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::Ó Minas Gerais – apelo por uma Belo Horizonte mais verde::

01/09/2010

Hoje vi uma apresentação de Powerpoint da antiga Belo Horizonte, minha cidade natal. Vi fotos principalmente do começo até a metade do século passado (1900-1950) e fiquei muito abalada com as fotos da Av. Afonso Pena, nossa principal avenida, para onde aliás foi transferida há alguns anos a feira Hippie” aos domingos, excelente feira de artesanato que antes acontecia na Praça da Liberdade. Nesta avenida, na foto de outrora, há um verdadeiro “tobogã” de árvores, que vão do alto da avenida até a parte mais baixa, em duas correntes paralelas, dividindo-se para outras vias principais que cruzam aquela avenida e passando pela Igreja São José (sem grades na entrada!).

Belo Horizonte cresceu, se desenvolveu e o progresso fez com que as árvores praticamente sumissem do cenário da cidade. Em seu lugar, a poluição de todas as formas teima em enfeiar o ar, o visual, etc. Até a poluição sonora, ainda mais em épocas eleitorais, me pertuba muito. Por que será que o homem sente-se senhor da natureza, algo superior àquilo que vê ao seu redor? Por que as árvores não têm vez em perímetro urbano, sendo que sua existência aliviaria o ar para os próprios moradores das “cidades grandes” e traria mais beleza à cidade?

Do contrário, as poucas árvores têm mais é que lutar com o espaço limitado, os muitos fios de eletricidade e a mensagem de que não são bem-vindas e na verdade incomodam. Ao mesmo tempo que dou boas-vindas ao desenvolvimento econômico da cidade, sinto pelas árvores. O crescimento não tem sido de maneira nenhuma sustentável. Deveriam haver leis que limitassem as emissões de gases das fábricas, carros, ônibus e caminhões (principalmente dos mais velhos, movidos a diesel, que rodam pela cidade emitindo uma nuvem preta e fedorenta) e contribuíssem para um ar mais limpo. Deveriam haver leis que preservassem a natureza, dentro e fora das cidades. Passou uma reportagem durante a semana na tevê falando que por causa da atual baixíssima umidade relativa do ar no Brasil, digna de um deserto, as pessoas sofrem e pagam com sua saúde, e que em bairros paulistanos com menor índice de verde por metro quadrado (10 m2/pessoa), as pessoas estavam sofrendo mais com o ar seco. Admirei-me ao ver que Beagá se exalta de ter míseros 3,5 m2 de verde por pessoa! Parece que aceitaram que precisam do verde sim, mas o aceitam fora da cidade. E as queimadas? Eu nunca vou as entender. Li hoje no jornal local que elas aumentaram 125% em relação ao ano passado. Caetano Veloso escreveu que, quando jovem, se dizia escandinavo, pois gostava da ideia de viver em um país igualitário e limpo. Ainda hoje, ele se sente um estrangeiro no Brasil. Acho que eu também, pelo menos nesses aspectos. E viva o concreto! Viva o crescimento e o desenvolvimento econômico! Que se danem as crianças, que serão as que estarão vivendo nas selvas de pedra brasileiras de amanhã. Isto, caso muitas delas estejam vivas até lá.


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