Posts Tagged ‘História’

::Viva Hipátia::

28/03/2014

Desde que assisti o filme Ágora virei fã incondicional dela. Leia mais aqui sobre a história da vida da matemática, astrônoma, professora e filósofa Hipátia.

Leia aqui sobre o filme Agora ou Ágora, que conta a história da vida dela com o papel principal ocupado por Rachel Weisz. Vale muito a pena vê-lo!

::Visita ao museu de arqueologia de Constança::

24/03/2014

Taí. Precisei de 16 anos para ir ao museu de arqueologia de Constança e tenho que dizer que adorei a visita! Depois dos primeiros dias lindos de primavera deste ano, este final de semana foi chuvoso e bem frio. Parece que a primavera resolveu dar uma folga e a chuva decidiu cuidar das flores, que já enfeitam toda a região em todas as suas esplêndidas cores e formas. Dada a mudança de temperatura, busquei algo pra fazer com crianças que não dependesse de tempo bom.

Fomos eu, Daniel e dois amiguinhos dele. As crianças foram atraídas por uma exposição toda feita de Playmobil, já que o museu tem sempre uma preocupação de construir cenas históricas e fazê-las visíveis aos olhos dos pequenos. As cenas que vimos hoje foi sobre o Concílio que aconteceu em Constança há 600 anos atrás (1414-18), do qual participaram 70.000 pessoas. Durante o Concílio de Constança, foi escolhido no ano de 1417 o novo Papa Martin V, portanto um acontecimento de repercussão mundial. Do lado da exposição a criançada tinha muito Playmobil e um quebra-cabeça gigante pra brincar. Aqui um link para um vídeo sobre esta exposição.

O museu tem ao todo 4 andares de história. Vimos o que a região onde moramos significou nos séculos passados, quando o Lago de Constança foi importante para as trocas comerciais dos alemães com o resto do mundo, dadas as dificuldades logísticas de antigamente. Nos outros andares vimos também muito da história do povo alemão (Alemannen), que é originário do norte da Alemanha e que povoou o que hoje é conhecido como o estado de Baden-Württemberg aqui na Alemanha. Em Württemberg fica parte do povo alemão conhecido como suebis, aliás na minha opinião os mais parecidos com os mineiros aqui na Alemanha, por serem altamente econômicos como nós. Abaixo um mapa da Europa no século V:

Aprendi que os romanos tinham também tentado ocupar a região do povo alemão (Alemannen ou Alamannen em latim), mas depois de terem tentado entrar no sul da Alemanha e ter até ocupado algumas cidades, eles tiveram que recuar e se limitaram às cidades ao longo do Reno (fronteira da Alemanha com a Suíça e a França). Aprendi também que os arqueólogos conseguiram recuperar grande parte da história do povo alemão através do estudo arqueológico da região, mais intensivo desde os anos 80, e também das descobertas derivadas dos túmulos daquela época, pelo fato distinto de que os cristãos não levavam presentes para o além e do contrário os alemães acreditavam que havia vida após a morte, levando consigo coisas representativas da sua vida terrena (jóias, armas, instrumentos musicais, etc.). Fiquei sabendo que o homens que faziam parte do povo alemão tinha em média 1,72 cm de altura, e as mulheres tinham 1,62 cm de altura, portanto nem tão mais baixos do que a média atual. As casas eram feitas de madeira, barro e tinham que ser refeitas a cada 20 anos em média. Pelo fato do povo alemão ter conseguido expulsar os romanos de suas terras e ter chegado até a tentar conquistar mais território, eles puderam manter seu idioma e sua identidade cultural. Este idioma é a origem dos dialetos alemães de hoje em dia, que vão de um território que abrange o norte da Suíça, norte da Áustria, Lichtenstein, sudoeste da Baviera até grande parte do estado de Baden-Württemberg e mostram que apesar de serem vistos como vários países, trata-se do mesmo povo. A partir do século XIII os romanos passaram a chamar o território teutônico de território alemão, o que deu origem ao nome Alemanha e à denominação do povo alemão no caso das línguas derivadas do latim, como por exemplo no caso do português, espanhol, catalão e francês, mas também para o idioma turco, árabe, curdo e persa.

Tanta coisa para descobrir! Sou super interessada por história, pelos ceutas e pela história de como se formou o povo alemão (reunião dos povos Alemannen, Franken, Friesen, Sachsen, Angeln e Thüringer do mapa acima). Agora fiquei com vontade de aprender mais ainda sobre os temas! E voltar ao museu, quando entender um pouco mais do assunto. Portanto recomendo, pra quem estiver de passagem por Constança, que não cometa o mesmo erro que eu e vá visitar o museu assim que tiver a oportunidade!

Fontes: Museu de Arqueologia de Constança (Archäologisches Landesmuseum) e Wikipedia (Allamanen).

::Especial STUM: Sim, é possível porque está acontecendo!”

20/10/2011

Depois de ter comentado no post abaixo sobre História, abro minha caixa postal e leio o texto seguinte – imperdível – sobre os ciclos de mudanças da História recente e atual. Coincidência? 😉 Não posso deixar de republicá-lo aqui! Trata-se de um newsletter da página STUM – Somos Todos Um:

“Amiga e Amigo leitor, estamos todos vivendo, talvez sem percebê-los em todo seu alcance, momentos cruciais e extraordinários para nosso planeta. Por alguma razão, talvez por causa do exemplo e mérito do meu saudoso pai, sempre tive um interesse profundo nos assuntos internacionais, mundiais, que considero essenciais, ainda mais no mundo atual que a tecnologia da informação hoje reduziu àquele imediato espaço-tempo virtual, que corresponde a um clic do mouse.

Desejo aqui compartilhar brevemente os principais eventos mundiais, na minha humilde opinião, que mudaram para sempre a história da Humanidade e que me acompanharam nesta vida, desde minha chegada ao planeta até este momento.

1945 – Enquanto ainda me encontrava nadando no ventre de minha mãe, em Maio, terminou a segunda grande guerra, com mais de 40 milhões de mortos, em sua maioria civis inocentes, e permitiu a todos constatar o que pode acontecer quando entra em ação a mistura fatal de expansionismo, nacionalismo e ódio racial. O Japão capitulou quatro meses depois, em Setembro, após o brutal ataque a Hiroshima e Nagasaki, quando as bombas nucleares exterminaram centenas de milhares de crianças, mulheres e velhos inocentes; algo inominável que considero impossível justificar. Havia de fato lá muitos outros objetivos militares, como a frota imperial ancorada na baía de Tóquio. O mundo, que tanto precisava de paz, ainda não havia aprendido a lição. As ogivas nucleares começavam a mostrar a que tinham vindo. Começava a Guerra Fria.
E nada ficou como antes…

1968 – No Brasil da ditadura militar, com sua severa censura, pouco foi divulgado sobre estes episódios, mas a Europa foi sacudida de forma irreversível em seus centros de poder…
– Paris, Maio: guerrilha nas ruas e praças. A política tradicional, o capitalismo ocidental, a igreja e a sociedade sofrerão o primeiro grande golpe desta segunda metade do século. Não se trata -em momento algum-, de um movimento eclodido por motivos econômicos; as pessoas, principalmente os estudantes, ocupam praças, constroem barricadas, dominam um bairro inteiro, o Quartier Latin, marcham nas avenidas principais, questionam, desafiam o sistema, o status quo, a sociedade de consumo, apavoram o poder estabelecido. Percebem, sabem que mais esta revolução pode ser vencida. Coesos e com objetivos claros de reformas sistêmicas, os estudantes exigem democracia no nível da rua e disponível a todos, articulam-se de forma a conseguir o apoio de praticamente toda a população…
A Sorbonne -a mais conceituada Universidade francesa-, foi invadida e ocupada; a contestação atingiu níveis paradoxais. Tudo, tudo começou a ser discutido, todos os aspectos da vida social vigentes foram transcendidos, desde os métodos de ensino aos exames de fim de curso, do sistema político ao da saúde pública. A panela de pressão havia estourado e um novo horizonte se tornou realidade. As relações de poder entre o cidadão e as autoridades mudaram da água pro vinho…
E nada ficou como antes…

1989 – A queda do muro e da URSS
Em 9 de Novembro daquele ano, encontrava-me em Dusseldorf, na Alemanha e creio que poucas vezes me emocionei tanto. Nos locais públicos, lojas, restaurantes, farmácias, bancos, havia um ou mais aparelho de TV ligado. Todos continuavam trabalhando ordeiramente e em silêncio, mas com contagiantes lágrimas nos olhos. As imagens mostravam incrédulos alemães orientais, com e sem documentos, passando pelos escancarados postos de fronteira de Berlim -ainda em mãos dos guardas do regime-, que ficaram submersos, e sem reagir, pela multidão avançando rumo ao lado ocidental. Lembro que alguns dirigiam os obsoletos, fumacentos e descartáveis carros Trabant, que em pouco tempo foram jogados em profundas valas abertas nos fundos dos postos de gasolina mais afastados das cidades. Membros de famílias, separadas durante dezenas de anos, ansiosamente espreitavam os que passavam pela fronteira e quando alguém era localizado a comoção tomava conta e a turma -chorando sem parar-, festejava como se tivesse assistindo a um gol de seu time de futebol.
(Agradeço ao Universo por ter me permitido saborear este momento de celebração).
Com a subsequente queda do muro, ato contínuo, começou o inexorável desmoronamento da União Soviética, da cortina de ferro, do sistema comunista.
A Guerra Fria havia acabado para sempre. A Alemanha estava finalmente reunida.
E nada ficou como antes…

2001 – Um novo inimigo: o terrorismo
Os ataques em solo americano -pela primeira vez na história-, mudaram nossas vidas, a dos iraquianos, dos afegãos, dos islâmicos em geral e dos americanos, que perderam desde então seus direitos constitucionais, ficando submetidos à lei chamada de “ato patriótico”:
“Entre as medidas impostas pela lei, estão a invasão de lares, espionagem de cidadãos, interrogações e torturas de possíveis suspeitos de espionagem ou terrorismo, sem direito a defesa ou julgamento. As liberdades civis com esse ato são removidas do cidadão. Muitos historiadores relacionam essa lei como um passo legal para a instituição de lei marcial na eventualidade de qualquer evento de terrorismo, falso ou verdadeiro” (Wikipédia)
Sim, os EUA em crise profunda encontraram o terrorismo, palavra-chave que hoje apavora meio mundo e que justifica qualquer ação de retorsão comercial, diplomática ou militar, para manter o medo como companhia constante dos habitantes dos EUA e do planeta.
Não vamos aqui entrar no mérito sobre a autoria do ataque, aspecto que já foi tratado em outro especial.
E nada ficou como antes…

2011 – Sim, é possível, pois está acontecendo!
Pessoalmente, acredito que este ano, que está quase terminando, tenha sido o mais importante, o mais crucial de todos os que relatei. Será o marco deste século.

Os bravos e determinados filhos da “Primavera Árabe”, saturados pelo jugo de regimes feudais, os “indignados”, em sua maioria desempregados, sem esperança e sem projeto de vida, que ocuparam a principal praça de Madri e as de todas as partes da Espanha, abriram uma nova era para a Humanidade. Em poucos meses, algo que parecia puro devaneio com os dias contados, mostrou toda sua força, derrubando ditadores vitalícios, e espalhando aos quatro ventos uma semente poderosa, que aos poucos está ganhando as ruas do mundo inteiro, exigindo mudanças estruturais profundas, carregando pelas ruas e praças as bandeiras da ética, da justiça, da luta sem fim às desigualdades, ao preconceito, à separação.

Estamos apenas no começo. Com ou sem o apoio da mídia, muitas vezes impossibilitada de operar com liberdade, a Internet e suas redes sociais, bem empregadas, estão conectando, informando, motivando milhões e milhões de pessoas que começaram a sentir e apreciar seu real poder, outrora negado e manipulado e que emana de uma infinita maioria de trabalhadores, estudantes, homens e mulheres, seres humanos cansados de projetar num futuro que nunca chega suas realizações pessoais, profissionais, seus sonhos.
Quase 100 países se encontram hoje em agitação permanente. Metade dos países da Europa está em profunda crise econômica e social.

Os políticos, em sua maioria limitados, desmoralizados e ambiciosos, para dizer o mínimo, não conseguem sequer entender o que acontece de fato com a sociedade, abandonada inexoravelmente às cruéis leis de mercado. O socorro disponível ignora o aspecto básico do ser humano, focando, privilegiando como sempre as instituições financeiras para -dizem-, evitar uma “crise sistêmica”.

Percebo que o Universo está atuando num movimento pontual, sereno, implacável, que somente perturba quem não o percebe, por estar cego e surdo aos chamados de sua própria alma, esquecendo-se de que uma das sete leis espirituais é a do carma, como pode ser bem compreendido no livro “Morrer não se improvisa” de Bel Cesar.

Não será preciso desenvolver novos sistemas de governo, visto que uma democracia -finalmente iluminada-, amorosamente atuante, priorizando as enormes e urgentíssimas necessidades da Humanidade, terá todas as condições morais de estar à frente de povos despertos e conscientes.
Somente trazendo a Espiritualidade de volta às nossas vidas, poderemos transformar o mundo inteiro. Não haverá necessidade de destruir nada do que está aí. Basta afastar de vez -ou reabilitar-, os irmãos que ainda se encontram na sombra.

Vamos nos tornar também ativistas da Luz, mensageiros da Verdade que liberta?

O chamado é forte, é global, precisamos agir também, de acordo com nosso potencial. Creio seja o momento de consagrar nossa energia, amor-próprio e disponibilidade em prol desta enorme onda de transformação de consciências, alegres e felizes por poder servir ao Universo neste momento fundamental, fazendo nossa parte com inteligência, coragem, determinação e muito amor, em cada ato de nossa existência.
E nada ficará como antes…

Sim, somos um só!
Agradeço aqui os queridos e pacientes Guias e mais a turma toda que permite que o site exista: Rodolfo, Sandra, Teresa, Marcos, Anderson, Ian, Lidiane… e Você!

Namastê (O Deus que É em mim saúda o Deus que É em Você)”.
Sérgio STUM (autor do texto) – Obrigada!!!

::Memórias dos alemães::

20/10/2011

Conversando com alemães, aprendemos muito com suas memórias. A Neusa d'”O Paraíso sem Bananas” que o diga! 🙂

Quando apresentei meu livro em Hildesheim e comentei sobre a existência de orgulho regional, e por outro lado da quase ausência do orgulho nacional no país, alemãs com atualmente uns 50 anos comentaram comigo que não tiveram aula de história da Alemanha depois da época de 30. Antes da crise econômica daquela década ter entrado em vigor, a aula de história parava abruptamente pra pessoas daquela idade, na época quando estavam na escola. Por sua vez, em casa pouquíssimos falavam sobre experiências e memórias das Guerras. Só a partir dos anos de 70 voltou-se a dar aula sobre toda a história alemã, o que elas constataram quando seus filhos foram para a escola. Não admira que as pessoas tenham tido muita dificuldade aqui na Alemanha de desenvolver um orgulho pelo país, o que foi substituído pelo orgulho regional, mesmo levando em conta que o país pôde bravamente se reerguer depois das Guerras.

Conversando com um professor de matemática vindo da Alemanha Oriental, comentei com ele que acho as possibilidades de pesquisa das crianças e jovens hoje em dia absolutamente fantásticas, pois eles têm fontes intermináveis pra buscar o saber, o que nós, pelo menos na minha geração, não tivemos. Contei pra ele que na minha época de universidade existia um só livro na biblioteca para uma sala de 40 pessoas, e antes mesmo que o professor acabasse de passar o nome do livro uma das minhas colegas de classe já estava esperando em pé na porta da sala pra sair correndo pra biblioteca e pegar o tal livro emprestado, deixando os outros colegas a ver navios… O jeito era pegar o livro emprestado dela por algumas horas e pagar por cópias horríveis de xerox, que se amontoaram ao longo dos anos de universidade. No final de 4 anos, tinha uma pilha de uns 40 cm de cópias! O alemão oriental, por sua vez, me contou que fazer cópias era proibido na Alemanha Oriental, pois tinha-se medo que se fosse feita propaganda contra o sistema. Os alunos foram criativos e inventaram um jeito de ganhar um dinheirinho: faziam suas anotações com folhas separadas por papel carbono e assim tinham cópias, que por sua vez eram vendidas para outros estudantes. Assim, tanto lá quanto cá, todos davam seu jeitinho de aprender!

::Selo também é cultura: a batalha de Varus::

17/09/2009

„Varus, devolva-me minhas legiões!“, é o que segundo a história foi dito pelo imperador Augusto, assim que ele ficou sabendo que os romanos tinham perdido a batalha na floresta do Castelo Alemão (Teutoburger Wald). Naquela floresta aconteceu no século IX d.C. uma grande batalha entre três legiões romanas comandadas por Varus e grupos germanos comandados por Arminius, também conhecido como Hermann, o querusco. A vitória naquela batalha significou que a região entre os rios Reno e Elba estariam a salvo da dominação romana e assim grande parte dos grupos germanos continuaram livres.

Desde 1875 existe uma enorme estátua chamada Hermannsdenkmal (Monumento do Hermann) perto de Detmold, que lembra desta vitória dos germanos contra os romanos.  

O Hermann se tornou uma figura simbólica da história alemã. Para comemorar 2.000 anos da batalha de Varus a Deutsche Post (Correios alemães) lançou o selo acima, que mostra a máscara facial de um cavalheiro romano, um busto do imperador Augusto e o monumento de Hermann, que eu conheci quando morava no norte da Alemanha e indico para um passeio de final de semana, já que a região é muito bonita e o monumento é bastante imposante. Este é um dos novos selos que comprei para postar o livro “Mineirinha n’Alemanha” para novos leitores. Vou apresentar outros selos mais tarde, ok?

::O que é prelo?::

03/12/2008

Achei este artigo super educativo e informativo e por isso ele está sendo copiado abaixo:

máquina tipográfica de impressão;
prensa.

História:
O desejo das pessoas de querer ler (e aprender!) mais e mais levou o homem a pensar em uma máquina que pudesse imprimir livros. Em 1450, o alemão Johann Gutenberg deu forma à tão sonhada máquina de impressão: o prelo. Houve uma revolução! Afinal, tornou-se possível fabricar um número maior de livros a um custo menor. Assim, as idéias passaram a se propagar com muito mais rapidez.

Imagine que Gutenberg, com a ajuda de um mecânico, aperfeiçoou uma prensa de espremer uvas para criar a tal máquina, que funcionava assim: uma alavanca girava uma rosca de madeira, que abaixava uma tábua, que apertava o papel úmido, que estava colocado sobre as letrinhas, que arrumadas em palavras e frases e sujas de tinta iam imprimindo as páginas uma a uma. Ufa! Era como se para cada página fosse preparado um grande carimbo. Só que era possível desmanchar esse carimbo, tirando as letras e reorganizando-as para cada página nova.

Para agüentar tantas impressões, as letras eram fabricadas em metal. E na oficina de Gutenberg, como, depois, nas oficinas dos que copiaram a sua idéia, havia muitas letras repetidas. É fácil entender o porquê: para escrever “casa”, por exemplo, usamos duas vezes a letra “A”. Para escrever a frase “A casa de Ana Maria é grande e arejada”, usamos 11 vezes a letra “A”. Imagine, então, para escrever tudo o que continha cada página de um livro! Era preciso uma coleção de cada letra – maiúsculas e minúsculas. Nas oficinas de impressão havia caixas de letras maiúsculas e minúsculas. Havia também acentos e toda a pontuação. Tudo separado e organizado para facilitar o trabalho. O conjunto de letras, acentos e pontos em metal criados por Gutenberg ficaram conhecidos como “tipos móveis”, pois podiam ser organizados e reorganizados a cada nova página.

Imprimir era um trabalho especial que exigia uma organização muito grande e um conhecimento técnico especial. Em cada impressora havia um chefe de oficina e uma pessoa para cuidar de cada uma das etapas necessárias para se imprimir o livro: uma para compor as palavras e frases; outra para passar a tinta e tirar uma prova da página; outra para revisar as páginas, para ver se estavam de acordo com o que o autor havia escrito; outra ainda para passar a tinta de novo no bloco de palavras e encaixá-lo na máquina. Havia quem umedecia as folhas de papel para facilitar a impressão; o impressor, que acionava a manivela do prelo; o ajudante, que apanhava as folhas já impressas e as empilhava lado a lado, de acordo com a seqüência, para não misturar. E acima de toda essa equipe é que estava o chefe de oficina. Ele coordenava, apressava e vistoriava todo o trabalho.

O livro, naquela época, não saía da oficina pronto, com capa. Suas folhas eram vendidas num mesmo pacote, mas soltas. Cada um que comprava um livro mandava pôr a capa que queria. Às vezes, ela era de couro, com enfeites dourados. Outras vezes tinha até pedras preciosas decorando. Alguns reis mandavam fazer as capas de seus melhores livros assim.

No começo, como o prelo não imprimia desenhos, estes eram feitos por artistas contratados pelos chefes das oficinas. Depois, as ilustrações passaram a ser feitas a partir de uma matriz de madeira. Tratava-se de um “carimbo” com o desenho, chamado até hoje de xilogravura. Algum tempo depois, essa matriz de madeira foi substituída por outra, de metal, mais rápida e detalhista.

O invento de Gutenberg ficou cerca de 300 anos sendo usado sem grandes alterações. Só quando surgiu a impressora construída em metal é que se pode dizer que houve uma grande transformação. Mas este é um outro capítulo da história da imprensa e da fabricação de livros…

::História de um amor::

12/08/2008

Alguns estilos, cada um bonito à sua maneira. Com vocês, Joy Denalane e Max Herre.

Mit Dir (Com você)

Geh jetzt (Vá agora)

Höchste Zeit (Tá passando da hora)


1ste Liebe (Primeiro amor)


::Passeio de domingo::

15/06/2008

Freilichtmuseum Neuhausen ob Eck

Visitei hoje um museu ao ar livre na cidade de Neuhausen ob Eck. Há sete museus deste tipo só aqui no estado de Baden-Württemberg. O museu de Neuhausen ob Eck é composto de 24 casas antigas típicas daqui do sul da Alemanha, que foram transportadas para dentro do areal do museu e ornamentadas como eram no local original. Meu sentimento era de como estivesse fazendo uma viagem ao tempo e visitando novamente minha vó, que morava na roça no interior de Minas, em Viçosa, sem energia elétrica, se alimentando das plantações, animais e da farinha de trigo que moía no moinho. No museu de hoje dá pra ver como eram as casas, as escolas e as profissões daqui nos séculos passados. Naturalmente muitas profissões já nem existem mais. No museu há também várias pessoas demonstrando como era a vida campesina e as profissões da Alemanha de antigamente. O museu está comemorando 20 anos e a festa de hoje foi com preços de 20 anos atrás, tanto do ingresso quanto de tudo que estava sendo vendido dentro do museu, inclusive comidas e bebidas típicas. A visita valeu a pena!

::Meio a meio::

09/06/2008

Meu coração é metade verde e amarelo e a outra metade é preta, vermelha e dourada. Falo isso sem querer ser arrogante ou por outro lado sem me sentir traidora das minhas origens. Moro aqui há 15 anos e sou orgulhosa tanto do Brasil quanto da Alemanha, considero ambas as nações dignas de respeito e de amor e sinto que as duas são diferentes, mas não superiores ou inferiores entre si. Há pontos bons e ruins aqui e lá, não há um país perfeito neste mundo.

GuerreiroDá pra perceber quando assisto a um jogo de futebol, como o que acabou de acontecer hoje da Alemanha contra a Polônia: vibro como se fosse o time brasileiro que estivesse jogando, e tenho orgulho dos jogadores, torço para que eles cheguem a uma boa colocação e, se possível, ganhem o campeonato europeu de futebol, que começou ontem na Suíça e na Áustria. Só quando a Alemanha joga contra o Brasil, nas copas mundiais, é que “mudo de time” e torço de coração para o Brasil, minha pátria amada, lugar onde nasci e de onde vêm minhas raízes e minha cultura, minha visão de mundo. Mas como desta vez a competição é européia, estou torcendo 100% pela Alemanha. Detalhe: No jogo de hoje contra a Polônia havia um brasileiro recém-naturalizado polonês, chamado Roger Guerreiro. Alguém o conhece? Disseram que ele joga há 2 anos e meio em Warschau. Há mais brasileiros no campeonato: jogando no time da Turquia “Mehmet” Marco Aurelio e no time espanhol Marcos Senna. E no time alemão há dois dos melhores jogadores, Klose e Podolski, que nasceram na Polônia e o Podolski foi quem fez os dois gols da vitória do jogo de hoje. Mundo globalizado esse, nao é mesmo?

Mas eu só assisto jogos de futebol de grandes campeonatos. Fora deles, futebol não me interessa nem um pouco. Daí passam a ser 22 bobos correndo atrás de uma bola, pois pra mim futebol está ligado a festa e confraternização entre os povos e um joguinho de campeonato alemão ou brasileiro não chega a tamanha importância, pelo menos no meu modo subjetivo de ver este esporte.

Li nos jornais que fizeram um estudo aqui na Europa, dentre os países participantes do campeonato europeu de futebol, para analisar as preferências entre sexo e futebol. Somente na Itália e em Portugal as pessoas se dizem mais interessadas por sexo, nos demais países ganha o futebol. Será que é porque ele dura mais? Hehehehe… O futebol, desde a última copa mundial, deu ao torcedor alemão o direito de sentir orgulho do país, desde então ele tem a liberdade de poder ter um sentimento nacionalista saudável, o que é muito bom para o país. Todos falam aqui da “fábula do verão de 2006” e querem que ela se repita este ano. E enquanto o número de torcedores do sexo masculino continua mais ou menos o mesmo, o número de torcedoras do sexo feminino aumenta. Será que é porque tem realmente uns homens muito bonitos jogando futebol, vide o goleiro Artur Boruc da Polônia? Mesmo assim, contino não entendendo por que alguns esportes são quase que totalmente masculinos, por que os campeonatos femininos de alguns esportes não recebem a mesma pompa que os campeonatos dos homens. Para mim, tinha que ser tudo meio a meio, fifty-fifty para tudo entre homens e mulheres, em todos os campos possíveis e imagináveis, respeitando naturalmente a constituição física de cada sexo.

Aliás pulando pra este assunto, começaram a surgir alguns livros por aqui que tentam resgatar o nome de mulheres importantes ao longo da história, pois também a História tenta fazer acreditar que só homens ocuparam papéis importantes ao longo dos séculos. Acho isso de resgatar a história feminina super importante, pois a repetição de grandes atos depende também de bons exemplos, que teimam em não nos mostrar. E também com o fim de mostrar que, na realidade, o yin-yang, a convivência construtiva e positiva entre homens e mulheres é que tende a ser boa para ambas as partes. A solução está no meio do caminho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.


%d blogueiros gostam disto: