::Uma história de vida e de morte::

30/03/2020

Desde que entrei de quarentena, e já estou começando agora na minha quarta semana, algo que entrou na minha vida foi o uso constante de tecnologias para me conectar com pessoas, dentre elas o WhatsApp e o Zoom. Uso ambas na maioria das vezes com vídeo, e assim falo e vejo pessoas espalhadas por todo o mundo. Tenho que dizer que desde então estou tendo mais contatos, e com um número bem maior de pessoas do que antes. Nem quero imaginar como seria uma quarentena sem meios de comunicação como os atuais.

“Por acaso”, através de um convite em uma newsletter, me conectei com pessoas desconhecidas espalhadas por toda a Europa, que trocam entre si a solidão de estarem confinadas às suas quatro paredes, muitas delas realmente sozinhas. Alguma delas não vêem seres humanos durante 10 dias, até terem de ir ao supermercado para comprar alguns alimentos e voltar ao seu confinamento. Algumas delas só têm a permissão de fazer compras no máximo a 1.000 metros de suas casas e disseram se sentirem felizes ao ouvir que o supermercado da esquina estava fechado e que assim puderam ir a um supermercado maior e um pouco mais longe de suas casas. Esse tipo de limitação de só poder sair a 1 km da minha casa não existe aqui na Alemanha.

Neste grupo, temos encontros recorrentes por Zoom. No encontro de hoje, uma mulher contou que seu irmão esteve internado em um hospital por ter sido infectado com o coronavírus. Ele dividia seu quarto com um senhor de 80 anos que estava em situação muito pior do que a dele e que não conseguia passar uma noite sem a ajuda constante de enfermeiras, que tinham que visitá-lo a cada 1-2 horas.

Em algum momento, uma enfermeira disse que sua esposa tinha ligado para o hospital e mandado um recado para ele. O senhor de 80 anos pronunciou o nome de sua esposa e esta única palavra mudou por completo os sentimentos do irmão da minha nova conhecida. O nome da esposa transmitia todo o amor, todo o companheirismo e todas as experiências e anos vividos juntos, toda uma vida passada a dois. O companheiro de quarto passou a não ficar mais incomodado com o fato daquele senhor precisar de tantos cuidados, pois ele lhe tinha ensinado com uma única palavra muito mais do que ele podia imaginar. Ele era um professor universitário, que vivia viajando para muitos países, que não tinha tempo para parar e refletir muito sobre a vida, até que a doença o obrigou a parar.

Naquela noite, a enfermeira entrou no quarto e o avisou que o senhor de 80 anos talvez não fosse suportar as próximas horas. Deu-lhe um sedativo ou algum remédio paliativo e ambos dormiram. No outro dia, ele acordou e notou que o senhor não respirava mais. Ele tinha ido em paz. O irmão da minha nova conhecida, com 63 anos, recebeu alta em seguida e foi para casa, tendo aprendido qual era realmente o sentido da vida.  

::A morte de um empregada doméstica que deixou o Brasil em estado de alerta::

29/03/2020

As classes média e alta do Brasil estão trazendo o coronavírus junto de suas viagens (internacionais) – mas não querem abdicar da ajuda dos trabalhadores domésticos vindos das favelas. Com isso, a doença pode se alastrar rapidamente entre os mais pobres.

Por Marian Blasberg, correspondente alemã no Rio de Janeiro da revista Der Spiegel, vivendo no país desde 2014

28.03.2020, 21:41 horas

Durante 63 anos, a empregada doméstica Cleonice Gonçalves levou uma vida no Rio de Janeiro que não interessava a mais ninguém. Ela trabalhava em um apartamento chique no bairro de praia do Leblon, onde os preços dos terrenos são mais altos do que em qualquer outro lugar do Brasil.

Lá ela limpava os banheiros e as maçanetas das portas, cozinhava e passava roupas. Quatro dias por semana ela dormia num pequeno quarto de empregada no apartamento da sua patroa. Nos fins-de-semana, ia de carro para sua casa no subúrbio em Miguel Pereira, a duas horas de distância do Leblon, onde vivia com a família numa casa não rebocada, numa estrada de cascalho.

Cleonice, que ao longo de sua vida desapareceu numa massa sem rosto de mão-de-obra barata que se deslocava de suas favelas para a cidade em ônibus e trens lotados, só virou manchete de jornal no Brasil quando morreu na terça-feira da semana passada. A sua morte aterrorizou o país.

 A patroa de Cleonice, conforme foi noticiado nos jornais locais, tinha passado os dias de carnaval na Itália. No seu regresso, a senhora idosa tinha se submetido a um teste de coronavírus, mas não considerou necessário informar sua empregada sobre o fato e nem dispensar os seus serviços durante os dias em que esperava pelo resultado do teste.

As coisas continuaram como de costume até que Cleonice foi ao médico no último dia 13 de março, por sentir dores quando urinava. O médico receitou-lhe um antibiótico. Dois dias depois, ela teve dificuldade para respirar. Cleonice, que era diabética e sofria de pressão alta, foi a um hospital, mas também não encontrou lá ninguém que pudesse interpretar adequadamente o seu estado de saúde.

Cleonice Gonçalves, uma empregada doméstica, faleceu no dia 17 de março, dia em que a sua patroa recebeu o resultado positivo do seu teste. O fato de uma mulher como ela, entre todas as pessoas, ter sido provavelmente a primeira vítima do coronavírus no Rio de Janeiro, não foi apenas simbólico. É também um sinal de alarme.

Como em muitos outros países do hemisfério sul, o vírus foi disseminado no Brasil por uma classe alta e média rica, predominantemente branca, por pessoas que têm dinheiro para viajar. Não é coincidência que o Rio de Janeiro tenha relatado seus primeiros casos vindos dos ricos desfiladeiros urbanos do Leblon e de Ipanema.

Mas a grande preocupação é outra: o que acontecerá quando o vírus infectar pela primeira vez os lugares onde vivem todas aquelas pessoas que mantêm a vida na cidade, empregados domésticos como Cleonice, cozinheiros e babás, os porteiros que se sentam nas entradas das casas, os caixas dos supermercados, os garçons dos bares e restaurantes, todos os comerciantes informais e vendedores ambulantes que oferecem suas mercadorias nas calçadas?

O jornal diário “O Globo” resumiu esse medo há alguns dias em uma enorme foto de efeito, que basicamente não precisava de explicações adicionais. Mostrava um trecho da favela da Rocinha, um emaranhado sem limites de casas e cômodos interligados. Um lugar onde dezenas de milhares de pessoas vivem juntas num espaço muito pequeno.

Esta imagem não só pareceu uma mensagem apocalíptica de um futuro próximo, como também poderia ser interpretada como um pedido de ajuda na direção de um presidente que teimosamente descartou o vírus como uma “gripezinha”. O Brasil não pode ser comparado à Itália, disse Jair Bolsonaro no início desta semana. A Itália tem 200 habitantes predominantemente idosos por cada quilômetro quadrado, enquanto que o Brasil conta com 24 pessoas predominantemente jovens vivendo em cada quilômetro quadrado. É um disparate estatístico que deixa um número crescente de brasileiros balançando a cabeça, não concordando com a argumentação do presidente.

Segundo números oficiais, num lugar como a Rocinha, há quase 50 mil pessoas por quilômetro quadrado. No Complexo da Maré existem 31 mil, no Complexo do Alemão 23 mil. 1,7 milhões de pessoas vivem nas quase mil favelas do Rio de Janeiro, e as condições que existem por lá são, muitas vezes, extremamente precárias.

O Estado retirou-se de muitos desses assentamentos, que agora são controlados por milícias ou gangues de drogas. Em muitas esquinas, o lixo não recolhido está se acumulando. O esgoto flui pelos becos sob o céu aberto. Em casas onde seis ou sete pessoas partilham um quarto, o isolamento social é uma ilusão.

Nestes dias em que o Rio de Janeiro está apenas hesitantemente parando, o vírus está se alastrando nestes lugares de maneira quase desapercebida. Quatro favelas já relataram casos confirmados de corona e dezenas de casos suspeitos. Esta é uma das razões pelas quais o ministro da Saúde de Bolsonaro, Luis Henrique Mandetta, assume agora que o sistema de saúde provavelmente entrará em colapso até o final de abril.

“Se nada for feito, um tsunami vai atingir os hospitais públicos!” Isso é o que afirma o jovem Raul Santiago em uma conversa ao telefone, com uma voz bastante excitada. Raul vive com sua esposa e quatro filhos em um barraco no Complexo do Alemão. O problema, ele acredita, é a desigualdade social no Brasil. Como um homem pobre, ele pertence ao grupo de risco.

Raul Santiago questiona: “O que será dos mais necessitados que não têm poupanças e que não estão cobertos por uma rede de segurança social? É só observar o que aconteceu com a água”, diz Raul. Na verdade, este ano parece uma maldição. Em janeiro, uma sopa marrom e malcheirosa saiu da torneira em todas as partes da capital carioca, apenas porque ninguém havia notado que algas haviam contaminado a estação municipal de tratamento de esgoto. Depois, em fevereiro, choveu tanto que em algumas favelas as casas escorregaram das encostas e enterraram seus habitantes. Agora, a água da torneira está razoavelmente limpa novamente, diz Raul, mas vários dias por semana, por alguma razão, não sai água da torneira, por isso eles não podem sequer seguir a regra simples de higiene de lavar as mãos frequentemente.

O álcool gel, que faz parte do cotidiano de muitos brasileiros desde a gripe suína em 2009, agora está sendo tão difícil de encontrar que uma pequena garrafa custa uma fortuna. “Aqui em cima no nosso morro: três euros, às vezes quatro ou cinco (entre 15-25 reais)”, diz Raul.

Raul Santiago fundou um coletivo de ativistas com alguns amigos há alguns anos atrás, chamado Papo Reto, para falar sem rodeios. Ele normalmente fala em eventos sobre temas como violência ou racismo. Hoje ele tem cartazes impressos, que penduram em lugares estratégicos da favela, nas entradas ou nos lugares onde estão estacionados os mototáxis e micro-ônibus, que ainda levam muita gente para trabalhar da favela para a cidade. Entre outras coisas, eles apontam que aqueles que têm água devem recolhê-la em baldes e compartilhá-la com os seus vizinhos.

Várias vezes ao dia, o povo da comunidade de Raul corre pelos becos em um carro com alto-falante, informando as pessoas que os moradores devem evitar grandes reuniões e arejar bem suas casas. Ele diz que eles próprios estão tomando providências porque o governo está fazendo muito pouco.

Ninguém sabe exatamente quantos brasileiros trabalham em condições precárias ou quantos estão sendo demitidos hoje em dia. A questão é: Quem está cuidando dessas pessoas? O que vai acontecer com os mais necessitados, que não têm poupanças e que não estão cobertos por uma rede de segurança social? O que é que eles vão comer?

Para evitar uma emergência humanitária, a associação nacional de favelas “CUFA” publicou há alguns dias um catálogo de 14 solicitações. Dentre outras coisas, sugere-se que os habitantes das favelas recebam sabão gratuito durante toda a crise. Também que a internet seja gratuita para que as pessoas possam se informar. Citam a necessidade de apoio aos proprietários de pequenas lojas, e afirma que aqueles que são mais duramente atingidos deveriam receber regularmente pacotes de alimentos básicos.

Há alguns dias atrás, Paulo Guedes, o ministro neoliberal da economia de Bolsonaro, havia dito que os mais pobres poderiam receber 200 reais por mês, 40 euros, mas depois disso ninguém voltou a ouvir nada mais sobre essa proposta. Na sexta-feira, foi o Congresso que aumentou o montante para o equivalente a 100 euros. Enquanto isso, o próprio Bolsonaro parece se incomodar com outros assuntos. Como o pânico em seus olhos só leva a uma queda desnecessária no crescimento econômico, ele agora exige que os governadores reabram as lojas nos estados brasileiros. O trânsito deve fluir novamente, e as escolas também devem voltar ao funcionamento normal, porque crianças e jovens não pertencem ao grupo de risco, segundo ele.

Um homem como o famoso infectologista Edimilson Migowski tem dificuldade em manter a calma diante de tais afirmações. O vírus, diz ele, está se espalhando mais rápido do que muitos especialistas pensavam. O governo tem que agir agora, ou será tarde demais.

É importante focar na população mais desfavorecida. Por causa das condições de vida, diz ele, um número desproporcional de pessoas sofre de condições de saúde pré-existentes. A falta de higiene e quartos escuros ou mal ventilados significam que a proporção de pessoas que sofrem de tuberculose ou asma é cinco vezes maior nas favelas do que nos bairros mais prósperos. Há muitos diabéticos devido à má nutrição.

“Se você quer proteger essas pessoas”, diz Migowski, “então você tem que tentar isolá-las de alguma forma, mesmo que elas estejam em hotéis vazios”. Para evitar que o vírus se propague, é preciso testá-los o mais cedo possível, não só os casos graves, mas também os leves, pois não são menos contagiosos”. No fim de semana foi anunciado que a cidade está agora alugando hotéis para isolar os idosos das favelas.

O problema é que o Brasil ainda tem muito poucos testes. Os hospitais não têm máscaras e luvas. No Rio, bilhões de cortes no sistema público de saúde fizeram com que os hospitais da cidade perdessem 1.051 leitos de terapia intensiva somente nos últimos dois anos. A força de trabalho de centenas de clínicas que oferecem tratamento inicial gratuito foi reduzida durante a crise econômica desde 2014 ao ponto de atingir agora apenas a metade da população. Em alguns desses hospitais, os trabalhadores sem a qualificação necessária estão mantendo as operações porque inúmeros médicos pediram demissão depois de que seus salários não foram pagos durante vários meses.

Estes são os lugares que pessoas como Cleonice Gonçalves visita quando estão doentes. Eles já estavam trabalhando demais antes mesmo do coronavírus aparecer.

Hoje, as barracas estão sendo erguidas às pressas em frente de muitos destes postos de saúde para separar casos de coronavírus dos outros pacientes. Em vários lugares da cidade, soldados estão montando hospitais de campanha, mas Raul Santiago, o ativista do Complexo do Alemão, ainda está se preparando para o pior. “Na melhor das hipóteses, teremos cenas como aquelas na Itália”, diz ele.

Na noite seguinte à entrevista, um toque de recolher noturno entra em vigor em algumas favelas da cidade. Em alto-falantes e no WhatsApp, as gangues da droga anunciam: “Só queremos o melhor para o nosso povo. Se o governo não puder fornecer segurança, o crime organizado o fará”.

Fonte: artigo da revista alemã Der Spiegel de 28/03/20.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor – www.DeepL.com/Translator, adaptação e correção do texto por Sandra Santos, 29/03/20, 17:00 horas

P.S.- Uma nota de agradecimento à minha irmã Renata pela sugestão do uso do tradutor DeepL! Ainda não é perfeito, mas é muito bom e ajudou bastante na tradução inicial.

::Crise de positivismo::

28/03/2020

Vamos espalhar

Bondade

Cuidado com o próximo

Solidariedade

Vamos cuidar

Com a mente

Com o pensamento

Com o coração

Vamos doar

Nosso tempo aos mais velhos

Dinheiro para necessitados

A compaixão de nos colocar

No lugar do outro

Vamos provocar

Uma revolução de coisas boas

Vamos sonhar

Um novo mundo

Sandra Santos, 28/03/20

Positivity Crisis

Let us spread

Kindness

Attention with others

Solidarity

Let us take care (of others)

With our mind

With our thoughts

With our heart

Let us give

Our time for elderly people

Money for those who need it

The compassion of putting ourselves

In someone else’s shoes

Let us

Provoke a revolution of good actions

Let us

Dream a new world

::Os efeitos do corona::

27/03/2020

Esse bichinho, o corona, já está virando nosso velho conhecido. Levantamos de manhã e ele ocupa nosso pensamento. Durante o dia, enquanto trabalhamos, damos uma paradinha ou outra pra checarmos como ele anda indo no mundo. À noite aqui em casa nos reunimos para ver o jornal e acompanharmos o que ele anda aprontando por aí. Já fiquei sabendo de gente que sonhou com ele. Com certeza muita gente teve também pesadelo por causa dele. Não deve ser nada fácil viver numa parte do mundo onde ele anda atuando feio. As únicas pausas são os memes, as brincadeiras e a vontade de rir, mesmo em situações difíceis, porque rir é sempre o melhor remédio.

Chegando ao fim da minha terceira semana de quarentena, em parte voluntária, comentamos aqui em casa que está sendo um pouco difícil ter noção dos dias da semana ou de manter uma rotina de horários. Pessoalmente, não tenho dormido bem, mas pelo menos um tremor interno que não queria me deixar foi passear em outro canto e deixou nosso apê, felizmente.

Tirando essas coisinhas e coisonas, aquelas listas enormes de mortes, curvas, análises sem fim, fiz uma lista esta semana de tudo o que a quarentena por causa do vírus fez comigo e o que tem acontecido nas últimas semanas pra mim e para a sociedade como um todo. Fiquei surpresa! Pelo menos no meu caso, a lista de coisas BOAS é pelo menos duas vezes maior do que a de coisas ruins. Minha amiga Alessandra confirmou o meu sentimento. Portanto pergunto: você já parou para pensar em como a crise atual tem lhe influenciado e em que aspectos você introduziu mudanças que lhe fizeram bem? Vale a pena listar! Você pode se surpreender com o resultado.

Para todos nós que moramos do outro lado do mundo como expatriados, temos que conviver agora com um fato que não temos e na realidade nunca tivemos como influenciar. Além de termos medo de perder familiares e amigos, sabemos que se isso acontecer, provavelmente não poderemos participar da despedida. Nos resta agora ter fé, focar em projetos positivos e ocupar nossa mente com coisas que esquentam nosso coração e nossa alma. Não podemos nos paralisar, porque o AGORA é precioso demais, vivemos como humanidade os mesmos perigos para enfrentar. Temos que tomar conta da nossa saúde física, mas também temos que alimentar nossa alma, nosso espírito: mens sana in corpore sano. Ninguém sabe o dia de amanhã e muito menos como será o mundo depois da pandemia. O momento é de perda e de dor, mas mesmo assim tenho um bom pressentimento quanto ao futuro depois da pandemia… você também? Ontem e hoje tivemos dicas importantes de dois dos líderes que nos ajudam a navegar na tempestade dos dias atuais:

“A única maneira de vencer esse perigo é agindo como uma humanidade.

Nós somos um. Uma só raça humana.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus, WHO Director Geral

“Estamos todos no mesmo barco. Só avançaremos juntos.“

Papa Francisco, Missa Urbi et Orbit de hoje perante a Praça de São Pedro completamente vazia

Através de um artigo da Harvard Business Review, além de algumas observações minhas, sugiro pontos e perguntas a considerar durante a crise, quando estamos sendo convidados a deixar a corrida louca do dia a dia temos tempo para pensar em nós e de refletir sobre nossas vidas:

– Aprendizado: o que posso aprender com a crise?

– Jogo: a frustração faz parte do jogo. Ao invés de nos destruir por algo que não deu certo hoje, percebemos que podemos ter perdido hoje, mas podemos voltar a ganhar amanhã.

– Gratidão: devemos agradecer por tudo ao nosso redor, as pequenas e grandes coisas que fazem com que a vida valha a pena.

– Não temos controle de tudo: mesmo que tenhamos cultivado a ilusão de que podíamos controlar nossas vidas, a crise nos mostra que, em grande parte, estamos sujeitos àquilo que acontece conosco. Sucessos e insucessos nem sempre estão em nossas mãos, portanto nunca devemos desistir de tentar mais uma vez.

– Foco: precisamos saber discernir o que é realmente importante em nossas vidas, e o que pode ser deixado de lado. O que eu sempre queria começar, o que me deixaria orgulhosa de mim mesma se eu conseguisse terminar?

– Fé: independentemente de que religião fazemos parte ou mesmo que não tenhamos uma religião, percebemos que somos uma humanidade e temos que estender nossas mãos e nossos corações para orar e contribuir com todo e qualquer pensamento e meditação para a superação da crise.

– Relacionamentos: de quem sinto falta, principalmente neste momento de reclusão? Como posso cuidar de mim e mostrar ser meu bom amigo? A quem posso oferecer uma palavra de conforto ou mostrar que a pessoa me é cara e que eu me importo com ela? Não posso abraçar com as mãos, mas posso abraçar com o coração.

– Solidariedade: o que posso fazer pelo meu semelhante? Se não posso contribuir com minha mão de obra, posso contribuir para algum projeto social que diminua a dor de outros menos afortunados?

– Missão: por que estou neste mundo? Qual era meu propósito de vida? Por que vim a este mundo e o que quero ter feito antes de deixa-lo?

Sejamos resilientes no nosso caminho! Podemos ver obstáculos como sinais de que estamos no caminho certo e podemos ajudar nosso semelhante com pequenas e grandes dificuldades que ora se apresentam em tempos de tantas incertezas. Sejamos luz! Enquanto a minha luz brilha, ilumino à minha volta e com isso outras luzes hão de brilhar também.

Fonte: artigo da HBR de 27/03/20.

::Como ser um bom líder em tempo de crise – uma reflexão sobre liderança::

25/03/2020

Segundo um artigo da empresa de consultoria Korn Ferry, um líder em tempo de crise deve ser:

– calmo

– confidente/positivo

– corajoso

– empático

– resiliente

Para tanto, ele deve:

– expressar uma visão

– saber se comunicar de forma clara

– agir quando necessário

– buscar clareza

– manter o foco na simplicidade e nos objetivos principais

De todos os líderes que andam tentando lidar com a crise por aí, há poucos políticos que conseguem atender esses requisitos, dentre eles, aqui na Alemanha, a Angela Merkel e o ministro da Baviera Markus Soeder. Na minha opinião, no momento, os melhores líderes têm sido aqueles que sabem do que estão falando: virólogos, epidemiólogos, médicos, etc., como p.ex. o chefe do Instituto independete Robert Koch (RKI), Prof. Dr. Lothar H. Wieler ou o chefe da virologia do hospital Berliner Charité, Prof. Dr. Christian Drosten. Acreditemos na ciência!

Fonte: artigo da consultoria Korn Ferry.

::Reações dos governos brasileiro e alemão quanto à crise do coronavírus::

23/03/2020

Cada país está apresentando suas medidas com relação à crise do coronavírus, o que é natural devido à natureza disruptiva do que está acontecendo. Enquanto muitos se mostram preocupados com suas economias, a reação com relação ao ser humano por trás de cada empresa, de cada atividade produtiva, está acontecendo de forma bem diferente.

No Brasil, prevê-se que o produtor/empresário será apoiado por medidas do BNDS. Por outro lado, foi dada a entrada hoje de uma MP* (medida provisória) que permitirá ao empresário suspender o contrato e o salário do empregado durante quatro meses. Oi??? Eu me pergunto: e ele vai viver de que durante esse tempo, dentro de casa, e como ele vai colocar a economia para funcionar sem dinheiro??? Não consegui entender como uma economia vai poder ser reativada se o empregado não vai ter renda durante quatro meses… Será que uma MP dessas tem mesmo chance de ser aprovada ou eu entendi algo errado???

Aqui na Alemanha a ajuda veio, graças à social-democracia, de forma holística, não deixando praticamente ninguém de fora. O governo está injetando muitos bilhões de euros na economia e a princípio não se importa com o déficit interno que as medidas irão causar, pois o objetivo maior é colocar ordem no caos. Alguns exemplos:

– O empregado que tem que conviver com menos demanda no trabalho, ou não pode trabalhar no momento, recebe de 60-67% do salário através de um pacote dividido entre o empregador e o governo (Kurzarbeit).

– Pessoas com crianças de até 12 anos que não podem trabalhar por terem que tomar conta do filho, receberão 67% do salário ou até 2.016 EUR por 6 semanas, ao invés de terem que continuar compensando suas faltas com férias;

– Empresas de mais de 250 funcionários, como p.ex. a Lufthansa que só está podendo atuar com 5% de sua capacidade no momento, receberão grandes pacotes de financiamento, auxílio de capital de giro e algumas delas se tornarão a partir de então um misto de empresa privada e pública;

– Empresas de até 5 funcionários receberão um auxílio de 9.000 EUR e acima de até 10 funcionários receberão 15 mil EUR para poderem pagar o aluguel e custos fixos durante três meses;

– Autônomos e micro-empresários poderão pedir ajuda social ao governo (Hartz IV, Kinderzuschlag).

Em uma pesquisa feita pela revista Der Spiegel, a maioria dos leitores consideram que o governo está agindo bem e tomando as medidas certas na crise estrutural que ora se apresenta. Em parte, os auxílios que descrevi acima são empréstimos, mas o certo é que o governo não está economizando medidas, mesmo que isso torne o futuro mais difícil, para que o cidadão, independentemente de sua condição pessoal, não se sinta esquecido num momento tão difícil como o atual.

Mal as medidas foram anunciadas, recebi um telefonema da assistente da minha dentista: ela queria marcar novos horários comigo para julho (!), pois fechará o consultório até o final de junho. Pelo menos agora as pessoas podem continuar a quarentena com menos medo do que lhes espera no futuro!

P.S.-Em menos de 24 horas esta parte da MP foi cancelada, segundo minha amiga advogada Alice me contou. Obrigada, Alice! Bom, mas só desta MP ter sido colocada no papel com esta parte e o fato dela ter sido levada a público já dá uma noção boa da amplitude do perigo que corre pelas terras brasilis. Esse perigo não é só invisível como no caso do vírus, ele é visível e tem um nome: Jair Messias Bolsonaro, além daqueles que este senhor representa.

Fonte: artigo do jornal Der Spiegel de 23/03/20.

::Pandemia::

19/03/2020

Como seria se você pensasse nisso

Como os judeus enxergam o sábado—

A época mais sagrada de todos os tempos?

Pare de viajar

Pare de comprar e vender

Desista, só no momento,

De tentar fazer do mundo

Algo diferente do que ele é

Cante. Ore. Toque só naqueles

com quem você divide a sua vida

Entre em foco

E quando o seu corpo

Tiver ficado calmo

Toque com o seu coração

Saiba que estamos conectados

De maneiras que são assustadoras

E lindas

(Você teria dificuldade de negar isso agora)

Saiba que as nossas vidas

Estão no momento nas nossas mãos

(Certamente, isso ficou claro)

Não toque com as mãos

Toque com suas palavras

Toque como todas as garrinhas de compaixão

Das plantas que

Se movem, invisivelmente,

Onde não podemos tocar

Prometa a este mundo o seu amor—

Na alegria e na tristeza

Na doença e na saúde

Até que a morte nos separe

Autoria: Lynn Ungar 11/03/20

Tradução: Sandra Santos em 19/03/20

::Angela Merkel vê a crise do coronavírus como o maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial::

19/03/2020

Ontem a Angela Merkel falou na tevê durante 25 minutos procurando convencer os alemães a ficarem em casa e a manterem distância de outras pessoas ao sair de casa. Este foi o seu primeiro discurso ligado a uma crise durante seus 14 anos de governo, e somente pensando nisso já dá pra imaginar que a situação aqui é seria mesmo. O objetivo dela era de que todos sigam as recomendações dos especialistas, pensando em seus entes queridos e em pessoas doentes e idosas, e afirmou que se as medidas já adotadas não surtirem efeito, outras inevitavelmente virão (e daí ficaríamos mesmo confinados às nossas casas).

Desde ontem, 18/03/20, todas as lojas exceto supermercados e farmácias, além de alguns restaurantes e algumas filiais de bancos estão fechadas. Além destas, serviços de entrega, drogarias, bancos, posto de gasolina, comércio por atacado, lojas de bebidas, “Sanitätshäuser”*, Correios, cabeleireiro, lavanderia, venda de jornais, loja de construção, loja de jardinagem e lojas de produtos pra animais. Podemos por exemplo fazer compras pela internet e elas são entregues em casa. Já fiz algumas e, apesar de terem anunciado que as entregas iriam se atrasar, a maioria chegou aqui em casa dentro de 1-2 dias. Os Correios também continuam funcionando, mas fazem entregas sem contato físico e os carteiros passarão a assinar a entrega mesmo de encomendas registradas para evitar o contato. Todas as atividades de lazer estão fechadas: museus, teatros, bibliotecas, saunas, piscinas, etc. Todas as escolas estão fechadas, as crianças estão estudando sozinhas em casa, recebendo material dos professores por e-mail. Os parquinhos estão fechados, as crianças deveriam ficar a maior parte do tempo em casa, mas um passeio na natureza continua recomendado, desde que se respeite a distância social. Todas as pessoas que podem, estão trabalhando em Home Office. Aqui em casa, eu e meu marido trabalhamos de casa, enquanto meu filho de 14 anos fez um plano próprio com horários para estudar, pausas, e até para praticar ginástica em casa. Esta já é a segunda semana que estamos em casa, pois já tínhamos começado com nossa reclusão voluntária por conta própria na semana passada, depois que fiquei doente e a ficha caiu.

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::O Brasil e a Crise do Coronavírus – Por que o Presidente Bolsonaro é o Problema::

17/03/2020

Tradução do texto do jornal “Der Tagesspiegel” feita por mim, Sandra Santos

Bolsonaro, presidente de direita, ignora os perigos do coronavírus – por causa disso pode ser que o país se torne o próximo centro da pandemia

Pode ser que a pandemia do coronavírus se torne incontrolável no Brasil. O país pode ficar em uma situação caótica. Há uma razão simples para que isso aconteça: o presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, o chefe de governo de extrema direita do maior país da América Latina anda dando respostas confusas e contraditórias sobre como o governo pretende lidar com a expansão do novo coronavírus.

No último domingo à noite ele contradisse até seu ministro da saúde, Henrique Mandetta, que avisou às pessoas que deveriam evitar aglomerações.

O presidente disse ao canal “CNN Brasil“ que não está correto cancelar os jogos dos campeonatos de futebol no Brasil. Isso ajudaria a criar histeria. A CBF deveria mesmo continuar as vendas de ingressos. “Os cancelamentos não vão parar o vírus“, disse Bolsonaro. „A economia não pode parar“.

Disseminação de teorias da conspiração

Na mesma entrevista o Bolsonaro disseminou teorias de conspiração. Ele comentou que provavelmente alguém “tem interesse econômico nisso daí“. Já em 2009 houve outra epidemia – ele se referia à gripe aviária – mas naquela época não houve nenhum alvoroço por causa dela.

Segundo Bolsonaro, isso provavelmente aconteceu porque naquela época o Partido dos Trabalhadores estava no poder no Brasil, assim como os Democratas nos EUA. Assim ele acabou parafraseando os comentários de Trump que tinham sido feitos alguns dias antes através do canal “Fox News”.

O número de infectados pode crescer muito rápido no Brasil

No momento, mais de 200 pessoas estão infectadas com o Covid-19 no Brasil. Há temores de que o número de infectados possa crescer de forma muito rápida, principalmente, quando o vírus atingir as favelas com muitos moradores vivendo juntos em pouco espaço. Até o momento não há nenhum pacote de medidas coerente da política e dos órgãos responsáveis.

Uma grande multidão de brasileiros e turistas se encontraram no último final de semana em bares, restaurantes e discotecas em várias partes do país. As atrações turísticas, como por exemplo o Pão de Açucar e a estátua do Cristo continuavam com boa frequência de visitação.

Apesar de que alguns estados do país já tenham começado a fechar escolas, museus, bibliotecas e centros culturais, tais como São Paulo e Rio de Janeiro, esta política não vale para todo o restante do país. Além disso, algumas escolas ainda estão abertas para que as crianças mais pobres possam ter acesso, como de costume, a um almoço.

Aperto de mãos: nenhum problema para Donald Trump e Jair Bolsonaro

Em suma, falta liderança política no Brasil com relação à atual crise – apesar de não faltarem especialistas da área da saúde que sugiram que as pessoas fiquem em casa e que diminuam seus contatos sociais. O problema é o presidente Bolsonaro, que não tem capacidade de lidar com os desafios atuais e com a crise, e que de forma semelhante ao presidente dos Estados Unidos Trump, também parece entendê-la como um ataque pessoal a ele mesmo.

Isso ficou especialmente visível no último domingo, quando ele apertou as mãos de muitos dos seus fãs de frente para o palácio presidencial, o que aconteceu algumas horas antes de sua entrevista à CNN e mostrou que ele ignorava por completo todas as regras sugeridas pela Organização Mundial da Saúde.

Para entender a gravidade de seu ato é necessário mencionar que o próprio Bolsonaro pode estar infectado com o novo coronavírus. Seis pessoas com quem ele teve contato testaram positivo para a doença. Dentre eles: seu secretário da comunicação, a advogada dele, o embaixador brasileiro nos EUA, o prefeito de Miami e um senador brasileiro.

Bolsonaro não se interessa para o fato de que ele mesmo pode ser um perigo para outras pessoas

Todas as pessoas citadas acima estavam presentes, quando Bolsonaro se encontrou com Donald Trump no último domingo em seu resort de golf Mar-a-Lago e jantou com ele. É verdade que o primeiro teste do presidente de 64 anos de idade foi negativo. Ainda assim a Organização Mundial da Saúde prescreve em seu protocolo que a pessoa que tiver tido contato com doentes deveria se retirar em quarentena durante 14 dias para evitar que outras pessoas sejam infectadas.

Mas ele não se importa para o fato de que ele mesmo possa ser um perigo para outras pessoas. Ele se importa ainda menos se os cidadãos estão se infectando entre si com o coronavírus. O fato de que seus seguidores também estão cegos, pôde ser observado durante uma manifestação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é apoiador do atual governo.

Ronaldo Caiado é médico e pediu que os manifestantes fossem para casa. Em seguida, ele foi vaiado. Em uma faixa de um dos fãs do Bolsonaro podia-se ler: “O Covid-19 pode vir. Nós estamos determinados a morrer pelo nosso líder”. O próprio Bolsonaro compartilhou no Twitter fotos e vídeos das manifestações com grande frequência.

O pânico está tomando conta

Sendo que na semana passada, ele mesmo tinha pedido aos seus seguidores para adiar as manifestações. No meio da confusão um líder de uma das grandes igrejas evangélicas do Brasil disse que o vírus não era perigoso. O bispo Macedo diz em um vídeo que o vírus é  “produto da mídia e do capeta”. Os evangélicos estão entre os maiores apoiadores do Bolsonaro.

Fica cada vez mais claro que Bolsonaro é um populista irresponsável que “não leva em conta o bem-estar público, mas sim a sua própria vantagem política”. Esta foi a afirmação do segundo maior jornal brasileiro, “O Globo”, que apoiou o presidente durante muito tempo por razões econômicas.

Fonte: artigo Brasilien und die Coronakrise: Warum Präsident Bolsonaro das Problem ist do jornal alemão Der Tagesspiegel de 16.03.20, 17:15 horas. Autor: Philipp Lichterbeck, que vive desde 2012 no Rio de Janeiro.

P.S.-Ainda não consigo entender por que pessoas com sintomas vindas do exterior devem ficar só uma semana de quarentena em casa, se o período de incubação é de 14 dias?!? Estou muito, muito preocupada! 

Informação oficial da Organização Mundial da Saúde:

A incubação média é de 5,1 dias e 97,5% das pessoas que desenvolvam sintomas o farão dentre 11,5 dias a partir da infecção. Os sintomas serão desenvolvidos, de 101 entre 10 mil casos, dentre os primeiros 14 dias da quarentena. 

::A sexta-feira 13 e o coronavírus::

15/03/2020

Ontem foi um dia doido, não é mesmo? Em termos de ansiedade quanto à evolução da doença aqui na Europa, líamos novas notícias praticamente a cada segundo que éramos bombardeados pelos meios de comunicação. E olha que eu adoro sexta-feira 13 e não estava com nenhum pressentimento ruim quanto a este dia!…

Dentre tantas outras notícias, esse foi o dia em que o coronavírus chegou na cidade onde moro… E que anunciaram que no estado onde moro, Baden-Württemberg, as aulas estão interrompidas até as férias de Páscoa a partir da terça que vem. A partir da semana que vem estaremos os três em casa: meu marido e eu trabalhando em home office e meu filho sem aulas, mas provavelmente em contato frequente com sua professora e com os colegas. Bendita tecnologia!

Confesso que tive dores na barriga de tanta apreensão, ao mesmo tempo em que me acalmava e pensava que tenho boa saúde, tenho familiares saudáveis e que vivo em um país cujo sistema de saúde pode ser considerado como um dos melhores do mundo. Felizmente não estou nos EUA, onde um teste pode chegar a custar algumas centenas de dólares, sem falar no tratamento. Aqui ninguém precisa de ter medo de não receber tratamento por não conseguir pagar a conta do hospital. A não ser que a doença evolua rápido demais… nesse caso, não há sistema de saúde que comporte tantos casos graves necessitando de tratamento intensivo.

É por essas e por outras que saí ontem à noite para comprar medicamento e ir ao supermercado com o entendimento de que a partir de agora estou entrando em quarentena voluntária.

Pensando hoje no assunto, acho que uma quarentena voluntária é recebida de uma forma totalmente diferente de uma imposta pelo governo. Por um lado, não estou doente e por outro eu mesma tomei a decisão de ficar em casa para contribuir para que a propagação da doença aconteça de forma mais lenta. Li um livro, tomei sol na varanda, fiz ioga, cozinhei, me informei… Passei o dia tranquila. Felizmente, as dores na barriga já tinham sumido quando acordei.

Hoje temos perto de 3.800 casos registrados na Alemanha e 8 mortes enquanto a Itália conta com 17.700 casos e perto de 1.300 mortos. No total, temos pouco mais de 156.000 casos de coronavírus no mundo e pouco mais de 5.800 mortos. Depois que entendi que estamos a uma semana do quadro italiano, minha percepção sobre essa doença mudou completamente. Quanto mais ficarmos em casa, melhor será para todos. Esse artigo aqui explica isso direitinho.

Tenho observado uma divisão da sociedade em cinco grupos: 


a) os que querem ignorar a pandemia tapando o sol com a peneira;


b) os que já entenderam que a situação é crítica mas não querem mudar seus hábitos, querem continuar tendo contato social, ignorar as medidas sugeridas, etc;


c) os que já entenderam que a situação é critica e que cada um tem que dar sua parcela de contribuição, praticando a higiene e reduzindo seus contatos aos mínimo necessário;

d) pelo menos parte desse grupo dos que já entenderam que a situação é crítica, vem se preparando há alguns meses ou semanas para o pior, comprando estrategicamente comida e água e se precavendo para caso a situação se agrave, mas sem alarde. São os chamados “preppers“;

e) tem também o grupo dos que adoram propagar pânico, enviando p.ex. fotos em mídias sociais de partes de supermercados com suas prateleiras vazias e repassando fake news ou memes, em parte atiçando o pânico, em parte ridicularizando ou minimizando a pandemia. São pessoas que estranhamente adoram desinformação e confusão. Pode até ser que alguma(s) outra(s) força(s) esteja(m) aí por trás também!

Espero que a Alemanha tenha mais pessoas pertencentes ao 3-4. grupos porque a diferença da evolução da doença entre países que adotam medidas severas a tempo (Taiwan) e outros que adotam essas medidas mais tarde é enorme: a mortalidade varia de 0,5 a 4% do total dos infectados!

P.S.-Alguém pode me explicar por que pessoas que chegam do exterior só têm que ficar sete (!) dias em quarentena, sendo que o período de incubação é de 14 dias?!?

Agradeço a leitura atenta do meu fiel leitor André de Schröder de Berlim, que contribuiu para a expansão dos grupos da pandemia de três para cinco, incluindo os preppers e os que adoram um pânico e espalhar desinformação. Obrigada, André!

Fonte: página na internet do Robert Koch Institut, consultada no dia 14/03/20.


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