Posts Tagged ‘xenofobia’

::Carta a vizinhos na Inglaterra pós-Brexit – Happy Brexit Day::

06/02/2020

Estou fazendo questão de traduzir essa carta que foi colocada em um prédio em Norwich, a 160 Km de Londres, para deixar aqui registrado um exemplo do que o medo irracional, uma visão muito curta da vida e do mundo e um amontoado de preconceito podem fazer com uma pessoa… E dá pra imaginar o que acontece quando essa pessoa se junta a outras e juntas elas viram um grupo na sociedade, né? Infelizmente, o mundo está cheio desses grupos por aí!…

Eis aqui a carta que quero guardar para a posteridade, também em português:

Happy Brexit Day – Feliz Dia do Brexit

Já que finalmente tomamos nosso país maravilhoso de volta pra nós, sentimos que há uma regra que deve ser dita em alto e bom som para os residentes da Torre de Winchester.

Não toleramos pessoas falando outros idiomas diferentes do inglês nos apartamentos.

Agora que somos nosso país de novo, o inglês da rainha é o idioma falado aqui.

Se você quer falar outro idioma que seja a língua pátria do país de onde você veio, sugerimos que você volte para aquele lugar e retorne o apartamento para a prefeitura para que ingleses morem aqui e voltaremos ao que era normalidade antes de você ter infectado essa ilha que um dia foi uma grande ilha.

É uma opção muito simples: siga a regra da maioridade ou nos deixe.

Não lhe restará muito tempo até que o nosso governo implemente regras que vão colocar o povo inglês à frente. Então é melhor que você se desenvolva, ou deixe-nos.

Que Deus salve a rainha, seu governo e toda a verdade.

°°°

A parte melhor ficou com alguém que corrigiu o texto acima, que estava cheio de erros de inglês, e pediu pra pessoa explicar direito de que forma exatamente a Inglaterra estava sendo infectada por estrangeiros. Além disso, a pessoa pontuou, acertadamente: „Quem é você que assina como a maioria e como “nós”, mas não coloca o seu nome no final da carta? Onde estão os seus dados para contato?

Fiquei sabendo dessa resposta graças à Ute Ritter. Obrigada, Ute!

Fontes: aqui o artigo com a carta original e aqui o artigo com a resposta à carta original.

::Racismo na Alemanha::

26/03/2009

As conclusões de um estudo (Jugendliche in Deutschland als Opfer und Täter von Gewalt – Jovens na Alemanha como Vítima e Origem da Violência) encomendado pelo Ministério do Interior e divulgado na última terça-feira, dia 17.03.09, são assustadores e preocupantes. Foi feita uma pesquisa com 20.000 jovens alemães entre 14 e 16 anos, e nela foi constatado que 40,4% tem tendência racista e 2/3 deles (64,5%) concordam total ou parcialmente com a afirmação de que existem estrangeiros demais na Alemanha. 45% deles acham que os estrangeiros que vivem na Alemanha não enriquecem a cultura local. Em geral, os meninos são bem mais racistas do que as meninas. Quanto menor o nível de estudo, maior o preconceito.

Se os jovens alemães têm tendências xenófobas, qual será o nível da xenofobia entre os adultos na Alemanha? É sabido que toda criança nasce sem preconceitos. Somos nós, os pais, que passaremos para a criança o conceito do que é “certo” e do que é “errado”, pois elas aprendem a ver e a interpretar o mundo (até uma determinada idade) através de nossos olhos. Mais tarde, o círculo de amizades e as opiniões das mídias locais, que certamente em grande parte têm aqui uma tendência excludente com relação ao estrangeiro, completam este círculo vicioso.


Mas muito mais importante do que ficar questionando o nível da xenofobia no país, a meu ver, é não se deixar paralisar por este tipo de notícia e buscar maneiras positivas de interagir com a população local. Na troca os preconceitos se vão e a semente da amizade pode ser plantada, crescer e se enraizar neste solo. Hoje por exemplo fui convidada para participar de um fórum chamado “Café del Mundo”, onde pessoas de mente aberta, de qualquer nacionalidade, cidadãs do mundo, discutem sobre os ideais do respeito ao próximo, a outras maneiras de ver o mundo, buscando conhecer-se entre si com o intuito de aprender (e crescer!) conjuntamente. Há várias maneiras como podemos interagir positivamente com o meio onde estamos. E é isso que importa. Que o resultado desta triste pesquisa de hoje não perdure no futuro. A Alemanha de hoje, na qual 25% da população é estrangeira ou de origem estrangeira, já é há muito um país multicultural.


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