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Posts Tagged ‘Vida de estrangeiro’

::Nova Era – Leitura em Frankfurt::

30/05/2015

::Nova Era::.

Gente, eu me repito. Pelo menos posso afirmar que continuo comigo, sou autêntica naquilo que penso e como vivo. Estou comigo aqui e agora.

A leitura do “Mineirinha n’Alemanha” em Frankfurt foi a mais gratificante de todas as que já tinha feito antes. Fico muito grata à Imbradiva e à TFM pelo convite! Casa cheia, muitas perguntas, muita troca, público interessado e muito interessante. Vieram leitores de Marburg me ver! Fiz novas amizades!  Há presente maior que um livro possa te dar?!? Pra mim não! Escrevo pela troca, pra mim, por mim, pra todos, por todos. Quem quiser, pode ver fotos do evento no Facebook aqui.

Frankfurt foi a primeira cidade que visitei quando vim à Alemanha em 1991. Foi emocionante pisar nos mesmos lugares depois de 24 anos. Saiu até um poeminha, que eu li no começo da leitura do livro na TFM, dia 22/05/15:

Frankfurt (poeminha feito durante meu almoço na Hauptwache em 22/05/15, inspirada pelo saxofone que ouço, misturado a uma violinha clássica vinda do outro lado da praça, inspirada também por Fernando Pessoa. À minha frente, gente do mundo perambulando pela cidade, uma igreja e muito arranha-céu)

 

É uma verdadeira

Torre de Babel

Cheia

De letreiros, de papel

 

Gente

De todo canto

Músicas, sons

Até com espanto

 

Tem chinês,

Brasileiro,

Estrangeiro do Havaí

E até português!

(Se bobear, até um alemão

Vai ser achado por aqui!)

 

Tanta língua

Tanta gente

Velho e novo

Cidade contente

 

Primeira cidade alemã

Que eu conheci

Pena que fico aqui

Só até amanhã!…

::Vida de estrangeiro – ou – alguns mitos e verdades sobre morar no exterior::

12/07/2004

Parei uma vez de frente para uma igreja. Nela, um quadro de avisos, e nele, uma verdade: “Onde quer que você esteja, sempre irá levar na sua alma suas inquietações, suas dúvidas, sua história”. Verdade absoluta.

Tem gente que vem pro exterior pra fugir de algum problema, acha que pode deixar preocupações para trás. Mero engano. As preocupações vão nos acompanhar, não importa onde quer que estejamos.

Posso sair do meu país com a ilusão de que lá fora tudo é perfeito e altamente organizado. As pessoas lá só agem sob as leis da ética. Tudo funciona. Outro engano. Os seres humanos são múltiplos e, bons e maus, preguiçosos ou eficientes, povoam todos os países deste mundo. Se no Brasil o político rouba descaradamente, aqui na Alemanha ele rouba por debaixo do pano, se achar que roubar é uma boa. E aqui muitas leis são seguidas não porque as pessoas são responsáveis o suficiente para segui-las, mas sim porque se não o fizerem, vão perder muitos e muitos euros pagando multas.

Tem gente que acha que tudo lá fora é melhor, até as pessoas são melhores. Na realidade não somos nem melhores nem piores que os outros, somos tão humanos quanto eles, com nossas qualidades e defeitos. No exterior existem muitos erros, muitos acertos. Muitos setorem onde estão avançados tecnologicamente, outros nem tanto. E nem só de bens materiais vive o homem…

Lá fora é que muitos ficam conhecendo melhor o país onde nasceram. Eu mesma fui uma que, através da liberdade de imprensa e da maneira direta de expor idéias dos alemães, praticamente sem meios-termos, conheci e li muito sobre o Brasil estando fora do meu país. Às vezes a gente tem que estar longe das nossas origens pra conhecer bem o lugar de onde viemos e quem realmente somos.

Uma coisa é certa: depois que tomar a decisão de sair do meu país, nunca mais voltarei a ter uma pátria, no sentido mais profundo da palavra, um lugar pra chamar de “meu”. Nunca mais vou me se sentir 100% bem, onde quer que eu esteja. Quando estou aqui, me falta o pedaço de lá. Se estou lá, me falta o lado de cá. Se estou aqui, sou brasileira. Lá, sou chamada de “alemã”.

Somos cidadãos do mundo e temos, afinal, o direito relativo de ir e vir. Escolhi um canto pra mim onde me sinto bem, dentro do possível, apesar dos pesares, e gosto de viver aqui. Que cada um de nós encontre um lugar onde sinta que leva uma vida com qualidade, ao lado de pessoas com as quais valha a pena dividir a vida, mesmo tendo que abdicar de muita coisa pra conquistar isso. A vida é feita de escolhas.


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