Posts Tagged ‘valor’

::Uma história de vida e de morte::

30/03/2020

Desde que entrei de quarentena, e já estou começando agora na minha quarta semana, algo que entrou na minha vida foi o uso constante de tecnologias para me conectar com pessoas, dentre elas o WhatsApp e o Zoom. Uso ambas na maioria das vezes com vídeo, e assim falo e vejo pessoas espalhadas por todo o mundo. Tenho que dizer que desde então estou tendo mais contatos, e com um número bem maior de pessoas do que antes. Nem quero imaginar como seria uma quarentena sem meios de comunicação como os atuais.

“Por acaso”, através de um convite em uma newsletter, me conectei com pessoas desconhecidas espalhadas por toda a Europa, que trocam entre si a solidão de estarem confinadas às suas quatro paredes, muitas delas realmente sozinhas. Alguma delas não vêem seres humanos durante 10 dias, até terem de ir ao supermercado para comprar alguns alimentos e voltar ao seu confinamento. Algumas delas só têm a permissão de fazer compras no máximo a 1.000 metros de suas casas e disseram se sentirem felizes ao ouvir que o supermercado da esquina estava fechado e que assim puderam ir a um supermercado maior e um pouco mais longe de suas casas. Esse tipo de limitação de só poder sair a 1 km da minha casa não existe aqui na Alemanha.

Neste grupo, temos encontros recorrentes por Zoom. No encontro de hoje, uma mulher contou que seu irmão esteve internado em um hospital por ter sido infectado com o coronavírus. Ele dividia seu quarto com um senhor de 80 anos que estava em situação muito pior do que a dele e que não conseguia passar uma noite sem a ajuda constante de enfermeiras, que tinham que visitá-lo a cada 1-2 horas.

Em algum momento, uma enfermeira disse que sua esposa tinha ligado para o hospital e mandado um recado para ele. O senhor de 80 anos pronunciou o nome de sua esposa e esta única palavra mudou por completo os sentimentos do irmão da minha nova conhecida. O nome da esposa transmitia todo o amor, todo o companheirismo e todas as experiências e anos vividos juntos, toda uma vida passada a dois. O companheiro de quarto passou a não ficar mais incomodado com o fato daquele senhor precisar de tantos cuidados, pois ele lhe tinha ensinado com uma única palavra muito mais do que ele podia imaginar. Ele era um professor universitário, que vivia viajando para muitos países, que não tinha tempo para parar e refletir muito sobre a vida, até que a doença o obrigou a parar.

Naquela noite, a enfermeira entrou no quarto e o avisou que o senhor de 80 anos talvez não fosse suportar as próximas horas. Deu-lhe um sedativo ou algum remédio paliativo e ambos dormiram. No outro dia, ele acordou e notou que o senhor não respirava mais. Ele tinha ido em paz. O irmão da minha nova conhecida, com 63 anos, recebeu alta em seguida e foi para casa, tendo aprendido qual era realmente o sentido da vida.  

::O poder feminino mora no autoconhecimento::

18/03/2014

Aqui mais um texto lindo, profundo e que vale a pena ler, do STUM (Somos Todos Um), de autoria de Heloisa Capelas:

A mulher que conquista mais consciência sobre seus próprios pontos fortes ganha, essencialmente, a oportunidade de utilizá-los em seu favor. Por outro lado, conhece também suas próprias limitações e tem a chance de modificá-las.
Heloísa Capelas

A visão e as habilidades femininas são, hoje, essenciais e indispensáveis à construção de relações e realidades mais positivas nos negócios. Ao assumir com mais segurança esses diferenciais, as mulheres não apenas conquistaram o devido reconhecimento ao seu potencial, como, também, passaram a ocupar cargos de liderança dentro de suas empresas. Prova disso é que diversas pesquisas realizadas no País apontam o constante crescimento no número de mulheres empreendedoras e bem-sucedidas profissionalmente. E, para dar continuidade a esse processo, é importantíssimo que as mulheres desenvolvam, cada vez mais, um novo olhar sobre si mesmas, para que possam reconhecer e se apropriar de suas qualidades.

Numa rápida contextualização, a imagem feminina foi construída de diferentes maneiras ao longo da História. De deusas ou sacerdotisas nas sociedades do mundo antigo, dotadas de poder para influenciar a política, a guerra e o amor, as mulheres passaram a ser consideradas inferiores, tornando-se serviçais e submissas. O processo de revalorização da mulher se deu de forma lenta e trouxe novos paradigmas, em especial com o acúmulo de novas responsabilidades. Além de dedicarem-se às suas carreiras, investirem tempo e dinheiro em especializações múltiplas, elas têm papel preponderante na família e nas questões ligadas à vida pessoal.

Os novos paradigmas trouxeram para algumas mulheres conflitos e dicotomias, mas é justamente quando a mulher se reconhece como um ser único – agregando seus diferenciais no que tange às questões pessoais e profissionais – que seu poder feminino se ressalta. Ou seja, quando valoriza suas qualidades intrínsecas, respeita-as e as direciona para seu crescimento, a mulher tem a oportunidade de equilibrar-se em todas as esferas.

O autoconhecimento é caminho fundamental nesse sentido, pois a maioria das mulheres chega ao século 21 cheia de culpa, medo e uma forte necessidade de provar o seu valor e, por isso mesmo, de atender a expectativas cada vez mais exigentes e exageradas. À mulher ainda não foi ensinado que cabe a ela mesma se apropriar de suas características e de suas possibilidades.

Lembremos, por exemplo, que a capacidade de cuidar é uma habilidade feminina e, por isso, surge espontaneamente e a qualquer tempo. Em outras palavras, o poder da mulher mora também na facilidade de “cuidar”, ou seja, na possibilidade de enxergar além das aparências, antecipar o pedido, perceber as necessidades alheias e atendê-las. O cuidado contém a atenção, capacidade de ouvir, flexibilidade, aceitação e respeito. Veja que cuidar é diferente de “fazer pelo outro”; ressalto porque há muita confusão nesse sentido e, por isso mesmo, até dificuldade de reconhecer essa qualidade.

O cuidado é uma característica determinante à maternidade e, por muito tempo, foi usada exclusivamente nesse sentido. No entanto, esta habilidade mostra-se também eficaz no ambiente corporativo, onde a capacidade de cuidar, quando bem utilizada, gera relações interpessoais mais estáveis, aumenta o comprometimento dos colaboradores e melhora a qualidade do clima organizacional.

O poder feminino está ligado também a muitos outros aspectos e um dos principais retornos do autoconhecimento é poder reconhecê-los. A mulher que conquista mais consciência sobre seus próprios pontos fortes ganha, essencialmente, a oportunidade de utilizá-los a seu favor. Por outro lado, conhece também suas próprias limitações e tem a chance de modificá-las. Ela consegue estabelecer melhor suas prioridades, sem se perder em meio às cobranças e expectativas que ainda lhe são direcionadas. E, por fim, consegue agir de forma mais empreendedora e equilibrada. Tem maior controle sobre suas emoções e as usa com autenticidade para o bem-estar de todos e de si próprio. Consegue enxergar mais soluções e possibilidades quando outros veem o caos.

Há metodologias que podem ajudar a desenvolver o autoconhecimento e, assim, equilibrar as múltiplas inteligências. Por conta da herança cultural que prevalece em nossa sociedade, as mulheres foram muito mais estimuladas a valorizar o intelecto do que a inteligência emocional, por exemplo. Mas vale lembrar que, de forma prática e no dia a dia, ela pode modificar essa realidade investindo em auto-observação e, o que é melhor, fazendo-o de forma franca, sem julgamentos ou justificativas. É um exercício que a auxilia a detectar melhor o que necessita mudar e sobre quais características pode tirar mais proveito, uma vez que obter consciência é o primeiro passo nesse processo.

A auto-observação, tomada como uma lição a ser desempenhada diariamente, traz à tona todas as informações necessárias para que se possa romper com os padrões negativos de comportamento. Ao conhecer tais padrões de perto, é possível compreendê-los e eliminá-los para, então, dar lugar a novos -e mais positivos- tipos de comportamentos. Como resultado, a mulher tem a chance de revolucionar sua realidade em todos os âmbitos.

Sendo assim, fica fácil constatar que cabe à mulher construir sua própria trajetória em direção ao empreendedorismo e à liderança. Evidentemente, esse percurso exige esforço e dedicação. O lado bom é que ela tem milhões de oportunidades de reconhecimento, aceitação, alegria, prazer e direito à felicidade dentro da sociedade contemporânea, que a reconhece como uma profissional ativa, batalhadora e centrada. Em outras palavras, a mulher do século 21 é única, indivisível e incomparável.

Autoria: Heloisa Capelas, texto publicado no Portal do Autoconhecimento STUM “Somos Todos Um”.


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