Posts Tagged ‘Pessoal’

::Paixão alemã::

25/10/2016

tigre

Lá pelos idos do ano de 2000, depois que cheguei a ter medo de que o mundo iria acabar na virada do ano, ao voltar de uma viagem do Brasil fui intimada pelo meu marido de outrora para ir escolher um gato pra nossa família. Até então, gato não era o que eu exatamente poderia chamar de “amigo”: tinha tido alergia a gatos quando criança e não consegui me aproximar de animal nenhum durante toda a minha infância e adolescência – eles lá, eu cá. Tinha aprendido que nós, humanos, estávamos (muito!) acima deles.

Os gatos chegaram na nossa casa, irmãos, bem nenenzinhos, e como dupla permaneceram por muito pouco tempo, pois um deles morreu em seguida. Por ter pena do gato sozinho, tentamos arrumar companhia para o gato principal, mas a primeira tentativa não deu certo. Perdi meu peso na consciência depois de entender que gato gosta de ficar sozinho e, além do mais, dorme durante grande parte do dia. Durante esse período de peso na consciência, chegamos a tentar levar o gato, que era essencialmente de apartamento, pra passear, mas não funcionou. Nem coleira, nem passeio. O gato rastejou no chão e parecia carregar mil livros no lombo… Quando queria passear, ele subia no telhado da casa e poderia ser visto do outro lado, tomando sol ou caçando passarinhos…

Nosso gato principal viveu vários momentos legais conosco. Foi fantasiado numa festa de Halloween e ganhou uma lanterna na cabeça pra correr atrás do próprio ponto de luz. Corria e batia na parede atrás de um reflexo de relógio e foi lançado da cama para nosso armário no quarto quando meu marido se sentiu incomodado por ele (e eu cheguei a pensar que era nosso filho voando pelo quarto)…

Meditava e tomava muito sol. Soube aproveitar a vida, ao lado de muitos que o amaram. Fazia massagens e praticava reiki. Era terapeuta! Antes mesmo de sabermos de um ponto que doía no nosso corpo, ele mostrava o local, fazia massagem e aplicava energia curativa.

Junto de um novo gatinho que recebemos depois que ele já era vovô, fez cocô pela casa toda, até no meio dos colchões da minha cama de casal e debaixo do tapete que tinha ganhado de presente de casamento. Os dois pintaram o sete, fizeram xixi por todo canto, espalharam partes do lixo pela casa e destruíram parte dos meus móveis. Depois de destruir grande parte deles, o Tigre, Tigrinho, “Tigger” ou Tiggi em alemão, ganhou um novo local para afiar suas unhas…

Ficou traumatizado depois que o levamos no veterinário pra ser castrado. Teve duas casas. Acompanhou muitas mudanças, altos e baixos, achou que tinha ficado sozinho pra sempre toda vez que viajamos, viu um neném vir ao mundo e fez greve de fome porque não queria aceitar dividir a atenção de sua dona com ele (ou será que ele era o verdadeiro dono do pedaço?). Passou vários anos em pé de guerra com meu filho e depois de uns cinco anos os dois finalmente fizeram amizade.

Teve uma saúde de ferro, que só foi abalada por um livro grosso que, por azar, caiu nas suas costas e machucou seus nervos. Lutou contra a homeopatia prescrita pela dona, cuspindo cada bolinha dificilmente enfiada em sua boca, e, sem querer, quase foi morto por Paracetamol. Por sorte olhei antes no Google: gato + Paracetamol = morte.

Foi e sempre será um gato insubstituível, companheiro de meus filhos e de toda a família, leal, caridoso, sábio, terapeuta, zen. Tem cadeirinha cativa na primeira fileira do meu coração e pra mim vale muito, muito mais do que muitos seres de duas patas, senhores de si, espalhados por este mundo lindo e cruel.

Mostrava o caráter das visitas. Recepcionava meu filho na porta de casa. Esquentou as mãos da minha irmã por vários dias seguidos no inverno. Cuidava da gente quando estávamos em casa. Sentava em cima do celular ou do teclado pra ganhar carinho. Refazia a energia do ambiente. Sumia quando lhe dava na telha. Caiu do telhado ou fugiu pela porta algumas vezes, mas sempre voltou pra casa.

Viveu por 17 anos e nos acompanhou por quase 16 anos e meio, durante quase toda a minha vida na Alemanha. Morreu de morte natural, depois que conseguiu se despedir de todos os cantos da casa e de todos os integrantes da família, e vai viver pra sempre na nossa memória. Somos muito gratos por sua existência e por termos podido dividi-la com ele! Que ele esteja em um lugar especial reservado aos bons, quer sejam homens, quer sejam animais.

°°°

Aqui um pouco mais de suas peripécias. Aqui algo para rir um pouco, especialmente para aqueles que têm gatos em casa.

°°°

Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos.
Albert Schweitzer

Gatos são poemas ambulantes.
Kligerman Murray

Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior.
Hippolyte Taine

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Artur da Távola

No princípio, Deus criou o homem, mas ao vê-lo tão fraco, deu-lhe o gato.
Warren Eckstein

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
Mark Twain

Mulheres e gatos agem como bem entendem. Homens e cães deveriam relaxar e acostumar-se com isso.
Robert A. Heinlein

::10 Confissões de Terça-Feira::

25/10/2016

corazonseco_1

Já saí em matéria de jornal no Japão

Tenho vários amigos virtuais (e reais!) pelo mundo

Tinha um gato sábio e terapeuta (ele me tinha em seu reino)

Conheço gente que vê aura (de várias cores e tamanhos)

Às vezes, penso numa pessoa e ela aparece

Já encontrei por acaso uma chinesa que conhecia, totalmente sem planejar, num parque em São Diego nos EUA (logo depois de ter pedido pra escrever os nomes do povo daqui de casa em chinês pra uma outra chinesa desconhecida…)

Vejo sinais em borboletas, borboletas como sinais

Abro livros no meio, procuro e leio “recados”

Leio vários livros ao mesmo tempo

Minha multiplicidade me faz ser voada (e aceitar que sou um simples ser humano cheio de pontos enigmáticos e erros diários)

 

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke

::Sinais, refugiados & poemas::

11/09/2015

Talvez estejam se perguntando o que um tema tem a ver com o outro?!? Pasmem: acreditem ou não, por um grande acaso do universo, reencontrei o anjo sobre o qual comentei no meu livro Mineirinha n’Alemanha, bem no finalzinho, que salvou meu filho depois de uma parada respiratória. Fui até o meu anjo feminino e disse que a conhecia, mas não lembrava bem de onde… Ela disse que tinha sido a pessoa que me ajudou, quando meu fiho parou de respirar… Eu a abraçei imediatamente! Disse que mantenho minha promessa até hoje, pois continuo sendo socorrista. E disse que aquela história, naturalmente, me marcou muito, porque eu só a vi em minha vida no dia que ela me ajudou, um dia depois para poder agradecê-la pela ajuda, e depois nunca mais voltei a vê-la. Acreditem se quiser, isso aconteceu quando o Daniel tinha uns 3 anos, e fiquei sabendo essa semana que ela mora no meu bairro, mas nunca mais tínhamos nos visto novamente. Conversamos um pouco, eu disse que acredito firmemente em sinais e que semana passada recebi um grande sinal, pelo que estava pedindo e orando muito, com a ajuda dos meus amigos e familiares. E sei que ela foi um sinal para mim, um anjo no lugar certo e na hora certa, que salvou meu filho, pelo que sou muitíssimo agradecida! E que lugar teria sido mais propício e mais simbólico para esse reencontro que não em um curso de meditação budista? 🙂 Eu disse pra ela que hoje o Daniel é um menino enorme, quase do meu tamanho, com ótimas notas e muito inteligente. E que eu sei que naquele dia fatídico tínhamos só dois minutos para reagir depois da parada cardíaca, e não posso parar de agradecer a ela e ao universo por essa dádiva. Ela comentou sobre a filha dela, começamos a falar da volta às aulas na semana que vem. Mais uma coincidência: a filha dela é da mesma idade do Daniel e vai estudar na mesma escola, porém em uma classe paralela à dele. Vamos nos rever a partir de agora várias vezes! Que grande presente do universo!…

Vira e mexe vejo vídeos e leio mais artigos sobre a atual crise de imigração. Existem no momento ao todo 50 milhões de pessoas no mundo envolvidas em movimentos migratórios! Este é o maior número desde a 2ª. Guerra Mundial!

Dos refugidados da Síria, até o final de janeiro de 2015, somente 4% tinham vindo para a Europa. Em termos relativos, se comparado ao tamanho da população de cada país, os países que mais recebem refugiados em 2013 foram a Suécia, a Áustria e a Hungria. Está provado que os imigrantes podem ser uma força propulsora para as economias locais. No caso da Alemanha, em 2012 os estrangeiros contribuíram em em média com 3.300 euros de impostos e contribuições sociais, ainda levando em conta o que havia sido gasto com a ajuda ao imigrante. Conclusão: eles geram mais recursos do que custam, a contrário do que todo mundo pensa. Esses dados aqui são muito valiosos, claro que terão que ser atualizados com as mudanças atuais, mas devem ser mostrados a todos aqueles que têm muito preconceito e receio com relação aos refugiados. Tinha lido também que dos asilados, 15% tem ginásio completo e outros 15% tem um curso superior, o que vale ouro para um país feito a Alemanha que precisa urgente de mão de obra qualificada em várias áreas de conhecimento. Segundo uma pesquisa atual 18% da população alemã já ajudou diretamente os refugiados, outros 23% pretendem prestar ajuda concreta dentro em breve.

Outra comparação: o Obama anunciou ontem que vai receber 10.000 refugiados no próximo ano, depois de ter sido fortemente criticado nos últimos dias. A estimativa é de que a Alemanha estará recebendo este ano 800.000 refugiados (o maior número de pedidos de asilo tinha sio até agora em 1992, de aproximadamente 440.000). Comparado a população da Alemanha com a dos EUA, ele teria que receber 3,2 milhões de refugiados, o que daria aproximadamente 10.000 pessoas, mas por dia.

Tenho escrito muitos poemas no momento. São tantos, que estou até pensando em lançar um livrinho só com poesias e pensamentos, sinais que ando recebendo nos últimos meses. Fecho o post de hoje com um poema, aquele que usei como fechamento do meu livro Mineirinha n’Alemanha, que não poderia ser mais atual para os dias de hoje (tradução para o português logo abaixo). Bom final de semana para todos! Agora que o sol está nos deixando, chegamos novamente à fase introspectiva do ano, hora de fazer altas viagens mentais. Bons pensamentos!

Wir sind alle Ausländer – Somos todos estrangeiros


Wir sind alle Ausländer
Heute ich
Weit weg von zu Hause
Nehme eine andere Kultur an
Wohne,
Bewege mich,
Esse,
Trinke:
Alles ist anders.

Morgen DU
Kannst eine andere Kultur annehmen
Aus eigener Entscheidung oder unfreiwillig
Dann wirst DU
Wohnen,
Dich bewegen,
Essen,
Trinken:
Alles wird anders sein.

Wir sind alle Ausländer
Heute ich, gestern ein anderer, morgen du, vielleicht:
Bürger dieser Welt.

°°°

Hoje EU
Muito longe de casa
Abraço outra cultura
Vivo,
Me movimento,
Como,
Bebo:
Tudo é diferente.

Amanhã VOCÊ
Pode abraçar outra cultura
Por decisão própria ou por falta de escolha
Então você irá
Viver,
Se movimentar,
Comer,
Beber:
Tudo vai ser diferente.

Somos todos estrangeiros
Hoje eu, ontem outro, amanhã você, talvez:
Cidadãos deste mundo

Fontes: Handelsblatt Morning Brief de 11.09.15, artigos do jornal Süddeutsche ZeitungFakten gegen Vorurteile” (Fatos contra o Preconceito) de 21.01.15 e “Was hinter der Bereitschaft der Deutschen Steckt” (O que está atrás da solidariedade dos alemães) de 11.09.15.

::Asas aos filhos::

02/05/2015

Asas aos filhos

Para que eles desbravejem mundos

°°°

Asas aos filhos

Para que eles emitam sons,

Ideias que seriam as suas,

Expandam seus horizontes,

Ampliem sua percepção sobre a vida

°°°

Dar asas é um processo de desligamento

Doce e amargo ao mesmo tempo

°°°

Ao mesmo tempo que dou asas,

Queria estar voando com você

Mas sigo em todo canto

Por onde passa

A cada batida do seu coração

°°°

Boa viagem, minha filhota!

Que Deus a acompanhe!

::Como eu mudei depois de mudar para a Alemanha::

19/04/2015

Inspirada no texto que republiquei no meu mural do Facebook, pensei que seria uma boa ideia escrever um texto meu sobre como eu mudei depois de morar na Alemanha. Claro que esta avaliação será só pela metade, porque depois de meia vida aqui talvez já tenha incorporado tanta coisa que já me parece normal, que não a notaria sem que me alertassem deste fato, tirando claro os cabelos grisalhos, as rugas e o ganho de peso com a idade. Portanto, se me conhece e quer me lembrar de algum aspecto que porventura não tenha comentado aqui, deixe seu comentário abaixo, ok? Pois então vamos lá!

Beijinhos e cumprimentos

Com certeza eu beijo menos no rosto e cumprimento muito mais falando do que pegando nas pessoas. Deixei também de encostar nas pessoas ao falar com elas, o que logo de princípio irritava muito meu namorado na época.

Lanches e usados

Fazer “farofa”, levando comida ou lanches ao sair de casa, era inaceitável lá em casa. Vivendo na Alemanha passei a ver que esta atitude é louvável, economiza dinheiro, faz com que nos alimentemos de coisas mais saudáveis e na hora que bem quisermos.

Não cresci em um meio onde a compra ou troca de usados fosse normal. Hoje em dia já participei de várias festinhas onde o único objetivo era a troca entre amigas de roupas e acessórios, sem gastar dinheiro nenhum. Acostumei-me a vender e comprar roupas usadas para meus filhos. Faço também muitas doações aqui, o que já era normal no Brasil, mas aqui às vezes é mais difícil achar pra quem doar.

Espiritualidade

Cresci como católica, mas aqui aprendi a conhecer e respeitar todas as religiões. Aprendi que um ateu que age com civilidade e respeito é mais religioso do que um evangélico ou católico que cumpre o que sua religião exige, mas desrespeita o próximo na primeira oportunidade possível.

Origens e nacionalidades

No Brasil nunca ficamos refletindo sobre a origem das pessoas, sobre a nacionalidade de suas famílias, mas isto aqui na Alemanha é imperativo, pois todos querem saber. Também porque o método de tratamento formal é feito só pelo sobrenome, o que leva as pessoas a colocarem perguntas sobre as origens, o marido (se se tratar de uma mulher casada que tenha trocado o nome) e até se a pessoa for alemã, querem saber de que parte da Alemanha a pessoa vem.

Cidade grande x bicho do mato

Morava em uma cidade com 3,5 milhões de habitantes e para mim era impossível pensar em viver no interior. Hoje moro em uma pequena cidade pertinho de um lago lindo no sul da Alemanha e gosto das vantagens de morar assim, porque tudo é pertinho, gasto pouco tempo me locomovendo para a escola, trabalho, etc., vivo mais próxima à natureza, respiro um ar mais puro e tenho acesso a tudo o que preciso para viver, mesmo tendo feito a opção ser “bicho de mato”.

Preconceitos

Eu não sou livre de preconceitos (quem me dera!), mas no Brasil era definitivamente mais preconceituosa do que aqui. Com certeza porque aqui tenho a oportunidade de conviver e interagir com pessoas de muitas partes do mundo, provar de comidas diferentes e refletir sobre meus preconceitos e os preconceitos de outras pessoas.

Introspecção e (in)tolerância ao barulho

A Alemanha é muito silenciosa, com pouquíssimos barulhos em locais públicos, as pessoas falam mais baixo, a buzina só pode ser usada em caso de emergência… Tudo isso pode incomodar demais um brasileiro em busca de agitação. Eu, da minha parte, faço uso do meu lado introspectivo e aprendi a gostar do silêncio. Mas quando uma festinha boa aparece por aí, com ou sem música, eu adoro também!

Direitos do cidadão e conceito de cidadania

Lembro de andar em Belo Horizonte com o direito do consumidor debaixo dos braços para tentar fazer valer meus direitos em uma loja de sapatos, sendo quase vista como uma ET por agir assim. Aqui todos conhecem seus direitos e costumam fazer uso deles com frequência.

O conceito de cidadania é bem visível aqui. Os bens públicos são conservados e ninguém costuma deixar lixo em lugares públicos. Acho isso o máximo!

Brasil e o valor dos mais simples

Morando na Alemanha, passei a conhecer mais do Brasil além do que conhecia. Vi e li muita coisa que me fez repensar sobre vários conceitos antes ganhos sobre meu país. Passei a ver coisas que para mim antes eram normais, desde que moro aqui como equivocadas, como p.ex. o tratamento às empregadas (almoço em mesas separadas, elevador de empregada, etc.). Sendo obrigada a colocar a mão na massa, cuidar da casa e fazer tudo sozinha, aprendi a ter respeito com cada ser humano e pela função que ele exerce na sociedade. Voltando ao quesito preconceito, aprendi que muitas vezes os mais simples podem ter melhor caráter do que os mais cultos.

Simplicidade

Na Alemanha o esbanjamento é bem diferente do visto no Brasil. Praticamente não há casas planejadas por decoradores, as festas são simples (e ainda assim muito caras), mas investe-se p.ex. em bons carros e em viagens. Mesmo assim, há uma tendência grande da nova geração de consumidores alemães de optar conscientemente contra a compra de um carro, e se for possível de usar os meios de transportes públicos. Isto menos pela falta de recursos, mas mais pela consciência ecológica.

Animais

Eu não tinha ligação nenhuma com animais no Brasil. Hoje vivo com dois gatos em casa e respeito aqueles que cuidam e lutam pelos direitos dos animais. Aprendi com uma amiga minha que disse que se só houvessem pessoas que se importam com pessoas, quem cuidaria dos bichinhos e bichanos? É bom que cada um tenha interesses diferentes, assim todos são considerados. Vivendo e aprendendo!

::Início do ano letivo na Alemanha::

19/09/2014

Enquanto os escoceses estavam decidindo sobre o destino da Escócia, ontem e hoje foi o início do ano letivo aqui na Alemanha, que vai até o final de julho do ano que vem. Este ano tem muita gente conhecida indo pra escola, inclusive meu sobrinho fofo, além do Miguelzinho, filho da minha amiga blogueira Liza Delirantemente Feliz e de seis colegas de trabalho, três dos quais na mesma escola e na mesma sala! A garotada ganha esses cones enormes, cheios de guloseimas e presentinhos e no primeiro dia de aula as crianças a partir do segundo ano primário fazem uma homenagem aos recém-chegados. Depois os alunos vão para a sala de aula e os adultos ficam esperando por eles, p.ex. tomando café e comendo bolo. E quando os “baixinhos” voltam, as famílias costumam tirar fotos em conjunto e muitas se reúnem em casa ou em restaurantes com familiäres e amigos para comemorar o dia. É uma festa só! Mas também é como os alemães costumam dizer: “Jetzt fängt der Ernst des Lebens an!” (Agora vai começar a parte séria da vida!).

Se quiser ler mais sobre este e outros detalhes da cultura alemã, e saber como é viver e trabalhar na Alemanha, indico o meu livro, o Mineirinha n’Alemanha, reunião de mais de 20 anos de Alemanha e de 10 anos como escritora e blogueira. O livro está disponível tanto no Brasil quanto na Alemanha, e pode também ser enviado pelos Correios para qualquer canto do mundo, além de ser oferecido também no formato e-book.

::Ensinamento do dia::

05/09/2014

Estou no momento em um dos paraísos na Terra: na praia de Mutá, em Santa Cruz Cabrália. Aqui tem uma baía natural que faz com que a praia fique em forma de “U”, com ondas suaves, águas verde-azuladas e uma areia branca e fina. Em quase toda praia que vou no mundo, levo dela algumas conchas. No momento estou com um projeto de montar um jardim zen em cima da minha mesa de trabalho, com as conchas colhidas nesta viagem.

Vi uma concha bem grande na areia, do alto ela parecia inteira, e pensei que aquela poderia ser perfeita pra participar do meu jardim. Abaixei pra colher a concha escolhida daqui deste paraíso e ao tê-la em mãos, vi que ela não era perfeita. Já ia jogá-la fora quando pensei que não deveria fazer isso. Pensei cá comigo: por que temos mania de querer que tudo seja perfeito? Por que queremos ser rodeados de pessoas perfeitas, por que não temos paciência com os defeitos e peculiaridades de cada pessoa, enquanto de perfeitos não temos nada? A natureza nos dá uma lição tendo tudo fora de ordem e disforme, mas ao mesmo tempo perfeitamente uniforme e harmônico. Desisti de jogar a concha fora. Ela é grande, bege, tem uns enrugadinhos na superfície e uns quebradinhos nos cantos. No meu jardim zen, ela vai ocupar um lugar de destaque e vai me lembrar deste ensinamento do dia.

::Etapas da vida & poema de Hesse::

14/08/2014

Depois de levar o Daniel pra cama, com seus nove anos de idade, no meio de suas férias de verão antes de ir para o 4° ano do ensino fundamental, percebo mais uma vez como o tempo é implacável e passa rápido demais, incontrolável. Ainda mais agora que a Taísa, com seus 18 anos, já tenha começado a fazer planos para a decoração do próprio apartamento. Pelo menos planos imaginários. Agora entendo minha mãe, que sente saudades de nós quando pequenos, em casa, protegidos, em família. Temos filhos e nos alegramos demais com suas conquistas, com seu crescimento, mas ao mesmo tempo desejamos que eles fiquem eternamente pequenos e dependentes de nós.

Abri o FB e dei de cara com um comentário de uma brasileira, vivendo aqui na Alemanha há poucos meses, já estranhando que esteja perdendo um pouco do seu português, embaralhando a grafia das palavras. Eu comentei que ela não deveria ligar pra isso muito não, porque já fui ao Brasil e pedi para cortar meu cabelo em estufas (Stufen). A costumeira dúvida cruel de expatriada, de não ter certeza se tinha escrito a palavra corretamente ou não pegou de novo minha consciência pela raiz, fui ao Google, digitei “Stufen”, e dei de cara com este poema lindo do Hermann Hesse, que por acaso já morou aqui no lago de Constança, bem pertinho daqui de casa. E ele fala das etapas da vida, razão original deste post. O ciclo se fechou. Vamos a ele (tradução mais abaixo):

Stufen – Hermann Hesse

Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.
Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.
Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden…
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

°°°

Tradução do alemão pro alemão segundo a Wikipedia alemã:

Jede Lebensstufe, Tugend und Weisheit ist an sich zeitlich begrenzt und blüht zu ihrer jeweiligen Zeit. Der Mensch soll sich also bei jedem Ruf des Lebens mit Tapfer- und Heiterkeit sowie ohne Trauer von seinem alten Lebensstadium verabschieden und einen Neubeginn wagen. Er soll sich außerdem an keiner der Lebensstufen festhalten, da der Weltgeist für ihn keine Einengung, sondern eine Ausweitung von Stufe zu Stufe vorsieht. Hat man auf einer Stufe Heimat gefunden, so droht man in eine Erschlaffung und Lähmung zu geraten. Dieser Stufenprozess ist nicht zwangsläufig schon mit dem Tod abgeschlossen, weil das Leben fortwährend ruft. Somit soll der Mensch den Tod als Genesung betrachten, denn letztlich ist auch er nur der Abschied von einer Lebensstufe.

°°°

Tradução do português pro alemão:

Degraus – Hermann Hesse

Assim como as flores murcham
e a juventude cede à velhice,
Também os degraus da vida,
a sabedoria e a virtude, a seu tempo,
florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
estar pronto a despedir-se e a começar de novo,
para, com coragem e sem lágrimas, se
abrir a outras novas ligações.
Em todo o começo reside um encanto próprio
que nos protege e nos ajuda a viver.
Serenos transpomos o espaço após espaço,
não nos prendendo a nenhum elo, à nossa pátria;
O espírito do mundo não quer nos prender nem nos coibir,
mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Quando acabamos de nos acostumar com uma fase da vida,
íntimos, ameaça-nos o enfraquecimento.
Só aquele que está pronto a partir e se põe na estrada
consegue fugir à monotonia dos hábitos.
Talvez também a hora da morte
nos lance, jovens, para novos espaços,
o apelo da vida nunca chegará ao fim para nós…
Vamos, coração, despeça-se e cure-se!

P.S.-Aqui um belo resumo da vida de Hermann Hesse em Gaienhofen (também em inglês), aqui no Lago de Constança, onde viveu dos 27 aos 35 anos de idade, de 1904 a 1912.

Fonte para posterior adaptação própria: http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1319#ixzz3AP3AACr4
Demais fontes: http://www.lyrikwelt.de/gedichte/hesseg1.htm, http://de.wikipedia.org/wiki/Stufen

::Nem um pouquinho cansada de viajar::

17/06/2014

Saí há quase duas semanas atrás do lago, passei por Heidelberg, ao longo do Reno, vistei amigos em Gütersloh, vi a parte histórica de Rheda-Wiedenbrück, visitei amigos em Hildesheim, desci para Fulda, Würzburg, estou visitando minha irmã e família em Munique e o caminho de volta vai ser por Allgäu, Lindau e Friedrichshafen. Passei porNem um pouquinho cansada de viajar. Saí do lago, passei por Heidelberg, ao longo do Reno, vistei amigos em Gütersloh, vi a parte histórica de Rheda-Wiedenbrück, visitei amigos em Hildesheim, desci para Fulda, Würzburg, visitei minha irmã e família em Munique e o caminho de volta foi por Allgäu, Lindau e Friedrichshafen. Visitei quase todos os estados alemães! Fiquei pensando na vida na minha viagem de trem pra Munique e cheguei a algumas conclusões:
-parece haver mais área verde do que área construída na Alemanha;
-tudo é tão organizadinho, parece mesmo uma casinha de boneca, principalmente as cidades históricas;
-parece não haver um lugar sequer desconhecido ou não explorado. Tudo está documentado e cuidado;
-este país é um país que deu certo. As ruas são bem construídas, os meios de transporte públicos são eficientes, tudo limpinho e em funcionamento;
-andar de trem continua uma delícia! Ainda mais de ICE com assento marcado;
-Independentemente de onde as pessoas morem, elas têm um bom nível de conforto e infra-estrutura, mesmo em cidades menores;
-o alemão sabe aquilo que lhe faz bem e repete sua fórmula pelo país inteiro: piscinas em aberto, muita natureza e muito respeito por ela, lindos parques e jardins bem cuidados, parquinhos super legais e bem equipados para as crianças…;
-agora na Copa, a Alemanha se enfeitou de cabo a rabo com as bandeiras do Brasil e da Alemanha. A animação aqui, depois da Copa bem sucedida de 2006, parece ser bem maior do que no Brasil. quase todos os estados alemães! Cheguei a algumas conclusões:
-parece haver mais área verde do que área construída na Alemanha;
-tudo é tão organizadinho, parece mesmo uma casinha de boneca, principalmente as cidades históricas;
-parece não haver um lugar sequer desconhecido ou não explorado. Tudo está documentado e cuidado;
-este país é um país que deu certo. As ruas são bem construídas, os meios de transporte públicos são eficientes, tudo limpinho e em funcionamento;
-andar de trem continua uma delícia! Ainda mais de ICE com assento marcado. Dica: no momento pode-se comprar um Bahncard 25 de 4 meses (que dá 25% de desconto nas passagens) apostando-se em quem vai ganhar a Copa. Se este país ganhar a competição, ganha-se uma Bahncard válida para o ano todo;
-Independentemente de onde as pessoas morem, elas têm um bom nível de conforto e infra-estrutura, mesmo em cidades menores;
-o alemão sabe aquilo que lhe faz bem e repete sua fórmula pelo país inteiro: piscinas em aberto, muita natureza e muito respeito por ela, lindos parques e jardins bem cuidados, parquinhos super legais e bem equipados para as crianças…;
-agora na Copa, a Alemanha se enfeitou de cabo a rabo com as bandeiras do Brasil e da Alemanha. A animação aqui, depois da Copa bem sucedida de 2006, parece ser bem maior do que no Brasil.

Agora, e como venho de uma família com “formiga na bunda”, já estou buscando os destinos das próximas viagens! 🙂

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