::Crise de positivismo::

28/03/2020

Vamos espalhar

Bondade

Cuidado com o próximo

Solidariedade

Vamos cuidar

Com a mente

Com o pensamento

Com o coração

Vamos doar

Nosso tempo aos mais velhos

Dinheiro para necessitados

A compaixão de nós colocar

No lugar do outro

Vamos provocar

Uma revolução de coisas boas

Vamos sonhar

Um novo mundo

Sandra Santos, 28/03/20

::Os efeitos do corona::

27/03/2020

Esse bichinho, o corona, já está virando nosso velho conhecido. Levantamos de manhã e ele ocupa nosso pensamento. Durante o dia, enquanto trabalhamos, damos uma paradinha ou outra pra checarmos como ele anda indo no mundo. À noite aqui em casa nos reunimos para ver o jornal e acompanharmos o que ele anda aprontando por aí. Já fiquei sabendo de gente que sonhou com ele. Com certeza muita gente teve também pesadelo por causa dele. Não deve ser nada fácil viver numa parte do mundo onde ele anda atuando feio. As únicas pausas são os memes, as brincadeiras e a vontade de rir, mesmo em situações difíceis, porque rir é sempre o melhor remédio.

Chegando ao fim da minha terceira semana de quarentena, em parte voluntária, comentamos aqui em casa que está sendo um pouco difícil ter noção dos dias da semana ou de manter uma rotina de horários. Pessoalmente, não tenho dormido bem, mas pelo menos um tremor interno que não queria me deixar foi passear em outro canto e deixou nosso apê, felizmente.

Tirando essas coisinhas e coisonas, aquelas listas enormes de mortes, curvas, análises sem fim, fiz uma lista esta semana de tudo o que a quarentena por causa do vírus fez comigo e o que tem acontecido nas últimas semanas pra mim e para a sociedade como um todo. Fiquei surpresa! Pelo menos no meu caso, a lista de coisas BOAS é pelo menos duas vezes maior do que a de coisas ruins. Minha amiga Alessandra confirmou o meu sentimento. Portanto pergunto: você já parou para pensar em como a crise atual tem lhe influenciado e em que aspectos você introduziu mudanças que lhe fizeram bem? Vale a pena listar! Você pode se surpreender com o resultado.

Para todos nós que moramos do outro lado do mundo como expatriados, temos que conviver agora com um fato que não temos e na realidade nunca tivemos como influenciar. Além de termos medo de perder familiares e amigos, sabemos que se isso acontecer, provavelmente não poderemos participar da despedida. Nos resta agora ter fé, focar em projetos positivos e ocupar nossa mente com coisas que esquentam nosso coração e nossa alma. Não podemos nos paralisar, porque o AGORA é precioso demais, vivemos como humanidade os mesmos perigos para enfrentar. Temos que tomar conta da nossa saúde física, mas também temos que alimentar nossa alma, nosso espírito: mens sana in corpore sano. Ninguém sabe o dia de amanhã e muito menos como será o mundo depois da pandemia. O momento é de perda e de dor, mas mesmo assim tenho um bom pressentimento quanto ao futuro depois da pandemia… você também? Ontem e hoje tivemos dicas importantes de dois dos líderes que nos ajudam a navegar na tempestade dos dias atuais:

“A única maneira de vencer esse perigo é agindo como uma humanidade.

Nós somos um. Uma só raça humana.”

Tedros Adhanom Ghebreyesus, WHO Director Geral

“Estamos todos no mesmo barco. Só avançaremos juntos.“

Papa Francisco, Missa Urbi et Orbit de hoje perante a Praça de São Pedro completamente vazia

Através de um artigo da Harvard Business Review, além de algumas observações minhas, sugiro pontos e perguntas a considerar durante a crise, quando estamos sendo convidados a deixar a corrida louca do dia a dia temos tempo para pensar em nós e de refletir sobre nossas vidas:

– Aprendizado: o que posso aprender com a crise?

– Jogo: a frustração faz parte do jogo. Ao invés de nos destruir por algo que não deu certo hoje, percebemos que podemos ter perdido hoje, mas podemos voltar a ganhar amanhã.

– Gratidão: devemos agradecer por tudo ao nosso redor, as pequenas e grandes coisas que fazem com que a vida valha a pena.

– Não temos controle de tudo: mesmo que tenhamos cultivado a ilusão de que podíamos controlar nossas vidas, a crise nos mostra que, em grande parte, estamos sujeitos àquilo que acontece conosco. Sucessos e insucessos nem sempre estão em nossas mãos, portanto nunca devemos desistir de tentar mais uma vez.

– Foco: precisamos saber discernir o que é realmente importante em nossas vidas, e o que pode ser deixado de lado. O que eu sempre queria começar, o que me deixaria orgulhosa de mim mesma se eu conseguisse terminar?

– Fé: independentemente de que religião fazemos parte ou mesmo que não tenhamos uma religião, percebemos que somos uma humanidade e temos que estender nossas mãos e nossos corações para orar e contribuir com todo e qualquer pensamento e meditação para a superação da crise.

– Relacionamentos: de quem sinto falta, principalmente neste momento de reclusão? Como posso cuidar de mim e mostrar ser meu bom amigo? A quem posso oferecer uma palavra de conforto ou mostrar que a pessoa me é cara e que eu me importo com ela? Não posso abraçar com as mãos, mas posso abraçar com o coração.

– Solidariedade: o que posso fazer pelo meu semelhante? Se não posso contribuir com minha mão de obra, posso contribuir para algum projeto social que diminua a dor de outros menos afortunados?

– Missão: por que estou neste mundo? Qual era meu propósito de vida? Por que vim a este mundo e o que quero ter feito antes de deixa-lo?

Sejamos resilientes no nosso caminho! Podemos ver obstáculos como sinais de que estamos no caminho certo e podemos ajudar nosso semelhante com pequenas e grandes dificuldades que ora se apresentam em tempos de tantas incertezas. Sejamos luz! Enquanto a minha luz brilha, ilumino à minha volta e com isso outras luzes hão de brilhar também.

Fonte: artigo da HBR de 27/03/20.

::Como ser um bom líder em tempo de crise – uma reflexão sobre liderança::

25/03/2020

Segundo um artigo da empresa de consultoria Korn Ferry, um líder em tempo de crise deve ser:

– calmo

– confidente/positivo

– corajoso

– empático

– resiliente

Para tanto, ele deve:

– expressar uma visão

– saber se comunicar de forma clara

– agir quando necessário

– buscar clareza

– manter o foco na simplicidade e nos objetivos principais

De todos os líderes que andam tentando lidar com a crise por aí, há poucos políticos que conseguem atender esses requisitos, dentre eles, aqui na Alemanha, a Angela Merkel e o ministro da Baviera Markus Soeder. Na minha opinião, no momento, os melhores líderes têm sido aqueles que sabem do que estão falando: virólogos, epidemiólogos, médicos, etc., como p.ex. o chefe do Instituto independete Robert Koch (RKI), Prof. Dr. Lothar H. Wieler ou o chefe da virologia do hospital Berliner Charité, Prof. Dr. Christian Drosten. Acreditemos na ciência!

Fonte: artigo da consultoria Korn Ferry.

::Reações dos governos brasileiro e alemão quanto à crise do coronavírus::

23/03/2020

Cada país está apresentando suas medidas com relação à crise do coronavírus, o que é natural devido à natureza disruptiva do que está acontecendo. Enquanto muitos se mostram preocupados com suas economias, a reação com relação ao ser humano por trás de cada empresa, de cada atividade produtiva, está acontecendo de forma bem diferente.

No Brasil, prevê-se que o produtor/empresário será apoiado por medidas do BNDS. Por outro lado, foi dada a entrada hoje de uma MP* (medida provisória) que permitirá ao empresário suspender o contrato e o salário do empregado durante quatro meses. Oi??? Eu me pergunto: e ele vai viver de que durante esse tempo, dentro de casa, e como ele vai colocar a economia para funcionar sem dinheiro??? Não consegui entender como uma economia vai poder ser reativada se o empregado não vai ter renda durante quatro meses… Será que uma MP dessas tem mesmo chance de ser aprovada ou eu entendi algo errado???

Aqui na Alemanha a ajuda veio, graças à social-democracia, de forma holística, não deixando praticamente ninguém de fora. O governo está injetando muitos bilhões de euros na economia e a princípio não se importa com o déficit interno que as medidas irão causar, pois o objetivo maior é colocar ordem no caos. Alguns exemplos:

– O empregado que tem que conviver com menos demanda no trabalho, ou não pode trabalhar no momento, recebe de 60-67% do salário através de um pacote dividido entre o empregador e o governo (Kurzarbeit).

– Pessoas com crianças de até 12 anos que não podem trabalhar por terem que tomar conta do filho, receberão 67% do salário ou até 2.016 EUR por 6 semanas, ao invés de terem que continuar compensando suas faltas com férias;

– Empresas de mais de 250 funcionários, como p.ex. a Lufthansa que só está podendo atuar com 5% de sua capacidade no momento, receberão grandes pacotes de financiamento, auxílio de capital de giro e algumas delas se tornarão a partir de então um misto de empresa privada e pública;

– Empresas de até 5 funcionários receberão um auxílio de 9.000 EUR e acima de até 10 funcionários receberão 15 mil EUR para poderem pagar o aluguel e custos fixos durante três meses;

– Autônomos e micro-empresários poderão pedir ajuda social ao governo (Hartz IV, Kinderzuschlag).

Em uma pesquisa feita pela revista Der Spiegel, a maioria dos leitores consideram que o governo está agindo bem e tomando as medidas certas na crise estrutural que ora se apresenta. Em parte, os auxílios que descrevi acima são empréstimos, mas o certo é que o governo não está economizando medidas, mesmo que isso torne o futuro mais difícil, para que o cidadão, independentemente de sua condição pessoal, não se sinta esquecido num momento tão difícil como o atual.

Mal as medidas foram anunciadas, recebi um telefonema da assistente da minha dentista: ela queria marcar novos horários comigo para julho (!), pois fechará o consultório até o final de junho. Pelo menos agora as pessoas podem continuar a quarentena com menos medo do que lhes espera no futuro!

P.S.-Em menos de 24 horas esta parte da MP foi cancelada, segundo minha amiga advogada Alice me contou. Obrigada, Alice! Bom, mas só desta MP ter sido colocada no papel com esta parte e o fato dela ter sido levada a público já dá uma noção boa da amplitude do perigo que corre pelas terras brasilis. Esse perigo não é só invisível como no caso do vírus, ele é visível e tem um nome: Jair Messias Bolsonaro, além daqueles que este senhor representa.

Fonte: artigo do jornal Der Spiegel de 23/03/20.

::Pandemia::

19/03/2020

Como seria se você pensasse nisso

Como os judeus enxergam o sábado—

A época mais sagrada de todos os tempos?

Pare de viajar

Pare de comprar e vender

Desista, só no momento,

De tentar fazer do mundo

Algo diferente do que ele é

Cante. Ore. Toque só naqueles

com quem você divide a sua vida

Entre em foco

E quando o seu corpo

Tiver ficado calmo

Toque com o seu coração

Saiba que estamos conectados

De maneiras que são assustadoras

E lindas

(Você teria dificuldade de negar isso agora)

Saiba que as nossas vidas

Estão no momento nas nossas mãos

(Certamente, isso ficou claro)

Não toque com as mãos

Toque com suas palavras

Toque como todas as garrinhas de compaixão

Das plantas que

Se movem, invisivelmente,

Onde não podemos tocar

Prometa a este mundo o seu amor—

Na alegria e na tristeza

Na doença e na saúde

Até que a morte nos separe

Autoria: Lynn Ungar 11/03/20

Tradução: Sandra Santos em 19/03/20

::Angela Merkel vê a crise do coronavírus como o maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial::

19/03/2020

Ontem a Angela Merkel falou na tevê durante 25 minutos procurando convencer os alemães a ficarem em casa e a manterem distância de outras pessoas ao sair de casa. Este foi o seu primeiro discurso ligado a uma crise durante seus 14 anos de governo, e somente pensando nisso já dá pra imaginar que a situação aqui é seria mesmo. O objetivo dela era de que todos sigam as recomendações dos especialistas, pensando em seus entes queridos e em pessoas doentes e idosas, e afirmou que se as medidas já adotadas não surtirem efeito, outras inevitavelmente virão (e daí ficaríamos mesmo confinados às nossas casas).

Desde ontem, 18/03/20, todas as lojas exceto supermercados e farmácias, além de alguns restaurantes e algumas filiais de bancos estão fechadas. Além destas, serviços de entrega, drogarias, bancos, posto de gasolina, comércio por atacado, lojas de bebidas, “Sanitätshäuser”*, Correios, cabeleireiro, lavanderia, venda de jornais, loja de construção, loja de jardinagem e lojas de produtos pra animais. Podemos por exemplo fazer compras pela internet e elas são entregues em casa. Já fiz algumas e, apesar de terem anunciado que as entregas iriam se atrasar, a maioria chegou aqui em casa dentro de 1-2 dias. Os Correios também continuam funcionando, mas fazem entregas sem contato físico e os carteiros passarão a assinar a entrega mesmo de encomendas registradas para evitar o contato. Todas as atividades de lazer estão fechadas: museus, teatros, bibliotecas, saunas, piscinas, etc. Todas as escolas estão fechadas, as crianças estão estudando sozinhas em casa, recebendo material dos professores por e-mail. Os parquinhos estão fechados, as crianças deveriam ficar a maior parte do tempo em casa, mas um passeio na natureza continua recomendado, desde que se respeite a distância social. Todas as pessoas que podem, estão trabalhando em Home Office. Aqui em casa, eu e meu marido trabalhamos de casa, enquanto meu filho de 14 anos fez um plano próprio com horários para estudar, pausas, e até para praticar ginástica em casa. Esta já é a segunda semana que estamos em casa, pois já tínhamos começado com nossa reclusão voluntária por conta própria na semana passada, depois que fiquei doente e a ficha caiu.

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::O Brasil e a Crise do Coronavírus – Por que o Presidente Bolsonaro é o Problema::

17/03/2020

Tradução do texto do jornal “Der Tagesspiegel” feita por mim, Sandra Santos

Bolsonaro, presidente de direita, ignora os perigos do coronavírus – por causa disso pode ser que o país se torne o próximo centro da pandemia

Pode ser que a pandemia do coronavírus se torne incontrolável no Brasil. O país pode ficar em uma situação caótica. Há uma razão simples para que isso aconteça: o presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, o chefe de governo de extrema direita do maior país da América Latina anda dando respostas confusas e contraditórias sobre como o governo pretende lidar com a expansão do novo coronavírus.

No último domingo à noite ele contradisse até seu ministro da saúde, Henrique Mandetta, que avisou às pessoas que deveriam evitar aglomerações.

O presidente disse ao canal “CNN Brasil“ que não está correto cancelar os jogos dos campeonatos de futebol no Brasil. Isso ajudaria a criar histeria. A CBF deveria mesmo continuar as vendas de ingressos. “Os cancelamentos não vão parar o vírus“, disse Bolsonaro. „A economia não pode parar“.

Disseminação de teorias da conspiração

Na mesma entrevista o Bolsonaro disseminou teorias de conspiração. Ele comentou que provavelmente alguém “tem interesse econômico nisso daí“. Já em 2009 houve outra epidemia – ele se referia à gripe aviária – mas naquela época não houve nenhum alvoroço por causa dela.

Segundo Bolsonaro, isso provavelmente aconteceu porque naquela época o Partido dos Trabalhadores estava no poder no Brasil, assim como os Democratas nos EUA. Assim ele acabou parafraseando os comentários de Trump que tinham sido feitos alguns dias antes através do canal “Fox News”.

O número de infectados pode crescer muito rápido no Brasil

No momento, mais de 200 pessoas estão infectadas com o Covid-19 no Brasil. Há temores de que o número de infectados possa crescer de forma muito rápida, principalmente, quando o vírus atingir as favelas com muitos moradores vivendo juntos em pouco espaço. Até o momento não há nenhum pacote de medidas coerente da política e dos órgãos responsáveis.

Uma grande multidão de brasileiros e turistas se encontraram no último final de semana em bares, restaurantes e discotecas em várias partes do país. As atrações turísticas, como por exemplo o Pão de Açucar e a estátua do Cristo continuavam com boa frequência de visitação.

Apesar de que alguns estados do país já tenham começado a fechar escolas, museus, bibliotecas e centros culturais, tais como São Paulo e Rio de Janeiro, esta política não vale para todo o restante do país. Além disso, algumas escolas ainda estão abertas para que as crianças mais pobres possam ter acesso, como de costume, a um almoço.

Aperto de mãos: nenhum problema para Donald Trump e Jair Bolsonaro

Em suma, falta liderança política no Brasil com relação à atual crise – apesar de não faltarem especialistas da área da saúde que sugiram que as pessoas fiquem em casa e que diminuam seus contatos sociais. O problema é o presidente Bolsonaro, que não tem capacidade de lidar com os desafios atuais e com a crise, e que de forma semelhante ao presidente dos Estados Unidos Trump, também parece entendê-la como um ataque pessoal a ele mesmo.

Isso ficou especialmente visível no último domingo, quando ele apertou as mãos de muitos dos seus fãs de frente para o palácio presidencial, o que aconteceu algumas horas antes de sua entrevista à CNN e mostrou que ele ignorava por completo todas as regras sugeridas pela Organização Mundial da Saúde.

Para entender a gravidade de seu ato é necessário mencionar que o próprio Bolsonaro pode estar infectado com o novo coronavírus. Seis pessoas com quem ele teve contato testaram positivo para a doença. Dentre eles: seu secretário da comunicação, a advogada dele, o embaixador brasileiro nos EUA, o prefeito de Miami e um senador brasileiro.

Bolsonaro não se interessa para o fato de que ele mesmo pode ser um perigo para outras pessoas

Todas as pessoas citadas acima estavam presentes, quando Bolsonaro se encontrou com Donald Trump no último domingo em seu resort de golf Mar-a-Lago e jantou com ele. É verdade que o primeiro teste do presidente de 64 anos de idade foi negativo. Ainda assim a Organização Mundial da Saúde prescreve em seu protocolo que a pessoa que tiver tido contato com doentes deveria se retirar em quarentena durante 14 dias para evitar que outras pessoas sejam infectadas.

Mas ele não se importa para o fato de que ele mesmo possa ser um perigo para outras pessoas. Ele se importa ainda menos se os cidadãos estão se infectando entre si com o coronavírus. O fato de que seus seguidores também estão cegos, pôde ser observado durante uma manifestação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que é apoiador do atual governo.

Ronaldo Caiado é médico e pediu que os manifestantes fossem para casa. Em seguida, ele foi vaiado. Em uma faixa de um dos fãs do Bolsonaro podia-se ler: “O Covid-19 pode vir. Nós estamos determinados a morrer pelo nosso líder”. O próprio Bolsonaro compartilhou no Twitter fotos e vídeos das manifestações com grande frequência.

O pânico está tomando conta

Sendo que na semana passada, ele mesmo tinha pedido aos seus seguidores para adiar as manifestações. No meio da confusão um líder de uma das grandes igrejas evangélicas do Brasil disse que o vírus não era perigoso. O bispo Macedo diz em um vídeo que o vírus é  “produto da mídia e do capeta”. Os evangélicos estão entre os maiores apoiadores do Bolsonaro.

Fica cada vez mais claro que Bolsonaro é um populista irresponsável que “não leva em conta o bem-estar público, mas sim a sua própria vantagem política”. Esta foi a afirmação do segundo maior jornal brasileiro, “O Globo”, que apoiou o presidente durante muito tempo por razões econômicas.

Fonte: artigo Brasilien und die Coronakrise: Warum Präsident Bolsonaro das Problem ist do jornal alemão Der Tagesspiegel de 16.03.20, 17:15 horas. Autor: Philipp Lichterbeck, que vive desde 2012 no Rio de Janeiro.

P.S.-Ainda não consigo entender por que pessoas com sintomas vindas do exterior devem ficar só uma semana de quarentena em casa, se o período de incubação é de 14 dias?!? Estou muito, muito preocupada! 

Informação oficial da Organização Mundial da Saúde:

A incubação média é de 5,1 dias e 97,5% das pessoas que desenvolvam sintomas o farão dentre 11,5 dias a partir da infecção. Os sintomas serão desenvolvidos, de 101 entre 10 mil casos, dentre os primeiros 14 dias da quarentena. 

::A sexta-feira 13 e o coronavírus::

15/03/2020

Ontem foi um dia doido, não é mesmo? Em termos de ansiedade quanto à evolução da doença aqui na Europa, líamos novas notícias praticamente a cada segundo que éramos bombardeados pelos meios de comunicação. E olha que eu adoro sexta-feira 13 e não estava com nenhum pressentimento ruim quanto a este dia!…

Dentre tantas outras notícias, esse foi o dia em que o coronavírus chegou na cidade onde moro… E que anunciaram que no estado onde moro, Baden-Württemberg, as aulas estão interrompidas até as férias de Páscoa a partir da terça que vem. A partir da semana que vem estaremos os três em casa: meu marido e eu trabalhando em home office e meu filho sem aulas, mas provavelmente em contato frequente com sua professora e com os colegas. Bendita tecnologia!

Confesso que tive dores na barriga de tanta apreensão, ao mesmo tempo em que me acalmava e pensava que tenho boa saúde, tenho familiares saudáveis e que vivo em um país cujo sistema de saúde pode ser considerado como um dos melhores do mundo. Felizmente não estou nos EUA, onde um teste pode chegar a custar algumas centenas de dólares, sem falar no tratamento. Aqui ninguém precisa de ter medo de não receber tratamento por não conseguir pagar a conta do hospital. A não ser que a doença evolua rápido demais… nesse caso, não há sistema de saúde que comporte tantos casos graves necessitando de tratamento intensivo.

É por essas e por outras que saí ontem à noite para comprar medicamento e ir ao supermercado com o entendimento de que a partir de agora estou entrando em quarentena voluntária.

Pensando hoje no assunto, acho que uma quarentena voluntária é recebida de uma forma totalmente diferente de uma imposta pelo governo. Por um lado, não estou doente e por outro eu mesma tomei a decisão de ficar em casa para contribuir para que a propagação da doença aconteça de forma mais lenta. Li um livro, tomei sol na varanda, fiz ioga, cozinhei, me informei… Passei o dia tranquila. Felizmente, as dores na barriga já tinham sumido quando acordei.

Hoje temos perto de 3.800 casos registrados na Alemanha e 8 mortes enquanto a Itália conta com 17.700 casos e perto de 1.300 mortos. No total, temos pouco mais de 156.000 casos de coronavírus no mundo e pouco mais de 5.800 mortos. Depois que entendi que estamos a uma semana do quadro italiano, minha percepção sobre essa doença mudou completamente. Quanto mais ficarmos em casa, melhor será para todos. Esse artigo aqui explica isso direitinho.

Tenho observado uma divisão da sociedade em cinco grupos: 


a) os que querem ignorar a pandemia tapando o sol com a peneira;


b) os que já entenderam que a situação é crítica mas não querem mudar seus hábitos, querem continuar tendo contato social, ignorar as medidas sugeridas, etc;


c) os que já entenderam que a situação é critica e que cada um tem que dar sua parcela de contribuição, praticando a higiene e reduzindo seus contatos aos mínimo necessário;

d) pelo menos parte desse grupo dos que já entenderam que a situação é crítica, vem se preparando há alguns meses ou semanas para o pior, comprando estrategicamente comida e água e se precavendo para caso a situação se agrave, mas sem alarde. São os chamados “preppers“;

e) tem também o grupo dos que adoram propagar pânico, enviando p.ex. fotos em mídias sociais de partes de supermercados com suas prateleiras vazias e repassando fake news ou memes, em parte atiçando o pânico, em parte ridicularizando ou minimizando a pandemia. São pessoas que estranhamente adoram desinformação e confusão. Pode até ser que alguma(s) outra(s) força(s) esteja(m) aí por trás também!

Espero que a Alemanha tenha mais pessoas pertencentes ao 3-4. grupos porque a diferença da evolução da doença entre países que adotam medidas severas a tempo (Taiwan) e outros que adotam essas medidas mais tarde é enorme: a mortalidade varia de 0,5 a 4% do total dos infectados!

P.S.-Alguém pode me explicar por que pessoas que chegam do exterior só têm que ficar sete (!) dias em quarentena, sendo que o período de incubação é de 14 dias?!?

Agradeço a leitura atenta do meu fiel leitor André de Schröder de Berlim, que contribuiu para a expansão dos grupos da pandemia de três para cinco, incluindo os preppers e os que adoram um pânico e espalhar desinformação. Obrigada, André!

Fonte: página na internet do Robert Koch Institut, consultada no dia 14/03/20.

::Quanto uma mulher vale no mercado de trabalho?::

14/03/2020

Outro dia estava lendo um post da Embaixada Alemã no Brasil sobre salários na Alemanha e me deparei com um comentário mencionando que há diferenças salariais entre homens e mulheres aqui. Repare: esse tipo de diferença não é permitido por lei para empresas com mais de 50 funcionários! Trabalho igual, salário igual. Mas daí a pessoa completou com um comentário neste sentido:

“Após uma rodada de entrevistas meu marido se “chocou” pelas mulheres que tinham o mesmo currículo dos homens e pediram um salário inferior aos deles.  Elas sempre respondiam que queriam um salário x, que era invariavelmente abaixo do dos homens que estavam sendo entrevistados. Eu disse ao meu marido que nós nos “desvalorizamos” porque talvez pensemos que uma gravidez e posteriormente um período de licença e achamos que a empresa irá nos descartar de imediato, então compensamos esse fato com um salário menor…“

Mas… se não nos dermos valor, quem nos dará? Depois de contratadas, não teremos muitas vezes a oportunidade de voltar a negociar nosso salário, então é importante nos informarmos quanto podemos ganhar, quanto o mercado está pagando para determinada categoria, e mencionar um valor dentro desse padrão na entrevista!

Entrevistei muitas pessoas, tanto do sexo masculino quanto feminino, tanto na Alemanha quanto na Suíça e percebi o mesmo, que as mulheres tendiam a pedir um salário inferior aos dos homens. Com o tempo, aprendi que a) só ganhamos aquilo que nos permitimos e b) se eu não me der valor, ninguém me dará.

Além das minhas próprias observações, há fatos. Como profissional de Recursos Humanos, eu já vi salários de várias empresas e em nenhuma vez percebi diferenças salariais grandes entre homens e mulheres. Se não há a tendência de promover a diferença salarial por parte das empresas, por que haveríamos de querer promover a discriminação da nossa parte? Isso seria muito contra produtivo, não é mesmo?

Lembro de ter lido no livro da Sheryl Sandberg, o „Lean In”, que em algumas vezes em sua trajetória ela presenciou mulheres que não lutavam pelo crescimento de suas carreiras exatamente por essa matemática pessoal, já contando que em tantos anos se casariam, em tantos anos teriam filhos… e daí elas consideravam que não valia a pena lutar por uma promoção se mais tarde ficariam, em parte, fora do mercado de trabalho. Mas… o ponto é que você está sendo questionada sobre sua pretensão salarial HOJE, sobre a nova posição HOJE!!! Já parou pra pensar nisso?!?

E, afinal, existem diferenças salariais? Todos sabemos que sim, em torno de 16% na Europa e dependendo do tipo de cálculo entre 2-22% na Alemanha. Mas esse cálculo é muito complexo. A questão é que muitas profissões consideradas femininas têm salários menores, além do mais, o número de mulheres que trabalham em período parcial na Alemanha é maior do que o grupo masculino. O trabalho no campo da educação, cuidados com idosos ou na área de saúde tende realmente a ser menos bem pago do que o trabalho técnico, por exemplo.

O trabalho mais próximo do ser humano, de cuidar e tomar conta, acompanhar, tratar, acaba tendo menos valor na sociedade e isso precisa ser mudado. Essa discussão já existe atualmente na Alemanha, mesmo porque há interesse de tornar essas profissões na área humana também interessantes para homens, já que há falta de mão de obra, e uma das maneiras de se alcançar isso é avaliando a questão salarial.

Além do mais, ainda tem que ser levada em conta a divisão de trabalho fora do ambiente empresarial, de todo o trabalho investido na casa, no cuidado dos filhos e dos parentes. Esse trabalho deve cada vez mais ser dividido igualitariamente entre homens e mulheres, além de práticas governamentais tais como o apoio ligado p.ex. a escolas em tempo integral e creches, para proporcionar às mulheres a possibilidade de se garantirem no âmbito profissional, crescerem em suas carreiras e poderem trabalhar mais horas por semana, caso assim o desejarem.

É importante lembrar e colocar em perspectiva dados que deveriam ser considerados quando uma mulher pensa em sua trajetória profissional, já que os riscos de ficar dependente financeiramente do marido podem pesar em várias fases de sua vida, tanto com relação a uma eventual separação, quanto com relação ao risco de elas mesmas perderem seus postos de trabalho ou sua capacidade empregatícia, a uma eventual morte do marido antes da aposentadoria, como também com relação à sua própria aposentadoria na velhice. Das mulheres casadas aqui na Alemanha, 19% não têm rendimento próprio e 63% têm um salário menor do que mil euros. Somente 6% das mulheres ganham acima de 2.000 euros! Quanto menor o salário, naturalmente menor será a contribuição para o sistema social e menor será a aposentadoria! Em 2016, na ex-Alemanha Ocidental, os homens receberam em média 1.078 euros de aposentadoria e as mulheres somente 606 euros. Na ex-Alemanha Oriental, os homens receberam 1.171 e as mulheres 894 euros. Isso demonstra a maior participação das mulheres no mercado de trabalho do lado oriental, além de ressaltar a diferença gritante da aposentadoria entre os sexos.

Esse e muitos outros assuntos que dizem respeito ao lugar da mulher no campo profissional, além de estratégias de crescimento (e reinvenção) profissional são tratados no meu segundo livro (Re)descobrindo quem é você, que pode ser encontrado na Amazon. A hora da mulher lutar por seu lugar ao sol e por seu reconhecimento profissional é AGORA.

P.S.-O livro pode ser encontrado em todas as páginas do Amazon espalhadas pelo mundo, em versão ebook ou impressa.

Fonte: artigo „Wie hoch ist der Gender Pay Gap wirklich?“ de 18.03.19, Tageschau.

::HERstory e o Dia Internacional das Mulheres::

08/03/2020

Feliz Dia Internacional das Mulheres!
O entendimento da importância do feminismo como forma de nos afirmarmos como parceiras dos homens, com os mesmos direitos e deveres, vem muito também através do entendimento e da reflexão histórica. A memória é e sempre foi espaço de disputa! Ajudemos a escrever HERstory, a entender qual foi o papel de figuras femininas na História e a defender um espaço público feminino que se equalize à nossa existência na sociedade!

Se não tiver tempo pra assistir todo o vídeo, veja pelo menos os 6-8 últimos minutos!

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