wenn wir ihn dann finden, können wir nicht bleiben
Wollen uns nicht binden, weil wir dann vielleicht
Etwas verpassen könn’n, was irgendwo noch ist
Was wir sonst vermissen, weil es nicht uns gehört
Hinterlassen Abdrücke wie auf frischem Teer
Die nächste Generation kommt nicht mehr hinterher
Immer noch höher, wir müssen immer noch weiter
Wir werden immer noch schneller, denn uns läuft langsam die Zeit ab
Wir brauchen mehr, mehr, wissen nicht mehr, wer
Wir wirklich sind, verlieren die Ehrfurcht
Vor so viel Ding’n, wir haben verlernt
Wie man etwas teilt, obwohl wir alle so entstanden sind
Es geht immer noch ein bisschen mehr
Auch wenn keiner mehr den Sinn erklärt

(Refrain – 2x)

°°°°°

Alguma coisa

Alguma coisa que fique, alguma coisa que seja suficiente

Alguma coisa que mostre que estamos certos

Até que achemos algo que pareça ser bom

Que valha a pena dividir, adoraríamos sentir isso

Procuramos por todo lado, mas parece que não achamos nada

Que possa nos segurar, que nos prometa isso

Algo que nós queiramos de verdade, algo que todos nós procuremos

Nunca recebemos o suficiente porque sempre queremos mais

Podemos explicar porque a Terra gira

Olhamos no universo, pra nós não basta só um planeta

Construímos estátuas, gostaríamos de ficar jovens pra sempre

Juntamos fotos, mas nos falta a lembrança

Vendemos a ideia de que somos bobos e fazemos dinheiro através disso

Inventamos a cada ano algo novo de que o mundo não precisa

Porque sempre é possível ter um pouco mais

Mesmo que ninguém consiga mais explicar o sentido

 

(Refrão – 2 x)

Estamos buscando algo

Estamos buscando um pouco mais

Estamos buscando algo

Mas o que é, ninguém consegue explicar

O mais importante é que seja um pouco mais

 

Alguém que fique, alguém que mostre

Que parece que ele sabe quem somos de verdade

Quando o achamos, não podemos ficar

Não queremos nos prender, porque talvez

Iremos perder alguma outra coisa que esteja por aí

Algo de que ainda sentimos falta porque não nos pertence

Deixamos marcas como no asfalto fresco

A próxima geração não vai conseguir nos acompanhar

Sempre mais alto, nós temos sempre que continuar

Nós nos tornamos cada vez mais rápidos, porque o tempo voa

Nós precisamos de mais, mais, não sabemos mais quem

Somos de verdade, perdemos o respeito

Por tantas coisas, esquecemos

Como dividir algo, apesar de que todos nós tenhamos surgido dessa forma

Sempre vai ser possível ir um pouco além

Mesmo que ninguém consiga explicar o sentido

 

(Refrão – 2x)

::Despedida – Rainer Maria Rilke::

19/04/2016

 

Rilke

Tradução livre para o português abaixo

Abschied – Rainer Maria Rilke

Wie hab ich das gefühlt was Abschied heißt.
Wie weiß ich’s noch: ein dunkles unverwundnes
grausames Etwas, das ein Schönverbundnes
noch einmal zeigt und hinhält und zerreißt.

Wie war ich ohne Wehr dem zuzuschauen
das, da es mich, mich rufend, gehen ließ,
zurückblieb, so als wären’s alle Frauen
und dennoch klein und weiß und nichts als dies:

Ein Winken, schon nicht mehr auf mich bezogen,

ein leise Weiterwinkendes —, schon kaum
erklärbar mehr: vielleicht ein Pflaumenbaum,
von dem ein Kuckuck hastig abgeflogen.

 

Despedida – Rainer Maria Rilke

Como tenho o sentimento do que significa a despedida

Como eu sei ainda: algo escuro e puro

Cinza, que o que estava unido e era bonito

Desnuda, põe a prova e desata

 

Como foi que eu não reagi quando vi

Quem, me chamando, me deixou ir

Ficou pra trás, como se fossem todas as mulheres

E ainda assim pequena, e não muito menos que isso:

 

Um aceno, não mais dirigido a mim,

Outro aceno mais breve – menos ainda

Outra explicação: talvez um pé de ameixa

De onde um pássaro voa, às pressas

 

Tradução livre de Sandra Santos

::Aprenda alemão cantando – Fliegen (Voar) ::

04/06/2015

O Matthias Schweighöfer é o que se pode chamar de multitalento: ator, pai, produtor, dublador, cineasta, sócio da marca de roupas German Garment e agora cantor.

A música dele, que não pára de tocar nas rádios locais, me surpreendeu e me fez voar em suas linhas, enquanto voltava na segunda-feira passada de carro de Constança pra casa e admirava um céu multicor, com tons do amarelo forte, perto das montanhas ao fundo, passando por tons suaves de rosa e quase chegando ao lilás, espalhados sob uma moldura de nuvens baixas. Eram 9h da noite, mas no verão os dias são bastante longos por aqui e o pôr do sol acontece bem tarde (talvez esta seja uma forma divina de nós recompensar pelo acasulamento dos meses de inverno, muito além da localização geográfica!…). Desta vez me animei até a traduzir o texto da música. Curtam e treinem o alemão com ela:

Und ich helf dir schwimmen,
wenn deine kleinen Arme und Beine schwer wie Blei sind, helf ich dir schwimmen.
Ich helf dir schwimmen, wenn der Schlamm und Schlick so dick wird, dass du denkst du wirst verrückt, helf ich dir schwimmen.
Helf dir schwimmen.
Und egal wie lang, wie qualvoll, fern ob nah, bin immer da und helf dir schwimmen.
Helf dir schwimmen.
Und wenn es untergeht, egal solang mein Ende naht da wo du bist.

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
krieg’ ich das irgendwie hin,
krieg’ ich das irgendwie hin,

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
kriegen wir das irgendwie hin.

Und ich helf dir singen, wenn alle Worte nicht mehr reichen, viel zu leise sind allein,
Helf ich dir singen,
helf dir singen.
Schlag ein Tambourin und stampf mit beiden Beinen auf, auch wenn viel zu schief,
Helf ich dir singen.
Und egal wie laut sie lachen, mit Tomaten werfen nach uns,
ich helf dir singen,
helf dir singen.
Arm in Arm so laut es geht, nichts ist so schön wie das Lied.

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
krieg’ ich das irgendwie hin,
krieg’ ich das irgendwie hin,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
kriegen wir das irgendwie hin.

Wir kriegen das irgendwie hin

°°

E vou lhe ajudar a nadar,

quando seus braços e pernas estiverem pesados como chumbo, vou lhe ajudar a nadar.

E vou lhe ajudar a nadar, quando a lama e a areia estiverem bem espessas, e você achar que vai ficar doido, vou lhe ajudar a nadar.

Não importa quanto tempo, se vai me desgastar, se for longe ou perto, eu vou estar sempre ao seu lado e lhe ajudar a nadar.

Vou lhe ajudar a nadar.

E se nós afundarmos, não importa, conquanto você esteja ao meu lado quando chegar ao meu fim

E se eu tiver que voar por você

E se eu tiver que voar por você

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Nós vamos dar um jeito.

E eu vou lhe ajudar a cantar, quando as palavras não forem suficientes e forem muito sutis

Vou lhe ajudar a cantar.

Vou lhe ajudar a cantar.

Bato em um tamborim com as duas pernas, mesmo que faça isso de um modo desajeitado,

Vou lhe ajudar a cantar.

E não importa o quão alto eles possam rir de nós, jogar tomates na nossa direção,

Eu vou lhe ajudar a cantar.

Ajudar-lhe a cantar.

Cantar de braços dados, do jeito que for possível, tão lindo quanto a música.

E se eu tiver que voar por você

E se eu tiver que voar por você

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Nós vamos dar um jeito.

 

 

::Aprenda alemão (com um pitada de francês) cantando::

24/09/2014

Esta música, do cantor alemão Mark Forster, filho de mãe polonesa, junto do rapper alemão Sido, filho de mãe cigana e também descendente de iranianos, está tocando bastante em todo canto na Alemanha. Ela traz consigo a vontade de dar no pé que muitos de nós temos, de sair da monotonia, de ter coragem de fazer aquilo “que sempre quisemos fazer”, de realizar nossos sonhos, de nos aventurar pelo mundo. Vale a pena demais decifrá-la e curti-la. O bonitinho foi terem misturado no refrão o “oh,oh”, com a palavra francesa “au revoir”. 😉

Nota minha: gosto muito de ler sobre os cantores e comentar de onde vêm, porque antigamente costumava-se afirmar na Alemanha que estrangeiros não contribuem culturalmente para o país, o que talvez seja o pensamento de uma parte da população ainda hoje em dia. Acho importante valorizar pessoas que fazem sucesso dentro da Alemanha, são produtores de cultura, e que têm ascendência estrangeira.

Bom, vou fazer a tradução da música mais abaixo.


Au revoir – Mark Forster feat. Sido

In diesem Haus, wo ich wohn
Ist alles so gewohnt
So zum Kotzen vertraut
Mann, jeder Tag ist so gleich
Ich zieh Runden durch mein’ Teich
Ich will nur noch hier raus
Ich brauch mehr Platz und frischen Wind
Ich muss schnell woanders hin
Sonst wachs ich hier fest
Ich mach ‘nen Kopfsprung durch die Tür
Ich lass alles hinter mir
Hab was Großes im Visier
Ich komm nie zurück zu mir

Es gibt nichts, was mich hält, Au Revoir
Vergesst, wer ich war
Vergesst meinen Nam’n
Es wird nie mehr sein, wie es war
Ich bin weg, Au Au
Au Au Au Revoir
Au Revoir
Au Revoir
Au Revoir

Auf Wiederseh’n? Auf kein’
Ich hab meine Sachen gepackt, ich hau rein
Sonst wird das für mich immer nur dieser Traum bleiben
Ich brauch Freiheit, ich geh auf Reisen
Ich mach alles das, was ich verpasst hab
Fahr mit ‘nem Gummiboot bis nach Alaska
Ich spring in Singapur in das kalte Wasser
Ich such das Weite und dann tank ich neue Kraft da
Ich seh Orte, von den’ andere nie hörten
Ich fühl mich wie Humboldt oder Steve Irwin
Ich setz mich im Dschungel auf den Maya-Thron
Auf den Spuren von Messner, Indiana Jones
Der Phönix macht jetzt ‘n Abflug
Au Revoir, meine Freunde, macht’s gut
Ich sag dem alten Leben Tschüss, Affe tot, Klappe zu
Wie die Kinder in Indien, ich mach ‘n Schuh

°°°

Nesta casa, onde vivo
Tá tudo tão monótono
Tão do jeito que sempre foi
Meu Deus, todo dia é sempre igual ao outro
Eu estou dando voltas em torno do meu laguinho
Só quero sair daqui
Eu preciso de espaço e de ar puro
Eu tenho que ir rápido pra outro lugar
Senão vou grudar aqui
Eu dou um salto de cabeça passando pela minha porta
E deixo tudo pra trás
Estou com algo grande na cabeça
E não vou voltar mais a ser quem eu era

Não há nada que me segure, tchau
Esqueçam quem eu era
Esqueçam meu nome
Nada mais vai ser como era antes
Fui, tchau
Tchau (4x)

Adeus? Não…
Eu já fiz minha mala, eu mando ver
Senão meu sonho vai ficar pra sempre só sendo um sonho
Eu preciso de liberdade, eu vou viajar
Vou fazer tudo o que eu deixei de fazer no passado
Vou andar com um barco de borracha no Alasca
Vou pular na água fria em Singapura
Vou pra bem longe e me encher de energia
Eu vejo lugares, dos quais outros nunca ouviram falar
Sinto-me como Humboldt ou Steve Irwin
Vou pra selva no trono dos Maias
Seguir os rastros do Messner, Indiana Jones
O fênix vai fazer agora uma decolagem
Tchau, meus amigos, até a próxima
Estou me despedindo da minha vida antiga
Como as crianças na Índia, vou dar no pé

::Aprenda alemão (e, de quebra, inglês) cantando::

23/09/2014

Em dias como os atuais, onde os povos estão em guerra e falta entendimento dentro da raça humana, que afinal, é uma só, é gostoso ouvir músicas que são cantadas por pessoas multiculturais e que levam uma mensagem também multicultural, que falam de tolerância e respeito. Isso vale para esta música do cantor alemãoAdel Tawil, nascido em Berlim de pais imigrantes do Egito & Tunísia, com participação do cantor de reggae americano Matisyahu, filho de imigrantes judeus, que está fazendo bastante sucesso no momento aqui na Alemanha.

O refrão da música “Zuhause” (Casa) é o seguinte:

Venha, vamos fazer o mundo brilhar!
Não importa de onde quer que você venha
Você pode se sentir em casa onde estão os seus amigos
Neste lugar o amor é de graça

::Pensamento de Hesse::

14/08/2014

„Kunst und Dichtung wollen und sollen Leben wecken und leben helfen, und wo das glückt, strahlt auch vom Leser zum Dichter Leben und Stärkung zurück.“

Aus einem Brief Hesses vom Januar 1958 an Wayne Andrews

°°°

“A arte e a poesia querem e devem inspirar a vida e ajudar a viver, e onde isto é alcançado, emana de volta do leitor para o poeta vida e força.”

Retirado de uma carta de Hesse para Wayne Andrews de janeiro de 1958

Fonte: http://www.hermann-hesse.de/node/435

::Etapas da vida & poema de Hesse::

14/08/2014

Depois de levar o Daniel pra cama, com seus nove anos de idade, no meio de suas férias de verão antes de ir para o 4° ano do ensino fundamental, percebo mais uma vez como o tempo é implacável e passa rápido demais, incontrolável. Ainda mais agora que a Taísa, com seus 18 anos, já tenha começado a fazer planos para a decoração do próprio apartamento. Pelo menos planos imaginários. Agora entendo minha mãe, que sente saudades de nós quando pequenos, em casa, protegidos, em família. Temos filhos e nos alegramos demais com suas conquistas, com seu crescimento, mas ao mesmo tempo desejamos que eles fiquem eternamente pequenos e dependentes de nós.

Abri o FB e dei de cara com um comentário de uma brasileira, vivendo aqui na Alemanha há poucos meses, já estranhando que esteja perdendo um pouco do seu português, embaralhando a grafia das palavras. Eu comentei que ela não deveria ligar pra isso muito não, porque já fui ao Brasil e pedi para cortar meu cabelo em estufas (Stufen). A costumeira dúvida cruel de expatriada, de não ter certeza se tinha escrito a palavra corretamente ou não pegou de novo minha consciência pela raiz, fui ao Google, digitei “Stufen”, e dei de cara com este poema lindo do Hermann Hesse, que por acaso já morou aqui no lago de Constança, bem pertinho daqui de casa. E ele fala das etapas da vida, razão original deste post. O ciclo se fechou. Vamos a ele (tradução mais abaixo):

Stufen – Hermann Hesse

Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.
Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.
Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden…
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

°°°

Tradução do alemão pro alemão segundo a Wikipedia alemã:

Jede Lebensstufe, Tugend und Weisheit ist an sich zeitlich begrenzt und blüht zu ihrer jeweiligen Zeit. Der Mensch soll sich also bei jedem Ruf des Lebens mit Tapfer- und Heiterkeit sowie ohne Trauer von seinem alten Lebensstadium verabschieden und einen Neubeginn wagen. Er soll sich außerdem an keiner der Lebensstufen festhalten, da der Weltgeist für ihn keine Einengung, sondern eine Ausweitung von Stufe zu Stufe vorsieht. Hat man auf einer Stufe Heimat gefunden, so droht man in eine Erschlaffung und Lähmung zu geraten. Dieser Stufenprozess ist nicht zwangsläufig schon mit dem Tod abgeschlossen, weil das Leben fortwährend ruft. Somit soll der Mensch den Tod als Genesung betrachten, denn letztlich ist auch er nur der Abschied von einer Lebensstufe.

°°°

Tradução do português pro alemão:

Degraus – Hermann Hesse

Assim como as flores murcham
e a juventude cede à velhice,
Também os degraus da vida,
a sabedoria e a virtude, a seu tempo,
florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
estar pronto a despedir-se e a começar de novo,
para, com coragem e sem lágrimas, se
abrir a outras novas ligações.
Em todo o começo reside um encanto próprio
que nos protege e nos ajuda a viver.
Serenos transpomos o espaço após espaço,
não nos prendendo a nenhum elo, à nossa pátria;
O espírito do mundo não quer nos prender nem nos coibir,
mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Quando acabamos de nos acostumar com uma fase da vida,
íntimos, ameaça-nos o enfraquecimento.
Só aquele que está pronto a partir e se põe na estrada
consegue fugir à monotonia dos hábitos.
Talvez também a hora da morte
nos lance, jovens, para novos espaços,
o apelo da vida nunca chegará ao fim para nós…
Vamos, coração, despeça-se e cure-se!

P.S.-Aqui um belo resumo da vida de Hermann Hesse em Gaienhofen (também em inglês), aqui no Lago de Constança, onde viveu dos 27 aos 35 anos de idade, de 1904 a 1912.

Fonte para posterior adaptação própria: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1319#ixzz3AP3AACr4
Demais fontes: http://www.lyrikwelt.de/gedichte/hesseg1.htm, http://de.wikipedia.org/wiki/Stufen

::Tradução da música do final da Copa do Mundo “Ein hoch auf uns” – Andreas Bourani::

26/07/2014

Aqui a tradução livre, feita por mim do alemão para o português, da minha música predileta no momento. Foi ela que tocou quando o time da Alemanha ganhou a Copa do Mundo no estadio do Maracanã no Rio de Janeiro no dia 13/07/14. A música é do cantor de origem egípcia Andreas Bourani, que cresceu na Baviera, e se chama “Ein hoch auf uns” (letra da música em alemão aqui).

Vamos festejar – Andreas Bourani

Quem pode congelar este momento
Melhor não é possível
Pense nos dias que deixamos para trás
Há quanto tempo dividimos alegrias e lágrimas
Aqui cada um dá a camisa pelo outro
Não somos deixados sozinhos (na chuva)
E enquanto formos guiados pelos nossos corações
Isso vai continuar assim

(Refrão)
Vamos festejar o que está por vir
Que seja o melhor para nós
Vamos festejar o que nos une
Vamos festejar este momento (e nós)
Vamos festejar esta vida
O momento
Vamos festejar este momento (e nós)
Que fica pra sempre
Vamos festejar este momento (e nós)
Agora e sempre
Ao dia de hoje
Infinito

Nós temos asas, juramos que vamos ser fiéis eternamente
Aproveitamos o dia de hoje juntos
Uma vida inteira sem arrependimentos
Desde os primeiros passos até morrermos
(Refrão)

Fogos de artifício de endorfina
Fogos de artifício que passam pela noite
Tantas luzes restaram
Um momento que nos deixa imortais
Nos deixa imortais
(Refrão)

::Quanta alienação e quanto egoísmo são necessários para sermos felizes?::

17/01/2012

Semana passada fui num encontro de mulheres (a maioria delas alemã) que me fez pensar muito. Deparei-me com um grupo altamente qualificado, altamente alienado, altamente feliz. Pelo menos aparentemente. Com o andar da conversa, uma delas comentou que vê de longe quem assiste muita televisão, pois a pessoa é medrosa, muitas vezes paranóica. Criticaram o nível da tevê alemã, que é aliás um assunto super crítico aqui na Alemanha, pois parece ser parte da origem de todos os problemas, sendo vista quase que 100% negativamente. Argumentei que aquilo que vimos é um reflexo do nosso interior, e que tenho o livre arbítrio pra escolher na tevê excelentes documentários, bons filmes, bate-papos, noticiários, disse que tem muita coisa ruim, mas muita coisa boa também. Como tudo na vida, depende de encontrar um meio-termo. Esta não era a opinião da maioria, que evita não só tevê, como também todo e qualquer tipo de noticiário. No meio da discussão, quando eu comentei que tenho me informado muito no momento sobre p.ex. o Wulff, uma delas me perguntou quem era ele. Minha resposta foi placativa:
– O seu presidente!
E a resposta, impressionante:
– E do que me adiantaria saber sobre o que ele fez ou deixou de fazer? Eu não votei nele! E para que essa informação vai adiantar na minha vida? Só pra poder falar alguma coisa numa roda de bate-papo como esta?
Sinceramente, fiquei chocada. Eu argumentei, junto de outra amiga não-alienada, que devemos nos informar para tomar decisões, que o ideal seria uma democracia participativa, como no caso do Stuttgart 21, pras pessoas poderem participar de decisões que influenciam suas vidas. A contra-argumentação também me deixou perplexa:
– Eu não fui votar no plebiscito do Stuttgart 21, pois não sei nada deste projeto. Não sei e não quero saber. Ele não me importa. E como não me importa, não quis participar.

Saí de lá pensativa e perplexa. Já passei por uma fase bem enorme na minha vida onde me importava e me doía toda a pobreza e toda a injustiça do mundo. Mais tarde, compreendi que não há justiça absoluta e não posso sofrer as dores do mundo. Mesmo assim, continuei antenada. Praticamente não passo um dia sem me informar sobre o que está acontecendo no mundo. Por um lado, as transformações, acidentes (p.ex. o acidente do Cruzeiro na costa italiana) e tsunamis da vida me assustam muito. Por outro, vejo tanta coisa mudando pra melhor, como a caída dos ditadores, o avanço da democracia, a luta pelos direitos humanos…. Vejo com expectativa e grande interesse o mundo à nossa volta e quero fazer parte de uma transformação positiva, mesmo que minha participação direta seja pequena. Sim, o mundo atual é pesado. Mas só consigo “tirar férias dele” quando saio, eu mesma, de férias.

A atitude daquelas mulheres me fez ficar pensando sobre quanto de alienação e egoísmo seriam necessários pra eu me sentir feliz. Eu me importo demais, penso demais, raciocino, leio, troco, falo, penso, repenso, leio até no último minuto antes de ir dormir. Falando sobre o assunto, perguntamos pra alguns alemães o que significa “alienado” em alemão. Ambos responderam “Eremit” (eremita), mas esta não era naturalmente o sentido da palavra. Pesquisando um pouco mais, achei as traduções: “entfremdet” e, ainda mais forte, “geisteskrank” (louco, dentre outros significados). Não, eu não quero ser nada disso. Vou continuar lendo como sempre.

“A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesma, tornando-se sua própria negação. Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprios”.

Fonte: Wikipedia

::Wovon sollen wir träumen – Quais devem ser nossos sonhos::

17/01/2012

Aqui uma música que está fazendo muito sucesso na Alemanha, de uma cantora nova, a Frida Gold. Desta vez vou deixar a tradução para o português em aberto, para caso algum leitor quera fazê-la. A letra é uma auto-crítica da juventude alema, vale a pena decodificá-la:

Depois do refrão ouve-se um instrumento que o Daniel está começando a aprender, a Melodica, que é tipo o “filhote” do acordeão. Fiquei me perguntando se ele existe no Brasil?

Abaixo outra versão da música, também muito bonita, cantada por Jasmin Graf no programa Voice of Germany: