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::Mercado das pulgas::

07/09/2008

Ontem participei de um mercado das pulgas (Flohmarkt/Trödelmarkt) junto com a minha filha. O princípio é simples: você junta toda a bagulhada que não quer ou não precisa mais em casa e leva num dia e local combinados pra vender. Até que valeu a pena: em 6 horas ganhamos 50 euros e o investimento foi de 5 euros para 4 metros de rua.

Mas o único problema que tenho com mercados das pulgas é ter que acordar cedo. Tem mercado das pulgas onde as pessoas já chegam de madrugada (ou até dormem no lugar!) pra marcar um bom lugar. Nós chegamos ontem lá às 8h da manhã, o que pras pessoas que participam desses mercados já é “tarde” e com a ajuda de uma amiga consegui um lugar relativamente bom, à sombra das árvores.

Na realidade, pra quem participa do mercado, este local é um local de troca: você vende suas coisas por quase nada, e compra outras (que realmente precisa) também por pouco dinheiro. Voltamos pra casa ainda com o carro cheio, mas a Taísa estava de posse de 7 novos livros semi-novos no valor de 50 euros, comprados por 7 euros, e o Daniel tinha ganhado um livro (com som!) sobre locomotivas, um ônibus com passageiros e um trator pra brincar na areia, além de três conjuntos de cueca e camiseta super coloridos. Valeu!

Na realidade eu brinquei que se alguém chegasse e anunciasse que levaria tudo, eu ainda daria 5 euros pra pessoa e voltaria feliz pra casa com as mãos abanando… hehehehehe… Mas a verdade é que eu não daria minhas coisas de graça pra um “vendedor profissional de mercado das pulgas” (sim, isto existe!), mas sim pra alguém que estivesse realmente necessitado. Há duas semanas atrás coloquei um anúncio no jornal, tendo investido do próprio bolso com este intuito de dar minhas coisas pra pessoas necessitadas. Resultado: uma família alemã com um carrão veio aqui e levou grande parte das minhas coisas, de graça, e logo depois um “vendedor profissional” veio e disse que levaria tudo pra casa dele, com o que eu naturalmente não concordei. Aprendi com esta tentativa de “ajudar o próximo” que na Alemanha existem pessoas pobres e necessitadas, mas estas não gostam de aparecer. E que os alemães em geral não gostam de receber ajuda de outras pessoas, eles preferem pedir ajuda ao governo ou comprar as coisas que precisam pechinchando, como no caso dos mercados das pulgas onde eles se permitem pechinchar abertamente.


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