::Lançamento do novo livro da Mineirinha::

09/12/2019

Este livro de poesias convida o leitor à reflexão e a viajar dentro de si mesmo. Em tempos modernos, onde o excesso visual e midiático parece ter tirado de nós a capacidade da introspecção, Sandra Santos propõe, de forma corajosa, desnuda e franca, a pensar sobre si, sobre o outro e sobre o mundo que nos cerca. De forma cronológica, o leitor irá viajar por poesias criadas no espaço de mais de 10 anos, sendo que não é a autora que determina sua criação, mas sim as próprias poesias é que se manifestam e, quando chegam, o fazem sempre sem pré-aviso e de supetão. 

Dona de um olhar intercultural, vivendo entre dois mundos durante mais da metade de sua vida, a autora mostra um pouco da Alemanha e do mundo através do olhar estrangeiro, e do Brasil visto sob a perspectiva da filha ausente. O livro, que retrata a opinião da autora à altura de sua escrita e envolve várias dedicatórias e musas inspiradoras, convida duplamente à viagem interna também através das ilustrações da artista Kelly Abreu, que divide com a Sandra a condição de mineira expatriada vivendo em terras teutônicas. 

Vamos viajar? As Poesias da Mineirinha n’Alemanha já estão ansiosamente aguardando a sua visita!…

Parte do lucro desta obra será doada para projetos que apoiam a educação infanto-juvenil no Brasil. 

Ilustrações de Kelly Abreu.

Livro (físico ou e-book) na Amazon, envio para todo o mundo. Por exemplo:

Link para a Amazon da Alemanha.

Link para a Amazon do Brasil.

::Ops, they did it again!…

09/10/2019

Tinha muito tempo que não conversavam comigo daquele jeito. A primeira vez tinha sido nos meus primeiros anos de Alemanha, quando uma vizinha desceu pra avisar que iria fazer esporte no apartamento acima do meu e que ela esperava que não fosse incomodar. Gentil, se não tivesse sido o fato dela usar, literalmente, caras e bocas, isto é, muitos gestos e um alemão bem quebrado pra se comunicar comigo. Fiquei estupefata e não consegui reagir.

A segunda vez foi quando eu estava numa feira pública em busca de Schalotte, um tipo especial de cebola que eu nunca tinha visto antes. Perguntei pra feirista se aquele era o tipo de cebola que eu buscava e ela começou a responder algo como „não, isso não ser Schalotte, isso ser…“ ao que eu respondi que ela podia conversar normalmente comigo, porque a entendia perfeitamente, mas só não conhecia o tipo de cebola que estava buscando… Desta vez, quem ficou estupefata foi ela.

Os anos se passaram e depois de mais de 26 anos de Alemanha, essas lembranças ficaram presas ao passado.

Eis que hoje de manhã um senhor, com quem espero ônibus no mesmo ponto, me pára no meio do caminho para o trem dizendo e gesticulando „ônibus, aqui, parar“ e eu não  tive outra reação a não ser chamar à memória os casos que contei acima e conversar com ele normalmente. Depois de 2-3 frases ele descobriu que eu falo alemão e mudou seu alemão de um “alemão para estrangeiros” para um “alemão padrão“. A rua por onde passava nosso ônibus estava em reforma e ele teimou comigo que o ônibus passaria por ali daqui a alguns minutos, que ele morava de frente para o ponto e tinha visto o ônibus do horário anterior passar, que ele tinha certeza e eu podia ficar ali com ele.

Fiquei lá, mas eis que… o ônibus não passou. Esperei 3-4 minutos de um atraso ainda aceitável (porque o ônibus passa às 7:27 h e já eram 7:31 h), e em seguida liguei pro meu marido, falando em português perto desse senhor (e provavelmente confirmando a impressão dele de que eu era estrangeira). Pedi pro meu marido, que estava saindo de carro para ir ao trabalho, para vir me pegar e me levar no centro da cidade. Ofereci, em seguida, pr‘aquele senhor ir conosco, porque senão ele ia ficar preso no bairro onde moramos, com dificuldade de ir para o trabalho. Dentro do carro, falamos os três em alemão.

Três casos parecidos, três reações diferentes. E pra quem acha que tudo na Alemanha é pontual, ledo engano: pra variar, o meu trem, que peguei em seguida ao chegar no centro da cidade, se atrasou por quase 10 minutos, enquanto o anúncio oficial na plataforma era de que ele se atrasaria por 5 minutos, mas na internet já se podia ler a verdade do atraso mais longo… A companhia ferroviária alemã, a Deutsche Bahn, não tem tido boa fama pontualidade hoje em dia!…

E quanto a você, quando foi que lhe trataram diferente no exterior, por suporem que você é estrangeiro?

::Métodos manipulativos e um ano sem comprar::

22/09/2019

No final de julho passado fiquei tão indignada por ter caído seguidamente em alguns dos muitos métodos manipulativos que causam o consumismo desenfreado em que vivemos, que resolvi ficar um ano sem comprar nada pra mim.

Só que minhas férias na Espanha ainda estavam por vir!… No primeiro dia, fomos a um mercado e a única peça que realmente quis, de 4€, acabou sendo paga pelo Matthias, meu marido. Outro dia eu dei um presente pro Daniel, meu filho, e outro pro Matthias, e ganhei um dele, de um valor pequeno, também. Mas percebi que o ato de ganhar, mesmo tendo escolhido o presente, engrandece a alma. Depois de alguns dias, achei um anelzinho que é realmente a minha cara. Esse eu me dei de presente mas disse pra mim que não contava e nem cortava o meu propósito, porque custava só 5€. Por fim, depois de quase uma semana de sobrevivência não consumista nas férias, resistindo a todas as tentações, decidi me dar de presente dois vestidinhos vendidos na praia, em parte pra ajudar a vendedora, que andava na areia fazendo do braço dela o cabide para muitos e muitos vestidos, e em outra parte porque gostei deles mesmo, e além do mais eram baratos demais, cada um custava só 10€. E ficaram de lembrança pra mim do meu propósito de viver bem com menos. A partir daquele dia, 23 de agosto de 2018, disse pra mim que ficaria um ano sem comprar nada pra mim, propósito que venho seguindo com gosto e atenção.

O que aprendi com esse exercício até agora? Muita coisa:

  • Eu tenho praticamente tudo o que preciso para ser feliz, não preciso de quase nada além do tanto que já tenho
  • Além do mais, a maioria das coisas, as mais bonitas e mais prazerosas mesmo, não custam nada, custam a minha atenção
  • Quando ganhei um presentinho, ao invés de comprá-lo, o objeto ganhou mais sentido, foi envolto de amor do presenteador
  • Prestando atenção no que tenho vontade de comprar e me relembrando da minha intenção de não comprar nada para mim, revejo se preciso mesmo, mais mesmo, daquilo que acho pela frente. Claro que se precisar mesmo, vou comprar. Mas estou gostando do resultado da experiência até agora.

E quais são suas atitudes não-consumistas, quais são os métodos manipulativos dos quais você tem plena consciência?

Abaixo alguns deles, mas é só o comecinho da lista…

  1. Perfumes e sprays – as lojas perceberam que determinados perfumes e sprays incentivam o consumidor à compra. Pesquisadores de consumo indicam que cheiro de baunilha e cheiros silvestres influem na decisão de compra de mulheres e homens, respectivamente. De acordo com um estudo, os consumidores ficam mais tempo em lojas cheirosas e as vendas sobem, em média, em 6%. Essa estratégia é altamente usada na Ásia, pelo que notei.
  2. Liquidação e redução de preços – os preços aparecem em etiquetas de preço na cor vermelha porque nosso cérebro as associa a algo barato. Citar que o artigo faz parte de uma promoção ou de uma propaganda pode induzir o cliente a achar que ele é mais barato.
  3. Música de fundo – as músicas de fundo se assemelham ao nosso batimento cardíaco, 72 batimentos por minuto. Quando músicas lentas e agradáveis são tocadas, tendemos a ficar mais tempo em uma loja.
  4. Distribuição dos artigos na loja – os produtos mais caros do supermercado estão sempre na altura dos olhos, os mais baratos ficam mais abaixo nas prateleiras. Produtos refrigerados são colocados na saída dos supermercados para que os clientes tenham que passar por eles antes de chegar ao caixa. Bem na saída, vem a oferta de chocolates, chicletes, e tudo o mais que uma criança vai querer comprar e os pais vão acabar concordando, enquanto esperam sua vez de pagar suas compras.
  5. Iluminação e temperatura – se dá um grande valor à iluminação, para copiar a iluminação do dia. Além do mais, carne pode ser iluminada na cor vermelha, peixe em azul, legumes em verde e pães em uma cor amarelada. A temperatura é mantida em torno de 19 graus, pois estudos mostram que o consumidor permanece mais tempo em lojas refrigeradas.
  6. Manipulações em vendas online – as informações da quantidade disponível para um determinado produto, um reloginho informando até quando a compra pode ser feita, ou até um desconto que aparece na tela assim que o cliente fica na página sem fazer nenhuma compra, esses e muitos outros tipos de manipulação, além das ofertas que casam com nossas buscas ou até com aquilo sobre o que conversamos nos últimos dias… As manipulações online são as mais refinadas, na minha opinião.

Complete abaixo nos comentários outras estratégias manipulativas que você conhece, que impulsionam o consumismo. As acima, em grande parte, eu tirei daqui da página do meu banco, artigo de 17 de setembro deste ano (Von Düften bis Hintergrundmusik).

::De grão em grão…::

24/08/2019

Quando eu era jovem andava pelas ruas de Beagá, naquela época já bem sujas, e guardava meu lixo na minha mochila. Sempre me perguntavam por que eu fazia isso se estava tudo tão sujo. Eu sempre dizia que se todo mundo guardasse seu lixo, a cidade seria mais limpa.

Ontem fui perguntada no mural do Mineirinha no Facebook sobre o que faço pra contribuir com a preservação do meio ambiente. Listei minha resposta, que vai por exemplo desde levar minha sacola e saquinhos para comprar legumes e frutas pro supermercado, andar de transporte público todo dia para ir ao trabalho e refletir constantemente sobre o que posso fazer a mais. Seguindo o ditado „De grão em grão a galinha enche o papo.“ Qual é a sua contribuição pessoal para a preservação do meio ambiente?

::Lembre-se – Joy Harjo::

15/08/2019

Lembre-se do céu sob o qual você nasceu,

saiba as estórias de cada estrela.

Lembre-se da lua, saiba quem ela é.

Lembre-se do nascimento do sol no amanhecer, aquele é o momento mais importante do dia. Lembre-se do entardecer e da despedida de hoje à noite.

Lembre-se do seu nascimento, de como sua mãe se esforçou para lhe dar forma e vida. Você é a evidência da vida dela, e da mãe dela, e da mãe da mãe dela.

Lembre-se do seu pai. Ele também é sua vida.

Lembre-se da terra da qual você vem: terra vermelha, terra preta, terra amarela, terra branca, terra marrom, nós todos somos terra.

Lembre-se das plantas, das árvores, da vida animal que tem suas tribos, suas famílias, suas histórias também. Fale com eles, ouça-os. Eles são poemas vivos.

Lembre-se do vento. Lembre-se da voz dele. Ele sabe a origem do universo.

Lembre-se que você é todas as pessoas e todas as pessoas são você.

Lembre-se que você é esse universo e esse universo é você.

Lembre-se que tudo está em movimento, está crescendo, é você.

Lembre-se que a linguagem se origina daí.

Lembre-se da dança que a linguagem é, que a vida é.

Lembre-se.

Tradução: Sandra Santos

::Mundo Pequeno::

14/08/2019

Uma brasileira esquece seu iPhone em algum canto da Índia. Ela entra em contato com o hotel, mas ele diz não poder enviar equipamento eletrônico pra fora do país pelos Correios e que vai guardá-lo pra quando alguém for lá buscá-lo.

Uma amiga minha, amiga dessa pessoa, vai à Índia, mas não exatamente nessa cidade. O celular é enviado pelos Correios e chega às mãos da minha amiga.

Ela o traz pra Alemanha, dá pra uma outra amiga brasileira, que está de partida para o Brasil, para ela levar o celular até São Paulo.

Pouco antes de sua partida, nos encontramos, nós três. Elas me pedem pra procurar pelo perfil no Facebook da dona do celular pra minha amiga ver uma foto dela. Com isso descubro que a dona do celular e eu temos um amigo em comum! Alguns dias mais tarde, já de celular em mãos, a dona do iPhone comenta com a minha amiga que o amigo em comum é alguém próximo, que ela vê com bastante frequência, e que o conhece há mais de 10 anos. Por acaso ele dormiu na minha casa há uns anos atrás, quando visitou a Alemanha.

O mundo é mesmo pequeno! Dizem que se olharmos bem quem conhecemos, descobriremos que somos na realidade uma aldeia global. Sendo assim, deveríamos receber estranhos sempre pensando que eles, com certeza, conhecem alguém que nós conhecemos.

::Tropeços de Memória::

13/08/2019

Quem anda pela Alemanha e pela Europa e presta um pouco de atenção, acha por todo lado tropeços de memória com os acima.

As histórias são bem tristes, porque mostram onde judeus moraram antes de terem sido deportados para os campos de concentração ou terem sido mortos de outras maneiras, ou levados à morte como um suicídio forçado. A iniciativa dos tropeços de memória (Stolpersteine) é muito importante para lembrar as pessoas dos horrores da Segunda Guerra e do Nazismo. As duas mulheres acima eram mãe e filha. A mãe ficou grávida antes do casamento, a filha foi tirada dela, ela foi internada num hospício e depois morta. A filha foi entregue a um orfanato, apesar de uma tia ter tentado muito adotá-la, e também foi morta. Esses tropeços de memória devem lembrar a morte dessas mulheres judias e também o direito humano da maternidade.

Os tropeços de memória existem ao todo em 23 países europeus além da Alemanha e são uma iniciativa do artista alemão nascido em Berlim chamado Gunter Demnig.

::E-Bike com salsicha::

11/08/2019

No ano passado experimentei meu primeiro passeio com uma bicicleta elétrica alugada, feito junto da minha família e por ocasião da visita da Raquel (www.canalbackpackingalone.com), que aliás já está me devendo outra visita em breve!

Em seguida, meu marido comprou uma bicicleta elétrica, que ele usa para ir ao trabalho e com a qual já andou mais de mil quilômetros, meu filho usa sua bicicleta normal para ir para a escola, faça chuva, neve ou faça sol, e eu continuava não motorizada, aguardando uma boa oferta ou oportunidade de comprar a minha tão sonhada bicicleta elétrica.

Quando a oportunidade apareceu, eu pensava que era só ir numa loja, dizer o que queria, experimentar dois, três modelos e sair dali guiando minha bicicleta pra casa. Ledo engano! Eu sou baixinha, não há muitos modelos no meu tamanho, há muitos detalhes a serem considerados e acabei saindo da primeira loja sem bicicleta, um tanto quanto frustrada.

Nova tentativa, várias bicicletas testadas, uma bicicleta na oferta e finalmente encontrei minha nova companheira de aventuras! Ela me pôs muito mais em contato com a natureza, me deu mais liberdade, diminuiu as distâncias e fez com que o ir e vir ficasse ainda mais gostoso! Recomendo! Foi definitivamente a melhor compra deste ano!Em alguns meses, já andei mais de 250 km com ela, apesar de que já tenha colecionado dois acidentes, que já deram à minha bicicleta um aspecto de bicicleta usada e com algumas boas marcas de uso. Antes ela do que eu!

No primeiro acidente, um ciclista profissional em alta velocidade me cortou numa curva. Se meu marido não tivesse me avisado, eu teria sido atingida em cheio! Dei um freada de forma um tanto quanto brusca e caí pro lado. A bateria, que não estava colocada de forma correta no seu suporte, se soltou da bicicleta e fez um voo próprio. Voltou ao seu lugar cheia de pequenas e médias marcas. Eu saí ilesa, como que por milagre. Antes ela do que eu!

No dia do segundo acidente, chovia o tempo todo. Quando parou de chover, tivemos a ideia de ir visitar minha cunhada. Numa rampa só de ciclistas, fui desafiada pelo meu filho pela pergunta de „quem chega lá no alto primeiro”, coloquei uma marcha muito leve e aumentei a potência elétrica da bicicleta, e acabei dando uma boa escorregada na curva. Quebrei o suporte da iluminação fronteira da bicicleta, estraguei um pouco um dos pedais, girei o guidon e… esfolei ambos os joelhos, que incharam e ardiam aos montes. Chegando na minha cunhada, expliquei o que tinha acontecido e pedi gelo. Ela me disse que não tinha. Eu pedi então uma bolsinha de gel (Kühlpack), que toda mãe ou avó tem em seu refrigerador para pequenos acidentes domésticos. Ela me disse que não tinha nenhum. Eu pedi pra ela qualquer coisa gelada, pois precisava de tentar diminuir o inchaço dos dois joelhos. Eis que ela tirou do refrigerador uma salsicha típica alemã (Bratwurst), guardada dentro de uma bolsa de plástico. Foi com ela que eu prestei os Primeiros Socorros ao meu corpo, e devido à sua forma de sorriso, ela se acoplou perfeitamente ao meu joelho inchado… Depois de um tempo em uso, ela já estava pronta para ir para a panela. Bom, antes ela, do que eu!…

silhouette of person riding on commuter bike

Foto por Flo Maderebner em Pexels.com

 

::O valor de um CV e de uma carreira de peso::

11/08/2019

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Tinha mais de 10 anos que o meu coachee, um executivo sênior, não atualizava seu CV. Ele foi contactado por um headhunter e precisava de um CV bem estruturado e em inglês dentro de uma semana, para fazer uma entrevista por Skype. Trabalhamos juntos em tempo récorde, ele fez a entrevista e ganhou um convite para ir à Índia com sua família para participar de uma entrevista e conhecer a empresa – e, por que não, fazer férias com as passagens pagas pela empresa que o convidava.
Ele ficou tão satisfeito que me pagou o dobro do que cobrei. Eu fiquei super satisfeita com o resultado! Minha alegria é o sucesso de quem atendo!

::Odisséia Apollo::

09/08/2019

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Seguir meu instinto nem sempre é fácil quando se trata de viver na Alemanha…

Sou cliente da ótica Apollo tem mais de 20 anos e na realidade nunca tinha saído insatisfeita de lá. Há pouco tempo percebi que não estava mais vendo lá tão bem com meus óculos e decidi dar uma passada lá pra fazer um teste e mandar fazer óculos novos. Mal sabia eu que uma odisséia estava por começar…

Fui três vezes à ótica e voltei de lá com três resultados diferentes, também diferentes do grau dos óculos que uso no momento. A funcionária me perguntou se eu tinha dormido direito, se tomava remédio, se tinha diabetes… Me pediu pra ir ao oftalmologista.

Liguei pro médico e queriam me dar um horário pra daqui a alguns meses… Perguntei quando era o horário do atendimento de emergência: segunda, quarta e sexta de onze aom meio dia. Era uma segunda, umas 10h da manhã. Disse que não podia esperar tanto, tinha dores de cabeça e estava preocupada com tantos resultados diferentes, precisava de novos óculos. Iria naquela segunda mesmo. Ouvi umas tentativas da atendente de se livrar de mim. Repeti que iria estar lá às 11h. Cheguei no horário e fui atendida ao meio dia. De lá fui direto pra ótica, recebendo a confirmação de que agora poderia fazer os novos óculos. Ufa! Só que o computador deles não estava funcionando e deveria voltar outro dia.

Nesse meio tempo fui à minha médica e ela pediu um exame de sangue detalhado. O resultado saiu alguns dias depois: não tenho diabetes. Ainda assim não descobri por que os meus exames de vista estavam tão contraditórios… O oftalmologista tampouco detectou alguma doença nos meus olhos, além do fato de eu precisar de correção ótica.

Voltei outro dia na loja e fiz o pedido de três óculos, um bifocal, um pro trabalho, pra trabalhar no computador, e um de sol bifocal. Envelhecer não é balela!… Mais alguns dias se passaram, os óculos chegaram e fui lá buscá-los. De uma hora pra outra o valor do pedido mudou, e depois de argumentar um pouco, desisti de gastar meu tempo com uma conversa tão desagradável, paguei o valor do pedido e fui pra casa, insatisfeita.

A partir daí voltei lá mais algumas vezes porque os óculos escorregavam, mas o pior foram os óculos pra usar no trabalho, que me davam dor de cabeça e com os quais não conseguia ver além de um metro de distância. Queriam me fazer acreditar que o problema era meu, meu problema de visão tinha piorado e agora teria que ficar trocando de óculos o dia todo quando me levantasse da mesa do escritório… Tentei falar com funcionárias diferentes em horários diferentes, mas elas continuavam irredutíveis. Eu já usava óculos assim antes, que eram bem mais confortáveis, e a resposta que elas me davam não me convencia.

Na enésima vez que voltei na loja, pra mim a décima, decidi que ou fariam óculos novos, ou eu os iria devolver e iria mudar de ótica. Finalmente revi a pessoa que tinha me vendido os óculos. Por sorte, encontrei uma amiga, a Chris, que também me contou que o rapaz era o gerente daquela filial. Era a minha chance! Primeiro disse que era cliente há 20 anos e estava pensando em ir visitar o concorrente porque não estava satisfeita, e que os funcionários queriam me fazer acreditar que o problema era meu, sendo que eu estava ficando com dores de cabeça ao tentar usar os óculos do trabalho. Finalmente ele fez um novo teste de vista, ouviu minhas necessidades e disse que faria novas lentes, com as quais eu iria ver quatro metros ao meu redor. Depois eu reclamei do valor dos óculos, dizendo que acabei pagando um valor superior ao acordado. Ele me devolveu o dinheiro, em espécie. Depois reclamei dos óculos que continuavam escorregando. Ele mudou a borrachinha que apóia os óculos no nariz e desde então sou feliz dona de óculos que praticamente não escorregam mais.

A odisséia Apollo chegou ao fim! Quando quase já estava desistindo de resolver a situação, o reencontro com o gerente fez com que tudo chegasse a um resultado satisfatório. Dessa vez a Apollo não me satisfez 100%, porque não foi fácil receber o que pretendia…. Nem sempre o cliente tem razão, nem mesmo na Alemanha, mas seguir meu instinto foi o mais importante pra chegar ao fim desse impasse.


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