Anúncios

::Igikai::

31/03/2019

Tem um povoado japonês, Ogimi, conhecido pelo grande número de centenários. No livro “Igikai – Viva Bem até os Cem” foi explicado por que os moradores têm uma vida tão longínqua, saudável e feliz:

  1. Mantenha-se ativo, mesmo depois do final da sua vida profissional, explore seus talentos e não abandone coisas que sabe fazer e que lhe trazem alegria.
  2. A calma deve imperar, pois a pressa causa estresse e é inversamente proporcional à qualidade de vida.
  3. Não coma até ficar cheio. O corpo precisa de 20 minutos para registrar que estamos saciados. Comer pouco estressa menos o nosso corpo através da digestão.
  4. Tenha bons amigos e pratique atividades com eles. Amigos contribuem muito para a saúde mental, dão um sentimento de segurança e diminuem a depressão.
  5. Esteja próximo da natureza, comungue com ela. No Japão existe até uma terapia oficial que se chama Shinrin-Yoku, um „banho de floresta”.
  6. Mantenha-se positivo e tenha sempre um sorriso nos lábios.
  7. Faça exercícios físicos.
  8. Seja grato pelo que tem. Agradeça as bênçãos pelos antepassados, pela natureza, sua família, amigos, conquistas, sonhos realizados, dificuldades ultrapassadas…
  9. Viva o momento, um dia de cada vez e o momento presente.
  10. Siga o seu Igikai, dê um sentido à sua vida. Busque o seu talento, a sua paixão, um hobby ou um conjunto de ações que sejam o seu propósito de vida, a sua razão para viver e o seu motivo para se levantar da cama todos os dias.

Essas linhas nos deixam muito pensativos sobre a vida, não é mesmo? Tenho um vídeo que fala sobre os pontos acima e quem quiser recebe-lo, deverá por favor deixar seu número de WhatsApp nos comentários.

Claro fica para mim que todos os pontos são importantes paralelamente. Essa é a grande dificuldade da vida, a de driblar todos os campos e buscar uma vida que nos deixe feliz e realizados, mesmo mais tarde, na idade adulta e na terceira-idade.

Resolvi comentar os pontos acima, de forma pessoal. Vamos lá:

  1. Falando sobre mim mesma, eu poderia dizer que meu Igikai é o lema da minha empresa de consultoria, a Connex Consulting, „sharing knowledge to help others to grow” (dividir conhecimento para ajudar no crescimento de outras pessoas). Esse lema tem um significado bem profundo na minha vida e me impulsiona em todas as minhas atividades, quer seja no meu dia-a-dia profissional, durante a consultoria, quando escrevo, viajo, troco ideias e interajo com outras pessoas. E esse lema não tem nada de uma via de uma só direção, tenho plena consciência de que não sou dona da verdade (existem muitas verdades). Em cada interação eu dou um pouco de mim, de minha experiência e ganho um pouco do outro. É o encontro com cada ilha e cada história de vida que me impulsiona, e ver uma pessoa avançar em sua vida me enche de felicidade. Sou feliz por ter consciência disso!
  2. Falando sobre o segundo ponto, a calma, acho que no momento vivo uma constatação dada à minha idade e à fase em que me encontro em minha vida. Por decisão própria, resolvi trabalhar menos, desta vez não por obrigações familiares, mas para ter mais tempo de cuidar do meu Igikai e de mim mesma. Hoje estou completando o meu primeiro mês nesta nova fase de vida e estou muito feliz que tenha tomado esta decisão!
  3. Desde que fui ao Japão me apaixonei com a cultura japonesa, mesmo tendo consciência crítica de que alguns pontos não são muito positivos, como a pressão no trabalho e o estresse que faz com que os japoneses não estejam querendo ter parceiros, famílias nem muito menos crianças. Mas algo que me maravilha, dentre tantos outros detalhes, é sem dúvida a comida japonesa, os parques, o amor deles pela natureza. Comer pouco é comer bem. Isso é verdade para mim!
  4. Sem demais comentários, realmente as amizades são um bálsamo nas nossas vidas. O que venho observando, porém, é que quanto mais meios de comunicação temos, menos nos comunicamos e menos nos interagimos. Muitas pessoas estão passando pelo empecilho de deixar seus egos os governarem, e daí a começar a viver uma vida onde só a pessoa tem razão e só o que ela pensa é válido, é um passo muito rápido e muito perigoso. Precisamos nos policiar mais, nos observar mais, interagir e ouvir, ouvir, ouvir, ouvir, ouvir o outro. Cada cabeça, uma sentença, uma ilha de motivos, razões, experiências de vida, traumas e recalques. Tenhamos mais amor por nós, tendo assim mais amor pelo outro!
  5. Neste momento não estou ouvindo música, mas o canto dos passarinhos do meu jardim. Tenho uma grande felicidade de viver próxima da natureza e de notar isso! Muitos têm tanta oportunidade de comungar com a natureza e não fazem uso disso, muitas vezes pelo nível acelerado de suas vidas. A natureza é um segredo imenso, há um milagre escondido em cada semente, há muito ensinamento nas árvores e em tudo que nos rodeia. Sigamos em busca deles!
  6. Talvez quando alguém lê esse ponto e está passando por uma dificuldade, essa pessoa tenha dificuldade de entender o que foi dito. Temos a oportunidade de dar de presente um sorriso para todos aqueles que vivem conosco, e esse sorriso é gratuito, podendo abrir portas e corações. Manter-se positivo e acreditar que nada fica como está é uma máxima que tem me dado muita energia de vida. Quero sempre acreditar em dias melhores, não só pessoalmente, como também para a sociedade e para o planeta como um todo. Oremos!
  7. Pra quem já passou a aula de Educação Física escondida dentro do banheiro para não ter que fazer esporte, não sou a melhor pessoa para comentar esse ponto. Mas há cinco anos encontrei a ioga como minha forma de esporte, que combina a saúde mental e espiritual, e ela tem sido muito positiva para mim. Alguns diriam que ioga não é esporte, mas não importa. Sigo fazendo minhas aulas. E dançando, sempre que possível!… Como amante de música não poderia ser diferente!
  8. Sou muito grata pelo que tenho e pelo que sou. Minha gratidão começa pelos meus antepassados, dos quais praticamente não sei nada. Passa pela natureza, que me ensina algo todos os dias. Continua na minha família, fonte de orgulho, exemplo, orientação e alegria. São pessoas que me acolhem, me respeitam e me amam como sou, e isso é muito bom. Sou muito grata pelo meu marido e meus filhos, dois dos meus maiores projetos de vida. E, logicamente, sou muito grata pelas minhas conquistas e mesmo por todas as dificuldades pelas quais passei, pois elas me fizeram ser quem eu hoje sou. Agradeço!
  9. Viver o momento presente é algo difícil, não é mesmo? Tenho notado que quanto mais vivo o momento presente, mais minha felicidade e alegria com o quotidiano, com o que acontece naquele determinado dia, aumenta. Isso depende também de estar centrada, feliz com o que vem acontecendo na minha vida e de um exercício constante de mim comigo mesma. Continuo na estrada!
  10. Sigamos nossos Igikais! Buscar sentido na vida é algo realmente extremamente importante. Pra mim é uma mistura do que faço profissionalmente, mas também de como vivo e de todas as atividades que envolvem minha vida, inclusive a escrita, fonte de energia e de descanso mental. E qual é o seu Igikai? Aqui um texto muito bom que encontrei sobre o tema. Sigamos em busca de nossos propósitos!

::Coisa Mais Linda::

30/03/2019

Ainda com um pouco de coração em estado acelerado, tenho e devo fazer propaganda dessa série brasileira super bem feita que acabou de ser lançada pela Netflix, a „Coisa Mais Linda” ou “Most Beautiful Thing”, que discute questões como o feminismo e os primeiros passos da Bossa Nova, nosso “jazz brasileiro”, nos anos 50/60 no Rio de Janeiro.

Que série! Meu marido assistiu junto e comentou que tem mais drama nela do que em “Game of Thrones”… Gostei muito mesmo! Mas… fiquei decepcionada com o final da temporada… Decepção essa que foi acalentada pela informação de que uma segunda temporada pode (e deve) estar a caminho! Apesar de que a série praticamente acabou de ser lançada, no dia 22/03/19, dá pra acreditar?!?

Essa é a loucura e a beleza de uma programação feito a do Netflix, que é capaz de criar um seriado em mais de 180 idiomas e dar uma projeção global a ele… E de dar espaço para produções que antes não sairiam da gaveta… E de decentralizar o consumo cultural… Tudo isso praticamente impensável há algum tempo atrás. Acho que com essa diversidade de produção cultural tenderá a cair também o preço das produções e por consequência o cachê dos atores… E Hollywood irá perder sua fama de capital do cinema… Muita reviravolta está por vir! Espero que também no caso desse seriado, pois não se pode aceitar que determinadas bandeiras sejam afogadas no mar da mesmice de sempre… Nunca!

::Reflexões sobre feminismo::

30/03/2019

Há pouco tempo anunciei que estava abrindo o meu blog para a participação e o debate d@s leitor@s. Aqui um texto escrito por minha amiga desde os tempos de faculdade (e possivelmente até longínqua parente por parte do sobrenome Coelho), Simoni Pinto Coelho. Obrigada pelo texto, Simoni! Vamos aprendendo junt@s!

•••

Reflexões sobre feminismo

Orgulho de viver nesse tempo em que nós mulheres estamos tomando consciência do machismo naturalizado.

Ainda estou aprendendo, e aprendendo com as lindas jovens que estão abrindo nossos olhos para as práticas que considerávamos normal.

Minha filha tem me ensinado muito, de tanto que ela escutou: “milha filha, não sai com esse short. O mundo ainda é machista. Falo isso para te proteger.”

Mas ainda tenho dificuldades de compreender quais as atitudes, falas e situações às quais vivencio que aparece o machismo. O tal do machismo naturalizado.

É naturalizado para mim também que sou de uma geração que foi acostumada a ocupar seu espaço de trabalho e usar as próprias armas de sobrevivência. Evitar roupas sensuais em determinados lugares em que circulávamos. Se alguém mexeu com a gente na rua, fingíamos que não víamos, entrávamos em algum comércio para nos esconder. Nos locais de trabalho ríamos sorrisos amarelos das piadas machistas.

Hoje o alerta acende, mas tendo a achar que a culpa é minha. Exemplo: estava em uma reunião de trabalho somente com homens. Abordei um assunto, foi desconsiderado, quando um colega voltou ao tema que eu havia tratado, foi ouvido e a demanda atendida. É pessoal? É uma questão de desvalorização da fala de uma mulher?

Enfim, ensinem-me irmãs, a desnaturalizar o machismo cotidiano.

::A Alemanha continua precisando de estrangeiros, também daqueles vindos de fora da Comunidade Europeia::

10/03/2019

BS

O Instituto Bertelsmann divulgou em fevereiro de 2019 um estudo bem detalhado que analisa o mercado de trabalho da Alemanha até 2060. Ele afirma que o país irá precisar de pelo menos 260 mil estrangeiros por ano para cobrir as necessidades mínimas de mão de obra qualificada do mercado de trabalho local, para que assim não haja uma queda extrema nas atividades econômicas do país. Para que a economia possa ser mantida sem perdas extremas, o estudo chega a citar o número de 420 mil estrangeiros por ano. Leva-se em conta a mão de obra já existente no país, além da mão de obra europeia, os possíveis efeitos do Brexit, o desenvolvimento do PIB europeu até 2060 e também o avanço da digitalização e suas consequências para a economia alemã até lá. Ele afirma que sem a entrada de estrangeiros, o grupo da população economicamente ativa irá cair em 16 milhões até 2060, o que representaria um terço do total atual (47 milhões).

A entrada de estrangeiros vindos da Europa tenderá a cair nos próximos anos, dado que a força econômica e a qualidade de vida poderão se igualar ou ficar bem próximos com o tempo entre os países europeus. Com isso, espera-se que haja menos interesse em aceitar postos de trabalho na Alemanha, o que fará com que o mercado de trabalho europeu fique ainda mais competitivo.

Portanto, o interesse tenderá a se voltar para a mão de obra qualificada vinda de fora da Europa. No total, será necessária a entrada de aproximadamente 114 mil europeus e 146 mil não-europeus para cobrir o retrocesso demográfico e as necessidades mínimas de mão de obra qualificada da Alemanha.

A média de 146 mil pessoas vindas de fora da Europa é avaliada da seguinte forma: até 2035 estima-se que o mercado alemão precisará de aproximadamente 98 mil estrangeiros por ano e entre 2036-50, de quase 200 mil estrangeiros por ano.

A análise leva em conta o potencial oferecido pela mão de obra já existente no país. Mesmo considerando que a taxa de natalidade pode subir, que mais mulheres e idosos estarão participando do mercado de trabalho e que a aposentadoria pode chegar a ser aumentada até os 70 anos de idade, avalia-se que a mão de obra interna não será suficiente para cobrir as necessidades da economia alemã. Também com o avanço da digitalização, que exigirá mais mão de obra com alta qualificação (técnicos altamente qualificados, mestres e profissionais de nível superior), haverão novas exigências do mercado que terão que ser supridas para garantir a atividade econômica. Portanto, uma avaliação cuidadosa sobre a imigração de mão de obra qualificada, também aquela vinda de fora da Europa, é algo imprescindível para o futuro do país.

Hoje em dia, o número de estrangeiros vindos de fora da Europa que imigram para a Alemanha ainda é muito pequeno. Em 2017, esse número foi de 60 mil estrangeiros, dos quais 37 mil com média e alta qualificação.  O estudo conclui que seria importante que a Alemanha definisse leis claras migratórias para lidar com esse grupo que fica cada vez mais importante para suprir as necessidades da economia do país.

As áreas onde a Alemanha precisa de mão de obra qualificada são distintas. Enquanto isso, há uma tendência de mão de obra qualificada alemã (8-10% do total) deixar o país para ir trabalhar em outros países. Em vários países do OCDE, observa-se que a mão de obra altamente qualificada tem cada vez mais opções de trabalho, enquanto a mão de obra com qualificação média pode ter menos facilidade de encontrar um posto de trabalho devido à digitalização. A luta pelos talentos envolve, assim, todos os países do mundo, em maior ou menor grau.

Fontes: estudo de 2019 da Bertelsmann Stiftung, artigo da Der Spiegel de 12/02/19 e da Berliner Morgenpost de 12/02/19

::Poesias engavetadas::

09/03/2019

Estante Viva

De escritor pra escritor, ou de amante da escrita pra amante da escrita: acho que todos nós temos projetos engavetados, não é mesmo? Eu tenho dois: um de poesias, prontinho e outro de perguntas para auto-reflexão, ainda inacabado. O de poemas não foi lançado ainda, dentre outros detalhes, porque eu gostaria que ele fosse ilustrado e não achei ainda um@ ilustrador@ que tenha interesse de mostrar seu trabalho junto comigo. Se você estiver lendo essas linhas e pensar: “Pô, essa oportunidade poderia ser minha, ess@ poderia ser eu!”, então escreve pra mim, me dá uns exemplos do seu trabalho e de repente essa borboleta vai estar voando em breve em forma de parceria!

::24/12 - Calendário de advento da Mineirinha::

P.S.1 – Se for seguidor@ do blog da Mineirinha e tiver curiosidade sobre os “trens” que ando postando no mural do Facebook, convido você a assinar também o mural da Mineirinha! Estou quase chegando nos mil seguidores, e quando chegar lá sorteio um livro meu. Conto com você!

P.S.2 – Se quiser sugerir um tema para o blog, sou toda ouvidos! Bom findi!

::Brasil, mostra a tua cara::

08/03/2019
america map land brazil

Foto por Pixabay em Pexels.com

 

Quando vim à Europa pelas duas primeiras vezes, foi para representar o Brasil em encontros estudantis mundiais da AIESEC, onde cada um rapidamente era chamado pelo nome de seu país se naquele momento não sabíamos o nome da pessoa. De um momento para o outro eu virei “Brasil”. Foi assim entendi bem rápido que fora do Brasil somos representantes do nosso país de origem.

Qual não foi minha estupefação e absoluta incredulidade, quando li que o atual presidente do Brasil teve a coragem de publicar um vídeo com cenas obscenas de um bloco do carnaval brasileiro…. Eu vou morrer sem entender onde ele estava com a cabeça quando fez isso! Quer queiramos ou não, é o representante máximo de nossa nação e deveria se comportar como tal, pelo menos por respeito ao cargo e levando em consideração a posição de destaque que ele ocupa, seguida por holofotes do Brasil e do mundo!!!

Ele foi muito criticado nas ruas do Brasil durante o carnaval e com certeza esse deve ter sido o seu “troco pessoal”. Além disso, é certo que há algumas táticas por detrás de tuítes de políticos como esse, que precisam ser entendidas:

– Contribuir para o discurso de ódio: “uso da linguagem para difamar, depreciar ou desumanizar uma classe ou grupo de pessoas atribuindo-lhes certas propriedades inerentes….”
Observe-se que bloco de carnaval entrou nesse grupo de minorias, que antes era tão „lindamente” ocupado “só” por mulheres, pobres, negros, índios…

– Camuflar e desviar a atenção para o que está acontecendo paralelamente no Brasil, enquanto as polêmicas (praticamente diárias!) são criadas (pelo próprio governo brasileiro!):

* Abertura das reservas indígenas para minério
* Aumento de valor do cartão corporativo pra uso privado
* Mais de 1 milhão de reais de de gastos pessoais com a família presidencial em menos de 3 meses de governo
* Perda de mercado da soja para os EUA, etc.
…. Continue a lista nos comentários…

Espero encarecidamente que nesse meio tempo ele mesmo deva ter entendido o grande tiro no pé que ele deu nele mesmo e na nossa economia, dado que o carnaval é fonte de renda para tantos e de entrada de divisas para o país! Minha resposta direta no Twitter para o B., agora há pouco:

°°°
Não tenho coragem de ver esse vídeo, mas sinto muita vergonha alheia por este post! Perdeu a oportunidade de mostrar pro Brasil e pro mundo uma parte solidária e positiva do carnaval brasileiro, uma das maiores festividades do mundo e fonte de renda para nosso país!!! Um verdadeiro tiro no pé!!!… O senhor representa o nosso país, está sendo acompanhado pelo Brasil e pelo mundo, e deveria assumir esta responsabilidade de pessoa pública no cargo máximo do nosso país!!!!!!!!!!!!!
°°°

A parte boa desse ato altamente controverso, que como exceção foi criticado até por parte dos eleitores dele, foi o número de manifestações populares que brotaram de todos os lados e se determinaram a mostrar a parte boa, solidária e linda do nosso carnaval. Vários vídeos e reportagens circulares circularam neste sentido, em todos os canais de comunicação.

Mas… como não poderia deixar de ser no caso de uma pessoa que parece não refletir sobre a consequência de seus atos, não entender recados diretos e ter uma visão muito limitada do Brasil, do mundo e da vida… ele postou logo depois a pergunta no Twitter “o que é golden shower?” (que nem eu, aliás, sabia o que era…). Mas me digam uma coisa: isso é lá pergunta que um presidente de uma nação deva colocar em um meio de comunicação oficial dele para com o Brasil e o mundo?!? Esse tuíte foi tão comentado, que ele deve ter entendido nesse meio tempo as mil e uma maneiras de fazer Neston, comentando algumas das encrencas em que ele mesmo e sua família estão acusados de envolvimento, dentre outras tantas formas de mostrar ironicamente que essa não é pergunta que se faça… Ele deve ter acompanhado que o que bombou no Twitter em seguida foi, por exemplo, a hashtag #goldenshowerpresident.

Que vergonha para os brasileiros e que vergonha alheia ao extremo para nós, brasileiros morando no exterior!!! Este senhor não me representa e deveria finalmente entender que não está mais em campanha, mas sim ocupa o cargo máximo da nossa nação, e portanto deveria agir como tal, pelo menos por respeito ao cargo, por obséquio!

A pergunta que fica no ar é se ele agora chegou ao fundo do seu próprio poço. Espero encarecidamente que sim! O Brasil e o mundo agradecem!!!

Fontes: Post de 06/03/19 do blog Entendendo B., inúmeros vídeos e reportagens nacionais e internacionais a respeito do tema.

::Masculinidade tóxica::

04/03/2019
air air pollution chimney city

Foto por Pixabay em Pexels.com

A Gillette lançou uma propaganda em janeiro que já deu muito o que falar e levou a muita discussão sobre o tema, mostrando o que é a masculinidade tóxica e como evitá-la. Veja-o no link e me conte sua opinião a respeito nos comentários.

A minha opinião você já deve conhecer. Pra mim há mesmo um tipo de masculinidade sobre o qual é necessário discutir e eliminar, mas por outro lado há muitos homens contribuindo para uma sociedade mais inclusiva, cooperativa e solidária. Acho o debate importante para que os homens discutam entre si e também com mulheres, para também definir o que deve ser passado para as próximas gerações e que educação os meninos de hoje, que serão os adultos de amanhã, deveriam receber. Aqui a opinião de um homem a respeito do vídeo da Gillette.

A construção de uma sociedade, também com relação às gerações futuras, baseada na cooperação, onde todos têm/terão chances similares e são/serão vistos como partes integrantes, importantes, iguais, dependem de todos dentro desta sociedade. Todos devemos tentar ser melhores do que somos. Todos devemos tentar ser a melhor versão de nós mesmos. E pra mim a questão vai pela autocrítica, da análise de como eu posso me tornar melhor do que sou atualmente.

::Quando me tornei feminista::

04/03/2019
me too printed paper wall decor

Foto por Lum3n.com em Pexels.com

Quando me tornei feminista
Percebi que feminismo
Não é o oposto de machismo
O machismo determina
A suposta superioridade masculina
O feminismo busca
A igualdade entre os gêneros

Quando me tornei feminista
Descobri que não moro sozinha em família
Não preciso da “ajuda” do meu marido
Nem de meus filhos
Todos devemos nos ajudar
Pois dividimos um espaço comum

Quando me tornei feminista
Nasci filha e mulher
Tive uma mãe forte como modelo
E muitas professoras pela frente
Vi mulheres dependentes
E outras independentes
Avaliei várias formas de viver
E determinei minha opção de vida

Quando me tornei feminista
Foi um processo inconsciente
Dos gibis da Mônica
Para os desenhos da Penélope Charmosa
Passando por heroínas nas fábulas
Em filmes e peças de teatro
Também do teatro da vida

Quando me tornei feminista
Busquei meu lugar ao sol
Tive coragem de deixar tudo pra trás
Recomecei do zero
Fiz uma vida nova
Encontrei pessoas
E cavei meu futuro

Quando me tornei feminista
Tomei decisões
Nem sempre acertadas, mas tomei
Tive vergonha de algumas
Caí incansavelmente
Fui abalada e me reergui
(Re)aprendi a gostar de mim

Quando me tornei feminista
Passei a querer mais da vida
Redefini meu caminho
Busquei uma nova versão de mim
Decidi o que não mais servia
Fui eu e mais ninguém

E quanto a você,
Quando se tornou feminista?
E o que significa aliás
O feminismo para você?
Por que ser feminista?

Não há nada mais feminista
Do que emitir sua própria opinião
Ofereço meu espaço
Para que o faça, se quiser
Quer seja em prosa, verso
Ou poesia

O feminismo agradece!

::Primaveras e Recomeços::

03/03/2019

825

Sexta-feira passada, dia primeiro de março de 2019, foi um dia bastante significativo pra mim. Começou com o fato de que completei 26 anos de Alemanha, reduzi por vontade própria minha carga horária semanal no emprego, dia que coincidiu também com mudanças profissionais dentro da minha família. Foi meu primeiro dia livre dentro dessa nova proposta de vida, que eu prontamente preenchi com algumas coisas boas: visitei uma amiga alemã, fiz uma supervisão do meu curso de Psicoterapia e depois visitei de novo uma boa amiga brasileira, junto de dois outros brasileiros, e fizemos o que deveríamos fazer mais vezes, jogamos uma boa partida de buraco ou canastra.

Essas mudanças todas coincidem também com a mudança de estação, já que aqui na Alemanha a primavera está se propondo a dar seus primeiros passos, anunciada também pela despedida do inv(f)erno através das festividades do carnaval. Aqui na Alemanha carnaval signigica dar adeus ao inverno com fantasias horrendas, e queimar tudo o que lembre esse tempo escuro e frio. Prenúncio de boas-vindas à claridade, flores e o canto de mil e um passarinhos, que também temos que ajudar no nível individual tomando uma boa dose diária de vitamina D, porque sanidade mental é algo que todos precisamos.

Mas voltando à sexta passada, mal sabia eu que esse dia iria se tornar inesquecível pra mim. A visita à minha amiga alemã naquele dia tomou um rumo inesperado, e que tem ligação direta com esse blog, e com a minha vontade, já cultivada desde o começo do ano, de reativá-lo. Por acaso tinha achado um texto que tinha escrito aqui sobre ela, e nem o tinha relido todo, mas comentei com ela e me propus a relê-lo de frente pra ela, fazendo tradução simultânea no momento pro alemão, o que fiz quando a reencontrei. No meio do texto levantei meus olhos, e ela estava chorando. Comecei a chorar também e foi difícil chegar ao fim do texto. (que você pode ler, se clicar no link)… Desde então ela não se cansou de me agradecer, dizendo que precisava de um favor e de que eu traduzisse esse texto pra ela, pois ela o queria mandar para um amigo querido com quem brigou no momento, pra mostrar pra ele que ela não é a pessoa horrível que ele pensa que ela é. O fiz no dia seguinte, e muitas outras vezes ela não se cansou de me agradecer, dizendo até que não sabia se merecia tanto carinho da minha parte.

Isso me levou a pensar em quantas vezes achamos tantas coisas legais das pessoas que estão à nossa volta, e quantas poucas vezes paramos para externalizar esses sentimentos. Pensar que eu „a amo“ porque sim, a amo, e que a coisa está clara entre duas pessoas, muitas vezes é fonte de muito desentendimento e angústia. Por outro lado, quantas vezes „encaixotamos“ as pessoas em uma determinada gavetinha mental e não damos a ela a oportunidade de ser algo fora daquilo que esperamos que ela vai ser? Essas duas maneiras de viver podem ser prejudiciais para nós mesmos, tanto de uma maneira, quanto da outra. Eu como sempre „penso alto“ quando escrevo, então esse pensamento aqui vai pra mim e pra todos nós: gastemos mais tempo em verbalizar nosso amor pelas pessoas que nos são caras, e deixemos uma portinha ou pelo menos uma janelinha meio aberta para as pessoas com quem não nos entendemos tão bem tenham a chance de nos surpreender positivamente!

Daqui pra frente pretendo escrever com mais frequência por aqui, na realidade não é tão difícil, mas em tempos de decadência de blogs e da dominância do Facebook, é algo que caiu em desuso na minha rotina. Acontece que o Facebook tem estado muito venenoso, mesmo que eu faça um esforço tremendo pra selecionar o que quero ler e do que quero participar, e tudo o que ponho lá, não é meu, não posso reler quando me der na telha. Quero passar a voltar alimentar meu cantinho, meio que adubar, preparar a terra e começar a plantar aqui de novo. Feliz primavera pra todos nós, feliz recomeço!

“Deixe que a vida faça com você o que a primavera faz com as flores”. Pablo Neruda

::A mulher, o estilo Bauhaus e o movimento #MeToo::

14/02/2019
male and female signage on wall

Foto por Tim Mossholder em Pexels.com

Vira e mexe ouço comentários de brasileiros dizendo que aprender alemão é difícil demais. São muitas regras, inúmeras exceções. A minha resposta pra levantar o ânimo dos meus conterrâneos é sempre a mesma: busque através da língua assuntos que te interessam, coisas que você quer aprender, que te entusiasmam e aquecem seu coração, e logo seu interesse pelo idioma, como meio, e não como fim, irá crescer vertiginosamente!

Uma dica pra quem se interessa por cinema, documentário, história ou arquitetura alemã, ou tudo isso junto, é o filme que acabei de assistir hoje à noite: Lotte am Bauhaus (Lotte na Bauhaus), que fala de uma personagem fictícia, inspirada em uma mulher que realmente estudou na escola de arte e design Bauhaus chamada Alma Siedhoff-Buscher, cujo estilo que ela ajudou a propagar completa neste ano 100 anos de existência. O Manifesto de 1919 prometia que na universidade Bauhaus todos poderiam estudar, independente de sexo ou idade, e seria selecionado segundo seu talento, tendo os mesmos direitos e deveres, e com isso a Bauhaus propunha não só um conjunto de matérias ligadas à expressão artística, mas também um novo modo de ver e de encarar a sociedade. Através da ficção, o filme mostra que a Bauhaus era mais do que uma escola de arte, era um meio de expressão onde homens e mulheres deveriam ter os mesmos direitos. Esse estilo, que ainda hoje é visto como moderno, minimalista, funcional, com linhas claras e futuristas, abriu portas e fez uma homenagem às muitas mulheres designers que passaram por esta universidade e que transportaram o estilo Bauhaus para o mundo externo, mas acabaram caindo no esquecimento. Muitas vezes, mulheres queriam seguir seus talentos, mas não podiam por impedimento da sociedade, e para outras o caminho da arte e do design entrava em detrimento por imposição social assim que elas se tornavam mães. Naquela época, assim como ainda hoje, poucas conseguem levar a vida pessoal e profissional com equilíbrio. Alguns dos nomes de mulheres que não podem cair no esquecimento, quando se fala no estilo Bauhaus, são: Alma Siedhoff-Buscher, Marianne Brandt, Gunta Stölzl, Anni Albers, Friedl Dicker-Brandeis, Ise Frank (a esposa do fundador da escola, Walter Gropius), Ilse Fehling, Lucia Moholy, Gertrud Grunow, Ida Kerkovius, Ré Soupault, Katt Both, Lotte Stam-Beese, Kitty van de Mijll Dekker, Michiko Yamawaki, Lilly Reich…

Pra não contar muito da trama, comento ainda que logo depois assisti também um documentário sobre Bauhaus e as Mulheres, chamado Frauen am Bauhaus, tudo na ARD, e aprendi muito sobre o estilo artístico Bauhaus, as mulheres que o marcaram e mais um pouco da História alemã.

Fica a dica!

P.S.- Aqui um dos muitos artigos que adorei ter lido como inspiração para este texto, uma entrevista de Jane Revedin com Doris Schäfer-Noske sobre as mulheres que marcaram o estilo Bauhaus, e por que elas praticamente acabaram caindo no esquecimento. Aqui um outro artigo interessantíssimo, comparando a reação masculina aos avanços femininos na e através da escola Bauhaus com o debate da atualidade do #MeToo. Há muito por descobrir, vamos à leitura! 


%d blogueiros gostam disto: